Domingo, 30 de Março de 2008

A política da ciência nas eleições em Espanha.

     Gabriela Ribeiro    -    Parque Científico de Madrid

Madrid

Espanha

 

A política científica é um dos factores chave que induz o desenvolvimento da ciência e tecnologia. Essa política tem um papel decisivo ao criar condições para a existência de liberdade na investigação, ao proporcionar os recursos necessários para que sejam atingidos os desejados resultados dessa investigação, e ao ajudar na disseminação desses resultados. Contudo, o real ímpeto para a investigação e para a aquisição de novos conhecimentos está profundamente enraizado na natureza humana e expressa-se na curiosidade e na motivação para aprender e inventar o que antes ainda não era conhecido ou ainda não tinha sido descoberto. Em toda a história da humanidade, geração após geração, cada um dos nossos antepassados tem tido a oportunidade de participar na aventura do conhecimento. Cada um de nós, que neste momento fazemos parte do Programa INOV contacto, estamos de certa forma a participar nesta oportunidade e a deixar um pouco da nossa sabedoria nas empresas e países onde nos encontramos.

Um pouco alheios ao que os decisores políticos definem, no que concerne a políticas na área científica, embarcamos nesta experiência convictos de que podemos ser um grão de areia que faz a diferença na engrenagem e que podemos contribuir para mais um passo em frente na busca de respostas. No entanto, o que hoje quero transmitir é um pouco do que as políticas científicas em Espanha têm significado para o desenvolvimento deste país onde me encontro a fazer o meu estágio.

Enquanto escrevo, decorre a campanha eleitoral para a escolha do novo Presidente do Governo Espanhol. Muitas promessas se têm ouvido e muitas estratégias se têm gizado pelos partidos políticos no que respeita a política científica. Há claramente em todos os programas eleitorais a vontade de melhorar a I&D no país e não há dúvida que um dos pontos em discussão nesta campanha tem sido a política de maturação do sistema científico em linha com o desenvolvimento económico e social dos últimos anos. Tenho escutado e sentido a frustração de muitos colegas no Parque Científico de Madrid que discordam dos relatórios optimistas que colocam o país numa posição cimeira, na Europa a 25, no que diz respeito ao crescimento do investimento em I&D. Dizem-me que parece que a vontade política não sai do papel e o que se vive na realidade na Investigação Científica está muito aquém do que seria desejável.

Nas últimas décadas, Espanha tem-se desenvolvido de forma extraordinária tanto social como economicamente. A taxa de crescimento do PIB excedeu a média da União Europeia e a vitalidade da economia tem permitido uma real convergência com a Europa a 25. Por exemplo, o PIB per capita era de 87.6% da media da Europa a 25 em 1990 e cresceu para cerca de 98% na actualidade. E o objectivo do Programa Nacional de Reforma Espanhol é que as cifras se situem nos 100% de convergência em 2010.

O que é certo é que Espanha tem estado nos últimos anos num processo de crescimento baseado principalmente no crescimento da taxa de emprego e num modesto aumento da taxa de produtividade. Tendo atenção a este facto o Governo Espanhol tem-se desdobrado em esforços para corrigir as fraquezas estruturais detectadas na economia do país. Espanha está atrasada no que respeita a I&D e isso afecta todas as outras áreas do Sistema Nacional de Inovação. Torna-se então imperativo reorganizar e estimular o sistema Ciência-Tecnologia-Empresas e um dos pontos a melhorar é o investimento no capital humano e em novas políticas de investigação e inovação. Um dos principais objectivos é atingir, até 2010, os 2% do PIB em investimento em I&D, que ficam ainda muito aquém dos 3% que são a meta da Europa a 25.

Mas, e desprezando momentaneamente os aspectos estatísticos, os esforços feitos por Espanha têm consolidado o sistema Ciência-Tecnologia-Empresas ao melhorar a sua organização, fomentar a transferência de conhecimento e tecnologia, fortalecendo as infra-estruturas de ciência e tecnologia e intensificando a presença internacional do seu sistema de I&D. Tudo isto requer um esforço coordenado de investimento público e privado que será necessário intensificar nos próximos anos que tem sido discutido durante a campanha eleitoral em curso.

Resta esperar o resultado destas eleições e observar o decurso da próxima legislatura, para ver se as aspirações dos meu colegas cientistas espanhóis se vão concretizar e o sistema científico espanhol melhora

 

publicado por visaocontacto às 12:00
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