Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Brasil: Até quanto um país irmão?

André Gomes | C13
 
Prio Agricultura e Extracção Ltda
 
São Luís | Brasil
 

É quase do uso geral designar o Brasil como o País Irmão, contudo para além da língua (que tem variações no vocabulário e sintaxe em relação ao português europeu) e de apresentarem vestígios culturais nossos, pouco mais existe a unir-nos. As diferenças são mais que muitas, inclusivé dentro do próprio país, desde a multietnicidade (desde o Sul predominantemente "europeu" ao Norte e Nordeste "indígena" e afro-americano), passando pelo clima, gastronomia, infra-estruturas até à mentalidade e cultura de trabalho.

 

Profissionalmente, deparei-me com uma realidade de trabalho diferente da que conheci em Portugal. Eu, que sou formado em Eng.ª Civil e que estava habituado ao uso de equipamento e tecnologia em detrimento de mão-de-obra, confrontei-me com o inverso e confesso que foi útil para a minha formação, permitindo aprender como poupar em processos construtivos pois, até tarefas consideradas tão simples como amarrar armadura, são feitas de modo diferente. Uma das barreiras que tive que enfrentar foi o vocabulário técnico diferente do nosso, concreto (betão), formas (cofragem), picão (perfurador hidráulico), sapão (compactador) entre outros, são termos que tive que usar no meu dia-a-dia e que me saem já de forma espontânea e fluente.

 

Uma das situações mais hilariantes com que me confrontei, foi quando contactei um fornecedor por telefone para saber se fazia "vedação com pilaretes de betão armado e com 5 fiadas de arame liso" ao qual ele respondeu que não fazia. Colegas meus de trabalho que são brasileiros assistiram à conversa por telefone, riram-se e explicaram-me como deveria ter dito porque o fornecedor não tinha entendido nada. Voltei a contactá-lo e perguntei de outra forma: " Você faz cercas com postes de concreto armado e com 5 fiadas de arame liso?" à qual ele dessa vez respondeu que sim. São estes pequenos detalhes que, por vezes, podem prender negócios.

 

Pessoalmente, também está a ser bastante enriquecedor. O Maranhão, onde trabalho, é um dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do Brasil, com um PIB per capita comparável ao dos países africanos, mas, esse facto por si só, não tira a felicidade e simpatia às pessoas. Agora pergunto eu, nós portugueses, que andamos sistematicamente a queixar-nos das condições de vida do nosso país e que é de  longe muito mais desenvolvido do que todas as áreas que o Maranhão, como nos comportaríamos nestas condições?!

 

Sem qualquer sombra de dúvida, a interculturalidade alarga-nos os horizontes e faz-nos mudar determinados preconceitos.

 

publicado por visaocontacto às 08:08
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