Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

O desafio de um Turismo Sustentável Vs A ameaça de um Turismo INsustentável

   Bruna Galante Santos   |   C12

 

  

 

   Efectivo Consultoria e Investimentos

 

  Cabo Verde

 

 

 

O potencial de Cabo Verde para o desenvolvimento do Turismo, está directamente ligado às boas condições geográficas, humanas, culturais, climatéricas e paisagísticas, associadas à ausência de conflitos políticos e étnicos ou religiosos.

O actual Plano Nacional de Desenvolvimento considera o Turismo como uma das prioridades do Governo, e tem como objectivo criar uma imagem de marca forte e competitiva.

A procura de Cabo Verde como destino turístico aumentou 11,2% em 2007, face ao ano anterior (INE). Entraram nos estabelecimentos hoteleiros de Cabo Verde 312,880 hóspedes, contra os 280,582 de 2006, totalizando 1.432,746 dormidas, mais 4,7% do que em 2006. Sendo certamente o mercado da Macaronésia com mais possibilidades de crescimento, a diversidade do seu território, oferece conjuntamente; Turismo de Sol e Mar, Turismo Cultural e Turismo de Montanha, tornando este pais africano numa enorme e prometedora potência turística.

O Turismo é já considerado o “Petróleo” de Cabo Verde, pelo que se torna imperativo tornar esse “petróleo” renovável, e para isso é imprescindível que se adopte uma estratégia turística sustentável, que envolva responsabilidade social, e um forte comprometimento com o meio ambiente, integrando a população local.

A promoção deverá adoptar uma perspectiva de longo prazo, assente numa estratégia turística ecologicamente equilibrada, numa eficiência económica e numa equidade social. A problemática do ambiente, deverá ser entendida no seu sentido mais amplo, englobando tanto a perspectiva preservacionista como a do desenvolvimento sustentável.

Cabo Verde criou um código de Conduta do Turismo Sustentável, definindo objectivos na Gestão de Recursos e na competitividade do sector. Mas para além da criação de legislação, será necessário que haja capacidade de execução e de fiscalização, bem como um compromisso moral e ético que vá além das leis que regulam esta actividade.

Não se deve esquecer que o turismo é muito mais que uma indústria de serviços, trata-se de um fenómeno com repercussões significativas no meio natural e construído e também no bem-estar cultural das populações receptoras.

A aposta no Turismo Sustentável é, claramente vantajosa para Cabo Verde, tanto para o ambiente como para as populações, pois para além de fomentar a compreensão do impacto do Turismo, também evidência a necessidade de adopção de estratégias de planeamento e ecoturismo, nomeadamente a nível das infra-estruturas.

A utilização sustentável dos recursos associada a uma política racional de conservação desses mesmos recursos, são pré-requisitos essenciais à sua plena exploração. No caso particular do turismo, é essencial apostar num desenvolvimento sustentável.

Entre as medidas mais urgentes estão: a economia da água e a sua reutilização, gestão de recursos energéticos, exploração das energias renováveis, tratamento de resíduos sólidos e líquidos, optimização dos recursos ambientais e naturalmente a consciencialização da população.

Pesquisas recentes demonstram que os turistas escolhem os seus destinos de férias sobretudo com base no Clima, segurança, acessibilidade e preço, porém critérios éticos como a consciência ambiental e as condições de trabalho assumem cada vez mais importância nessa decisão. A tendência é que esses critérios ganhem cada vez mais importância, pelo que a oferta turística deverá adaptar-se a estas novas premissas.

De acordo com a ONOTUR – Câmara de Turismo de Cabo Verde, que se assume como entidade promotora de um turismo sustentável, “os critérios éticos, sociais e ambientais são cada vez mais um factor de decisão para os consumidores do Turismo, em especial os mais esclarecidos, que buscam a qualidade nas suas múltiplas facetas”.

Cabo Verde encontra-se actualmente no momento em que pólos de atracção turística como as Canárias, se encontravam á 20 anos.

Será Cabo Verde capaz de atingir os limiares do exponencial turístico sem incorrer nos mesmos erros que assolam actualmente as Canárias?

Será Cabo Verde capaz de aproveitar a oportunidade de aprender com as fragilidades do Passado? Com os erros de outros? Será Cabo Verde capaz de avançar com uma proposta real e eficaz, salvaguardando o turismo sustentável? Será que todas as ilhas irão sofrer a descaracterização que sofreu o Sal, nomeadamente a Vila de Santa Maria?

A população local deveria ser a primeira a usufruir do Turismo, com a melhoria das suas condições de vida através da criação de instalações de saúde, educação, arborização, estradas, emprego, etc. Isto seria parte dos “dividendos” de um turismo sustentável. Será que é isto que se passa na Ilha do Sal, a mais turística do Pais? Será isto que se irá passar na Ilha da Boa Vista? Será que a Ilha da Boa Vista irá seguir o modelo de turismo massificado, desordenado, descaracterizado e Insustentável do Sal?

Mais alarmante que isso, será que a Ilha da Boa Vista já não está a seguir esse modelo? Infelizmente, tudo indica que sim. Muito em breve irá ser inaugurado mais um MEGA Hotel, que no Pico do Verão terá diariamente quase metade da população da Boa Vista, o que somado aos hóspedes dos restantes hotéis da ilha, irá totalizar mais turistas que residentes.

Teoricamente até seria bom para a economia local, mas na prática as receitas provenientes do turismo quase nem chegam a sair do hotel, já que à semelhança do que acontece em muitos dos hotéis do Sal, este irá funcionar em regime de “all inclusive”.

Lamentavelmente o impacto que uma infra-estrutura destas proporções terá na vida local, será devastador, não só a nível ambiental, como também a nível social.

O Hotel irá situar-se na primeira linha costeira, destruindo Dunas que deveriam ser intocáveis. Como acontece no Sal, também aqui não há qualquer tipo de preocupação ecológica. A Boa Vista é o local procurado por centenas de Tartarugas Marinhas para a desova. Estas Tartarugas encontram-se actualmente em vias de extinção. Será que este tipo de Turismo não irá ter consequências também neste campo? Seria mais vantajoso para Cabo Verde a adopção de um Turismo de Qualidade em detrimento do actual modelo virado para o turismo de massas, de quantidade.

O Turismo Sustentável é uma excelente fonte de receitas e desenvolvimento, Cabo Verde não deve desperdiçar todo o seu potencial num turismo que beneficia unicamente um grupo restrito de indivíduos e grupos económicos.

Relembrando a conhecida equação do Eco-desenvolvimento discutida no âmbito da conferência de Estocolmo, trata-se de reafirmar a pertinência do triângulo “economia”, “ambiente” e “sociedade”, ou seja, na adopção de uma política de Turismo Sustentável, deverão ser implementadas estratégias de desenvolvimento economicamente viáveis, ambientalmente sustentáveis e socialmente justas.

 

publicado por visaocontacto às 08:30
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