Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Alimentar a economia

Elma Miranda | C13
AICEP
Tóquio | Japão
 

O consumidor Japonês,  profundamente atento, devido à constante exposição a informação, sejam programas de televisão; publicidade; internet; livros; viagens ou uma enorme oferta de restauração, é grande apreciador de gastronomia estrangeira.

Na rua, a omnipresença de marcas de produtos alimentares internacionais é um facto: desde os milhares de Mcdonalds e Starbucks até produtos de consumo diário, podemos encontrar de tudo em qualquer supermercado.  Até produtos portugueses estão expostos nas prateleiras, desde que procurados com a devida atenção.  

No entanto, esta realidade não é fruto da pura curiosidade do palato nipónico. O Japão, considerado um país altamente industrializado e desenvolvido, não goza do mesmo estatuto no que toca ao sector alimentar.

Os produtos alimentares produzidos localmente, como por exemplo 'sushi' e 'saké', apenas garantem uma auto-suficiência alimentar de 40%.

Por isso é incontornável o recurso à importação de produtos estrangeiros, o que significa amplas e óbvias oportunidades para negócios, num mercado de 127 milhões de consumidores com um dos poderes de compra mais elevados do mundo, para além de um nível de sofisticação muitíssimo apurado.

Uma tendencial redução do volume da produção interna e o favorecimento de dietas com base em produtos importados faz com que a meta dos 45% de auto-suficiência proposta pelo Governo Japonês para o próximo ano seja um enorme desafio.

No entanto, aceitando este mercado com todas as suas potencialidades, não podemos descurar alguns pormenores: trata-se de uma nação a envelhecer rapidamente, que procura novos alimentos, com forte ênfase no ramo healthy e existe um grande interesse em prevenir doenças causadas por alimentação ou estilos de vida incorrectos.

A segurança alimentar é também factor primordial, não só pelas regras impostas pelo Ministry of Health, Labour and Welfare, que define a legislação da segurança alimentar, mas também o próprio consumidor reconhece a importância da ausência de factores de risco e quase dois terços admitem pagar mais por um produto que tenha garantia de segurança. O mercado Japonês não admite falhas, a excelência não é uma preferência, mas sim um requisito essencial. Todo o produto alimentar importado para o Japão tem de estar de acordo com o Japanese Food Sanitation Law e dependendo do produto, outras regras e restrições poderão ser aplicadas.

Fazer business no Japão requer uma abordagem diferente daquela tipicamente usada na Europa, América do Norte e Sul e até outros países Asiáticos.

A nível da comunicação, surgem dificuldades que não deverão ser subestimadas: neste mercado global, o Inglês não é comum, a maioria dos Japoneses não têm facilidade em expressar-se em Inglês. Assim, será uma mais valia apresentar o produto em Japonês, com informações traduzidas e efectuar encontros de negócios com auxílio de intérpretes.

No Japão, o pensamento, modo de vida e a forma de fazer negócios estão enraizados em tradições e práticas antigas, que se traduzem em diferentes valores culturais, hábitos e linguagens a nível empresarial.

O desconhecimento destas situações poderá ser nefasto para uma relação negocial que se pretende produtiva e sólida, uma vez que o return on investment é mais demorado que nos outros mercados, mas uma vez iniciado o negócio, este basear-se-á numa relação fortemente pessoal, duradoura e de grande fidelidade.

Em suma: quem souber compreender e respeitar as necessidades do consumidor japonês; adaptar o seu produto às especificidades deste mercado e o seu modus operandi de negócios ao modelo Japonês, terá uma maior vantagem e consequentemente uma maior probabilidade de sucesso neste mercado que é a segunda maior economia do mundo.

publicado por visaocontacto às 10:44
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