Terça-feira, 23 de Junho de 2009

O papel da Aicep na Turquia

Ana Mafalda Salgado | C13

 

AICEP

Ancara | Turquia

 

 

 

É curioso verificar que, tal como a Turquia serve de Ponte política, económica e social entre a Europa - Ásia - Médio-Oriente, também a AICEP tem como principal função ser a ponte facilitadora, direccionada para os negócios, entre Portugal e os restantes países.

 

Será que está a conseguir? Respondendo ao desafio que me foi colocado, tentarei analisar o papel da AICEP na Turquia através do modelo de gestão SWOT. Dando assim uma visão externa e interna sobre a actual posição da AICEP Turquia.

 

Contextualização:

A AICEPAgência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal - está presente em Ancara desde, sensivelmente, 1998, sendo que até ao momento recorreram à mesma milhares de empresas Portuguesas e Turcas.

Nas relações comerciais com Portugal e, independentemente ou não da AICEP - de seguida explico o comentário -, assistiu-se a um progressivo aumento das exportações de Portugal para a Turquia. Sendo que, de 2002 a 2008 cresceu em média 7,5%, e apenas no 3º trimestre de 2008 diminuiu devido ao início da crise global.

 

Análise SWOT:

Existem duas formas de as empresas solicitarem apoio à AICEP.

Uma, quando contactam directamente as representações do estrangeiro via internet, fax ou telefone.

E outra, quando se inscrevem na agência e ficam agregadas a um Gestor de Cliente.

 

Fraquezas:

Muitas são as empresas que optam por contactar autonomamente a AICEP Ancara, em vez de se inscreverem na AICEP em Portugal. E devido à inexistência de uma ferramenta de controle, ou da obrigatoriedade de as mesmas reportarem os resultados finais obtidos, fica aqui uma lacuna por colmatar. Pois é devido a essa lacuna, que de momento, não é possível avaliar o impacto dos resultados de cada empresa no total das exportações de Portugal para a Turquia.

 

Outro factor a melhorar seria um maior conhecimento dos sectores considerados importantes para a Turquia. Pois, dessa forma, poderiam ser dadas mais oportunidades a outras empresas além das que recorrem por si mesmas à AICEP. Ou seja, mais do que as notícias diárias da AICEP, poderiam ser feitos workshops ou briefings pela AICEP/Associações Sectoriais, de forma a que esta representação se mantivesse constantemente actualizada sobre o que estes sectores têm de novo para oferecer.

 

A nível dos contacteantes, refiro o exemplo do programa de estágios semelhante ao nosso, “ICEX” de Espanha (www.icex.es), no qual os estagiários destinados a algumas cidades da Ásia e Médio-Oriente têm mais três meses que os outros para aprenderem o idioma local. Sendo que, nesses primeiros meses, vivem numa família de acolhimento e frequentam um curso intensivo da língua. Apenas nos meses seguintes estão no departamento económico da Embaixada da Turquia, e no fim, grande parte deles fica a trabalhar nas empresas espanholas localizadas nesses locais devido, entre outros factores, ao conhecimento da língua.

.

 

Mas, mais do que números, são imensas as ferramentas e mais-valias que a AICEP pode providenciar às empresas que a ela recorrem, sendo para tal apenas necessário: conhecer.

 

Conhecer!

 

Eis a palavra chave indispensável a qualquer actividade, ou entrada num terreno desconhecido. E como pode a AICEP ajudar as empresas portuguesas a conhecer a Turquia?

 

Pontos Fortes:

Fazem parte dos seus pontos fortes os vários produtos de que as empresas localizadas em Portugal podem beneficiar. Tais como: o “ABC” sobre o mercado, a abertura de portas à criação de parceiros, clientes, distribuidores, importadores, ou análises sectoriais e estatísticas. Enfim, toda uma panóplia de informação, que sendo local, acaba por ser também uma fonte priveligiada de conhecimento. Pois encontra-se no mercado há cerca de 10 anos, sendo vários os contactos e as informações que angariou ao longo dos tempos. Para saber mais: www.portugalglobal.pt

 

No caso da Turquia, torna-se ainda mais imprescindível, pelo factor idioma, dado que, tanto em organismos públicos, como privados, actualmente, 90% das empresas que contactei, não falavam inglês, ou ao fim de algum tempo, lá se encontrava alguém que falava com alguma a muita dificuldade (dependendo da empresa e região). No entanto, muitos falam alemão, russo, chinês, francês, ou outros dialectos de países vizinhos, mas muitas vezes não falam inglês. Sendo, portanto, um factor a ter em conta no caso de serem as próprias empresas a contactá-los. Dado que Portugal, em comparação com outras ofertas que já tenham de outros países, pode ser-lhes completamente indiferente.

 

Exemplo, a China, com preços incomensuravelmente mais baratos, a Alemanha, França, ou Itália com quem têm relações antigas, fortes, e às quais associam produtos de qualidade (os primeiros principalmente).

Enquanto que o contacto através da AICEP Ancara, localizada na Embaixada, é um organismo ao qual dão maior importância, e pelo menos reconhecem-no, sendo que assim a história poderá ser outra!

Tornando a AICEP num alicerce muito importante nestas relações.

 

 

Ameaças:

Quanto à Turquia, a principal ameaça é o facto de a marca nunca ter tido uma grande ou incisiva projecção.

De 90% das empresas Turcas contactadas, raras são as que conheçem ou ouviram falar no nome AICEP.

Sendo que, em Ancara, estando localizada na Embaixada, tem podido utilizar esse facto a seu favor. Apresentando-se como uma espécie de “secção” comercial que as outras embaixadas têm.

No entanto, com a nova abertura de um escritório em Istanbul, terá que se utilizar outra estratégia, e de maior impacto, ao mesmo tempo que se apresenta uma nova oportunidade de se diversificar a forma como se tem dado a conhecer.

 

A economia turca é caracterizada por ciclos de elevado crescimento seguidos de grandes crises, o que pode assustar as empresas portuguesas, dificultando o trabalho da AICEP. Facilmente, de um momento para outro, as empresas cortam abruptamente as importações, ainda que as tenham referido numa factura proforma. No entanto, relembra-se que, normalmente, se trata apenas de um “ciclo”. E nem todas actuam assim, mas alerta-se para o facto a precaver.

 

 

Oportunidades:

Há dois dados externos que abonam a seu favor. Um, o facto de nunca ter havido quaisquer problemas com Portugal e sermos vistos como um país “simpático”.

E outro, o facto da população jovem turca, e não só, ser muito adepta do que está na moda. Recentemente foi a ocasião dos ecrãs plasma,  todos queriam ter um. Antes, os telemóveis e ipods (mesmo que pelo mercado negro), as roupas, etc. São um povo muito trendy e fashion! Todas as raparigas se maquilham desde a preparatória. O que os torna num povo muito receptivo às coisas novas e fashion. Mesmo no turismo, os jovens gostam de viajar e comprar algo de fora (para ostentarem no seu país). Não é superficialidade, é vaidade e exibicionismo. Ou no nosso simples português: Não é defeito, é feitio.

Sendo que estes dados e, principalmente o facto de serem receptivos, comunicativos e consumistas, torna o ambiente comercial muito favorável às relações com a AICEP e empresas de Portugal. Depois, é uma questão de “quem apresenta o melhor produto ou argumento?”. E quem sabe, não fica Portugal na moda (para além do Ronaldo e das Laranjas*)?

 

 

Casos de Sucesso e outros..

A empresa Microfil, que muito corajosamente, participou num concurso da NATO, no qual ficou em 2º lugar, pois o preço da empresa turca era imbatível. Fica o exemplo da iniciativa a ser seguido. Diz o provérbio que “dos 2º lugares não reza a história”, pois aqui fica a sua história.

A Sparks começou por aumentar as suas exportaçoes e depois fez um investimento na Turquia. A SiMoldes que conseguiu vender moldes directamente à Ford! Bem como todas as outras que já têm investimento na Turquia, como a Mota Ceramics, Tim We, Millenium, Cimpor, a Emparque, e a última investidora portuguesa - Portek, entre muitas outras, com presença na Turquia.

 

Portanto sao muitos os exemplos a seguir... E muitas as chances de sucesso. Bastando para tal: conhecer-se bem, conhecer os outros e, por fim, arriscar de acordo com a oportunidade que se vislumbre, sem ter que “dar um tiro no escuro”.

Podendo agora contar com a “luz” (ou ajuda) da AICEP de Ancara e Istanbul, ou ainda com um Gestor de Portugal.

 

Boa sorte! Qualquer que seja a vossa opção!

 

 

*Noutro artigo.

publicado por visaocontacto às 12:19
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