Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

O Istmo de Cabo a Rabo

António Vieira | C13
 
Bial
 
Cidade do Panamá, Panamá
 

Queridos amigos, caros colegas, estimados conhecidos, pessoas em comum, ir do Atlântico ao Pacífico significa para a maioria de nós ir de um lado ao outro do Mundo. Pois bem, tenho a dizer que a AICEP me fez descobrir que, para aproximadamente, 3 milhões de pessoas, fazer tal coisa significa pegar no carro e conduzir ao longo de pouco mais de 80km de estrada.

 

o Panamá  parece-me  um país marcado pela diferença que, sem ter a necessidade de estar tipificado, corre constantemente atrás de uma identidade própria.

 

Isto pode não parecer grande coisa mas, se repararmos bem, vamos ver que nesta terra entre as  duas Américas e dois Oceanos estão concentradas heranças e influências de todos os cantos do globo.

 

A esta coexistência pacífica de raças, costumes e culturas, eu resolvi chamar de Panameño way of life. Suponho que se estejam a interrogar porque razão é que decidi misturar dois idiomas numa expressão tão curta. A razão é simples:

o modo de vida desta gente lutadora e de coração na boca  é baseado na diversidade da sua cultura. Se, por um lado herdaram do colonialismo espanhol a língua, a alegria, a hospitalidade e a espiritualidade, por outro lado, herdaram das décadas de domínio económico norte-americano, o capitalismo, a comida, os carros, as casas, etc. Em poucas palavras: de Espanha veio a parte intangível do seu estilo de vida e dos Estados Unidos da América ficou a parte mundana do dia-a-dia.

Assim, não é de estranhar que a meio de uma conversa, apareça uma ou outra palavra da língua de Sua Majestade, com o propósito de sinónimo para um termo que seria demasiado corriqueiro na língua de Cervantes.

 

Aqui, o choque de estarmos num país diferente começa no momento em que se abre a porta do avião: o calor. Nos primeiros dias desesperante e asfixiante, nos restantes  banal e de importância relativa...tornando os 30ºC de temperatura ambiente um elemnto comum do dia-a-dia.  

 

Num país onde o relevo dificulta a comunicação terrestre e o excesso de precipitação a torna ainda mais difícil, é normal que se encontrem lugares tão remotos, cuja existência no nosso intelecto se devia, somente, ao cenário de uma produção cinematográfica baseada na história de um qualquer protagonista de aventuras.

Por outro lado, se da cidade a imagem que fica na nossa mente é a de um skyline que desafia a engenharia civil, onde as torres de betão e vidro parecem disputar  entre si o título de “a mais alta”; do norte fica a imagem de um verde vivo, com montanhas que se perpetuam no tempo. Já o sul, emana vento húmido da floresta tropical e a letargia derivada da possibilidade de poder passar o dia numa pequena ilha rodeada de um azul que começa por ser celeste, mas que o horizonte vai convertendo em safira.

 

E as gentes deste lugar? Bem, essas vêm de todo o lado...da China vieram aqueles que, carregados de um empreendedorismo singular, acabaram por dominar o pequeno comércio de rua. Do Caribe chegam diariamente os que possuindo somente a força dos braços, lutam de de sol-a-sol por uma vida melhor. Com o mesmo objectivo há aqueles que deixaram para trás o hemisfério sul.  Do norte, mais a norte que o México, chegam os que já contribuíram para o desenvolvimento do seu país e procuram o murmúrio de um mar de olhar quase langue ao entardecer. Outros ainda, recém-chegados, da Europa e da Ásia, são transportados por táxis e por detrás dos seus vidros fumados observam atentamente as oportunidades de negócio, como quem contempla uma jóia em bruto, por laminar. Finalmente, há ainda aqueles que apesar da diferente fisionomia têm em comum o facto de terem como Pátria a República do Panamá.

 

Deste modo, o Panamá  parece-me  um país marcado pela diferença que, sem ter a necessidade de estar tipificado, corre constantemente atrás de uma identidade própria. No entanto, quando chegamos ao final voltamos ao ínicio, pois essa identidade derivará de uma amálgama de pessoas, raças, costumes, crenças, culturas e hábitos.

 

É por todo isto e muito mais que eu recomendo o Panamá.

publicado por visaocontacto às 21:00
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