Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

A ascensão da Décima Segunda Província

 
Alexandre Matoso | C12

Aerosoles, SoftShoes S.A.

Luxemburgo

 

É preciso transpor o álcool para saborear o vinho. Aproveito para começar assim já que o Luxemburgo tem a maior taxa de consumo de álcool do mundo. Começo também por dizer: vamos transpor este facto por uns instantes (o pouco tempo que demora a ler este texto). Vamos também ignorar que os luxemburgueses tratam os cães como pessoas, ignorar que por vezes parece que estamos a caminhar por Viseu em pleno Luxemburgo, ignorar que o país tem uma das mais elevadas taxas de suicídio, que é o último Grão-Ducado do mundo (e por sinal o Grão Duque está envolvido com a antiga presidente da câmara da cidade de Luxemburgo, mas vamos ignorar isto também, já que toda a gente sabe), ignoremos também que, se tomarmos a rua errada, poderemos estar já na Bélgica ou na Alemanha ou em França.

 

Passemos a outros factos e, caso passem despercebidos, vou pôr a negrito dois tamanhos acima:

-         Segundo maior PIB per capita do mundo. Ou seja, melhor...só no Qatar (!);

-         Quarto lugar em qualidade de vida (The Economist 2005);

-         Terceiro em liberdade económica (The Wall Street Journal and Heritage Foundation’s 2005 Index of Economic Freedom world survey);

-         Primeiro em “Lugar com menos risco para fazer negócio” (World's Markets Research Center).

 

É verdade, esqueci-me de dizer que, há não menos de 100 anos, o Luxemburgo era um imenso prado verde, com agricultores aqui e ali e o luxemburguês emigrava por natureza. Ainda há quem lhe chame “ O coração verde da Europa”. Quanto ao exercício de ignorar? Esta foi a última vez.

 

The Big Picture – A ascensão de Luxemburgo

Aqui vai, fast and loose, como o Paul Newman em The Hustler

 

Os anos antes da Primeira Grande Guerra Mundial

A construção de minas aproveitando as reservas de ferro deu lugar a um crescimento sustentado da indústria do aço nos anos anteriores à Primeira Grande Guerra Mundial. Perto dela, já 60% do emprego industrial pertencia ao aço, tudo acompanhado por um aumento em flecha da população. Primeiro vieram os alemães e logo a seguir os italianos. A proporção de estrangeiros praticamente duplicou em 20 anos. Para cimentar este sector, em 1911 foi criado o ARBED (Aciéries de Burbach, Eich, Dudelange), um dos maiores produtores de aço da Europa na altura e actualmente pertencente ao maior grupo de aço do mundo ARCELOR.

 

Entre 1913 e 1951

A economia luxemburguesa sofreu grandes variações causadas por duas guerras mundiais e a Grande Depressão. As minas de ferro começaram a esgotar-se progressivamente, de 60% de uso de ferro interno na indústria nos anos 20 passou-se para o uso de apenas de 30% nos anos 70. Em 1981 a última mina acabou por fechar.

 

Os trinta gloriosos anos

No entanto, até à década de 70, o sector do aço contribuiu largamente para determinar o crescimento da economia luxemburguesa. A reconstrução económica após a Segunda Grande Guerra Mundial resultou num crescimento excepcional até aos anos 50. Depois, até aos 70, abrandou para um ritmo mais modesto. A produção industrial de aço neste espaço de tempo praticamente triplicou e 16% de todo o emprego era-lhe devida na década de 70.

Ao mesmo tempo houve uma tentativa de diversificar a indústria e promovê-la no estrangeiro: 50 novas empresas criaram fábricas em Luxemburgo, como a Goodyear.

O sector terciário começou também a crescer ao mesmo tempo que a proporção de emprego na agricultura começou a diminuir (de 30% para 8%).

Só com o apoio em mão-de-obra estrangeira foi possível responder ao aumento da procura de trabalhadores.

É também essencial dar atenção à participação activa de Luxemburgo no processo de integração europeu. Foi membro fundador da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951) e da Comunidade Económica Europeia (1957).

 

A Crise Económica Mundial de 1975 a 1985

A primeira e a segunda crise petrolífera tiveram um profundo impacto na economia luxemburguesa. Em 1985 a indústria do aço empregava metade dos trabalhadores empregados dez anos antes. Houve um esforço conjunto notável para assegurar a sobrevivência da indústria do aço, com cerca de 5% do orçamento de estado devoto a essa causa, tal como um aumento da produtividade técnica dos trabalhadores.

No entanto, o Luxemburgo deu a volta à crise. Como? Ao mesmo tempo que a indústria do aço estava em declínio houve um boom nos serviços financeiros. A política de diversificação económica entrou também em acção por essa altura. Por último, houve uma flexibilização dos salários.

 

Desenvolvimento Económico Recente

Da década de 80 ao novo milénio a taxa média de crescimento do PIB ultrapassou os 5% ultrapassando largamente os outros países europeus, excepto a Irlanda. Este crescimento acelerado sustentou um apoio cada vez mais importante nos emigrantes e trabalhadores transfronteiriços. Os próprios luxemburgueses em 2001 representavam apenas 40% da população activa, ou por outras palavras, os emigrantes e transfronteiriços representam uns retumbantes 60% da população activa (com os portugueses a formarem o maior grupo de emigrantes).

 

E quais são os principais factores por detrás deste desenvolvimento incrível?

-         Crescimento non-stop do sector financeiro;

-         Desenvolvimento favorável de diferentes sectores económicos, como os de serviços prestados a empresas, serviços de IT e também os de transportes e comunicações;

-         Sector industrial competitivo e produtivo embora com uma menor participação na economia;

-         Taxas elevadas e crescentes de investimento;

-         Deduções salariais baixas;

-         Taxa global de impostos e segurança social e diminuição de gastos públicos em relação ao PIB.

 

Vou voltar às letras a negrito e dois tamanhos acima:

 

-         Segundo maior centro de fundos de investimento (depois dos Estados-Unidos);

-         O mais importante centro na zona euro de Private Banking;

-         Líder europeu como centro de companhias de Reinsurance (ou seja, onde as companhias de seguros vão fazer os seus seguros).

 

Mas quais são os principais factores competitivos?

 

-         Localização Geográfica (melhor é impossível);

-         Força de trabalho especializada internacional;

-         Elevado retorno ao investimento;

-         Neutralidade (e não é que um luxemburguês fala em média 4 línguas?);

-         Acesso fácil a entidades governamentais;

-         Estrutura de impostos estável e atractiva;

-         Politicamente estável (partido cristão no poder há 30 anos).

 

Conclusão

A taxa de consumo de álcool de Luxemburgo é a mais elevada do mundo porque os belgas, os alemães e os franceses vêm a Luxemburgo para comprá-lo mais barato. É vê-los em fila.

publicado por visaocontacto às 08:00
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