Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Crise II: quais as oportunidades que se apresentam aos americanos?

Carlos Marques | C13
 
Dassault Systemes Simulia Corporation
Fremont  | E.U.A

 

Ao lançar esta questão à minha recém-formada network californiana retive um certo receio no futuro que se avizinha, o que me surpreendeu, em virtude do espírito easy going típico destas paragens. Se há oportunidades a aparecer, este conjunto de californianos, por nascimento ou adopção, não as consegue divisar num horizonte próximo.

Um sentimento latente de algum pessimismo atravessa a amostra auscultada pelo autor: homens e mulheres, jovens e séniores, trabalhadores do sector público ou privado, nacionais ou estrangeiros. Ouvem-se, volta e meia, frases como “o pior ainda está para vir” ou “vão ser necessários dez anos para compôr o que se estragou em dez meses”.

 

Face às baixas taxas de juro actualmente praticadas pela FEDReserva Federal Americana – e a enorme quantidade de dinheiro que está a ser, e irá continuar a ser, injectado na economia dos EUA, o comum californiano está preocupado com um fenómeno de recrudescimento da inflação. Por outro lado, é verdade que com o dólar americano a enfraquecer nos mercados internacionais, os produtos “made in USA” serão mais competitivos face aos seus concorrentes e a porta das exportações estará aberta para permitir a entrada de dinheiro fresco nos abalados cofres das empresas norte-americanas, afectadas na sua generalidade pela desaceleração do consumo interno desde o terceiro trimestre de 2008.

Mas quem pensa assim desengane-se: o elevado valor da mão-de-obra nos EUA em comparação com os preços praticados na China, Índia e Sudoeste Asiático tornam a opção da manufacturação intensiva inviável para dar a volta a crise. A elevada percentagem de desempregados no estado da Califórnia, actualmente na casa dos dois dígitos, apenas vem sublinhar a situação difícil que se vive na costa do Pacífico. 

 

Assim, é preciso olhar para o outro topo da pirâmide e verificar que o investimento em produtos de elevado valor acrescentado, em particular de alta tecnologia, será a solução mais consensual para colocar os EUA de novo nos carris.

Para tal, um investimento forte deve ser canalizado para a formação de recursos humanos em áreas tecnológicas, e este representa o primeiro obstáculo a ser ultrapassado: os americanos que seguem para um curso superior universitário fazem-no maioritariamente nas áreas de leis e negócios. A apetência para as engenharias e matemáticas tem-se deteriorado dramaticamente ao longo das últimas décadas, chegando-se ao ponto de a grande maioria dos alunos de mestrado e doutoramento em ciências aplicadas nas universidades americanas serem estrangeiros. O próprio presidente Obama alertou recentemente para a necessidade do país formar mais gente em áreas técnicas, produtivas e criativas.

 

Isto também se reflecte na falta de confiança nos próprios produtos concebidos por marcas americanas. O exemplo mais gritante verifica-se na indústria automóvel, onde a crise dos três grandes – Chrysler, Ford e GM – é muito anterior à crise financeira despoletada no verão passado e centra-se na falta de qualidade de construção dos veículos americanos, em comparação com os congéneres europeus (leia-se alemães) e sobretudo asiáticos (Japão e Coreia), ao que se junta o desfasamento dos modelos propostos ao mercado no panorama actual de custos elevados nos preços de energia.

 

Todo este sentimento popular, as vicissitudes do momento, os problemas a enfrentar e as soluções a implementar assemelham-se em muitos pontos à realidade que actualmente vivemos no nosso país, onde encontramos uma sensação de pessimismo em relação aos tempos que vivemos e verificamos, ainda que em moldes distintos, um problema perene de formação e qualificação de parte substancial da nossa população.

 

Descontando os naturais factores de dimensão e escala, talvez a grande diferença entre estas duas realidades seja a de haver uma dinâmica para a mudança enraizada nos espírito americano, sem medos nem receios de abraçar um novo desafio se tal implicar a sobrevivência do seu próprio modelo de vida. E que não tardará a ser novamente demonstrada ao resto do mundo.

 

Como tal, vamos com certeza, assistir, a prazo, a um novo emergir dos EUA por acção das forças vivas que constituem a sua sociedade civil, baseado no respeito pela liberdade de acção de cada um, como agente económico, e na consciência de que para se alcançarem determinados objectivos é necessário sair da nossa zona de conforto, arregaçar as mangas e correr riscos em prol de um futuro melhor. Porque com esta mentalidade não é preciso pedir oportunidades a ninguém: cada um é capaz de criar a sua! 

publicado por visaocontacto às 08:09
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