Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

México - Um mercado a descobrir.

   Cláudio Santos, Deleg. ICEP, Cidade do México, México.

 

Há cerca de 11 horas de avião de distância da Europa (sem contar com as escalas que devemos fazer para quem vem de Portugal), a percepção que nós usualmente temos deste país poderia ser resumido a: praias, tequilla, fiesta, carochas e Cancún. Ledo engano, o México é um país bastante industrializado e desenvolvido, apenas vivendo no obscurantismo quando comparado com os seus vizinhos “todos-poderosos” do norte.
 
A oportunidade de poder estagiar numa delegação do ICEP, neste caso no México, se por um lado me privou de conhecer um típico ambiente de trabalho mexicano, por outro permitiu-me adquirir conhecimentos bastante alargados sobre sua economia e seus diversos sectores.
 
Pode parecer um pouco irreal, mas o México possui números realmente importantes: 14º economia mundial, 5º maior produtor de petróleo, crescimento de 3.5% em 2006, principais multinacionais do Mundo presentes no país. Além disso e segundo um estudo divulgado pela reconhecida consultadoria PricewaterhouseCoopers referente a 2005, a Cidade do México figura na 8º posição entre as metrópoles mundiais com o maior PIB em termos de poder de compra,  projectando-se como a 7º em 2020. Impressionante para quem não tem muita informação sobre este país.
 
Outros factores a salientar, o México, comparativamente com os outros países da América Latina, possui uma economia muito mais aberta, traduzida nos inúmeros acordos bilaterais assinados com outros países (inclusive a União Europeia), sendo o segundo país (depois de Singapura) a assinar um tratado de livre comércio com o Japão. É o país, actualmente, com maior número de acordos de livre comércio no mundo. Também é o país da América Latina que mais recebeu investimentos estrangeiros em 2006 (19 mil milhões de dólares), superando o Brasil como destino favorito.
 
Claro que existem pontos negativos importantes a apontar, como a disparidade da distribuição de renda (20% dos mais ricos detém 55% da riqueza nacional) contribuindo bastante para os índices de criminalidade, e mais especificamente na Cidade do México, o completo caos a nível de urbanização, com excepção de algumas áreas, dos transportes e a poluição. E claro, a ainda excessiva dependência da evolução da economia norte-americana constitui um dos principais entraves para o seu desenvolvimento.
 
O mesmo estudo mencionado anteriormente alerta que o peso económico não é necessariamente a solução. "A Cidade do México, a maior economia entre as cidades emergentes, é acometida por problemas de crime, congestionamento e poluição que fazem cidades menores mas de crescimento mais rápido, como Guadalajara e Monterrey, mais atractivas".
 
Um dos aspectos culturais e que de certo modo bloqueia o desenvolvimento do país pode ser resumido numa expressão muito comum por aqui: ahorita. Esta expressão, numa tradução simples, significa “daqui a pouco” ou “já lhe faço”. Mas para efeitos práticos, o ahorita significa uma “eternidade”. Tudo é feito com bastante calma e lentidão para o padrão europeu, pelo que é preciso ter alguma paciência e encarar tudo isto com naturalidade, como um traço característico deste povo.
 
Sobre sectores específicos do mercado mexicano vistos como oportunidades para a oferta portuguesa, podem-se destacar os Vinhos e o Turismo.
 
A indústria vitivinícola mexicana é uma indústria que, contando o facto de não ser de tradição, tem apresentado vinhos de boa qualidade. Até há alguns anos a ideia de produzir vinho no México fosse uma ilusão. Actualmente, o México entra no cenário dos chamados Vinhos do Novo Mundo, provenientes da Austrália, Chile, EUA, África do Sul, Argentina, Nova Zelândia, e começou a participar nos melhores concursos internacionais. Actualmente o México exporta para pouco mais de 10 países, destacando-se os EUA.
 
Apesar disto, o consumo de vinho entre a população é baixo, sendo que a reduzida parcela de cidadãos com altos rendimentos apresenta preferência pelos produtos importados. No entanto, o México dispõe de condições geográficas e climáticas favoráveis para a produção de vinhos de alta qualidade, o que lhe dá vantagens comparativas principalmente para o mercado de exportação. Este mercado, no qual a participação mexicana é ainda incipiente, apresenta potencial dada a boa relação qualidade/preço do produto mexicano.
 
Os vinhos portugueses encontram uma forte concorrência no mercado mexicano. Como noutros sectores, Portugal sofre pela falta de “marca” e reconhecimento que os seus produtos têm nos mercados internacionais. No caso do vinho, a qualidade do mesmo é conhecida pelos profissionais do sector, mas tal não acontece junto dos consumidores e compradores finais, com excepção do vinho do Porto.
 
Além disto que a concorrência em preço é muito forte e os vinhos portugueses são colocados acima da média da concorrência, factor que pode ser explicado por custos logísticos mais altos devidos pelo menor volume de caixas que entram no mercado quando comparado com os vinhos de outros países, sem contar claro com os custos de fabricação.
 
A oferta portuguesa no sector do turismo não pode promover o país como um destino do tipo “praia e sol”, visto que o México é bastante reconhecido a nível internacional nesta área. Pode-se citar como exemplo, Acapulco e Cancún, pelo que o turista mexicano dará preferência a destinos nacionais, considerando a sua qualidade e também pelo reduzido poder de compra de grande parte da população. Outro facto que bloqueia a promoção de Portugal como destino turístico aqui é a inexistência de voos directos entre os dois países.
 
Considerando estes factos, pode-se dizer que a promoção turística no México deve mostrar Portugal como um destino de importância histórica e cultural. Também o turismo religioso, muitas vezes ignorado pelos agentes do ramo, tem um grande potencial aqui, visto que 89% de sua população de cerca de 100 milhões de habitantes é católica e tem grande devoção pela Virgem de Guadalupe (47% da população assiste a missa semanalmente), que assume importância similar a Fátima em Portugal.
 
O México, como referido no título, é definitivamente um país a descobrir pelos portugueses, não apenas como um destino turístico, mas sim como um país em vias de desenvolvimento e com excelentes projecções de crescimento, podendo ser uma alternativa de investimento aos já tradicionais países do BRIC, e mas especificamente no caso português, a Angola. Um país cheio de oportunidades, rico e diversificado culturalmente.
publicado por visaocontacto às 16:50
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