Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Espanha, a crise e o sector da construção

 

Sofia Viana Carvalho | C13

 

 

 

 

Hoje creio ser um dia curioso para começar a redigir este artigo. Aqui em Madrid é frequente os sul-americanos meterem conversa comigo na rua. Normalmente as senhoras queixam-se do frio, de que estão cansadas e de que esta cidade é uma confusão. Hoje, no metro, foi um senhor equatoriano que puxou conversa enquanto víamos o noticiário: "Só mostram coisas más, só mostram coisas pessimistas, e são eles os intelectuais! Só se fala da crise, as pessoas estão cercadas por uma nuvem de crise e não vêem mais nada."

 

A crise continua a ser o mote do dia desde há mais de cinco anos, tanto nos telejornais, como nos jornais e nas revistas.

Em Espanha, no geral, as classes média e média baixa, vivem com melhores condições financeiras do que as portuguesas mas, na verdade, os semblantes apáticos não são em menor quantidade. Aqui consome-se essencialmente sensacionalismo, desgraças e futebol.

 

Na minha opinião não estamos a enfrentar uma crise, mas sim uma fase de mudança que tem repercussões tanto a nível social, como económico e político. Penso que não há retorno e que estamos a viver um inevitável rompimento com o passado, que exige de nós uma nova dinâmica, uma nova mentalidade e espírito de sacrifício para encontrar soluções.

Infelizmente é um processo doloroso e penso que não há melhores reflexos que os impactos drásticos que foram sentidos por países cujas economias eram consideradas modelos a seguir.

 

 

 

 

 

 

 

Segundo o jornal El Mundo, as previsões da Comissão Europeia para a economia espanhola não são as melhores. Até 2010 prevê-se um novo aumento do desemprego e crê-se que afectará quase 19% da população activa, sendo esse aumento reflexo da falta de crescimento do PIB. O cenário apresentado pela Comissão Europeia é mais pessimista do que o do governo e, para além do mais, prevê-se que Espanha seja o país mais afectado pela recessão até 2010.

 

No sector em que trabalho, mais exactamente o da engenharia e consultoria ambiental, a parte mais afectada é a que está ligada directamente com a construção civil.  Este sector era dos mais rentáveis em Espanha mas, devido a vários factores socio-económicos é, actualmente, dos mais atingidos pela recessão. A Eurostat regista uma quebra de 23,7% dos lucros em Dezembro de 2008, relativamente ao ano anterior (jornal El Mundo).

 

A Fundação OPTI, Observatório de Prospecção Tecnológica Industrial (www.opti.org), concluiu que é necessário investir em novas medidas para a recuperação do sector da construção civil. Um estudo desta fundação sobre a tendência de desenvolvimento deste sector até 2015 foca aspectos que devem ser melhorados:

 

- Redução da sinistralidade e investimento na formação dos trabalhadores;

- Aplicação de métodos de psicologia ao estudo do comportamento dos trabalhadores em condições extremas (acidentes, fogos em túneis, inundações, etc.) e formação dos trabalhadores sobre modos de actuação e medidas a seguir em caso de acidente;

- Desenvolvimento de técnicas para a protecção de aquíferos e águas superficiais (respeito pelos cursos naturais dos mesmos), tal como melhoria das técnicas de prognóstico e desenvolvimento de tecnológicas de depuração e eliminação de águas residuais assim como de barreira de protecção;

- Aplicação de métodos de análise de materiais e de técnicas para a avaliação e protecção de estruturas face ao fogo;

- Desenvolvimento de tecnologias de inspecção e prognóstico que permitam estimativas da vida potencial ou residual dos materiais;

- Desenvolvimento de tecnologias que visem a segurança e protecção, tanto dos trabalhadores, como dos utilizadores finais das infra-estruturas, tais como tecnologias de ventilação e extracção em túneis,  sistemas de ajuda especializados para a gestão de situações de emergência,  sistemas de detecção e análise do ar e de extinção de incêndios;

- Desenvolvimento de tecnologias limpas para a redução das emissões de ruídos, resíduos e vibrações, tal como vigilância ambiental na execução das obras;

- Desenvolvimento de tecnologias que permitam a avaliação, gestão e reutilização de resíduos;

- Utilização de materiais inteligentes com funções de reparação e auto diagnóstico e procura de novas fontes como recurso de materiais de construção.

 

Este mesmo estudo refere futuros cenários socio-económicos a ser tidos em conta e aos quais o sector da construção civil lucraria em adaptar-se, são eles:

 

- O crescimento moderado, mas sustentado da economia.

- A necessidade de internacionalização das empresas para novos mercados como os Países de Leste, Norte de África e América do Sul.

- Aumento das exigências das sociedades a nível de qualidade, meio ambiente e segurança.

 

Pessoalmente, creio que seria também lucrativo, a médio prazo, o investimento na construção de infra-estruturas com aproveitamento de águas residuais para saneamento e rega, e de sistemas de aquecimento e iluminação foto voltaicos.

 

 

 

 

 

 

URS España | Madrid

Espanha

publicado por visaocontacto às 17:00
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