Sábado, 11 de Abril de 2009

Crise Soft no Brasil

Isabel Sofia Leirós | C13

EDP Energias do Brasil

São Paulo | Brasil

 

 

O Brasil é um país de contrastes, que se divide entre os extremos da riqueza nas grandes metrópoles litorais, a desertificação do interior do seu território, e as áreas de grande densidade florestal.

O seu papel na economia mundial é cada vez mais relevante. Nas últimas décadas, cresceu exponencialmente através do seu forte investimento na agricultura e nas pescas, da diversidade de recursos naturais, e do investimento em energias renováveis (especialmente hidroeléctrica). Para além disto, a sua posição geográfica, quer por fazer fronteira com dez países da América do Sul, quer por ocupar praticamente toda a costa atlântica deste continente, estimula o investimento estrangeiro no país.

A recente crise económica, que tem vindo a afectar seriamente as grandes potências mundiais, já atinge também o Brasil, embora os efeitos tenham chegado bem mais tarde e em menor força, muito pela sua não dependência da importação de petróleo. Ao longo da costa dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, não é totalmente conhecido o potencial de extracção de petróleo e gás natural, já explorados. O investimento na produção de etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, uma alternativa à gasolina implementada e financiada pelo Governo Brasileiro já na década de 70, permite que indústrias e consumidores tenham uma maior estabilidade nos gastos com combustíveis, uma vez que não são tão directamente afectados pela flutuação dos preços do petróleo.

Mas, sem dúvida que um dos principais motores da economia brasileira, é a sua política proteccionista. A alta incidência de taxas sobre as importações reflecte-se de forma substancial no custo dos produtos quando estes chegam ao consumidor final. Dado os preços quase proibitivos dos produtos importados, o consumidor acabar por optar pelo produto nacional, estimulando a produção interna e, por consequência a economia.

No final do passado mês de Março, aquando da visita de Gordon Brown (primeiro-ministro inglês) ao Brasil, as declarações de Lula da Silva foram manchete por todo o globo, quando este afirmou: "é uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber tudo e agora não sabem nada". Apesar da polémica gerada pela opinião expressada, é compreensível a indignação do presidente brasileiro. A economia globalizada em que vivemos gera ondas de consequências positivas e negativas, que afectam particularmente o Brasil pela forte presença de corporações multinacionais que se viram forçadas a suspender a produção como forma de redução de custos e, inevitavelmente, ocorreram vagas de despedimentos já no final de 2008.

Mas, apesar desta vaga de despedimentos, a economia brasileira tem vindo a sustentar-se nos inúmeros “pequenos empregos” de serviços (o ascensorista, o empregado do parque de estacionamento, o porteiro e o segurança de prédios comerciais) que, apesar de parecerem irrelevantes e “menores”, se revelam de extrema importância para a base da sociedade, que encontra nestes a sua forma de subsistência.

Num país que actualmente oscila entre a crise mundial e a sua independência de economias internacionais, com acentuados problemas sociais, muitas são as formas de inclusão da população na vida activa. Destacam-se as políticas laborais que visam a contratação de jovens trabalhadores, permitindo por um lado, às empresas, o acesso a mão-de-obra a custo reduzido, e por outro lado, o acesso dos jovens a formação em posto de trabalho e a uma primeira incursão na vida profissional. Exemplos destas políticas, são os programas de contratação do menor aprendiz (que abrange jovens dos 14 aos 18 anos) e do estagiário (proveniente de escolas técnicas e universidades), pelo período máximo de 2 anos, que asseguram que estes não abandonem os estudos e que aufiram uma remuneração, que muitas vezes é fundamental para completarem a sua formação. Para além disto, estes dois programas desincentivam a exploração de mão-de-obra mais jovem e menos qualificada, uma vez que garantem um salário legalmente determinado.

Embora o governo brasileiro esteja já a implementar medidas de auxílio à banca e às empresas mais afectadas pela crise internacional (especialmente as que mais dependem da exportação), bem como pacotes sociais de apoio à população, o Brasil continua a apresentar-se como um mercado extremamente atractivo para o investimento estrangeiro. Apesar do sentimento de crise que também se vive no país, a economia brasileira continua a registar crescimento e a ser vista como um enorme mercado de consumo.

 

 

publicado por visaocontacto às 10:41
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