Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

As questões do desenvolvimento Cabo-verdiano

Diogo Costa | C13

 

Mota-Engil Engenharia e Construção, S.A.

 

Cabo Verde

 

O arquipélago de Cabo Verde, situado na zona saheliana, região palco de longos períodos de seca, levou á criação nas Nações Unidas, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, após, entre 1968 e 1974, se terem vivido nesta região situações de extrema fome.

 

Constituído por 10 ilhas, Cabo-verde é conhecido pelas suas bonitas praias e elevadas temperaturas, condições excelentes e fundamentais para a promoção de uma das suas principais actividades económicas, o turismo.

As estações do ano, que são fundamentalmente duas, as-águas, com pluviosidades geralmente fracas e irregulares, e as secas ou tempos de brisa, muito atractivas para os visitantes, traduzem uma realidade bem diferente nas populações locais que, para além de terem que lidar com a escassez de água, vivem em condições de alguma ou mesmo extrema pobreza e isolamento, sendo assim incapazes de criar, sozinhos, mecanismos de combate ou mitigação deste problema.

Os problemas provocados pelas chuvas têm levado à necessidade de estudar e arranjar soluções sustentáveis e integradas para lidar com os diferentes problemas relacionados com a água. De facto, a irregularidade da duração do período das chuvas, conjugada com os picos de precipitação particularmente fortes, leva à existência de dois âmbitos distintos de actuação. Se, por um lado, existe a necessidade de reter e armazenar as águas, numa perspectiva de criação de reservas estratégicas de água para fins agrícolas e/ou domésticos, não menos importante é também a necessidade de controlar a erosão, através de medidas de controlo da intensidade e violência dos caudais gerados na época das chuvas.

Neste âmbito, existem já alguns projectos em curso financiados por diversas instituições estrangeiras ou internacionais, com especial referência para o Banco Africano de Desenvolvimento, coordenados por diferentes Ministérios, com o objectivo de levar a cabo a construção de diques para corrigir o escoamento, diminuindo a erosão e estabilizando os terrenos; e diques de captação de água, com o objectivo da criação de reservas.

 Devido ao carácter específico deste bem comum e vital, aliado á escassez e morosidade de financiamentos,  estratégias de desenvolvimento a longo prazo, deverão ser pensados de uma forma mais integrada, sustentável e adaptada à realidade específica urgente e local das populações.

Assim, o envolvimento mais activo das populações locais, quer nas fases de ante-projecto (fase fundamental para definição de necessidade e prioridades) e execução, quer nas fases posteriores de manutenção dos equipamentos, poderá ser uma boa aposta de negócio, ou melhor ainda, de negócio com objectivos sociais. De facto, as populações mais isoladas e dispersas, com especial ênfase nas residentes nas zonas das ribeiras, são populações humildes e pobres. Pondo em prática uma ideia bastante actual, que assenta no princípio de dar poder de decisão e de cooperação às populações, através de uma participação pública activa, seria possível responder às necessidades mais básicas e urgentes das mesmas, através de projectos de dimensão mais local, e por isso mais adaptados á realidade. A ideia base da iniciativa seria o envolvimento da comunidade local, nomeadamente escolas, universidades, centros de formação, associações de Munícipes, entre outras, a custo zero ou muito reduzido, para a construção de infra-estruturas para beneficiar a mesma.

 Para além disso, envolvendo as entidades com poder de decisão na gestão dos recursos hídricos da região, promover-se-ia o sentido de cooperação - união, no sentido do bem comum.

Não podemos, no entanto, ignorar o contexto cultural do país, com fortes raízes na Africa Continental, e onde a escala/raio de relacionamento do individuo, não vai muitas das vezes além da comunidade onde vive. Para além disso, os baixos níveis de educação, em especial das populações mais isoladas,  poderão apresentar alguma resistência a este conceito de cooperação. Assim, não seria de esperar uma aceitação imediata do conceito, podendo demorar bastante tempo até que houvesse abertura ao mesmo, não só por parte das populações, mas também das entidades com poder de decisão na gestão dos recursos hídricos.

Por estas razões, a aposta nesta actividade/negócio teria que ser conduzida por uma empresa já com alguma capacidade de investimento a longo prazo, também numa perspectiva de responsabilidade social.

Com iniciativas deste género, seria possível combater um pouco um fenómeno que tem vindo a acontecer em vários países em desenvolvimento, nomeadamente, o desenvolvimento de projectos completamente desenquadrados da realidade local, desproporcionados. Da mesma forma, potenciar-se-ia a redução da morosidade dos financiamentos e criar-se-ia, na comunidade, um sentimento de pertença, protecção e estima do equipamento construído.

publicado por visaocontacto às 11:18
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