Sábado, 6 de Setembro de 2008

Lei seca

 

    Ana Borga   |   C12

 

Montez Champallimaud

Brasil

 

 

 

 

 

No passado dia 20 de Junho do ano de 2008, o Governo brasileiro aprovou a chamada Lei Seca, que determina que o limite de álcool para quem conduz seja um “chope”, palavra brasileira para imperial.

Quem beba mais que um “chopinho”, coma dois bombons de licor ou tenha o azar de ser mulher para quem o limite é mesmo zero, a lei prevê uma multa de R$ 955 (mais ou menos 400€), e ainda a perda do direito de dirigir e a retenção do veículo.

Mas isso não é nada – se por acaso a pessoa tiver 0,5 decigramas por litro, ou seja tiver bebido 2 chopes, a punição prevê ainda a prisão, com uma pena de seis a três anos que poderá ter ou não fiança dependendo da boa vontade do agente que autuar! Querem melhor incentivo à corrupção policial tão pouco usual neste país? É vê-los amontoados à porta dos bares e restaurantes armados de alcoolímetros e armas nas mãos.

Trabalhando no seio de uma reputada importadora de vinhos e visitando com muita regularidade diversos restaurantes, verifiquei que o impacto nas vendas de bebidas não poderia ter sido mais nefasto.

E se o vinho se queixa, o que dizer da cerveja! O povo brasileiro, habituado a temperaturas elevadas, que não dispensava a happy hour depois do trabalho, entrou em pânico e aboliu o álcool a favor de água e “sucos” – no primeiro mês o sector da restauração reportou quedas nas vendas na ordem dos 30 a 45%. Obviamente, que estes dados rapidamente motivaram protestos e acções dos sindicatos para abolir ou suavizar a lei radical.

No entanto, do outro lado surgem as contestações das associações de familiares de vítimas de acidentes e outros dados não menos impressionantes: só no primeiro mês o número de vítimas de acidentes decresceu 21%! Contra isto e a boa quantidade de dinheiro que entretanto vai entrando nos cofres do estado há pouco a fazer.

Assim sendo, privilegia-se a criatividade dos comerciantes entretidos com estratégias que vão desde a promoção junto dos clientes do bairro que podem ir e vir a pé, carrinhas que levam os clientes a casa, pagamento de táxi a partir de um determinado valor de consumo, patrocínio de condutores-cool, entregas de vinho e cerveja em casa e inclusive no estado de Mato Grosso conseguiu-se chegar a um acordo geral entre sindicatos em que os clientes de bares e restaurantes não pagam a tarifa 2 nos táxis (o que representa um desconto significativo e independente do local).

Se a lei vai permanecer nestes moldes, a ser seguida à risca e com grande fiscalidade é algo que não consigo prever. Dizem as más línguas que tal só sucederá até às eleições em Outubro, porém, é com certeza uma mudança numa cultura antes virada para “encher a cara” (beber até cair para o lado) e que interfere num dos sectores que mais dinheiro move no país, para não falar que representa grande parte das exportações portuguesas neste país.

 

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publicado por visaocontacto às 09:09
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