Domingo, 13 de Maio de 2007

O efeito do Jogo do Solitário

Por André Marquet *

 

 

Ao falarmos de tecnologia falamos de algo que ultimamente tem vindo a ser considerado como uma espécie de panaceia para todos os males da economia portuguesa – o próprio INOV Contacto faz hoje parte do Plano Tecnológico…

 

A injecção de mais tecnologia nas organizações (ou sociedades) nem sempre é sinónimo de incremento da produtividade económica, o que levou o economista Robert Solow prémio Nobel da economia, a enunciar a famosa frase “You can see the computer age everywhere but in the productivity statistics.” Aquilo que agora se chama o Paradoxo de Solow diz-nos algo um pouco desconcertante, que a tecnologia no início da sua adopção, pode ter um efeito perverso e que ao invés de aumentar a produtividade pode mesmo diminuí-la! Têm sido avançadas as seguintes explicações esta aparente contradição:

 

·         A tendência, pelo menos numa fase inicial, da utilização dos computadores para aplicações com pouco impacto directo na produtividade global das organizações, por exemplo, processamento de texto (estive indeciso até ao ultimo minuto se devia incluir o jogo Solitário, alias sol.exe, programado por Wes Cherry em 1981 e incluído de origem desde das primeiras versões do Windows.)

·         As ineficiências causadas devido à utilização de duas plataformas, uma baseada em papel e outra informática, em paralelo, exigindo replicação de tarefas por parte dos utilizadores envolvidos no processo – também é conhecido por problema de alinhamento tecnológico.

·         Interfaces de utilização mal concebidos levam o utilizador a ficar confuso e tornam a curva de aprendizagem muito longa.

·         Obsolescência controlada do hardware, promovida por empresas informáticas, como a Microsoft e a Intel, que beneficiam directamente de ciclos de actualização mais rápidos dos sistemas informáticos.

·         Ênfase nas tecnologias de apresentação e persuasão tais como o PowerPoint™, às custas das técnicas de aprendizagem tradicionais, razão pela qual algumas empresam (incluindo IBM e Sun) criaram zonas livres de PowerPoint™ nos seus campus.

·         A crença cega de que a introdução de novas tecnologias traz sempre benefícios.

Entretanto, existem alguns dados empíricos que demonstram que o efeito da introdução das tecnologias da informação tem vindo a induzir aumentos significativos na produtividade das economias mais avançadas nos últimos anos, sendo que novas ameaças se apresentam como sejam, o spam mail (incluído os emails com piadas, anedotas, etc), o malware, os vírus informáticos, o acesso a conteúdos web “não-profissionais” no local de trabalho…

 

Na sua “Verdade Inconveniente” Al Gore tornou popular que em mandarim, a palavra ameaça também quer dizer oportunidade. Ora, face à estagnação económica, Portugal tem um conjunto de oportunidades adequadas aos seus recursos endógenos e onde mostra estar a “dar cartas”, em áreas tecnológicas relativamente recentes que têm custos de entrada acessíveis à intensidade de capital disponível no país e aos (ainda) escassos empreendedores qualificados, como sejam as energias renováveis, as biotecnologias e sobretudo o software para nichos de mercado, basta olharmos para as tecnológicas portuguesas de maior sucesso com as quais o Contacto trabalha este ano. São precisamente empresas de uma nova geração de soluções pós-paradoxo de Solow - fazer com que mais tecnologia seja também um sinónimo de maior produtividade - apenas alguns exemplos são empresas como a Critical, que tem tecnologia que garante que os sistemas informáticos sejam mais confiáveis, a Outsystems, que disponibiliza soluções para a criação de sites com lógica embutida de forma simples e rápida, ou a Soft99 que comercializa um software que possibilita a reutilização de documentos de escritório de forma eficaz.

 

Outro ponto comum a estas empresas é que resultaram de processos de empreendedorismo dos seus criadores que, movidos de grande perseverança, conseguem hoje êxitos notáveis com empresas quase exclusivamente dedicadas à exportação que não precisaram de se internacionalizar porque fazem parte de uma geração de empresários para quem o mercado natural foi desde a sua génese, o mercado global.

 

Por isto tudo só vos posso reproduzir o que o jornalista Camilo Lourenço nos disse no CGI do C8, sejam ambiciosos: “Shoot for the fu***ng stars!” …e antes de enviarem aquela piada muita gira para os endereços de email empresariais dos amigos, pensem duas vezes.

 

Bem-hajam.

(*) André Marquet é mestre em eng. de telecomunicações e informática, é (co)-autor de vários artigos e patentes na área das telecomunicações. Foi gestor de rede do INOV Contacto. Neste momento está envolvido um projecto empresarial na área da segurança electrónica (www.alarcom.pt). Assina na mailing list do Contacto com o sufixo C8@Tunisia. 

 

publicado por visaocontacto às 17:13
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