Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Porque somos Latinos

   Luísa São Marcos

 

   SonaeSierra  |  Bucareste  |  Roménia  |  C11

 

O povo romeno, apesar das misturas de povos que fazem a sua história, faz questão e orgulha-se em ser latino. Confesso que tenho de concordar com eles. Capazes do melhor e do pior, emotivos, fiteiros, desorganizados, burocráticos e barulhentos, assim são estes latinos.

Como portuguesa, foi mais fácil conviver com esta forma de estar, no entanto é daqui que decorrem as inúmeras histórias que vivemos ou ouvimos ao longo destes 8 meses.

O taxista, no desempenho das suas funções, pode ser um belíssimo exemplo do que é ser-se romeno. Há um mundo de experiências a viver quando nos relacionamos com o senhor do carro amarelo trespassado de uma faixa de quadrados pretos e brancos. Ser-se expulsa do carro porque o destino não é o mais favorável. Quilómetros após quilómetros em contra-mão sempre com vista à “mais rápida” satisfação do cliente ou o também sempre em prol do cliente, “vai de metro que chegas lá em 15 minutos” são apenas uma pequena amostra do que muito me aconteceu.

 

Um outro assunto fértil em boas histórias é um jantar. Para um estrangeiro, as consequências da simples decisão não planeada de “ir jantar fora”, podem ser graves. Se os romenos são desorganizados, não será por falta de empenho. O sistema de reservas num restaurante é levado a sério e portanto, ainda que se encontre vazio, na ausência da devida reserva o melhor é tentar noutros locais menos persistentes na busca de organização e mais condescendentes com a desorganização estrangeira. Também cada função é levada com muita seriedade. Na prossecução da especialização, cada um só faz aquilo em que é melhor. Há o romeno que nos leva à mesa. Há o romeno que trata de registar os pedidos da zona A, B ou C, há o romeno que faz a entrega dos pratos e, no final, o romeno que traz a conta, ainda que nem sempre feita com rigor. No entanto, ainda não foi encontrado o romeno perfeito para trazer o troco ao cliente no montante correcto.

 

Mas, como disse, são também capazes dos melhores gestos. Vários foram os momentos em que me fizeram gostar de os conhecer e de viver neste país. Um “eu levo-te lá” como resposta a um pedido de indicações. Um afago a um cão vádio. Um “este fim de semana tens de vir conhecer a minha terra”. Um ramo de flores só porque sim. Ou uma simples conversa com um desconhecido que se interessa por mim e pelo meu país foram alguns dos momentos que me fizeram gostar de conviver com este povo. Acho que só porque somos latinos é que nos entendemos tão bem.

 

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publicado por visaocontacto às 21:00
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