Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

A crise financeira e as Instituições Multilaterais

Rafael Rocha Simão | C12

Reper

Bruxelas | Bélgica

 

A actual crise financeira, apesar de ter tido o seu início em Agosto de 2007, começou a desenhar-se com a explosão da bolha especulativa em torno das acções de empresas tecnológicas em 2001. A redução repentina da taxa de juro imposta pela Reserva Federal Americana (FED) em 5 pontos percentuais para 1%, de forma a evitar o contágio ao sector real da economia, desencadeou um acesso fácil sem precedentes ao crédito hipotecário, que veio a beneficiar até mesmo as famílias com baixos rendimentos. Foi este crédito, denominado de alto risco, que permitiu ao sistema bancário obter lucros record e levou ao desenvolvimento de produtos financeiros cada vez mais sofisticados e titularizações sucessivas para dissimular o risco inerente a este tipo de crédito. No entanto, o pressuposto essencial em que assentava o crédito de alto risco, i.e. a sucessiva valorização dos activos imobiliários, caiu por terra com o abrandamento da economia americana e revelou a exposição que algumas entidades financeiras tinham face a estes activos. Algumas delas vieram mesmo a falir, outras tiveram de ser resgatadas pelos Governos e apenas a intervenção sucessiva das autoridades permitiu evitar a propagação sistémica das falências. No entanto, não foi possível evitar a proliferação mundial da crise financeira e a diminuição da confiança dos agentes económicos.

Actualmente, apesar de ainda não se conseguir calcular a verdadeira dimensão da crise financeira mundial, um facto irrefutável é que a mesma já está a afectar o sector real da economia.

A lição a ser tirada é que o desenvolvimento de produtos financeiros sofisticados necessita de sistemas de supervisão igualmente sofisticados e eficientes. Neste contexto, as autoridades nacionais desempenham um papel fundamental. Outra das lições a tirar, é que as economias nacionais estão extremamente expostas ao fenómeno globalização e, apesar das vantagens desta serem inegáveis, os riscos associados são igualmente elevados e não negligenciáveis. Neste contexto, mais do que as autoridades nacionais, as instituições multilaterais desempenham um papel fundamental ao permitirem a coordenação dos vários países membros em torno de um objectivo comum.

As principais instituições financeiras multilaterais, tais como as conhecemos actualmente, surgiram como resultado das conferências de Bretton Woods e tiveram origem na Grande Depressão dos anos 30. FMI e Banco Mundial tiveram como principal objectivo restabelecer a estabilidade do sistema financeiro internacional e financiar a reconstrução dos países devastados pela II Guerra Mundial através da cooperação entre os países membros. Este objectivo comum, aliado à cooperação multilateral, permitiu estabelecer a confiança dos agentes económicos e levou a décadas de prosperidade económica um pouco por todo o mundo. Outro aspecto a não descurar foi a estabilidade política conseguida, amplamente sustentada pelas instituições multilaterais as quais têm vindo a desempenhar um papel-chave, não podendo, por isso, ser dissociadas das instituições multilaterais financeiras.

A realidade actual é diferente. A crise financeira que enfrentamos tem uma capacidade de contágio (quer a outras economias quer a outros sectores da economia) muito maior do que tinha a crise dos anos 30. As instituições multilaterais, para sobreviverem neste mundo global, necessitam de se munir de uma forte capacidade de adaptação. Assim, urge dotar as mesmas de mandatos claros e ferramentas adequadas para arquitectar uma resposta aos actuais desafios, não só económicos, mas também políticos, para que se institua uma nova ordem internacional.

 

 

 

publicado por visaocontacto às 09:14
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