Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Intelligence Sensing Anywhere

 

Patrícia Gomes

ISA, Bucareste - Roménia.

20 de Outubro de 2007, Serra da Falperra – Campus da 11ª edição do INOV Contacto - anúncio das empresas e dos países para onde cada estagiário é designado. Durante a prova de grupo na Serra da Falperra, todos íamos completando a (s) palavra (s) que finalmente nos iam indicar qual a empresa onde iríamos estagiar nos próximos 9 meses. A “palavra” que obtive foi ISA. Pois bem, eu não conhecia a empresa nem nenhum dos colegas do meu grupo a conhecia. Fui imediatamente pesquisar e descobri: www.isasensing.com – Intelligent Sensing Anywhere. O meu primeiro pensamento foi como é que era possível eu nunca ter ouvido falar de uma empresa portuguesa, líder de mercado e com tantos prémios nacionais e internacionais. Mas obviamente a dúvida que me afligiu mais foi quais os países onde poderia vir a “calhar”. Pois bem, nada melhor do que ter 10 hipóteses, desde a vizinha Espanha até à longínqua Austrália. Quando anunciaram Roménia tenho que confessar que não foi uma felicidade imensa. Ia ficar na Europa que era algo que eu não queria, mas pelo menos ia para um país de leste, seria pelo menos um desafio maior em termos de aculturação.

Mas de volta à ISA, a empresa tinha iniciado muito recentemente a sua actividade na Roménia e estava em fase de arranque junto dos potenciais clientes. A oportunidade parecia-me excelente uma vez que tinha hipótese de representar a empresa aos mais variados níveis, e de conhecer realmente como funciona o mercado Romeno em toda a sua plenitude. Infelizmente a experiência tem tido mais contras que prós, existem imensas diferenças culturais e é realmente complicado para uma empresa estrangeira penetrar no mercado romeno sem que tenha nativos a colaborar com a mesma. O povo Romeno é sem dúvida alguma um povo de contradições e de difícil compreensão. Mas passo a enumerar alguns exemplos concretos para que melhor consigam entender o que vos tento transmitir. Um simples telefonema pode ser de facto um momento de alta tensão, especialmente se precisarmos muito de obter uma informação de alguém do outro lado da linha. O primeiro desafio é conseguir que a telefonista não nos desligue o telefone na cara, e para isso a melhor estratégia é dizer (ou pelo menos tentar) uma ou duas frases em romeno. Desta forma podemos conseguir que nos passe a chamada a alguém que fale, ou pelo menos “arranhe” inglês. Muitas vezes as pessoas que nos atendem até falam inglês mas não estão para se maçar e ter que fazer o esforço de falar uma outra língua. Já me aconteceu ligar para uma empresa e a pessoa que me atendeu insistir em falar romeno e que não falava inglês e depois quando conseguimos uma reunião na empresa e ela nos recebeu, falava um inglês fluente. Isto demonstra as tais contradições de que vos falava. Se por um lado não recebem bem os estrangeiros e são até mal-educados, por outro agem como se os estrangeiros fossem muito melhores que eles. Numa reunião eu sou sempre a primeira pessoa a ser cumprimentada, independentemente da pessoa que nos recebe falar ou não inglês. Para além desta grande dificuldade, existe uma outra, que se acentua particularmente no tipo de mercados em que a ISA actua. Os nossos potenciais clientes são na sua maioria grandes empresas e, neste país, os directores deste tipo de empresas são considerados muito mais importantes do que, por exemplo, qualquer político. É muito mais simples marcar um meeting num ministério do que tentar apresentar a ISA a alguém que possa eventualmente tomar uma decisão pela empresa.

 

De certa forma, podemos encontrar na Roménia, alguns dos graves problemas que muitos se queixam que existem em Portugal, mas de uma forma muito mais exacerbada: o achar que o que é estrangeiro é que é bom, a lentidão da função pública, a incompetência ou desleixo generalizado de empresas monopolistas, as “cunhas” serem a forma mais eficaz de alguém se conseguir impor seja em que ambiente for, entre outros.

Definitivamente a Roménia é um mercado difícil mas com a estratégia certa, é quase uma mina para as empresas estrangeiras e é, sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora para qualquer contacto. 

publicado por visaocontacto às 18:00
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Medicina Romena

   Diana Pinheiro - Critical Software, Bucareste, Ronménia.

 

 

 

Estou em Bucareste e apesar da Roménia ter entrado para a União Europeia no dia 1 de Janeiro de 2007, é um país que tem ainda um longo percurso a percorrer. Não existem grandes infra-estruturas rodoviárias e, neste momento, todas as obras que se encontram nas ruas, são realizadas com fundos comunitários. Investimentos, estes que na sua maioria, ocorrem em Bucareste, encontrando-se o resto do país, debilitado a todos os níveis.

Mas é sobre os serviços médicos de Bucareste, que vos quero falar, após em Dezembro, ter escorregado no gelo e partido o tornozelo e ter ido de urgência ao hospital. Em Bucareste, os hospitais públicos são sobretudo direccionados para cada uma das especializações médicas.

 

Naquela hora, portanto, serviu-me o hospital de urgência. Ao chegar lá, fui prontamente assistida, tive tempo para observar a sala de espera, existiam poucas pessoas, era Natal, e a maior parte dos habitantes de Bucareste, estão fora, nas suas terras natais.

Fui assistida por três médicos e dois enfermeiros, apenas um falava inglês. A simpatia e a prontidão da assistência médica surpreenderam bastante. No fim da consulta, encontrava-me com a perna engessada e com um papel A5 onde colocaram o diagnóstico, a receita médica e o hospital para onde me dirigir para efectuar as consultas de controlo, tudo escrito em romeno sem hipótese de traduzirem para inglês. O atendimento no hospital de urgência foi gratuito, ao contrário do que acontece nos hospitais portugueses.

 

Esta foi a primeira fase. Depois, para marcar a consulta de controlo tive alguns problemas. Na Roménia, a língua oficial é a romena, o que faz com que os organismos públicos não falem inglês, como também acontece em Portugal. Ao tentar telefonar para o hospital onde deveria ter a consulta de controlo às 3 semanas e pedir para falar em inglês, desligaram-me o telefone na cara. Com a ajuda de duas amigas romenas, as informações que ambas me forneceram eram contraditórias (afinal não acontece só em Portugal). Decidi tentar uma clínica privada onde tivesse um bom serviço de ortopedia e claro, falassem inglês.

A clínica privada é um mundo à parte na Roménia: chão limpo, falavam inglês e eram simpáticas e o edifício não era de betão cinzento.

No global, penso que os serviços médicos romenos são parecidos com os portugueses, tendo uns serviços mais avançados que outros. Se vierem à Roménia, não tenham preocupações médicas, mas se souberem romeno, ajuda muito

publicado por visaocontacto às 11:30
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Roménia - Marginalização, Inclusão e Desenvolvimento

   José Dias, Delegação, Bucareste, Roménia.

 

 

 

 

A Roménia foi-se movendo, ao longo da última década, das margens da integração Europeia para a inclusão total na família da UE. Porém, a questão central, prende-se com a efectiva garantia de sucesso e desenvolvimento económico-social, uma vez que parece não ser 100% seguro que tal aconteça. 

O percurso da integração foi árduo, contudo progressos importantes foram alcançados desde o início da década de 90, quando dúvidas permaneciam quanto a um real compromisso com os valores democráticos, do então novo regime. No entanto, persistem actualmente problemas sérios, como é o caso, por exemplo, da corrupção e da baixa produtividade da economia romena, pelo que será justo dizer que muito ainda terá que ser feito. Aliás, esta questão ficou bem explícita nas reservas que a Comissão Europeia colocou quanto ao processo de adesão à UE quer da Roménia, quer da Bulgária. 

A adesão significa e implica um conjunto de reformas internas a nível político, social e económico, de forma a cumprir os critérios definidos pela UE. No entanto, existe um outro conjunto de dinâmicas exógenas, o que faz com que o processo de adesão não seja determinado somente pelo estado de desenvolvimento dos países candidatos. Há todo um conjunto de vertentes às quais é preciso dar particular e detalhada atenção.

 

No caso da Roménia, três aspectos gerais terão que ser levados em conta:

 

·         Desde 1989, as relações que se estabeleceram entre a UE e os Estados da Europa Central e Oriental em termos genéricos;

·         A posição da Roménia foi influenciada por acontecimentos externos, nos quais não teve poder de decisão ou controlo – facto, aliás, que lhe permitiu assegurar a inclusão na “rede” europeia;

·         A sua posição relativamente ao país vizinho, a Bulgária - o que fez com que a UE tratasse os dois países como um “bloco”, razão pela qual a adesão de apenas um não fazia sentido.

 

Após ter-se falado da marginalização e da inclusão, surge a questão do desenvolvimento da sociedade romena.

Se a relação que se estabelece entre as duas primeiras questões – marginalização e inclusão, é unicamente a da mudança de paradigma, já entre o segundo e terceiro – inclusão e desenvolvimento – pretende-se que esta relação seja de efectiva causa – efeito.

 

Ora é precisamente neste contexto que Portugal, durante a presidência da UE, no segundo semestre do corrente ano, pode assumir um papel relevante, vejamos como:

 

1)       Primeira fase pós-adesão. Após os primeiros seis meses da Roménia como membro de pleno direito da UE (Marginalização vs Inclusão) é chegada a hora de consolidar a sua posição no seio desta família europeia (Inclusão vs Desenvolvimento) – afastados estarão os primeiros de meses de euforia (ou pessimismo, dependendo da franja da população romena a quem nos referirmos);

2)       Experiência portuguesa. Após 21 anos da adesão de Portugal à UE (antes Comunidade Económica Europeia), é inevitável a acumulação de know-how. Desde modo, e enfrentando no presente desafios importantes e determinantes no processo de desenvolvimento sócio-económico, Portugal poderá (e deverá) servir de “exemplo” à Roménia, quer na implementação de políticas económicas e sociais adequadas, quer no evitar dos erros cometidos, não só pela classe governante, mas por todos os agentes económicos e sociais;

3)       Similaridade do processo de adesão. Há muito de comum nos processos de adesão português e romeno, tais como, consolidação do regime democrático e da economia de mercado; perificidade dos dois países (Portugal na fronteira Ocidental da UE e Roménia na fronteira Oriental) e, ainda, entrada conjunta com um país vizinho (Portugal / Espanha - Roménia / Bulgária).

Com a perspectiva de continuação da construção Europeia e num momento em que se retoma a discussão do Tratado Constitucional Europeu, Portugal, ao assumir a presidência da UE, poderá marcar a História.  Mas para tal, terá sobretudo que saber envolver e comprometer cada um dos parceiros Europeus nesta discussão do futuro comum. Sendo que, a partir de agora, mais dois países terão uma palavra a dizer.

No caso que aqui abordamos, o da Roménia, esperamos que esse comprometimento se inicie, primeira e eficazmente, no plano interno, a fim de que, a médio e longo prazo, este possa funcionar como alavanca para o desenvolvimento do país em diversas áreas...a 100%, porque, sem dúvidas e reconhecidamente, o potencial existe!

publicado por visaocontacto às 17:30
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