Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Vinho portugês na China.

   Madalena Biancard Cruz,

Adega Cooperativa de Borba, Shanghai, China.

Os vinhos ocidentais são um produto relativamente novo na China, ainda considerados como um bem de consumo de luxo e sinal de status.

No entanto, e devido ao interesse do povo chinês pela cultura ocidental, o seu consumo tem vindo a aumentar. Embora ainda seja consumido de uma forma menos tradicional, na maioria das vezes o vinho tinto é servido gelado, enquanto o branco é servido com refrigerantes ou sumos de fruta, independentemente da qualidade e preço.

A importação de vinho estrangeiro desperta cada vez maior interesse por parte de empresas chinesas, devido ao valor elevado de crescimento anual (10%) quando comparado com o anual global (1%) da indústria em causa. No entanto, 95% dos vinhos consumidos são vinhos chineses, sendo os mais conhecidos Great Wall e Dragon Seal, vinhos adaptados ao mercado, com preços imbatíveis relativamente aos importados, mas com uma qualidade bastante inferior.

 

É nas grandes cidades, como Shanghai, Beijing e Guangzhou, que nos deparamos com uma maior oferta e diversidade de vinhos importados, e também é nestas cidades que se encontram sediadas as empresas importadoras mais credíveis, como por exemplo a ASC -Fine Wines (www.asc-wines.com), Torres China (www.torreschina.com.cn) e Montrose (www.montrosechina.com). No entanto, a presença de vinhos portugueses continua bastante escassa, mesmo tratando-se do famoso vinho do Porto. E porquê?

Após os 4 meses de estágio em Shanghai, coloquei variadas vezes essa questão; onde é que errámos como produtores, enólogos, vendedores e consumidores de vinho português para não conseguirmos criar uma imagem coerente e suficientemente forte a nível mundial, podendo depois ser facilmente reconhecida na China, como é o caso dos vinhos franceses, italianos e também os australianos, chilenos e argentinos?

Será mesmo só falta de marketing no sector em questão, conforme analisado pela Monitor Group de Michael Porter, no seu estudo realizado sobre o sector? - (disponível no site da ViniPortugal: www.viniportugal.pt).

Por outro lado, o esforço e empenho por parte das empresas vinícolas portuguesas para se estabelecerem no mercado chinês é uma luta constante, encontrando-se empresas que vão ganhando a sua quota de mercado a pouco e pouco, como é o caso da Adega Cooperativa de Borba e da Sogrape, e outras que, por falta de meios e pouco conhecimento do mercado, acabam por desistir. A ideia que a China é um mercado-alvo facilmente atingível, não passa de uma mera ilusão. Essencialmente, porque:

- O número de consumidores de vinhos importados, na China, é relativamente baixo, assim como, o número de importadores, devido aos custos iniciais na promoção e criação de canais de distribuição que estes vinhos implicam.

- O consumidor chinês, por não ser grande apreciador e por possuir poucos conhecimentos sobre vinho, tende a adquirir os vinhos mais conhecidos e promovidos. Por seu turno, as empresas importadoras, especialmente as mais recentes, exigem do produtor estrangeiro os recursos financeiros necessários para relativizar os gastos iniciais em promoção, de forma a reduzir o risco de mercado. Ora, na sua maioria, as empresas vinícolas portuguesas são de pequena dimensão e produção limitada, não tendo, muitas vezes, recursos financeiros suficientes para investir, na devida promoção, no vasto mercado chinês.

 

A China é um mercado de forte potencial, mas exige bastante trabalho, tempo e dinheiro para ter sucesso.

Como enóloga, o facto de lidar com importadores que pouco ou nada sabem sobre vinho, ajuda-me a relembrar e repensar sobre toda a cultura inerente ao mundo do vinho e encontrar semelhanças com culturas semelhantes, como por exemplo a do chá. Tem sido um desafio espectacular!

 

 

 

publicado por visaocontacto às 17:06
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