Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Serão as Câmaras de Comércio um modelo ultrapassado?

Vera Lúcia Carvalheira | C12

Câmara de Comércio Luso Belga

Bruxelas | Bélgica

 

O século XX assistiu a uma explosão de instituições de carácter bilateral e multilateral, cujo aparecimento foi justificado, essencialmente, pela motivação de enfrentar as dificuldades decorrentes dos episódios mais negros da história.

É neste contexto que podemos enquadrar, também, o aparecimento das Câmaras de Comércio, as quais, essencialmente, por razões de carácter económico e comercial, deram os primeiros passos no sentido da criação de instituições de defesa dos interesses dos actores económicos, tanto dos países de onde eram oriundas como dos países nos quais se encontravam estabelecidas.

 

É neste sentido que tentarei, nesta breve nota reflectiva, indagar se as Câmaras de Comércio, tal como as conhecemos actualmente, se prefiguram como um modelo ultrapassado ou se, pelo contrário, continuam a assumir um papel de relevo, num momento em que estas instituições não se encontram sós no desempenho do papel de entidades promotoras e intermediárias, no que concerne, por um lado, ao favorecimento do desenvolvimento de relações comerciais e, por outro, ao fornecimento de informação aos actores económicos que a si recorrem.

 

Antes de mais, será importante identificar os objectivos gerais e comuns a todas as Câmaras de Comércio: é facto assente que as Câmaras de Comércio se assumem como interlocutoras privilegiadas entre as comunidades de negócios dos países onde se encontram sedeadas, favorecendo e animando o comércio entre si, contribuindo e apoiando as empresas no desenvolvimento de correntes de negócios duradouras, encorajando fortemente o estabelecimento de relações (económicas, comerciais, culturais ou turísticas) entre empresas nacionais e estrangeiras, informando-as sobre as oportunidades de negócios no estrangeiro, sustentando a promoção das empresas e dos produtos além-fronteiras, encorajando o investimento estrangeiro, e acolhendo, ainda, as delegações estrangeiras no seu eixo de acção.

 

Partindo deste pressuposto e salientando o facto de que continuam a assumir-se como um centro de informação e documentação, um ponto privilegiado de encontros e contactos – funcionando como um centro de diálogo, por excelência, para os empresários – e executando a tarefa de prestadora de serviços, cabe-me afirmar que, essencialmente, por estas últimas razões enunciadas, o modelo das Câmaras de Comércio não caiu, de todo, em desuso.

 

Pelo contrário, naturalmente, umas mais do que outras, são instituições verdadeiramente dinâmicas – cabe salientar que este dinamismo depende, muitas vezes, do papel fulcral dos governos no que respeita ao seu apoio a estas instituições, traduzido, essencialmente, em forma de subsídios, dos quais dependem a sobrevivência de muitas das Câmaras –, contando com departamentos de natureza específica que fornecem respostas regulares a problemas particulares, enfrentados diariamente pelas empresas.

 

Este dinamismo denota-se, por um lado, na organização frequente de almoços-debate, seminários, conferências, missões empresariais, muitas das vezes, em colaboração com outros organismos, como sendo, outras Câmaras de Comércio, Ministérios, Embaixadas, Adidos Comerciais, e os demais organismos ligados ao palco económico-comercial, essencialmente, e, por outro lado, pelo fornecimento de informações práticas através da publicação de edições de cariz económico, nas quais são abordados problemas específicos do mundo empresarial (crónicas fiscais, jurídicas, sociais, informáticas, marketing). São, igualmente, fornecidas informações quer de ordem regional quer de ordem internacional (feiras e exposições, formações, pesquisa de contactos, propostas de negócios, criação de empresas), bem como guias práticos consagrados a temas particulares.

Cabe ainda às Câmaras de Comércio a missão de emitirem Certificados de Origem, documento ainda comummente solicitado num processo de exportação.

 

Desta feita hoje, como no passado, as Câmaras de Comércio continuam a assumir-se como um espaço determinante de participação empresarial que promove o desenvolvimento das empresas e do comércio nacional e internacional, ambicionando serem reconhecidas como parceiras incontornáveis nas decisões promotoras do desenvolvimento económico, não só pela qualidade dos serviços prestados e pela capacidade de inovação, mas também pela promoção de actividades rentáveis que assegurem a continuidade da sua história.

 

 

publicado por visaocontacto às 13:03
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Buenos Aires é agora!

   Pedro Curral,

Câmara de Comércio, Buenos Aires, Argentina.

 

Se nunca visitaram Buenos Aires, então esta é a melhor altura para o fazerem. A súbita queda do peso em 2001 tornou uma das capitais mais caras do mundo numa das mais baratas, ao que se pode juntar toda uma energia própria de uma cidade e nação que tenta reerguer-se após uma das mais graves crises económicas da sua história.

 

Culturalmente, a cidade fervilha. Exposições de arte, produções teatrais, concertos de música, desfiles de moda e uma das mais activas indústrias cinematográficas do mundo são impulsionadas por uma força criativa que resulta da esperança que existe em cada argentino de melhorar o estado das coisas, e também do dinheiro que é investido dentro da Argentina.

O Tango, um dos grandes ícones da cultura argentina. Espectáculos pela cidade durante toda a semana. Nos bairros mais típicos, como San Telmo e La Boca, pode assistir-se ao tradicional e genuíno tango, em espectáculos de rua. Uma das danças mais sensuais e eróticas que já presenciei, impossível de descrever por palavras, e que para ser entendida precisa de ser vista e experimentada;

A crise económica de 2001 foi como uma bênção para os pintores em Buenos Aires. Os tempos difíceis tornaram ainda mais complicado ganhar a vida a pintar, mas, por outro lado, criaram entre a comunidade artística um espírito de entreajuda que originou um novo fluxo de ideias e projectos. Hoje em dia, podem encontrar-se galerias, exposições e eventos de arte nos lugares mais improváveis e que permitem aos turistas comprar obras de qualidade a preços de saldo.

Buenos Aires é o centro da emergente indústria cinematográfica argentina. Em 2006 realizaram-se 68 filmes que obtiveram um total de 117 prémios internacionais nos mais diversos festivais mundiais. Além disso, durante 2006, 15% das salas de cinema foram ocupadas por títulos argentinos. Também o festival de cinema independente de Buenos Aires mostra a força desta indústria, com os 120 mil espectadores em 2005 e os 234 mil a nível mundial em 2006. 

 

Em termos meramente turísticos não se pode afirmar que Buenos Aires esteja recheada de atracções dessa índole. No entanto, são dignos de realce: os maravilhosos edifícios antigos de estilo europeu do Microcentro; a feira de antiguidades aos Domingos em San Telmo; o El Caminito, a rua mais famosa da La Boca, que se encontra repleto de coloridas e pitorescas casas; o extenso Cemitério da Recoleta, de arquitectura gótica; os imensos jardins e as monumentais estátuas do bairro de Palermo; ou ainda o sub-bairro Palermo Viejo, lugar dos restaurantes e lojas mais in da cidade.

 

Contudo, o verdadeiro fascínio de Buenos Aires não reside nos seus locais mais turísticos ou na sua beleza arquitectónica mas sim no modo como a cidade vive e isso é, sem dúvida, o melhor que Buenos Aires tem para nos transmitir. E os grandes responsáveis por isso são, como não podia deixar de ser, os porteños (designação dada aos habitantes de Buenos Aires). Seja segunda-feira ou sábado, esteja frio ou calor, a partir das 7 da tarde e muitas vezes pela noite dentro, cafés, restaurantes, cinemas, teatros, bares ou discotecas por toda a cidade enchem-se de pessoas que conversam, discutem, riem, choram, abraçam-se, dançam, beijam-se, convivem! E é isso que se pode levar de Buenos Aires. Por isso, venham buscá-lo!

publicado por visaocontacto às 15:21
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"Espanha - oportunidade e não ameaça"

   José Guerreiro, CHP, Madrid, Espanha.
Desde a minha chegada a Madrid, ao abrigo da 10ª edição do Programa InovContacto, que as surpresas se têm sucedido, como um encontro agradável e inesperado. Apesar da proximidade física entre esta cidade e o Porto ou Lisboa, urbes onde vivi alguns anos da minha vida, as diferenças são notórias e, em muitos aspectos, aprazíveis.
 
Tudo se passa num ápice. As pessoas “vivem” mais depressa e com maior intensidade. É uma cidade que parece não parar de dia e de noite, num movimento contínuo. Os madrilenos usufruem bastante dos diversos espaços públicos ao ar livre, especialmente agora com a temperatura a subir. As solicitações são de diversa ordem, sendo de destacar, a vasta oferta cultural de Madrid.
 
Algo que me impressionou foi a interligação dos meios de transporte que permitem deslocações rápidas e com razoável conforto. Utilizando o Metro, chega-se a qualquer parte da cidade, em tempo reduzido. A nível das diferenças culturais com Portugal, gostava de destacar a informalidade no trato, que facilita as relações profissionais e pessoais e também a forma confiante como normalmente encaram os problemas.
 
 
 
Iniciei as minhas funções na Câmara Hispano Portuguesa de Comércio e Industria em Espanha em meados de Janeiro, do corrente ano. Encontrei um ambiente de trabalho muito bom que, devido à sua reduzida estrutura, me permitiu acompanhar as actividades da Câmara em toda a sua amplitude, enriquecendo assim esta experiência profissional.
 
A Câmara Hispano Portuguesa foi fundada em 1971, como uma organização privada sem fins lucrativos, com a finalidade de apoiar as empresas com interesses empresariais no mercado ibérico, fomentando as suas relações económicas e desenvolvendo também laços de amizade entre Portugal e Espanha.
 
A Câmara tem relações privilegiadas com alguns institutos públicos, como o ICEP, contactos regulares com Associações Empresariais, Câmaras de Comércio Espanholas, Câmaras de Comércio dos países da União Europeia estabelecidas em Espanha, entre outras. Neste momento, é constituída pela sede em Madrid e por três delegações, na Andaluzia (Málaga), na Galiza (Vigo) e no País Basco (Bilbao).
 
No intuito de atingir os seus objectivos, a Câmara desenvolve diversas actividades, entre as quais, Seminários, Conferências e Almoços, subordinados a temas de grande importância e actualidade, com vista a identificar oportunidades de negócio no mercado ibérico e impulsionar a actividade empresarial das empresas associadas.
 
Dispõe de serviços de apoio jurídico, fiscal e económico e facilita os contactos profissionais com outras empresas. Promove cursos de português com o apoio dos Serviços de Educação da Embaixada de Portugal em Madrid, sendo um importante veículo de comunicação nas relações comerciais entre os dois países. Participa e promove a participação dos seus associados em Feiras e dispõe de uma bolsa de trabalho com o intuito de optimizar as buscas de candidatos por parte das empresas suas associadas.
 
A Câmara desempenha, assim, um importante papel de promoção dos produtos e serviços das empresas portuguesas em Espanha. Nesse sentido, existem factores importantes que poderão facilitar em larga medida, a entrada de empresas portuguesas no mercado espanhol, destacando-se entre outros a proximidade geográfica, a semelhança linguística e as boas relações existentes entre Portugal e Espanha. Por outro lado, a economia espanhola continua a registar elevados crescimentos económicos, tendo o PIB atingido um crescimento de 4,1%, no primeiro trimestre de 2007, o maior desde o terceiro trimestre de 2001, contrariamente à evolução da economia portuguesa, com crescimentos reduzidos.
 
Considero que ao actuarem no mercado ibérico e com a dinâmica patente da economia espanhola, as empresas portuguesas poderão melhorar a sua competitividade, beneficiando também, investimentos futuros noutros mercados. Julgo, por isso, que não devemos olhar Espanha como uma ameaça, como muitas vezes acontece, mas sim como uma oportunidade.
publicado por visaocontacto às 13:05
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