Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Relação Portugal-Moçambique

  Maria João de Almeida

 

 

  M&J Pestana

  Moçambique

 

 

 

Com um passado comum mas com tantas diferenças a todos os níveis, estes dois países lusófonos, vivem ainda algumas dificuldades relacionais devido a uma descolonização complicada.

 

Apesar de tudo, trinta e três anos depois da independência, ambas as partes encontram diversas razões para criar uma relação saudável de modo a ultrapassar as complicações históricas.

 

Após a descolonização, Moçambique passou por diversas dificuldades para conseguir ser um país independente. Fome, miséria, doenças e desemprego de grande parte da população foram algumas delas. Contudo, o povo moçambicano, com as suas características tão próprias, tão diferentes daquelas a que estamos habituados em Portugal e, de uma forma geral, na Europa, é um povo extremamente simpático e acolhedor. São pessoas humildes, por vezes até demasiado, talvez por ainda estar patente uma certa ideia de superioridade dos “brancos” na mentalidade de algumas pessoas. Esse aspecto é mais comum nas pessoas com menos formação e é realmente incómodo e aparentemente complicado de mudar.

 

Relativamente à cultura Pestana em Moçambique, posso dizer que, depois de ver como funciona um hotel do mesmo grupo em Portugal (Madeira), se verificam diferenças abismais. Os padrões de serviço são totalmente diferentes, assim como o ritmo de trabalho, o profissionalismo, as mentalidades, a extrema resistência à mudança, etc.

 

O Grupo Pestana é detentor de três unidades hoteleiras em Moçambique, nomeadamente em Inhaca, Bazaruto e em Maputo, onde decorre o meu estágio neste momento, no departamento de reservas.

Reparo diariamente que os hábitos e os métodos de trabalho são completamente distintos dos que se verificam em Portugal, como é o caso do cumprimento de horários. Alguém que entre às oito da manhã, às cinco da tarde, já está a sair, independentemente de terem ficado ou não coisas importantes por fazer. Outro exemplo é a falta de polivalência das pessoas, cada um tem a sua função, não existindo a preocupação de ajudar o colega caso seja necessário, mesmo que seja em prol de uma melhor prestação do serviço.

 

No caso de serviços como restaurante e bar, verifica-se uma grande lacuna em formação, os colaboradores não sabem bem o que devem fazer e muitas vezes nem sabem como falar com os clientes. Logística e coordenação são conceitos ainda pouco interiorizados, por exemplo as entradas vão para a mesa praticamente ao mesmo tempo que o prato principal. A simpatia, está sempre patente, mas eficiência é algo complicada. Se estas situações se verificam num hotel desta categoria penso não ser necessário mencionar como é nos restaurantes e bares da cidade de uma forma geral. É por estas razões que é tão importante que ambas as culturas percebam que temos muito a aprender uns com os outros.

 

Apesar de todos estes factores que apontei com um certo tom de crítica, a experiência tem sido fantástica. Com todos os constrangimentos de viver num país em que grande parte das pessoas que se vê na rua são tão pobres, que tentam vender tudo o que podem, insistindo tanto que levam as pessoas ao desespero, vencendo-as pelo cansaço; com todas as dificuldades em arranjar uma casa habitável, com condições mínimas e preços aceitáveis, posso dizer que a minha adaptação em Moçambique está a correr da melhor maneira possível.

 

Para além de tudo de fantástico que Moçambique possui, a comunidade portuguesa em Maputo é significativa, há ainda muitos ex-contacteantes que por cá ficaram, e que, obviamente, nos ajudam muito na nossa integração e contribuem para nos fazer sentir um pouco mais “em casa”.

 

Sim, apesar do pouco tempo que aqui passei, penso que posso dizer que me sinto “em casa”.

 

publicado por visaocontacto às 08:00
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