Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Brasil à Margem da Crise....

Ana Cunha | C13
 
Nemorus Securities       
Florianópolis | Brasil
 

O Brasil tem passado à margem da crise...

Numa altura em que a palavra crise é já uma constante no quotidiano europeu, debate-se muito acerca das melhores medidas para pôr fim a uma realidade difícil que insiste em permanecer.

Há pouco mais de um ano, o mundo assistia ao início de uma forte crise económica. Nos Estados Unidos, a crise no pagamento de hipotecas acabou por vir a alastrar-se por toda a economia mundial, permanecendo, ainda hoje, nos vários sectores internacionais.

Surpreendentemente, o Brasil – país em desenvolvimento – mostrou uma forte resistência perante um panorama de crise. O facto de os bancos não possuírem papéis ligados às hipotecas de alto risco que estiveram na origem dos problemas, constituiu o ponto de partida para a forte resistência que apresenta.  

Várias são as teorias defendidas para tentar justificar a posição segura do país de Lula face aos efeitos da crise mundial. No entanto, unanimemente os principais factores baseiam-se, essencialmente, em quatro pontos principais:

1)      O Brasil possui uma política económica previsível;

2)      Acumulou reservas internacionais de US$200 biliões;

3)      É detentor de inúmeros recursos naturais e apresenta uma agricultura moderna;

4)      Conta com 20 milhões de novos consumidores.

Segundo uma reportagem feita pela The Economist, o Brasil deve a sua resistência, face aos efeitos da crise, a três aspectos fundamentais, como o facto de apresentar uma demanda que está em alta; ter exportações para os Estados Unidos a representar menos de 20% do total - tendo uma base de exportação que se divide entre Europa, Ásia e América Latina - e, por último, o facto de o Brasil combinar um Banco Central com autonomia e uma política de câmbio flutuante, o que o torna menos vulnerável aos choques externos.

“O Brasil implementou nos últimos anos as políticas económicas correctas, acumulou reservas e, assim, a economia brasileira está em boa forma”. Afirmações como esta foram ouvidas no começo da crise, mantendo-se até há uns meses atrás.

Porém, no último trimestre de 2008 o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertava para uma realidade exigente:

“Mesmo em boa forma, o efeito do declínio no crescimento global terá consequências sobre as reservas; o Brasil está forte, mas não é imune à crise.”

A firmeza de um país em desenvolvimento face à situação económica internacional tem sido argumento forte e constante no discurso do governo de Lula. No entanto, os acontecimentos dos últimos meses tornam-se demasiado evidentes para se continuar a falar de um Brasil que se mantém aquém da crise.

No final do mês de Março o Banco Central viu-se obrigado a rever a sua expectativa para o crescimento da economia brasileira prevista para este ano de 3,2% para 1,2%. Importa dizer que ao longo das últimas cinco semanas as previsões têm vindo a piorar e que, mesmo este valor agora apresentado é considerado, por muitos, como um número optimista, tendo em conta as previsões do mercado.

No passado mês de Março, o governo brasileiro anunciou um corte de R$ 21,6 biliões no orçamento federal, como consequência da diminuição do crescimento do país e da queda na colecta de impostos.

Assiste-se, neste momento, à 1ª retracção da economia brasileira, desde 1992, ao mesmo tempo que se contabiliza uma queda de 1,7% na produção do sector industrial – sector este que já tinha sofrido uma diminuição de 1,3% em Janeiro e que se apresenta como o que mais sofre os efeitos da crise.

Em situação de recessão, no Brasil ou em qualquer outro país, os sectores que mais sofrem com a queda da demanda são os sectores automóvel; imobiliário e de bens de capital (ligado aos investimentos), por dependerem directamente de financiamento, que, nestas situações, escasseia.

No passado dia 30, o Ministro da Fazenda, Guido Montega, anunciou mais um pacote de estímulo fiscal para os sectores da construção civil e automóvel e ainda no passado mês de Março, o índice de aluguer teve a sua maior queda, desde 2003.

Perante o quadro actual, a consequência que agora se teme é o desemprego. A diminuição do consumo interno e do crédito; das exportações e do investimento, conduzem, inevitavelmente, à diminuição da demanda das empresas, que se vêem obrigadas a rever os seus quadros de funcionários.

Como em qualquer sistema económico, as repercussões de uma fragilidade denunciada fazem-se sentir nos restantes sectores. Como tal, a redução do consumo das famílias e do investimento das empresas revela a instabilidade reflectida em dois dos grandes pilares da expansão da economia do país.

 

publicado por visaocontacto às 13:07
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