Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Uma oportunidade de não ficar a Leste

   Francisco Gonçalves - Consulgal, Bucareste - Hungria

 

 

A queda do Muro de Berlim, a 9 de Novembro de 1989, possibilitou a toda uma região a abertura das portas à Democracia e, sobretudo, a uma nova dimensão económica. A Hungria foi um dos exemplos mais bem sucedidos, com um crescimento económico notável, desde a transição política até à entrada na União Europeia. Este crescimento, possibilitou um forte investimento estrangeiro directo que pode ser visível no índice de globalização publicado este ano pelo Instituto Tecnológico Federal Suíço (Konjunkturforschungsstelle der Eidgenössischen Technischen Hochschule Zürich), em que a Hungria ocupa a nível mundial o 13º lugar, uma posição à frente de Portugal.

O crescimento verificado foi a força motriz para a entrada de empresas portuguesas neste mercado. Em particular, a renovação e introdução de novas infra-estruturas de transportes e de protecção ambiental, onde os fundos de pré-adesão à U.E. desempenharam um papel de relevo, fundamental para a entrada da Consulgal – Consultores em Engenharia e Gestão, S.A. na Hungria. A participação directa na obra de reestruturação da linha 2 do metro de Budapeste e a aplicação do know-how técnico em estudos de viabilidade na área dos transportes têm consolidado e tornado indispensável a presença desta empresa na Hungria.

A aposta da União Europeia em promover a coesão do seu espaço, tendo como eixo prioritário, o desenvolvimento sustentável, é materializada no objectivo dos instrumentos financeiros para o período 2007-2013. Este conceito, não é mais do que uma exigência, para uma Globalização social e ambientalmente responsável como forma de promover a competitividade do espaço europeu à escala global.

Os tempos que se aproximam, até 2013, poderão ser propícios a grandes investimentos na Hungria na área dos transportes e ambiente, por conseguinte, na promoção do desenvolvimento sustentável. A posição geográfica deste país assim o exige.

 

A burocracia é muito pesada, mesmo em serviços de “cara lavada” (telecomunicações). A simples aquisição de um cartão de telemóvel pode levar mais de 30 minutos! Os transportes e infra-estruturas terrestres para os países vizinhos são lentos. Não é compreensível que se demore de comboio de Budapeste 14 horas para chegar a Bucareste (menos de 650 km) ou 8 horas até Ljubljana (380 km). As alternativas aéreas são caras e pouco convidativas à mobilidade. A rede viária reclama por grandes melhorias. É necessária, portanto, uma maior integração e mobilidade entre os países que fazem fronteira com a Hungria. Aqui está uma das chaves para o sucesso. Estas questões são discutidas regularmente no escritório onde desempenho o meu estágio, bem no coração de Budapeste. Existem muitas necessidades, mas também muita falta de capacidade do poder central para a resolução de problemas.

 

As empresas estrangeiras em geral, e portuguesas em particular, podem ter uma palavra a dizer e um grande contributo a dar no desenvolvimento infraestrutural húngaro. A experiência portuguesa das últimas duas décadas no desenvolvimento, nomeadamente rodoviário e ferroviário, saneamento e gestão de resíduos e, fundamentalmente, na gestão de fundos comunitários, podem representar uma panóplia de oportunidades para a estabilização de empresas de engenharia, técnicos e consultores na Hungria. Esta experiência é sem dúvida uma vantagem comparativa em relação a outros países que não enfrentaram semelhantes carências infraestruturais. A dimensão semelhante entre a Hungria e Portugal, em superfície e população, é outra regalia a considerar, assim como um certo afecto que caracteriza os húngaros em respeito aos portugueses. O grau de educação da Hungria que é superior ao Português, e que faz com que a maior parte dos jovens já domine uma língua estrangeira, em geral, a inglesa pode ser considerado outro factor aliciante, no entanto, o “magyar” (língua húngara) não deverá ser encarado como um obstáculo inultrapassável, pelo menos a longo prazo.

Tudo depende, no entanto, da capacidade deste Estado para a captação de fundos europeus bem como de uma estabilização orçamental e política que tem impedido um crescimento económico tão positivo como aquele que se verificou no período de transição política e acesso à U.E.

publicado por visaocontacto às 12:00
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Contacto Romeno

   Gisela Morais - Consulgal, Bucareste - Roménia.

 

 

Quando se concorre ao programa INOV Contacto cada um tem o seu objectivo. Uma mudança na vida profissional, a oportunidade de conhecer outras realidades ou tantos outros motivos. Depois, caso se seja aceite para o programa, os pensamentos vão mais alto. Todos queremos coisas diferentes, uns preferem ficar mais perto de casa, outros querem explorar um mundo infinito de possibilidades - Para onde vou? E qual empresa? Claro que todos queremos que seja uma óptima empresa, de preferência conceituada e, idealmente, que nos possa assegurar um futuro após o programa. Quanto mais não seja desejamos que nos calhe uma empresa que nos dê capacidades de evolução que, eventualmente, não teríamos noutras…

 

Ser contemplada com a Consulgal foi uma surpresa! Não conhecia a empresa, mas logo soube que ocupava um lugar de destaque em Portugal na consultoria de engenharia e gestão. É uma empresa com subsidiárias em alguns pontos do globo (Brasil, Macau, Hungria, Angola), além das existentes em Portugal e eu acabei por ser colocada na  Roménia. Ficar na Europa não era das minhas preferências, mas as oportunidades agarram-se e não se deixam fugir!

 

A Consulgal Proiect (subsidiária da Consulgal na Roménia) existe desde 2003. Em 2005 e 2006 começa a ganhar alguns projectos de menor dimensão. Mas em 2007 consegue finalmente dois dos maiores projectos em desenvolvimento na Roménia: os serviços de fiscalização do troço Bucureşti – Ploieşti (60 km) da auto-estrada Bucureşti – Braşov (que é o primeiro troço da ligação Bucureşti – Braşov – Borş, entre a capital romena e a Hungria, sendo uma das principais vias de comunicação desta região); e os serviços de fiscalização da via rápida com 4 faixas Sebeş – Turda, na região da Transilvânia, que servirá de acesso à auto-estrada referida anteriormente.

 

A Roménia viveu até 1989 num regime comunista liderado por Ceauşescu, que deixou profundas marcas em todos os sectores da economia e por esse motivo, foram criados programas para ajudar países da Europa Central,  Oriental e não só, a atingir as condições necessárias para a adesão à EU. Estes programas foram usados na Roménia na sua fase de pré-adesão: o Programa PHARE, que providencia fundos para a construção de instituições; o ISPA que possibilita o investimento nos meios de transporte e nas infra-estruturas ambientais e o SAPARD, um programa de apoio da agricultura e do desenvolvimento rural. Finalmente em 2007, a Roménia entrou na União Europeia, mas apesar de ter os critérios necessários para a adesão, os seus níveis de desenvolvimento estão muito abaixo da média europeia. Este grande investimento com fundos comunitários implica, de certo modo, uma ‘invasão’ por parte de empresas estrangeiras. Só empresas portuguesas são mais de 300. Talvez devido à língua (que tem origem no latim), sendo bastante parecida com o português, mas também com o espanhol, o italiano e o francês, o que facilita bastante a comunicação a pessoas provenientes destes países.

 

Porém, nem tudo são rosas e ainda há diversos factores locais que dificultam o progresso desta região, como por exemplo o período demasiado longo (pode ultrapassar facilmente os 2 anos) entre o anúncio do lançamento de um concurso e a assinatura do contrato final, além da grande instabilidade institucional.

Verifica-se que o pessimismo, devido a tempos conturbados, permanece mesmo depois de quase 20 anos da queda do comunismo.

 

A Roménia tem grandes potencialidades para se desenvolver tanto a nível económico como turístico, mas é preciso que os romenos deixem!

Afinal também eles têm a ‘dor’* da saudade…

 

*’Dor’ em romeno significa precisamente o mesmo que a nossa ‘saudade’

publicado por visaocontacto às 11:23
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