Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

De havaiana no pé e espada na mão

Rita Leotte | C13

 

Emfils

Itu SP - Brasil

 

Os cenários à minha volta ganharam cores diferentes, cheiros adocicados, os corpos dançaram e rebentaram com o calor em passos de samba.

E o mais fascinante, o Sol nasce no mar.

 

Uma das primeiras sensações fantásticas que tive foi a forma como os brasileiros olharam para mim. Na Europa costumamos ser vistos como os menos desenvolvidos, os menos capazes, os menos instruídos. Aqui, no meu quotidiano e, principalmente, na empresa, sou encarada como a europeia, aquela que vive num país desenvolvido, aquela que tem acesso privilegiado à informação e ao conhecimento.

 

O facto de sentir que a minha bagagem cultural tinha um valor acrescentado aqui, deu-me uma enorme vontade de superar-me, de não desiludir, de mostrar que o nosso cantinho à beira mar tem um valor inestimável. Sei que todas as pessoas com quem me relaciono no Brasil ficam cheias de vontade de conhecer a minha terra, os sobreiros do Alentejo, as praias do Algarve, as pessoas do Norte, a luz fantástica de Lisboa.

O InovContacto é um programa para Conquistadores!

 

O Brasil é um continente, no seu tamanho, na sua multiculturalidade. Eu moro em Itu, uma cidade no interior de São Paulo, conhecida como a cidade dos exageros, temos um orelhão gigante na praça principal que, apesar da sua falta de interesse, já conquistou o meu íntimo. Porque é o postal de Itu. Porque Itu é, neste momento, a minha casa.

 

A experiência que estou a viver aqui é diferente da de alguém que esteja a morar e a trabalhar em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Amazónia ou em qualquer outra região do vasto território brasileiro. Aqui, conheço cada rua, cada casa, cada pessoa, e também elas me conhecem, as ruas, as casas, as pessoas. Sou a portuguesa de Itu.

 

Aqui tento ser caipira e adoro sê-lo, gosto de música sertaneja, acentuo os R’s e convido toda a gente para jantar em minha casa. Foi assim que fui recebida e é assim que quero receber. Talvez por sempre ter vivido em Lisboa, só agora entenda os encantos do interior, do movimento e stress a passar ao nosso lado e a deixar uma brisa agradável de distância e alheamento.

 

Mas não é por isso que se trabalha menos. Estou a trabalhar na Emfils, uma empresa de implantes dentários com uma pequena quota de mercado, mas uma grande ambição, sustentada na motivação de todos os seus colaboradores. Quando soube que trabalharia no departamento de Marketing de uma empresa brasileira de implantes dentários deitei as mãos à cabeça, no entanto, o seu produto e filosofia conquistaram-me. Mais ainda, a paixão de cada um lá dentro, desde o Director Geral ao assistente de produção é contagiante. Estou a concretizar o sonho que todos temos quando saímos da faculdade, o sonho de pôr em prática o nosso conhecimento, as nossas ideias, e constatar posteriormente que fazemos a diferença.

 

A experiência Inov Contacto tem sido fantástica! É duro estar longe do nosso Mundo, das nossas pessoas, daquilo que nos é familiar, mas é também muitíssimo enriquecedor! Não será pequeno deixarmo-nos morrer no mesmo local em que fomos colocados à nascença por uma qualquer predisposição divina? O Mundo é uma infinidade de possibilidades, de experiências arrasadoras que nos fazem crescer e evoluir a cada dia. Conhecermo-nos fora do nosso ambiente fetal é aventurarmo-nos a destruir barreiras, a criar novos Mundos, a saber quem realmente somos e o que poderemos ser.

 

É uma experiência profissional, claro, mas é simultaneamente um desafio pessoal a cada dia que começa, em que estamos sozinhos e em que lutamos por conquistar o nosso lugar ao Sol.

O InovContacto é um programa para Conquistadores!

 

 Rita Leotte – de havaiana no pé e espada na mão

publicado por visaocontacto às 15:02
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Gente que rala em harmonia

Rita Amaro | C13

 

TIMwe

São Paulo| Brasil

 

Li num artigo da revista Veja que um estudo da Gallup Organization tentou identificar a relação entre amizade e satisfação profissional, revelando que, quem tem um amigo no trabalho é sete vezes mais produtivo, criativo e envolvido nos projectos da empresa, do que o funcionário que mantém um relacionamento frio e distante com os colegas. Achei que era o tema perfeito para o meu artigo de opinião, já que o factor que mais tem marcado a minha passagem pelo Brasil é o ambiente de trabalho fantástico em que fui integrada.

 

Uma segunda-feira cheguei ao escritório e estava todo remodelado. Na minha mesa tinha um envelope que dizia Gente que rala em harmonia... e dentro explicava a iniciativa: Foi com todo o carinho, dor nas costas, nas pernas, nos braços, nos dedos, que isso foi feito para vocês. Não houve a menor pretensão de fazer um trabalho profissional, por isso não encha o saco se perceber pequenos defeitos – ou mesmo grandes!

Chega de paredes brancas e um escritório sem vida. Que venham as cores, os pufes, as balinhas na sala de reunião para quebrar o clima azedo que às vezes fica por lá, e mais um monte de detalhes “bobos” – mas que esperamos que façam uma diferença danada.

Não importa que a Exame não nos escolha para a lista do ‘Great Places to Work’. Eles é que perdem por não descobrir uma empresa com pessoas como você. E contamos justamente com você para que a gente tenha cada dia mais prazer em trabalhar aqui. Stresses? Sempre existirão. Mas pelo menos agora são mais coloridos. Um beijo de boas vindas ao nosso novo escritório.

 

Três pessoas tinham dedicado o fim de semana a colorir e renovar o ambiente do escritório e o resultado foi sensacional! Esta iniciativa, juntamente com muitas outras (happy-hour última quinta do mês, pequenos-almoços às sextas, etc.) têm criado um ambiente de trabalho invejável e uma relação de amizade e espírito de equipa incríveis, que fazem com que eu vá trabalhar todos os dias cheia de vontade e com um sorriso na cara.

 

Numa sociedade cada vez mais individualista, onde a grande maioria das pessoas passa, no minimo, 50% do tempo que está acordada no trabalho, parece-me inacreditável que ainda haja escritórios onde colegas de trabalho pouco ou nada se relacionem. É fundamental criar laços com as pessoas com quem convivemos diariamente grande parte do nosso tempo, não só para a nossa saúde mental, mas também porque um melhor aproveitamento é conseguido quando as pessoas se sentem comprometidas com a organização e equipa em que trabalham. É dada pouca importância a coisas simples como ter alguém com quem conversar, pedir conselhos, ou mesmo partilhar um olhar de cumplicidade, mas são pormenores que podem fazer toda a diferença e contribuir em muito para a produtividade da empresa. Quando a relação das pessoas é fluída e positiva, a comunicação fica mais fácil, o tempo despendido na coordenação de actividades de equipa é menor, os processos de resolução de problemas são mais dinâmicos e torna-se mais simples reunir diferentes perspectivas e expertises num único ambiente, pois existe um maior sentido de cooperação. O empenho de uma pessoa num ambiente de trabalho sério, pouco pessoal e com relações débeis é bastante inferior – toda a sua produtividade fica afectada, pois grande parte do tempo a pessoa fica consumida a gerir emoções.

 

Talvez  por ser um país tropical, com pessoas mais emotivas, no Brasil presta-se mais atenção às emoções e investe-se mais nas relações interpessoais. Fala-se muito em Inteligência Emocional nos dias de hoje, mas nem todos entendem o seu real significado e utilidade. Num mercado cada vez mais inseguro, onde a competitividade e tensão reinam,  acredito que as empresas que, não só sabem gerir pessoas, mas também as suas expectativas e emoções, saem a ganhar, promovendo um ambiente de trabalho saudável, acolhedor e divertido que estimula o empenho e criatividade dos seus trabalhadores.

 

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Brasil: Até quanto um país irmão?

André Gomes | C13
 
Prio Agricultura e Extracção Ltda
 
São Luís | Brasil
 

É quase do uso geral designar o Brasil como o País Irmão, contudo para além da língua (que tem variações no vocabulário e sintaxe em relação ao português europeu) e de apresentarem vestígios culturais nossos, pouco mais existe a unir-nos. As diferenças são mais que muitas, inclusivé dentro do próprio país, desde a multietnicidade (desde o Sul predominantemente "europeu" ao Norte e Nordeste "indígena" e afro-americano), passando pelo clima, gastronomia, infra-estruturas até à mentalidade e cultura de trabalho.

 

Profissionalmente, deparei-me com uma realidade de trabalho diferente da que conheci em Portugal. Eu, que sou formado em Eng.ª Civil e que estava habituado ao uso de equipamento e tecnologia em detrimento de mão-de-obra, confrontei-me com o inverso e confesso que foi útil para a minha formação, permitindo aprender como poupar em processos construtivos pois, até tarefas consideradas tão simples como amarrar armadura, são feitas de modo diferente. Uma das barreiras que tive que enfrentar foi o vocabulário técnico diferente do nosso, concreto (betão), formas (cofragem), picão (perfurador hidráulico), sapão (compactador) entre outros, são termos que tive que usar no meu dia-a-dia e que me saem já de forma espontânea e fluente.

 

Uma das situações mais hilariantes com que me confrontei, foi quando contactei um fornecedor por telefone para saber se fazia "vedação com pilaretes de betão armado e com 5 fiadas de arame liso" ao qual ele respondeu que não fazia. Colegas meus de trabalho que são brasileiros assistiram à conversa por telefone, riram-se e explicaram-me como deveria ter dito porque o fornecedor não tinha entendido nada. Voltei a contactá-lo e perguntei de outra forma: " Você faz cercas com postes de concreto armado e com 5 fiadas de arame liso?" à qual ele dessa vez respondeu que sim. São estes pequenos detalhes que, por vezes, podem prender negócios.

 

Pessoalmente, também está a ser bastante enriquecedor. O Maranhão, onde trabalho, é um dos estados mais pobres e subdesenvolvidos do Brasil, com um PIB per capita comparável ao dos países africanos, mas, esse facto por si só, não tira a felicidade e simpatia às pessoas. Agora pergunto eu, nós portugueses, que andamos sistematicamente a queixar-nos das condições de vida do nosso país e que é de  longe muito mais desenvolvido do que todas as áreas que o Maranhão, como nos comportaríamos nestas condições?!

 

Sem qualquer sombra de dúvida, a interculturalidade alarga-nos os horizontes e faz-nos mudar determinados preconceitos.

 

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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Brasil à Margem da Crise....

Ana Cunha | C13
 
Nemorus Securities       
Florianópolis | Brasil
 

O Brasil tem passado à margem da crise...

Numa altura em que a palavra crise é já uma constante no quotidiano europeu, debate-se muito acerca das melhores medidas para pôr fim a uma realidade difícil que insiste em permanecer.

Há pouco mais de um ano, o mundo assistia ao início de uma forte crise económica. Nos Estados Unidos, a crise no pagamento de hipotecas acabou por vir a alastrar-se por toda a economia mundial, permanecendo, ainda hoje, nos vários sectores internacionais.

Surpreendentemente, o Brasil – país em desenvolvimento – mostrou uma forte resistência perante um panorama de crise. O facto de os bancos não possuírem papéis ligados às hipotecas de alto risco que estiveram na origem dos problemas, constituiu o ponto de partida para a forte resistência que apresenta.  

Várias são as teorias defendidas para tentar justificar a posição segura do país de Lula face aos efeitos da crise mundial. No entanto, unanimemente os principais factores baseiam-se, essencialmente, em quatro pontos principais:

1)      O Brasil possui uma política económica previsível;

2)      Acumulou reservas internacionais de US$200 biliões;

3)      É detentor de inúmeros recursos naturais e apresenta uma agricultura moderna;

4)      Conta com 20 milhões de novos consumidores.

Segundo uma reportagem feita pela The Economist, o Brasil deve a sua resistência, face aos efeitos da crise, a três aspectos fundamentais, como o facto de apresentar uma demanda que está em alta; ter exportações para os Estados Unidos a representar menos de 20% do total - tendo uma base de exportação que se divide entre Europa, Ásia e América Latina - e, por último, o facto de o Brasil combinar um Banco Central com autonomia e uma política de câmbio flutuante, o que o torna menos vulnerável aos choques externos.

“O Brasil implementou nos últimos anos as políticas económicas correctas, acumulou reservas e, assim, a economia brasileira está em boa forma”. Afirmações como esta foram ouvidas no começo da crise, mantendo-se até há uns meses atrás.

Porém, no último trimestre de 2008 o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertava para uma realidade exigente:

“Mesmo em boa forma, o efeito do declínio no crescimento global terá consequências sobre as reservas; o Brasil está forte, mas não é imune à crise.”

A firmeza de um país em desenvolvimento face à situação económica internacional tem sido argumento forte e constante no discurso do governo de Lula. No entanto, os acontecimentos dos últimos meses tornam-se demasiado evidentes para se continuar a falar de um Brasil que se mantém aquém da crise.

No final do mês de Março o Banco Central viu-se obrigado a rever a sua expectativa para o crescimento da economia brasileira prevista para este ano de 3,2% para 1,2%. Importa dizer que ao longo das últimas cinco semanas as previsões têm vindo a piorar e que, mesmo este valor agora apresentado é considerado, por muitos, como um número optimista, tendo em conta as previsões do mercado.

No passado mês de Março, o governo brasileiro anunciou um corte de R$ 21,6 biliões no orçamento federal, como consequência da diminuição do crescimento do país e da queda na colecta de impostos.

Assiste-se, neste momento, à 1ª retracção da economia brasileira, desde 1992, ao mesmo tempo que se contabiliza uma queda de 1,7% na produção do sector industrial – sector este que já tinha sofrido uma diminuição de 1,3% em Janeiro e que se apresenta como o que mais sofre os efeitos da crise.

Em situação de recessão, no Brasil ou em qualquer outro país, os sectores que mais sofrem com a queda da demanda são os sectores automóvel; imobiliário e de bens de capital (ligado aos investimentos), por dependerem directamente de financiamento, que, nestas situações, escasseia.

No passado dia 30, o Ministro da Fazenda, Guido Montega, anunciou mais um pacote de estímulo fiscal para os sectores da construção civil e automóvel e ainda no passado mês de Março, o índice de aluguer teve a sua maior queda, desde 2003.

Perante o quadro actual, a consequência que agora se teme é o desemprego. A diminuição do consumo interno e do crédito; das exportações e do investimento, conduzem, inevitavelmente, à diminuição da demanda das empresas, que se vêem obrigadas a rever os seus quadros de funcionários.

Como em qualquer sistema económico, as repercussões de uma fragilidade denunciada fazem-se sentir nos restantes sectores. Como tal, a redução do consumo das famílias e do investimento das empresas revela a instabilidade reflectida em dois dos grandes pilares da expansão da economia do país.

 

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise

 

 

 

 

César Moreira | C13
 
Piracicaba
 
Sao Paulo | Brasil
 
Quando se pensa no impacto da crise económica mundial no Brasil, de imediato surge a ideia de que o Brasil passa à margem desta. De facto, é a opinião de vários especialistas, de que apesar de a crise se fazer sentir globalmente, o Brasil terá a potencialidade de a superar mais facilmente. Não só o Brasil é visto como uma rara oportunidade de investimento, quer em acções, quer em títulos de empresas e do governo, como também está dotado de um regime económico de metas de inflação com cerca de 10 anos de existência, o que potencia o consumo interno.
Deste modo, o facto de o Brasil ser relativamente fechado (exporta e importa pouco em relação ao seu PIB) e dono da quinta maior população e do oitavo mercado mundial, é visto neste momento como uma vantagem, pois a economia pode continuar a crescer, impulsionada pelo mercado interno.
 
O pilar mais sólido
 
Desde 1999 que o Brasil adoptou um regime de metas de inflação. Testado durante várias crises e culminando com a actual, o sistema tem-se provado como um instrumento decisivo, sendo considerado por muitos como o mais sólido pilar macroeconómico brasileiro, garantindo estabilidade e resistência a choques externos. Entretanto, vários governos no mundo, estão a lançar pacotes fiscais para tentar estimular a economia, mas o caso brasileiro tem algumas particularidades. Com gastos na ordem dos 40% do PIB no sector público, tem pouco espaço de manobra para aumentos significativos da despesa pública, sendo, assim, ainda mais importante a diferença que pode fazer a política monetária administrada.
 
No entanto o sistema de metas de inflação funciona na companhia de dois elementos preponderantes, que é o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal. O câmbio flutuante permite que o país reaja com eficiência à volatilidade externa. A responsabilidade fiscal garante o equilíbrio das contas públicas. O governo tem gerado o excesso das receitas sobre as despesas públicas primárias consistentes, dando ao Banco Central o espaço necessário para administrar os juros sem que estes causem um impacto insuportável na dívida pública do país. Naturalmente, a decisão sobre os juros é a principal ferramenta de um banco central para manter a moeda estável e preservar o poder de compra da população. Por isso mesmo, a adopção do regime de metas é muito mais do que uma decisão técnica.
 
Entretanto, o Banco Central surpreendeu o mercado com um corte agressivo dos juros recentemente, que se pode repetir, novamente, nos próximos meses. A inflação consolidou-se em patamares considerados “civilizados” permitindo que o PIB crescesse à taxa de 3,5%, contra os pouco mais de 2% nas décadas anteriores, resultando numa acumulação nas reservas do país de cerca de 200 bilhões de dólares. O princípio das metas de inflação está na administração das expectativas quanto ao comportamento dos preços pelo Banco Central, que age para a inflação não sair dos valores predeterminados, ajustando a taxa de juro básica da economia.
E, é justamente numa conjuntura como a actual, que se deve ponderar a importância do sistema de metas para um país pois, efectivamente, o Brasil é um exemplo de sucesso.
É um país que acaba de obter uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares do governo americano, algo impensável para muitos países.
 
O impacto da Crise
 
Passados seis meses, já é possível visualizar alguns factos no meio da neblina que ainda obscurece o cenário global. Um dos factos é que, realmente, o Brasil não escapou da crise (nem seria razoável esperar o contrário). Um outro facto é que, paradoxalmente, a crise pode até acentuar a ascensão brasileira. No resto do mundo, e especialmente na Europa e Estado Unidos, o cenário continua sendo de quase depressão. Estima-se que o gasto total das famílias americanas tenha caído 5% no último ano, com previsões ainda piores. Resultados igualmente sombrios são recorrentes em quase todas as áreas ricas do mundo.
 
No Brasil, o mercado consumidor não apenas permanece robusto (o crescimento do consumo interno foi de quase 6% no último ano) como se tem vindo a transformar no principal alicerce da economia brasileira neste difícil ano de 2009. Esse mesmo mercado pode ser também o factor primordial para colocar o Brasil no pelotão de frente quando os “bons ventos voltarem a soprar”.
 
Todavia, o Brasil não esta sozinho no mundo, e existe fundamentalmente um impacto da crise nas importações e exportações. Apesar de o consumo interno se manter estável, as exportações sofreram uma desaceleração considerável.
 
Porém, é opinião generalizada da maioria dos grandes investidores estrangeiros que, apesar das dúvidas existentes, a melhor opção para aplicação de investimentos é nos mercados emergentes, sendo o Brasil alvo preferencial, pois o centro da crise continua a ser o mundo desenvolvido.
 
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Brasil: O país mais bem preparado para a crise

Madalena Reis | C13

Laboris Farmacêutica

Rio de Janeiro | Brasil

 
 

A Internet é uma ferramenta muito aliciante quando temos um trabalho desta natureza para fazer. Tudo nos aparece de uma forma inteligível, gráficos lindos, tabelas coloridas, números de factores económicos desde há 20 anos, perfeito! Pesquisei, como qualquer um faria, e muitos são os factores que explicam por que a crise não se tem sentido tanto no Brasil. Sim, o Brasil não está a passar à margem da crise. Ela existe, apenas com um impacto menor, não tão generalizado.

 

Eis alguns dos principais motivos que fazem do Brasil o “país mais bem preparado para a crise”:

 

- Aumento das relações externas, fazendo integrações com o Mercosul;

- Potência do mercado interno;

- Deslocação de multinacionais para o país, resultante não só da crise internacional mas também da vasta mão-de-obra e matéria-prima existente;

- Sistema bancário muito concentrado, com grande participação dos bancos oficiais (Banco do Brasil e Caixa Económica Federal) na oferta de crédito;

- Planos governamentais de apoio a alguns sectores, um exemplo foram a suspensão da cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para dinamizar o sector automóvel;

- Implementação do PAC (Plano de Aceleração de Crescimento). Desafiando as economias de maior envergadura, em momentos de maior tremor económico, este decidiu iniciar uma grande quantidade de projectos a nível de infra-estrutura para fomentar o desenvolvimento, sendo um deles o complexo desportivo da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, que se tem tornado ao longo dos tempos uma comunidade muito bem organizada.

 

A realidade descrita pelos números é diferente da que encontrei junto das pessoas. Parece haver dois países distintos.

 

- Temos o Brasil que sente a crise, repensa os investimentos individuais prevenindo o que de pior pode acontecer. Trocar de carro ou casa, ou ate férias prolongadas são agora projectos adiados.

 O Brasil está sentindo o tamanho da crise e ainda não acabou o susto.

- Despedimentos colectivos em algumas empresas (a Embraer, a principal fabricante de aviões do Brasil demitiu cerca de 20% da sua folha de pagamentos);

- Importadores de mercadorias brasileiras cancelaram vários pedidos, pois não tinham dinheiro para pagar;

 

Por outro lado, há o Brasil que parece não se ter apercebido deste crise. Para muitos o dia a dia permanece inalterado. «Quem sabe o brasileiro já tenha se tenha “acostumado” com as dificuldades, o povo se vira muito bem, sempre dá um jeito», “a crise é coisa de rico”. O Brasil que está habituado a apertar o cinto, sempre viveu de uma forma regrada, o dinheiro que há não chega para ser investido em nenhum bem mais supérfluo, dai não ressentir tanto a crise.

 

A confirmação oficial da existência de crise no Brasil aconteceu há pouco tempo, na comunicação social e o tema tem cada vez mais relevo, o que irá reflectir-se na opinião pública. A alegria e o optimismo deste povo sambista não vão acabar nunca, mas certamente que muitos tomarão consciência que nem tudo é Carnaval, Futebol e Praia!

publicado por visaocontacto às 19:57
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Sábado, 11 de Abril de 2009

Crise Soft no Brasil

Isabel Sofia Leirós | C13

EDP Energias do Brasil

São Paulo | Brasil

 

 

O Brasil é um país de contrastes, que se divide entre os extremos da riqueza nas grandes metrópoles litorais, a desertificação do interior do seu território, e as áreas de grande densidade florestal.

O seu papel na economia mundial é cada vez mais relevante. Nas últimas décadas, cresceu exponencialmente através do seu forte investimento na agricultura e nas pescas, da diversidade de recursos naturais, e do investimento em energias renováveis (especialmente hidroeléctrica). Para além disto, a sua posição geográfica, quer por fazer fronteira com dez países da América do Sul, quer por ocupar praticamente toda a costa atlântica deste continente, estimula o investimento estrangeiro no país.

A recente crise económica, que tem vindo a afectar seriamente as grandes potências mundiais, já atinge também o Brasil, embora os efeitos tenham chegado bem mais tarde e em menor força, muito pela sua não dependência da importação de petróleo. Ao longo da costa dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, não é totalmente conhecido o potencial de extracção de petróleo e gás natural, já explorados. O investimento na produção de etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, uma alternativa à gasolina implementada e financiada pelo Governo Brasileiro já na década de 70, permite que indústrias e consumidores tenham uma maior estabilidade nos gastos com combustíveis, uma vez que não são tão directamente afectados pela flutuação dos preços do petróleo.

Mas, sem dúvida que um dos principais motores da economia brasileira, é a sua política proteccionista. A alta incidência de taxas sobre as importações reflecte-se de forma substancial no custo dos produtos quando estes chegam ao consumidor final. Dado os preços quase proibitivos dos produtos importados, o consumidor acabar por optar pelo produto nacional, estimulando a produção interna e, por consequência a economia.

No final do passado mês de Março, aquando da visita de Gordon Brown (primeiro-ministro inglês) ao Brasil, as declarações de Lula da Silva foram manchete por todo o globo, quando este afirmou: "é uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber tudo e agora não sabem nada". Apesar da polémica gerada pela opinião expressada, é compreensível a indignação do presidente brasileiro. A economia globalizada em que vivemos gera ondas de consequências positivas e negativas, que afectam particularmente o Brasil pela forte presença de corporações multinacionais que se viram forçadas a suspender a produção como forma de redução de custos e, inevitavelmente, ocorreram vagas de despedimentos já no final de 2008.

Mas, apesar desta vaga de despedimentos, a economia brasileira tem vindo a sustentar-se nos inúmeros “pequenos empregos” de serviços (o ascensorista, o empregado do parque de estacionamento, o porteiro e o segurança de prédios comerciais) que, apesar de parecerem irrelevantes e “menores”, se revelam de extrema importância para a base da sociedade, que encontra nestes a sua forma de subsistência.

Num país que actualmente oscila entre a crise mundial e a sua independência de economias internacionais, com acentuados problemas sociais, muitas são as formas de inclusão da população na vida activa. Destacam-se as políticas laborais que visam a contratação de jovens trabalhadores, permitindo por um lado, às empresas, o acesso a mão-de-obra a custo reduzido, e por outro lado, o acesso dos jovens a formação em posto de trabalho e a uma primeira incursão na vida profissional. Exemplos destas políticas, são os programas de contratação do menor aprendiz (que abrange jovens dos 14 aos 18 anos) e do estagiário (proveniente de escolas técnicas e universidades), pelo período máximo de 2 anos, que asseguram que estes não abandonem os estudos e que aufiram uma remuneração, que muitas vezes é fundamental para completarem a sua formação. Para além disto, estes dois programas desincentivam a exploração de mão-de-obra mais jovem e menos qualificada, uma vez que garantem um salário legalmente determinado.

Embora o governo brasileiro esteja já a implementar medidas de auxílio à banca e às empresas mais afectadas pela crise internacional (especialmente as que mais dependem da exportação), bem como pacotes sociais de apoio à população, o Brasil continua a apresentar-se como um mercado extremamente atractivo para o investimento estrangeiro. Apesar do sentimento de crise que também se vive no país, a economia brasileira continua a registar crescimento e a ser vista como um enorme mercado de consumo.

 

 

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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise Mundial - A resistência

Paulo Tomás | C13

Grupo Pestana

Salvador | Brasil

 

 

Num mundo em que a palavra “crise” se tornou tão global quanto a sua própria existência, o Brasil parece ser excepção à regra. De facto, alguns dados demonstram que, contra o que seria expectável, o país tens resistido às extremas dificuldades que vêm afectando economias teoricamente mais robustas.

Enquanto que no resto do mundo o crescimento médio do PIB baixou para 1%, no caso do Brasil apresentou um decréscimo de 5,4% para…3,5%. A inflação, que em tempos não muito longínquos era de 6%, ronda nesta altura os 4,5%.

A taxa de desemprego, que não pára de aumentar nos países ditos de “primeiro mundo”, cifrou-se no Brasil nos 7,9% em 2008, contra os 9,3% de 2007. De Novembro para Dezembro de 2008, a referida taxa baixou de 7,6% para 6,8%.

Por outro lado, a capacidade económica da generalidade da população Brasileira revela uma dimensão sem precedentes. A título de exemplo, e de acordo com a Associação Brasileira de Vendas Directas, o sector obteve um crescimento de 8,7% entre Outubro e Dezembro de 2008, tendo aumentado o número de revendedores em 7,2% relativamente a 2007. Outro bom exemplo é revelado pelos dados divulgados pela Volkswagen: nos últimos anos as vendas no Brasil aumentaram mais de 30%, enquanto que em países tradicionalmente consumidores, como os EUA e a Alemanha, se verificou uma quebra acentuada. Não admira, pois, que as previsões apontem para que o Brasil venha a ser ao longo dos próximos cinco anos o 6º destino preferido do investimento de empresas multinacionais.

Mas o que pode explicar esta resistência do Brasil à crise mundial? Bem, uma multiplicidade de factores.

Em primeiro lugar, os imensuráveis recursos naturais do país que, aliados ao investimento no seu aproveitamento e a uma agricultura moderna, colocam o país no top de produtores de praticamente qualquer produto que dependa da natureza. É o caso dos produtos agrícolas, do petróleo, do gás e do etanol, obtido a partir da cana-de-açúcar e tido como uma das fontes energéticas do futuro. E os níveis de produção não param de crescer…!

Depois, o Brasil apresenta 20 milhões de novos consumidores, o que, conjugado com a avalanche de crédito que vem sucedendo, estimula o crescimento económico do país.

Importante também foi a redução da dependência da economia Brasileira relativamente à Americana. Enquanto até há alguns anos atrás os EUA absorviam cerca de 27% das exportações do Brasil, hoje o valor cifra-se nos 15%, estando os restantes 85% bem distribuídos entre vários continentes. Assim, a crise que abalou fortemente os EUA, motor da economia mundial, teve menores impactos directos.

Extremamente relevantes são também as características da política económica Brasileira, estável e previsível. A consistência das medidas adoptadas ao longo da última década, bem como as reservas internacionais no valor de 200 biliões de dólares, possibilitam ao país usufruir de uma estabilidade e segurança invejáveis. Neste sentido, revelam-se de importância capital a existência de um Banco Central autónomo e a política de câmbio flutuante adoptada em 1999, que permite ao país ajustar os preços relativos de forma rápida e assim minorar o impacto de choques externos sobre os vencimentos e o emprego.

Por fim, são de referir as políticas monetárias que vêm sendo adoptadas com o intuito bem definido de resistir à crise mundial. É o caso da atenuação dos depósitos compulsórios exigidos pelo Banco Central, o que permite uma maior irrigação do sistema financeiro e, em especial, um maior investimento na agricultura, e é ainda o caso da utilização de parte das reservas cambiais para suprir de capital de giro os exportadores.

Todavia, e embora a situação seja bastante mais favorável ao Brasil do que à generalidade do mundo, o país não pode ignorar as ameaças de que é alvo: a própria crise financeira mundial, a inflação em alta na generalidade dos países, a queda no preço das mercadorias e a concorrência de outros mercados emergentes (como a Rússia, a China e a Índia).

Para prosperar, o Brasil deverá saber identificar as suas fraquezas, nomeadamente os gastos elevados do seu Governo, a baixa alfabetização da população, a taxa de desemprego que, embora tenha vindo a decrescer continua a alta, e o subaproveitamento de alguns recursos, tentando eliminá-las ou, pelo menos, atenuá-las.

Deverá ainda saber agarrar as oportunidades. Neste campo, a própria crise poderá ser benéfica, já que vem revelando o Brasil como um destino de investimento apetecível e um mercado de grandes dimensões, em expansão.

País de uma riqueza natural e cultural fantástica, o Brasil revela-se agora como um pólo potencial de riqueza financeira. Para concretizar o futuro próspero que lhe auguram os especialistas, e que, de resto, a crise tem confirmado como possível, o Brasil deverá considerar os aspectos políticos e financeiros globais, praticando a geoestratégia e nunca esquecendo que o seu maior compromisso é para com o seu povo.

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Domingo, 28 de Setembro de 2008

O mercado emergente nas favelas – o caso da Rocinha

   Catarina Pinho   |   C12

 

   Companhia das Quintas

 

   Brasil

 

 

 

 

Localizada na cidade do Rio de Janeiro, a Rocinha destaca-se como uma das maiores favelas da América do Sul e conta com cerca de 200 mil habitantes. A população tem vindo a crescer ano após ano. A localização estratégica, junta de áreas dinâmicas da cidade, como Leblon, Ipanema e Copacabana tem contribuído para este fluxo.

 

É notório o desenvolvimento nos últimos 30 anos dos serviços e bens de consumo. O comércio surgiu inicialmente como forma de subsistência para os moradores. Hoje, a Rocinha, conta com uma forte estrutura comercial instalada: mais de 2.700 estabelecimentos comerciais, entre os quais redes de fast-food, 3 bancos, serviços de televisão por cabo, serviços de internet (Espaços Cibernéticos), empresas turísticas, empresas de transportes internas, estação de rádio, canal de TV por cabo, jornais próprios, a Escola de Samba, um posto de correio, entre outros. Com esta evolução, a comunidade gera postos de trabalhos e atrai não só trabalhadores como consumidores de outros bairros.

 

Atracção como ponto turístico.

 

Com uma das vistas mais privilegiadas sobre a cidade, um povo cordial, e um forte trabalho comunitário, a comunidade da Rocinha tem criado condições para que os recursos da comunidade possam reverter-se em benefícios para a população.

Um dos exemplos mais notáveis são as tours pelas favelas, que permitem mostrar os trabalhos da comunidade e dar a conhecer os projectos sociais sustentados pelas visitas, nomeadamente o centro de artesanato.

Destaca-se aqui o impressionante trabalho com o lixo. Aproveitado como gerador de dinheiro, o lixo é separado e utilizado para produção de peças de artesanato. Desta forma acabam por escoar o lixo em zonas onde as companhias não passam, evitando a proliferação de doenças e mantendo a favela mais limpa.

 

Uma expansão movida a crédito.

 

O Banco do Nordeste (BNB) promoveu recentemente um programa de micro-crédito – o CrediAmigo, oferecendo recursos à comunidade que permitirão o seu crescimento. Com crédito facilitado, os habitantes da favela passam a ter acesso a uma série de produtos e serviços que antes eram impensáveis, como por exemplo o telemóvel, microondas, máquina de lavar roupa, equipamento de som, frigorífico, televisão, entre outros.

 

O futuro?

 

As empresas tem vindo a estudar os hábitos de consumo da favela e o estilo de vida das pessoas com vista à criação de negócios que satisfaçam as mais variadas necessidades da população – dos serviços financeiros aos planos de saúde, a implementação de sistemas de informação, passando pela comercialização de aparelhos electrodomésticos ao material de construção.

Por seu lado, o Governo criou um ambicioso Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê a construção de infra-estruturas diversas, o alargamento de ruas e a melhoria nas fachadas.

A favela deixa de ser o endereço da miséria e passa a despertar o interesse da indústria, que encontra aqui um mercado emergente.

 

 

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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

A arte da venda

   Bruno Pinto   |   C12

 

  

   Critical Software

  

   Brasil

 

 

Todos os povos e culturas apresentam características específicas e únicas. Quando conhecemos um novo país são facilmente visíveis alguns traços distintivos, nomeadamente no que diz respeito aos valores que moldam a personalidade de um país e que distinguem um povo dos demais.

 

O Brasil não é diferente. Contudo, são inúmeras as semelhanças entre o, por muitos apelidado de “Brasil da Europa”, ou seja Portugal, e o “Portugal da América”, ou seja o Brasil. Não é por acaso que historicamente somos apresentados como “Países Irmãos”, é evidente a influência lusitana no Brasil. A semelhança cultural mais notória é a língua, o Brasil é dos únicos países do mundo que continuam a utilizar o “Português” como sua língua oficial. Para além disto, é unanimemente aceite que a histórica presença portuguesa tem influenciado as formas de actuar dos brasileiros nas mais diversas áreas, são facilmente detectáveis as semelhanças na vida social e profissional de Brasileiros e Portugueses.

 

A realidade é que a cultura portuguesa, implementada na altura dos descobrimentos, veio para ficar no Brasil, mantendo-se com os acentuados movimentos migratórios e com a transmissão desta herança cultural de geração em geração. Ainda hoje, e ingenuamente, fico admirado quando mantendo uma conversa com uma pessoa nascida no Brasil, encontro profundos laços que nos ligam, quer pela profunda presença portuguesa em famílias originalmente brasileiras quer pela situação oposta.

 

Com todas estas ligações porque será afinal que os Brasileiros usam técnicas comerciais nitidamente mais eficazes que as nossas? Qual será o grande factor distintivo?

 

Os especialistas consideram que um bom comercial é aquele que em primeiro lugar sabe ouvir e depois tem a aptidão de colocar as questões certas, no momento indicado, para assim ir ao encontro daquilo que o cliente espera e de forma a não defraudar as suas expectativas. No fundo, há que saber esperar pelo momento de avançar para o acto da venda propriamente dito. É neste campo que gostava de salientar o carácter e o perfil extremamente comercial do profissional brasileiro. Poderão vir a enganar-se todos os defensores de que o Brasil está na cauda do ranking de países em termos de desenvolvimento socio-económico e que deverá ser um país a evitar em termos de investimento, vou até mais longe, estou convicto que nesta área temos muito a aprender com os profissionais deste país, desde o comum empregado de balcão até ao director geral de uma reconhecida empresa. Este aspecto é tão importante para o comércio dum país que é capaz de incrementar os bons resultados das empresas aqui presentes.

 

O simples acto quotidiano, a visita a um centro comercial ou a um restaurante, torna-se extremamente estimulante se comparado com aquilo com que nos deparámos numa deslocação a um espaço comercial no nosso país. A forma como os profissionais brasileiros conseguem criar empatia, captar a atenção do cliente com uma simples brincadeira, quase faz transparecer uma intensa preparação e formação dos trabalhadores em “técnicas de vendas” e “marketing one-to-one”. A forma como eles apresentam os seus produtos e as diversas alternativas colocam-nos numa posição favorável à conclusão do negócio com sucesso. Ao cliente torna-se extremamente difícil dar uma resposta negativa a um destes profissionais, dada a atenção, a alegria e o carinho com que desempenham as suas rotineiras actividades diárias. Por outro lado, eu, como profissional, sinto que sendo da “escola europeia” fico ainda a dever muito ao perfil comercial do povo brasileiro, principalmente no que diz respeito à criação de empatia e de relações duradouras, factores cada vez mais importantes para o sucesso e subsistência de uma empresa no volátil mundo dos negócios.

 

Na realidade, este é um país extremamente devastado por fenómenos nefastos como as profundas desigualdades sociais, a violência urbana e a corrupção que afecta quer o sector público quer o sector privado acabando por influenciar a confiança e a entrada de novos investidores neste mercado. Muitos são os formadores de opinião que apelidam o Brasil como “país de terceiro mundo”. Contudo, para além dos formidáveis recursos naturais que o Brasil detém, destaco agora uma nova riqueza a ser explorada, ou seja, as pessoas. Acredito que estes dois factores conjuntamente poderão conduzir o Brasil para uma condição de potência económica nas décadas que se avizinham se o seu potencial for aproveitado e se houver um investimento claro na formação e no “empowerment” dos seus recursos humanos.

 

Se a criação de “relações” é tão fundamental para o mundo empresarial, se o vendedor é visto hoje como um relações públicas, se o vendedor é a face da empresa, se ele é tudo aquilo que normalmente um cliente se lembra da empresa e define o carácter de uma desta... o Brasil tem uma oportunidade única para se colocar de vez num lugar que devia ser seu há muito tempo, ou seja, como uma das maiores potencias comercias do mundo.

 

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Sábado, 20 de Setembro de 2008

O contraste brasileiro

  Carla Verdasca   |   C12

 

  Consulgal

  Brasil

 

Os principais impactos ao chegar ao Brasil foram, sem dúvida, as assimetrias sociais e o acesso a bens de primeira necessidade. O imposto sobre o leite, por exemplo, chega a atingir 1/3 do seu preço final e o salário mínimo nacional cifra-se nos 170 euros.

O acesso a outros bens, como a electrodomésticos, mobílias e roupas, torna-se num negócio, na medida em que tudo é “parcelado”, chegando as diferenças astronómicas de preços entre pronto pagamento e prestações.

Esta dificuldade no acesso a bens reflecte-se igualmente num bem cada vez mais escasso que é a água. Os conflitos no seu uso, entre estados, acentuam-se.

Em 2004, o sistema de água tratada cobria 96% da população da área urbana, enquanto que, na área rural, somente 57% das pessoas tem acesso a esse recurso, o equivalente a 90% da população total.

As garantias de acesso a saneamento básico, para a zona urbana, foram calculadas em 2004, em 83% da população, ao passo que somente 37% dos habitantes da zona rural dispunham dessa estrutura. Entre o total da população brasileira, a percentagem é de 75%.

 

O Brasil apresenta 80% da população em áreas urbanas. Nos estados mais desenvolvidos, esses números chegam a cerca de 90%. Devido a essa grande concentração urbana têm surgido, vários conflitos e problemas, tais como:

 

(a) degradação ambiental das fontes, superficiais ou subterrâneas, utilizadas para abastecimento humano;

(b) aumento do risco das áreas de abastecimento com a poluição orgânica e química;

(c) contaminação dos rios por águas residuais  domésticas, industriais e pluviais;

(d) enchente urbana gerada pela inadequada ocupação do espaço e pelo inadquada gestão da drenagem urbana;

(e) falta de colecta e disposição do lixo urbano (a reciclagem é um conceito inexistente e a gestão de resíduos ineficaz).

 

A experiência de estágio na Consulgal Brasil tem-me proporcionado o conhecimento de conflitos ambientais e o conhecimento de soluções na sua gestão através do “contacto” com profissionais destas áreas, bem como o conhecimento de realidades muito diferentes das que temos em Portugal, quer do ponto de vista profissional quer social.

 

Uma das coisas que mais me fascina na cidade é a sua multi-culturalidade. Em São Paulo, as opções culturais são inúmeras e atendem a todos os gostos e bolsos. Há desde exposições e espetáculos ao ar livre, até museus de renome internacional, e teatros que abrigam eventos de grande sofisticação.

A agitação cultural de hoje deve-se, e muito, à miscigenação e ao espírito cosmopolita que caracterizam a cidade.

Basta apenas uma volta pelos bairros da Bela Vista (bairro italiano), da Liberdade (bairro oriental) e das ruas comerciais: 25 de Março (árabe) e José Paulino (israelita) para se ter a noção da variedade de imigrantes que se instalaram nesta grande metrópole.

 

Estima-se que São Paulo seja a terceira maior cidade italiana do mundo, a maior cidade japonesa fora do Japão, a terceira maior cidade libanesa fora do Líbano, a maior cidade portuguesa fora de Portugal e a maior cidade espanhola fora de Espanha. A mistura de raças, etnias e culturas acentuou-se com o decorrer do tempo e marcou profundamente a vida cultural, social e económica da cidade.

 

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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Salvador da Bahia

 

  Cristina Faria    |   C12

 

   Ramos Catarino

   Brasil

Salvador é conhecida como a cidade da alegria, das diversas religiões (Espírita, Candomblé, Evangelista, Católica, etc.) e da fantástica comida. Todas as terças é possível assistir-se à missa da bênção, no Pelourinho, que é seguida pelo mini Carnaval, onde escolas de samba vêm para a rua alegrar as pessoas.

Quanto a negócios, é sem dúvida, uma mina de ouro. Desde Julho, altura em que cheguei a Salvador, pelo menos quatro novos empreendimentos foram divulgados, por grandes empresas, entre elas a Odebrecht, Norcon, JHSF e a Rossi e Costa Andrade. Mas não estou a falar de construções banais, muito pelo contrário... A estratégia actual é a construção de condomínios privados que englobam escritórios, apartamentos, shopping centers e áreas de lazer, como por exemplo: espaços verdes, campos de ténis, piscinas, ginásios, spas, cinema, salas de estudo para crianças, entre muitas outras coisas. São pequenas cidades fechadas que oferecem de tudo aos seus futuros moradores.

Na hora da compra, as pessoas podem visitar o interior dos apartamentos, graças aos stands/decorados em tamanho real de todos os espaços da casa. Os futuros moradores podem, ainda, optar por adquiri-los com todo o recheio igual ao existente no stand/decorado. Podemos dizer, até, que há uma certa rivalidade por quem tem o melhor e mais atractivo decorado e por quem faz o melhor spot publicitário.

Mas este tipo de ofertas não existe só para a classe média alta/alta. Aos poucos a classe média/média baixa começa a aparecer e a reforçar-se, representando hoje 41,28% da população de Salvador. 

Este surgimento e reforço da classe média, onde a presença de negros tem aumentado, faz com que prédios de 15 a 20 andares sejam construídos no meio de favelas, onde os terrenos são mais baratos e os novos moradores podem permanecer no mesmo bairro com uma qualidade de vida superior.

 Tudo isto só é possível graças ao aumento do poder de compra, ao acesso ao crédito (disponível sob todas as formas) e ao forte crescimento económico. Salvador é, hoje em dia, a 5º cidade brasileira com maiores ofertas de trabalho. Só para se ter uma noção do óptimo estado de saúde da economia brasileira, mais precisamente a de Salvador, basta olhar para a frota automóvel que se renovou quase por completo nos últimos dois anos. A FIAT, com fábrica em Belo Horizonte, foi a empresa que mais facturou em 2007, quase 13,5 milhares de milhões de USD, mais 33% que no ano anterior. Graças a este feito, a FIAT foi considerada pela revista Exame como a “Empresa do Ano de Melhores e Maiores de 2008”. 

Salvador é sem dúvida uma cidade em mutação que ainda tem muito para oferecer e melhorar. É, simplesmente, uma mina de ouro em exploração. 

 

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Domingo, 14 de Setembro de 2008

Ao ritmo de São Paulo

Duarte Ferreira   |   C12

 

Energias do Brasil

Brasil

 

Em São Paulo, onde me encontro a estagiar, o ritmo de vida é alucinante. Numa cidade com cerca de 20 milhões de pessoas, todos os dias milhões apanham ônibus apinhados de gente e fazem várias horas no impossível trânsito para chegar ao trabalho e de novo quando partem para as suas casas. É impressionante a quantidade de empregos que existem para o elevado número de pessoas com muito baixas qualificações e que por isso recebem salários igualmente baixos. Empregos que de certa forma servem para manter o status de quem pertence a uma classe social mais elevada, e para manter uma sociedade em que a classe média é quase inexistente. Quanto muito existe classe média muito alta ou classe média muito baixa, o contrário não parece quase existir nesta cidade de contrastes gritantes.

 

Na 25ª cidade mais cara para um estrangeiro viver, a adaptação foi tudo menos fácil. Para se conseguir alugar um apartamento é preciso várias garantias: seguros fianças, fiadores, rendas adiantadas, entre outros. A procura por casa é muito superior à oferta e por isso os proprietários fazem o que bem lhes apetece. Deixe de lado a ideia de Brasil igual a barato e adopte o pensamento de que no Brasil há mais diferenças culturais, sociais, étnicas, gastronômicas etc, que na Europa inteira; logo existem cidades muito caras outras muito baratas, numas a gastronomia é à base de peixe, noutras, como São Paulo, peixe não é muito comum, e por aí fora.

No decorrer das nossas vidas todos precisamos assumir diferentes papéis: trabalhador, amigo, pai, mãe, filho, marido ou mulher, avô, tio, cidadão.... No fundo, viver é estabelecer um equilíbrio entre todos os nossos papéis.
Crescemos, enquanto pessoas, sempre que assumimos compromissos, sempre que participamos activamente no que fazemos e sentimos que acrescentamos valor a tudo o que nos dedicamos.

Esta ideia levou a ENBR – Energias do Brasil, holding que reúne as empresas da EDP no Brasil, a desenvolver o projecto CONCILIAR – Vida Pessoal e Trabalho. Este projecto, desenvolvido pelo departamento de Gestão do Capital Humano da ENBR, no qual me encontro a estagiar, tem como objectivo o aumento da satisfação profissional e pessoal dos colaboradores da empresa de modo a que as mesmas se sintam mais realizadas. Para tal, foram realizadas iniciativas nas áreas da saúde e bem-estar, apoio à família, cidadania e cultura como por ex. descontos em ginásios, creches, institutos de beleza e bem estar etc. A inauguração deste projecto foi comemorado com um pequeno almoço com todos os colaboradores da empresa com direito a sessões de massagem, maquilhagem grátis, entre outros, e com o anúncio dos vencedores do concurso de fotografia lançado pelo CONCILIAR no qual as fotos mais originais (sobre o tema conciliar vida profissional com pessoal) ganharam um i-pod.

Num mercado cada vez mais competitivo, reter talentos torna-se fundamental e é por isso que o departamento de Gestão do Capital Humano da ENBR, se dedica no desenvolvimento deste tipo de projectos, que envolvem um trabalho muito complexo de preparação e logística.

Um exemplo é um outro projecto onde me encontro a colaborar o JEP's - Jovens de Elevado Potencial. O JEP's é um projecto que tem como objectivo máximo o desenvolvimento dos colaboradores da empresa que apresentam um desempenho acima da média, com formação superior, e com um mínimo de 1 ano de antiguidade. Para estes colaboradores, está a ser desenvolvido um programa de acompanhamento e formação, quer dentro da empresa, através de um contacto mais próximo com colaboradores de cargos mais elevados que detêm know-how e experiência, quer através de acções de formação, estudo de case studies, discussão de temáticas com directores de diferentes áreas da empresa etc. Os jovens considerados JEP's são potenciais sucessores, e este projecto visa que a sua preparação seja o mais completa possível para que a sua ascensão na carreira seja mais fácil.

 

Estes projectos são apenas alguns exemplos do que é desenvolvido num departamento de RH duma holding duma empresa com 3000 colaboradores. O trabalho operacional de RH é desenvolvido pelos RH's locais das várias empresas do Grupo, ao passo que as decisões estratégicas, e de planeamento e desenvolvimento do capital humano ficam a cargo do departamento de RH da holding.

 

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Sábado, 6 de Setembro de 2008

Lei seca

 

    Ana Borga   |   C12

 

Montez Champallimaud

Brasil

 

 

 

 

 

No passado dia 20 de Junho do ano de 2008, o Governo brasileiro aprovou a chamada Lei Seca, que determina que o limite de álcool para quem conduz seja um “chope”, palavra brasileira para imperial.

Quem beba mais que um “chopinho”, coma dois bombons de licor ou tenha o azar de ser mulher para quem o limite é mesmo zero, a lei prevê uma multa de R$ 955 (mais ou menos 400€), e ainda a perda do direito de dirigir e a retenção do veículo.

Mas isso não é nada – se por acaso a pessoa tiver 0,5 decigramas por litro, ou seja tiver bebido 2 chopes, a punição prevê ainda a prisão, com uma pena de seis a três anos que poderá ter ou não fiança dependendo da boa vontade do agente que autuar! Querem melhor incentivo à corrupção policial tão pouco usual neste país? É vê-los amontoados à porta dos bares e restaurantes armados de alcoolímetros e armas nas mãos.

Trabalhando no seio de uma reputada importadora de vinhos e visitando com muita regularidade diversos restaurantes, verifiquei que o impacto nas vendas de bebidas não poderia ter sido mais nefasto.

E se o vinho se queixa, o que dizer da cerveja! O povo brasileiro, habituado a temperaturas elevadas, que não dispensava a happy hour depois do trabalho, entrou em pânico e aboliu o álcool a favor de água e “sucos” – no primeiro mês o sector da restauração reportou quedas nas vendas na ordem dos 30 a 45%. Obviamente, que estes dados rapidamente motivaram protestos e acções dos sindicatos para abolir ou suavizar a lei radical.

No entanto, do outro lado surgem as contestações das associações de familiares de vítimas de acidentes e outros dados não menos impressionantes: só no primeiro mês o número de vítimas de acidentes decresceu 21%! Contra isto e a boa quantidade de dinheiro que entretanto vai entrando nos cofres do estado há pouco a fazer.

Assim sendo, privilegia-se a criatividade dos comerciantes entretidos com estratégias que vão desde a promoção junto dos clientes do bairro que podem ir e vir a pé, carrinhas que levam os clientes a casa, pagamento de táxi a partir de um determinado valor de consumo, patrocínio de condutores-cool, entregas de vinho e cerveja em casa e inclusive no estado de Mato Grosso conseguiu-se chegar a um acordo geral entre sindicatos em que os clientes de bares e restaurantes não pagam a tarifa 2 nos táxis (o que representa um desconto significativo e independente do local).

Se a lei vai permanecer nestes moldes, a ser seguida à risca e com grande fiscalidade é algo que não consigo prever. Dizem as más línguas que tal só sucederá até às eleições em Outubro, porém, é com certeza uma mudança numa cultura antes virada para “encher a cara” (beber até cair para o lado) e que interfere num dos sectores que mais dinheiro move no país, para não falar que representa grande parte das exportações portuguesas neste país.

 

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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Nova Iorque Sul-americana

 

 

 

 

   João Faria   |   C12

 

M&J Pestana

Brasil

 

 

 

 

O Brasil está a passar por uma fase de grande crescimento económico, as políticas do actual governo de Lula da Silva deram uma certa estabilidade à economia, o que aliada a um aumento do consumo, dos salários, e a investimentos recordes da produção resultaram, numa economia vibrante e promissora, dando razão ao economista Jim O´Neill, quando elegeu o Brasil como um dos países que poderá superar as potências económicas da actualidade, grupo de países intitulados como Brics.

Um exemplo deste crescimento económico, e deste aumento generalizado do consumo na comunidade brasileira, ocorre na área do turismo. O turismo, não sendo um bem de primeira necessidade, cada vez mais existe uma procura de todas as classes sociais, inclusivamente da classe média baixa, de poder viajar e conhecer um pouco o mundo que os rodeia. Para fazer face a esta procura no mercado turístico, a Carrefour, a maior rede de “varejo” (grossista) do Brasil, lançou oficialmente este ano uma agência de turismo oferecendo pacotes turísticos a preços bastante económicos.

São Paulo, a cidade que me irá acolher nos próximos 7 meses, tem um grande papel em todo este crescimento económico em que o Brasil se vê envolvido, não sendo alheio o facto que só a cidade de São Paulo representa 15% de todo o PIB brasileiro, e é onde se encontram as sedes de 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil.

Tudo o que acontece no Brasil, acontece primeiro em São Paulo. É a maior metrópole económica da América do Sul e, tendo em conta o panorama brasileiro, é a capital gastronómica, cultural e da imigração. Sim da imigração. Todos os dias as estações de ônibus (autocarro) e os aeroportos de São Paulo estão repletos de brasileiros que chegam com expectativas de uma vida melhor. Mas não só os brasileiros, pessoas de todo o mundo escolhem São Paulo como sua casa. Basta andar alguns quarteirões na movimentada Avenida Paulista, para sentir esta mistura de povos que existe em São Paulo O Mix de culturas existente é algo impressionante. Aqui se encontra a maior comunidade nipónica fora do Japão, o que se pode comprovar quando se atravessa o Bairro da Liberdade, bairro tipicamente japonês e onde se pode encontrar todo o tipo de artigos típicos do país do sol nascente. Para além do Japão, a comunidade italiana também é muito forte em São Paulo, o seu bairro característico tem o nome de Bixiga, extremamente conhecido pelas suas cantinas italianas, o cheiro de uma pizza a sair do forno, percorre todos as ruas e ruelas do bairro.

Por razões evidentes, outra comunidade de imigrantes com uma grande representatividade na cidade é a portuguesa. Grande parte das pessoas que vivem em São Paulo têm um parente português e, embora não tenha um bairro característico, a cultura portuguesa, encontra-se profundamente enraizada na comunidade paulista, exemplo disso é que em praticamente todas as “lanchonetes” pode-se encontrar bolinhos de bacalhau, ou pastéis de bacalhau, como nós portugueses dizemos.

A gastronomia, bastante rica e variada, é uma prova que esta multiculturalidade é real, porque a primeira coisa que se começa a sentir falta quando estamos longe na nossa terra é a comida. O poder apreciar um prato típico da nossa região, faz com que a nossa pátria fique um pouco mais perto. Para além das muitas tradicionais churrascarias brasileiras e dos muitos restaurantes japoneses, italianos e portugueses, praticamente todo o tipo de cozinha está representada, desde a cozinha egípcia à tailandesa. 

Relativamente a opções culturais, a cidade de São Paulo, tem inúmeras ofertas para todos os gostos e opções. Desde exposições e espectáculos ao ar livre, até museus de renome internacional, tendo também, como tradição, o acolhimento de grandes eventos periódicos, tais como: a Bienal Internacional de Artes Plásticas, a Bienal do Livro, a Mostra Internacional de Cinema, o Grande Prémio do Brasil em Fórmula 1, e o São Paulo Fashion Week.

Estas, são as principais razões, que me levaram a definir São Paulo como Nova Iorque Sul Americana, devido ao seu grande poder económico, à riqueza existente em termos culturais, e principalmente à multiculturalidade existente e todas as fascinantes repercussões que a mistura entre os diferentes povos provoca. Multiculturalidade que para mim, tem o expoente máximo, na comunidade nova iorquina.

Fontes: www.saopaulo.sp.gov.br

 

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Novos empregos

 

 

 

   Pedro Luís  |  C12

 

Cimpor

Brasil

 

 

 

Este país e esta cidade não me eram totalmente estranhos, pois, nasci aqui e apesar de ter vivido no Brasil apenas até aos quatro anos, passei muitas férias nesta região. Mesmo assim, o Brasil que eu conhecia era um Brasil com uma visão turística que é bastante diferente do Brasil que esta experiência na Cimpor Brasil me está a proporcionar.


As experiências que irei relatar não se restringem apenas à minha experiência dentro da Cimpor Brasil, mas também dizem respeito à minha experiência obtida no dia-a-dia desta cidade de 20[1] milhões de habitantes.
O pressuposto imediato que se tira após analisar este número é a dimensão do mercado brasileiro, que enquanto em Portugal e mesmo no resto da Europa se fala em milhares de utilizadores/compradores aqui deve-se pensar em milhões.


Uma das primeiras questões que me surgiu, foi como uma cidade com 20 milhões de habitantes pode gerar empregos suficientes capazes de manter as pessoas a viverem em São Paulo, porque, em termos de mercado de trabalho São Paulo é uma cidade onde se encontra de tudo, desde uma população extremamente qualificada, capaz de competir em qualquer mercado mundial, até uma população cujo nível de qualificação é muito baixo.

 

Será sobre esta parte da população menos qualificada que irei desenvolver a minha análise.
Apesar de apresentar uma taxa de desemprego na ordem dos 13,6%[2], taxa que é quase o dobro da taxa de desemprego verificada em Portugal em Maio de 2008 que situou-se nos 7,8%[3], São Paulo apresenta uma variada oferta de trabalho que já não é vista no mercado europeu. Trata-se de ofertas de emprego nas mais diversas áreas destinadas a uma população pouco qualificada e cuja mão-de-obra é barata. Este tipo de profissões podem ser identificadas em várias situações do dia-a-dia, como por exemplo, os “ascensoristas” que tem como função operarem os elevadores dos centros comerciais, hotéis e edifícios públicos cujo objectivo é exponenciar a eficiência dos elevadores, os “manobristas” (responsáveis por estacionar os carros) vistos na grande parte dos restaurantes da cidade, os “frentistas” cuja função é abastecer os carros, entre outras.

 
É uma forma bastante criativa e interessante de combater o desemprego e de ao mesmo tempo tentar possibilitar um melhor serviço ao cliente, isto, naturalmente, dentro da realidade brasileira. Pois, ao tentar aplicar-se este conceito de trabalho ao mercado português/europeu o mesmo não é viável dado a mão-de-obra em Portugal ser extremamente cara o que impossibilita a criação deste tipo de emprego. Apesar da possível não aplicabilidade deste tipo de emprego em Portugal, a flexibilidade da legislação laboral brasileira aliada a esta “criatividade” poderia ser utilizada como um exemplo para criação de empregos acessórios às actividades existentes acrescentando valor ao serviço/produto oferecido e diminuído assim os níveis de desemprego.



[1] Dados retirados do estudo “População residente, em 1º de abril de 2007: Publicação Completa” publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

[2] Dados referentes a Janeiro de 2008 retirados do artigo “Taxa de desemprego em São Paulo foi a menor desde de Janeiro de 1997” publicado pela Agência Brasil

[3] Dados retirados do artigo “Taxa de desemprego em Portugal sobe para 7,5% em Maio” publicado pelo site do Diário Econômico

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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

Engenharia e Construção Civil no Brasil

 Pedro Santos   | C12

 

Coba

Brasil

Durante década de 70, o Brasil foi marcado por um período de elevado crescimento da economia e este desempenho positivo repercutiu-se directamente ao nível das actividades da Construção Civil. Contudo a seguir surgiu a chamada década perdida, em que após o ciclo expansivo da década anterior, entre 1981 e 1992 a construção conheceu um longo período de desaceleração, com apenas alguns sinais positivos entre 85/86, devido a uma euforia económica proporcionada pelo Plano cinzento. Foi assim necessário, realizar uma outra intervenção de cariz político, o Plano Real, e a consequente estabilidade económica para que em meados dos anos 90 o PIB voltasse a apresentar índices de crescimento que manteve regulares até ao final da década.
No inicio da presente década e até meados de 2006 registou-se, principalmente no mercado imobiliário, crescimentos de 5%, acima da média observada nos sectores industrial, agro-pecuário, de serviços e do próprio Produto Interno Bruto (PIB), consequência de alguma estabilidade económica, da expansão do crédito imobiliário, da redução das taxas de juros e do crescimento dos rendimentos e nível de emprego da população. O Brasil entrou então num clima de confiança contínua e regular.
Nesta altura, o Brasil encarou os investimentos como principal motor do crescimento económico, e para esse alinhamento estratégico o levantamento realizado para o período 2007-2010 aponta para o montante de investimento a rondar os R$ 200 biliões em infra-estruturas nos sectores da energia eléctrica, comunicação, portos, caminhos de ferro e saneamento. Este montante representa um crescimento de 10% ao ano, em média, frente aos R$123,5 biliões, investidos entre 2002-2005, e equivale a um aumento de 0,6% do PIB, entre 2005 e 2010.
Em Abril de 2007, a industria dos materiais de construção registou um crescimento de 19,53% no primeiro trimestre e o emprego nas empresas de construção, registou um aumento de 10,5% relativamente ao mesmo período do ano anterior. É aliás oficial, a escassez de mão-de-obra qualificada. No sector imobiliário, em 2007, vendeu-se mais 10% do que no ano anterior, entrando-se no período chamado denominado de “período quente” da Engenharia e Construção Civil.
Em suma, pode diagnosticar-se os acontecimentos relatados como consequência principalmente de:
Incentivos do Governo
Queda das taxas de juro
Oferta de crédito
PAC – Programa de Aceleração de Crescimento
R$ 274,8 biliões em Energia
R$ 170,8 em infra-estrutura social e urbana
R$ 58,3 em logistica (Rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos)
Continuando em linha ascendente, a indústria da construção civil vem registando recordes sucessivos em 2008. No mês de Maio, o sector ultrapassou pela primeira vez, desde 1995 quando a metodologia do estudo foi reformulada, a marca de 2 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Só no Estado de São Paulo, foram contratados 52,8 mil trabalhadores nos primeiros cinco meses de 2008 – equivalente a um aumento de 10,2%/ano. Nos últimos 12 meses, terminados em Maio, o crescimento é de 21% e na variação entre Abril e Maio a alta registada é de 0,6%. Com esse desempenho, a de mão-de-obra da construção civil em São Paulo atingiu o patamar de 568,9 mil. Na capital paulista, o índice avançou 10,6% este ano com as 26,4 mil novas vaga formais preenchidas até Maio. Em relação ao mesmo mês de 2007, a alta chega a 23,8% e, em Maio sobre Abril, de 0,8%. Com isso, a cidade de São Paulo concentra 273,6 mil trabalhadores com carteira assinada na construção civil. A variação mensal em (%) é de 0,83 e o número de vagas criadas é de 2.259.

Outras regiões do Brasil – A região Centro/Oeste foi a que apresentou o maior crescimento proporcional no acumulado do ano – de Janeiro a Maio, a subida é de 15,2%. Em seguida está o Sudeste, que no mesmo período registou uma subida de 10,7% no índice.

Em conclusão, um pouco por todas as frentes da Engenharia e Construção Civil, vivem-se tempos desafiantes para este país das bipolaridades económicas. O clima empresarial é de elevada confiança face às oportunidades que a procura proporciona e as iniciativas de empreendedorismo são visíveis. Não esquecendo as barreiras impostas à entrada, criadas pelo mercado Brasileiro principalmente em actividades importadoras de mão-de-obra, é de concluir que o Brasil é uma das grandes potencias emergentes no mercado global da Engenharia e Construção Civil, merecedor de análises e reflexões estratégicas aprofundadas principalmente baseadas numa visão a longo prazo.
publicado por visaocontacto às 09:30
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

A caminho do futuro

   Ana Margarida Costa - Critical Software, Southampton - U.K.

 

 

Esta foi a frase que muitas vezes me passou pela cabeça no momento em que vim para Southampton integrada no Inov Contacto. Não sabia muito bem o que me esperava, mas o desafio era enorme e tinha muita vontade de o abraçar porque estava a Caminho do Futuro. Assim também acontece com muitas empresas, nomeadamente com a Critical Software, empresa onde estou integrada.

A Critical tem cerca de 10 anos de existência e tem tido um crescimento extraordinário (rodando os 60% ao ano!), estando por isso entre as empresas que mais rapidamente cresceram a nível europeu.

A Critical ambiciona ir mais além, daí que aposte em três pilares fundamentais para ter capacidade de ganhar escala e, consequentemente, gerar riqueza.

Assim, a estratégia da Critical Software a Caminho do Futuro assenta na:

 

·         Aproximação dos mercados mais evoluídos, mais massificados e maduros a nível tecnológico, onde o preço não é um factor de exclusão e onde as competências são amplamente elogiadas. Os sectores mais valorizados são o Espaço, a Defesa e a Aeronáutica, áreas onde a Critical tem valor reconhecido. Contudo a aposta nos sectores e mercados mais exigentes não põe em causa a presença da empresa noutros sectores mais tradicionais, como as finanças, telecomunicações e indústria;

·         Utilização com a máxima eficiência de todos os canais de exportação, nomeadamente através de UK, cobrindo o Norte da Europa e os EUA e através da Roménia cobrindo todo o Leste Europeu. Para “atacar” a América Latina a Critical vai apostar no Brasil (assunto que será explorado mais adiante). Esta aposta no exterior deve-se ao facto da empresa querer estar instalada nos núcleos mais importantes, onde se encontram os “players” deste mercado. Desta forma será dado um forte passo para a manutenção do actual crescimento;

·         Criação de novos produtos, de modo que a área de desenvolvimento da empresa não se restrinja só aos serviços mas se dedique também aos produtos tecnológicos. Um bom exemplo dessa aposta é a Edge Box (para mais informações ver http://www.edgebox.net/).

 

 

Porquê Brasil?

É incontornável a importância que o Brasil assume a nível económico, não só no contexto da América Latina, mas também a nível mundial, integrando-se no grupo das 4 economias emergentes – BRIC – que em 2040 representarão 50% das maiores economias mundiais.

Actualmente o Brasil é líder em TI na América Latina e tem um mercado doméstico considerável. É também no país irmão que existe uma forte presença de fornecedores internacionais de TI, onde existem boas infra-estruturas de comunicação e o custo dos recursos humanos é bastante competitivo. O factor do fuso horário também é uma vantagem uma vez que permite tirar partido do mesmo no decorrer dos projectos.

Desse modo, a Critical pretende abrir caminho neste país carregado de oportunidades. Para isso o primeiro passo será encontrar um parceiro adequado (para ter alguma garantia de sucesso), uma vez que ainda existe algum descrédito das empresas portuguesas no outro lado do oceano.

Contudo, apesar de ser um mercado bastante atractivo, existem algumas dificuldades na entrada para o mesmo, nomeadamente, nos vistos de trabalho, dificultando por isso a deslocação de quadros de Portugal. A legislação aduaneira, fiscal e tributária ainda é algo confusa e de difícil entendimento e com permanentes alterações. A dificuldade de acesso a crédito bancário é também um factor menos positivo, uma vez que as taxas de juros são excessivamente elevadas.  

Outra dificuldade, também associada ao mercado brasileiro prende-se pelo significativo risco de mercado, justificado pelo “Quadro regulador das concessões públicas” que ainda está pouco estável e com frequentes alterações. Isto acontece também com outros serviços públicos, provocando por isso alguma demora no fecho do processo de criação de uma empresa.

 

Esta será mais uma aposta da Critical Software para continuar a elevar o nome de Portugal além fronteiras porque apesar de "serem cada vez mais e mais interessantes, as empresas portuguesas da indústria do conhecimento, o ideal seria que não se pudessem contar pelos dedos das mãos"[1]

 

Porque a Critical sonha mais e melhor a Caminho do Futuro.

 



[1] Gonçalo Quadros, CEO Critical Software in Lusa

publicado por visaocontacto às 06:00
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