Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Cultura Livre

   Helena Calado

 

   Ventura Valcarce Magdalena  |  Barcelona  |  Espanha  |  C11

 

 

Provavelmente muitos de nós já tiveram a oportunidade de ver o filme “A Residência Espanhola” (2002) de Cédric Klapisch, onde é retratado um dos aspectos, que quanto a mim, melhor caracterizam a cidade de Barcelona: a questão da multiculturalidade.

Barcelona é uma cidade de confluências, onde por distintas razões convergem pessoas de todo o mundo, quer inseridas no programa Erasmus, quer por questões profissionais ou simplesmente por turismo e lazer.

Quando há uns anos tive a oportunidade de conhecer a cidade, experienciei pela primeira vez o facto de não me sentir estrangeira fora do meu país,e foi com enorme entusiasmo que recebi a notícia de que através do Programa INOV Contacto iria ter a oportunidade de viver e trabalhar durante alguns meses em Barcelona.

 

Num pequeno espaço facilmente se cruzam distintas nacionalidades, e na própria geometria urbana associam-se determinadas zonas a determinados grupos culturais, como é o caso do Raval, bairro pertencente ao casco antigo da cidade, onde não faltam as lojas de paquistaneses e marroquinos e onde ao virar da esquina se pode beber um chá de menta, deixando à porta os sapatos e os costumes ocidentais. Um pouco por toda a cidade existem os afamados “locutórios”, locais de acesso rápido e económico à internet e telefone, e na sua maioria geridos por indianos.

Ao deambular pelas ruas escutam-se distintos idiomas para além do castelhano e catalão, como o inglês, o alemão, o italiano, o francês, e também português. A nova geração de imigrantes trouxe para a cidade pessoas recém-licenciadas ou que procuram continuar uma carreira académica com mestrados e doutoramentos, e que continuam a ver Barcelona como um local de possibilidades, mas o estado de estagnação geral da economia começa a dar sinais.  Apesar do acesso a um posto de trabalho e respectivas condições de remuneração serem bastante menos favoráveis que há meia dúzia de anos atrás, Barcelona continua a exercer fascínio sobretudo nas áreas artística, pelo que existe actualmente na cidade um grande número de arquitectos e designers estrangeiros, grande parte dos quais portugueses.

A tradição da cidade nestas áreas, nomeadamente na Arquitectura é evidente, com um legado histórico de elevada qualidade, destacando-se, como não poderia deixar de ser, as obras de Antoni Gaudí. Podem também apreciar-se obras contemporâneas de prestigiados arquitectos nacionais e estrangeiros como Jean Nouvel e o seu controvérsio projecto para a Torre Agbar, ou a moderna cobertura do mercado de Sta. Catarina, da autoria dos arquitectos catalães Enric Miralles e Benedetta Tagliabue.

Mas quando falo de multiculturalidade não me refiro apenas a esta mistura e convivência de pessoas de distintas nacionalidades. Barcelona é também uma cidade de fácil acesso à cultura. Há uma grande quantidade de eventos culturais gratuítos, desde concertos de música clássica e contemporânea a exposições e performances que animam o espaço público, o local de convivência por excelência.

 

Contudo o que atribui um carácter peculiar à vida de Barcelona é, quanto a mim, a liberdade que existe nesta convivência. São raros os dias em que passo na Praça da Generalitat e não há uma manifestação, às vezes por motivos caricatos como o protesto de um pequeno grupo de cidadãos contra o encerramento da rádio paquistanesa de Barcelona, ou como me contou um amigo, a manifestação de umas quantas pessoas na altura da morte do Papa João Paulo II, que reivindicavam o direito a ver notícias na distintas desta na televisão.

 

Em Barcelona é permitido andar despido, pelo menos em alguns locais da cidade, e há um ou outro transeunte que leva este consentimento muito a sério. É também a cidade da liberdade sexual e por isso destino eleito por muitos casais homossexuais.

BCN é sem dúvida uma cidade cosmopolita, que se por um lado reivindica maior autonomia dentro de Espanha, está aberta ao exterior acolhendo no seu dia-a-dia um grande número de estrangeiros, muitos dos quais contribuem para o crescimento e desenvolvimento da cidade.

É nesta convivência descomprometida que gira o mundo do trabalho e dos negócios e que permite à cidade continuar a ser uma referência na vanguarda da cultura.

 

publicado por visaocontacto às 10:00
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Marca Barcelona

   Luís Gonçalves

 

   Janela Digital  |  Barcelona  |  Espanha  |  C11

 

Antes de me debruçar sob o tema A Marca BARCELONA, gostaria de deixar bem claro que Barcelona não é Espanha. Esta afirmação nada tem a ver com a visão política de Espanha e/ou com a famosa “guerra” Barcelona/Catalunha vs Espanha!

 

Definitivamente, Barcelona não é somente uma cidade. É muito mais do que isso...

 

Barcelona é uma marca! É uma marca no que concerne à cultura, ao desporto, à sociedade, à política, à irreverência...

 

A marca Barcelona ocupa sempre um espaço na mente de um qualquer cidadão do Mundo. Poucas são as capitais do Mundo (convém recordar que Barcelona não é capital) que têm um posicionamento idêntico e/ou superior ao de Barcelona.

 

Se não, vejamos referências incontornáveis:

 

- Jogos Olímpicos de Barcelona

- Joan Miró

- Picasso

- Las Ramblas

- Antoní Gaudi

- Sagrada Familia

- La Pedrera

- Casa Batlló

- Parque Güell

- FC Barcelona

- Camp Nou

- Modernismo

- Circuito de Montmelo (Catalunha)

 

Ou seja, mesmo o cidadão do Mundo que nunca tenha visitado Barcelona, já ouviu falar de muitas destas referências... E são poucas as cidades que podem orgulhar-se de tal.

Barcelona foi historicamente uma cidade muito ligada à indústria. Foi a primeira cidade em Espanha a acolher a revolução Industrial e apesar de ter tido algumas crises económicas é hoje o maior centro indústrial do país.

No que concerne a aeroportos, Barcelona está “servida” por 3: Reus, Girona e El Prat (sendo este último o principal). No total destes 3 aeroportos operam 96 companhias aéreas, das quais 21 são low cost.

O porto de Barcelona converteu-se nos últimos anos no mais importante do Mediterrâneo em tonelagem de mercadorias e contentores. É, também, o primeiro porto mediterrânico em número de cruzeiros que fazem escala na cidade.

A lingua Catalã é, igualmente, uma imagem de marca da cidade e da Catalunha. Ao ponto de, muitas vezes, o cidadão nativo fazer questão de responder em Catalão a perguntas colocadas em Castelhano.

Somando a todas estas referências há, também, o facto de no ano passado Barcelona ter recebido cerca de 22 milhões de turistas, 30 mil estudantes (7000 estrangeiros e os restantes de outras zonas de Espanha) e de 15% da população ser estrangeira (vivem em Barcelona aproximadamente 1,9 milhões de pessoas). *

Centro cultural, económico e político, Barcelona é uma referência não só dentro de Espanha como também no Mundo.

Analisando todas as referências que foram feitas e tendo em conta o que escrevi na primeira frase desta dissertação, acrescento que Barcelona é um excelente exemplo de Globalização, uma marca do Mundo.

* dados recolhidos em http://www.idescat.net/ (Instituto de Estatística da Catalunha)

 

publicado por visaocontacto às 09:00
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