Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

agora é o momento

   José Antunes

 

   Leadership Business Consulting

   Angola

 

No panorama actual, com a desaceleração do crescimento a Ocidente e logo com o clima menos favorável em parte dos nossos tradicionais parceiros comerciais, Portugal tem uma grande oportunidade de olhar novamente para os países de língua oficial portuguesa, procurando potenciar as grandes vantagens competitivas que aí possuí, nomeadamente, a língua e os fortes laços culturais.

Em jeito de resenha, o Brasil é um dos chamados BRIC, vem revelando estabilidade económica nos últimos anos, tem uma agricultura pujante e uma indústria forte potenciada pelo vasto mercado interno (transformadora, aeronáutica, petrolífera…), para além de possuir recursos naturais únicos.

Moçambique tem vindo a recuperar do baixo estágio de desenvolvimento, nos últimos anos apresentou taxas de crescimento médias acima dos 8% (a mais alta taxa entre os países africanos importadores de petróleo), tem procurado assentar o crescimento numa base sustentável, tem fomentado o turismo e o regresso das populações as suas terras de origem (êxodo urbano) e é apontado como um dos bons exemplos de regimes democráticos em África.

Por fim Angola, visto ser o único representante da presente edição do programa no país, procuro não só focar o clima económico-social em Angola, mas também expor a minha percepção sobre o país e a vida em Luanda.

A influência de Angola em Africa é cada vez maior, mercê de taxas de crescimentos na casa dos dois dígitos desde o pós guerra, Angola é já uma das principais potências da África sub-sahariana, tendo-se, inclusive, tornado nos últimos meses no maior exportador de petróleo africano (com a instabilidade sentida na Nigéria). Como resultado destes bons desempenhos económicos, além do aumento do investimento estrangeiro no país, o Governo começa também a investir em projectos estruturantes nos mais diversos domínios, como sejam as águas, a agricultura, os transportes ou a energia.

Se a 5 de Setembro próximo, as primeiras eleições dos últimos 16 anos, resultarem numa vitória da democracia, mantendo-se a paz e a ordem (sendo o clima actual, aparentemente, calmo!), estarão lançadas as bases não só para a manutenção do elevado crescimento, como também para uma maior credibilização da imagem do país no exterior. Credibilização essa que poderá ser ainda favorecida com a organização da CAN – Copa das Nações Africanas – em 2010.

Contudo, apesar do forte crescimento económico, Angola é um dos países mais díspares do mundo e perto de 70% da sua população vive abaixo do limiar da pobreza. O seu crescimento tem assentado na exploração dos recursos naturais (sobretudo petróleo, mas também diamantes e futuramente gás), sendo que as industrias a eles associados absorvem uma pequena franja da população. Assim, torna-se necessário, que os projectos estruturantes tomem forma e que o sector não petrolífero se desenvolva rápida mas de forma sustentada, com especial ênfase a agricultura e a indústria transformadora, de modo a ser gerado mais emprego e que este contribua para uma melhor distribuição da riqueza.

A mescla entre a pujança económica do país e as suas disparidades é sobretudo visível na capital. Luanda assemelha-se a um imenso estaleiro, as construções de grande envergadura erguem-se por toda a parte, o pó é imenso, são rasgados e tapados buracos nas estradas diariamente, as vias de saída da cidade sofreram ou estão a sofrer obras de alargamento.

Na mesma cidade, coexistem habitações com preços superiores aos das grandes cidades ocidentais e enormes “moceques” (vulgo: “bairros de lata”) assentes sobre toneladas de lixo; vêm-se um grande número de veículos topo de gama, lado a lado com veículos em fim de vida e um sem fim de “candongueiros” (carrinhas Toyota Hiace de 9 lugares, maioritariamente, em mau estado de conservação e que são o principal transporte público na cidade); ou encontram-se lojas de marcas de luxo com vendedores de rua em frente.

A junção do forte crescimento e grande disparidade económica da cidade com o excesso de população (resultante do êxodo para Luanda aquando da guerra) fazem-na uma cidade tensa, com um trânsito absolutamente caótico (é comum levar cerca de 1 hora para fazer 2/3km) e com o mais alto custo de vida para expatriados do mundo (a oferta é escassa face a uma procura crescente).

Saindo de Luanda, a densidade populacional reduz-se drasticamente sendo possível desfrutar de belas paisagens naturais e de praias de águas quentes, contudo o turismo é ainda um sector por desenvolver (as ligações viárias estão a ser restabelecidas) pelo que faltam as infra-estruturas de apoio.

Realço ainda, que apesar de cerca de um terço da população angolana viver em Luanda (estimativas apontam para um número superior a 5 milhões de habitantes), esta ocupa uma pequeníssima parte do território Angolano e que existe todo um conjunto de outras cidades ao longo do país que se vêm desenvolvendo com o restabelecimento das vias de comunicação e com a entrada de investimento.

Hoje, Angola é um país com imensas oportunidades, decorrentes quer do forte crescimento quer das amplas carências estruturais, próprias de um país, que há seis anos atrás se encontrava em guerra. Contudo, para investir em Angola é necessário conhecer primeiro o país e perceber as suas necessidades, bem como os interlocutores locais. O povo angolano, apesar da marcada influência portuguesa, mantém ainda uma atitude “algo imediatista” resultante de décadas de guerra civil que os privou de “quase tudo” (desde a liberdade até à educação). 

Concluindo, razões não escasseiam para dizer que “agora” é o momento de olharmos atentamente para Angola e para os países de língua portuguesa!

 

publicado por visaocontacto às 09:00
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