Sexta-feira, 13 de Março de 2009

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Rui Cabrita | C12
 
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Redução da Dependência Energética como Solução

O receio económico generalizado tomou conta das vidas não só dos portugueses como de todo o Mundo. Repetidamente, ouve-se e lê-se que vivemos numa era global e sem fronteiras e, assim sendo, teremos de viver com tudo o que de positivo e negativo tal modelo económico e social acarreta. Antes de tentarmos arranjar soluções para esta crise há muito anunciada, e que terá o seu auge em 2009, temos de tentar perceber o porquê destas quebras económicas tão repentinas e acentuadas que levam, todo o mundo, a indicadores de depressão dramáticos.

Muitos se perguntam ou, simplesmente, já não se recordam de onde surgiu esta crise financeira mundial. A crise teve início no país que muitos apelidam de super potência mundial – E.U.A.!

 Com a crise das empresas dotcom o mercado de imóveis aqueceu e o FED (Banco Central Americano) resolveu baixar os juros para que as pessoas passassem a financiar e fazer empréstimos. A iniciativa deu certo.

O mercado imobiliário viu que o financiamento era uma boa maneira de ganhar dinheiro e, em 2003, houve um aumento na procura pelo crédito, já que os juros no sector chegaram a 1% ao ano, o menor em 50 anos nos EUA. Comprar imóveis era um dos melhores investimentos e a prática de hipotecar, comum nos EUA, aumentou consideravelmente.

O problema maior começou quando essas empresas que hipotecavam, “descobriram” o subprime, um tipo de crédito para pessoas de baixos rendimentos. Como o risco, neste tipo de negociação é mais alto, já que as garantias de recebimento são pequenas, os lucros que incidem nestes créditos são maiores. (ex.: Uma pessoa hipoteca a sua casa por 100 mil euros paga à hipotecária 100 mensalidades de 2mil euros. Lucro de 100%).

As hipotecárias passaram a vender esses títulos a bancos e fundos de pensão, alegando altos ganhos. A empresa que pagou 100 mil ao proprietário do imóvel, repassa para os bancos por 150 mil, mas o imóvel no fim vale 200 mil. Um bom negócio se não fosse o risco final. Como as pessoas que aderiram a esse crédito eram de baixos rendimentos, elas passaram a não pagar as mensalidades e o mercado começou a temer o subprime.

Um ano mais tarde, o valor dos imóveis atingiu o seu máximo e começou a cair. O FED passou a aumentar os juros na tentativa de conter a inflação. Isso encareceu os créditos e naturalmente afastou os compradores. Com isso, aumentou consideravelmente o número de imóveis à venda, fazendo com que os valores destes imóveis despencassem e o número de pessoas que não pagavam aumentasse cada vez mais pois, com os juros mais altos, as pessoas não conseguiam pagar as suas dívidas. Com menos crédito, menor o poder de compra e menos dinheiro passou a circular no mercado, gerando um problema de liquidez. Para se ter uma noção dos efeitos devastadores desta crise... quase dois milhões de americanos perderam o emprego no ano transacto.

Este factor conjugado com a volatilidade que se verificou com o preço do petróleo a atingir sistematicamente preços máximos históricos ao longo dos dois últimos anos, deu origem à maior crise financeira dos últimos 70 anos. Resumindo, a causa principal de toda esta crise é... dos ESPECULADORES!

Uma das soluções para contrariar ou amenizar esta crise é tornar a economia dos países menos vulnerável a tais “bichos papões”.

No caso específico de Portugal, a sua dependência energética é das mais acentuadas de todos os países da U.E. Para se ter uma noção, a taxa de dependência energética em 2007 era de 83,1%, muito acima da média europeia (54%). Isto implica um elevado custo na importação de energia, principalmente petróleo, sujeita a variações do mercado internacional. As soluções são complexas mas incluem o aumento da eficiência energética (1), a diminuição dos consumos (2) e a aposta em novas formas de energia (3), nomeadamente as energias renováveis.

1 - A optimização do consumo de energia deverá abranger todo o processo de produção, distribuição e consumo dessa mesma energia. Assim, em relação à produção será necessária a aposta em energias “amigas do ambiente” em que, no processo de transformação de energia, sejam produzidos o mínimo de desperdícios possíveis, por exemplo, a descentralização com produção de energia mais perto da zona de consumo, diminuindo as perdas energéticas no transporte (políticas de sustentabilidade e eficiência energética).

Relativamente ao consumo de energia, a eficiência depende da sua utilização mais racional, quer a nível doméstico (equipamentos mais eficazes, menor consumo), quer a nível industrial.

2 - Em 2007, do total de energia final para consumo, 36,57% foi utilizada em transportes (o sector onde mais se gasta energia), sendo que 89,98% se destinava a transportes rodoviários.  O sector doméstico constituiu 16,75% dos gastos de energia, tendo a electricidade um peso de 36,04% dos gastos.  

Desta forma, é essencial a diminuição da utilização do automóvel particular, promovendo melhores redes de transportes públicos, a criação de redes ferroviária e marítima europeias, para transporte de pessoas e mercadorias.

Em relação aos edifícios, a promoção da arquitectura bio climática, assim como a reconversão do parque habitacional e de escritórios para a produção de energia e calor, generalizando a micro geração e co-geração, são algumas hipóteses.

3 - As alternativas energéticas incluem as energias renováveis: eólica, foto voltaica, solar térmica, bio massa, bio gás, mini-hídricas, geotermia, ondas, etc. Estas diferentes tecnologias são soluções complementares e nenhuma delas por si só é a solução para as nossas necessidades energéticas.

Este tipo de energia, se adequadamente desenvolvido, permitiria a diminuição da utilização de combustíveis fósseis, reduzindo assim a importação de energia e a dependência de Portugal a nível energético, assim como seria um contributo importante para a diminuição da emissão de gases de efeito de estufa (GEE). 

publicado por visaocontacto às 07:01
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