Sábado, 29 de Agosto de 2009

Ares de Mudança

 

 

Afonso Aires   |   C13
Cisco Systems
Milpitas | EUA
 

 

O Programa Contacto é muito mais do que um estágio profissional, é uma experiência. Uma oportunidade única de apender, de descobrir e de renascer a nível profissional, mas também pessoal.

 

Como contacteantes temos de deixar para trás o coro de vozes cínicas que assombram o quotidiano da nossa sociedade e abafá-las com a nossa experiência, limitada, mas rica em diversidade e horizontes abertos. Com as nossas novas explicações e com o choque que podemos e devemos proporcionar em relação ao passado.

 

Foi-nos dada uma oportunidade única, algo com que só alguns poderão sonhar. Existe um mundo de oportunidades à nossa frente, prontas a saciar os sonhos que inundam o nosso imaginário. Temos a oportunidade para ajudar a curar uma nação, a nossa nação, preparando-a para o encontro com o seu destino  neste novo mundo. O nosso destino neste novo mundo.

 

Num mundo cada vez menos local e cada vez mais global, o futuro do país está entregue à nossa geração, à nossa disposição em encarar o desconhecido e às nossas novas explicações de como as coisas funcionam. O mundo é cada vez mais desafiante e perigoso para economias estagnadas, que não estejam habitadas por pessoas  dispostas a correr riscos e a colocarem-se no mercado sem receio daquilo que possa vir a acontecer. Existe uma nova era de descobrimentos a que temos estado alheios devido à nossa inoperância em tomar decisões difíceis e em preparar a nação para o futuro.

 

Acima de tudo, como contacteantes, devemos ter perguntas a fazer ao mundo, perguntas que não terão resposta vegetando num pequeno canto da terra durante uma vida. Devemos sonhar com o que parece inatingível, procurar conhecer pessoas interessantes, realidades diferentes e entrar em conflito com os nossos dogmas gastos e que têm sofocado o nosso povo. E, no final, apercebermo-nos do nosso papel no nosso futuro, mas não só...no futuro do nosso país.

 

O nosso desenvolvimento pessoal, contribuirá para o desenvolvimento da nosso país. Os conhecimentos, as  experiências e as novas mentalidades adquiridas durante este período no estrangeiro, em que estamos  expostos a novas realidades, servirão de alicerces e base à construção social e económica que vamos erguer como geração de mudança. Temos a responsabilidade de absorver toda a circunstância que nos envolve e trazer o que melhor servirá  as necessidades deste desafio global que Portugal enfrenta.

 

Como herdeiros de um país de exploradores e de conquistadores, pioneiros que lutaram contra nuvens sombrias e tempestades sem misericórdia, temos a obrigação de reconquistar o nosso orgulho nacional e o espírito empreendedor que motivou cada conquista e cada tormenta ultrapassada. Há que atirar fora os nossos medos, velejar para longe do nosso porto seguro e apanhar os ventos que já encheram as velas dos nossos antepassados. Explorar, sonhar e descobrir este novo mundo cheio de oportunidades, mas com muitos mais desafios a terem que ser ultrapassados. Quem melhor  para ser fiel ao legado que nos foi deixado por este país tão rico, do que esta geração? Podemos ser a geração da mudança, temos tudo para o ser, só precisamos de tomar o nosso lugar.

 

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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

De havaiana no pé e espada na mão

Rita Leotte | C13

 

Emfils

Itu SP - Brasil

 

Os cenários à minha volta ganharam cores diferentes, cheiros adocicados, os corpos dançaram e rebentaram com o calor em passos de samba.

E o mais fascinante, o Sol nasce no mar.

 

Uma das primeiras sensações fantásticas que tive foi a forma como os brasileiros olharam para mim. Na Europa costumamos ser vistos como os menos desenvolvidos, os menos capazes, os menos instruídos. Aqui, no meu quotidiano e, principalmente, na empresa, sou encarada como a europeia, aquela que vive num país desenvolvido, aquela que tem acesso privilegiado à informação e ao conhecimento.

 

O facto de sentir que a minha bagagem cultural tinha um valor acrescentado aqui, deu-me uma enorme vontade de superar-me, de não desiludir, de mostrar que o nosso cantinho à beira mar tem um valor inestimável. Sei que todas as pessoas com quem me relaciono no Brasil ficam cheias de vontade de conhecer a minha terra, os sobreiros do Alentejo, as praias do Algarve, as pessoas do Norte, a luz fantástica de Lisboa.

O InovContacto é um programa para Conquistadores!

 

O Brasil é um continente, no seu tamanho, na sua multiculturalidade. Eu moro em Itu, uma cidade no interior de São Paulo, conhecida como a cidade dos exageros, temos um orelhão gigante na praça principal que, apesar da sua falta de interesse, já conquistou o meu íntimo. Porque é o postal de Itu. Porque Itu é, neste momento, a minha casa.

 

A experiência que estou a viver aqui é diferente da de alguém que esteja a morar e a trabalhar em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Amazónia ou em qualquer outra região do vasto território brasileiro. Aqui, conheço cada rua, cada casa, cada pessoa, e também elas me conhecem, as ruas, as casas, as pessoas. Sou a portuguesa de Itu.

 

Aqui tento ser caipira e adoro sê-lo, gosto de música sertaneja, acentuo os R’s e convido toda a gente para jantar em minha casa. Foi assim que fui recebida e é assim que quero receber. Talvez por sempre ter vivido em Lisboa, só agora entenda os encantos do interior, do movimento e stress a passar ao nosso lado e a deixar uma brisa agradável de distância e alheamento.

 

Mas não é por isso que se trabalha menos. Estou a trabalhar na Emfils, uma empresa de implantes dentários com uma pequena quota de mercado, mas uma grande ambição, sustentada na motivação de todos os seus colaboradores. Quando soube que trabalharia no departamento de Marketing de uma empresa brasileira de implantes dentários deitei as mãos à cabeça, no entanto, o seu produto e filosofia conquistaram-me. Mais ainda, a paixão de cada um lá dentro, desde o Director Geral ao assistente de produção é contagiante. Estou a concretizar o sonho que todos temos quando saímos da faculdade, o sonho de pôr em prática o nosso conhecimento, as nossas ideias, e constatar posteriormente que fazemos a diferença.

 

A experiência Inov Contacto tem sido fantástica! É duro estar longe do nosso Mundo, das nossas pessoas, daquilo que nos é familiar, mas é também muitíssimo enriquecedor! Não será pequeno deixarmo-nos morrer no mesmo local em que fomos colocados à nascença por uma qualquer predisposição divina? O Mundo é uma infinidade de possibilidades, de experiências arrasadoras que nos fazem crescer e evoluir a cada dia. Conhecermo-nos fora do nosso ambiente fetal é aventurarmo-nos a destruir barreiras, a criar novos Mundos, a saber quem realmente somos e o que poderemos ser.

 

É uma experiência profissional, claro, mas é simultaneamente um desafio pessoal a cada dia que começa, em que estamos sozinhos e em que lutamos por conquistar o nosso lugar ao Sol.

O InovContacto é um programa para Conquistadores!

 

 Rita Leotte – de havaiana no pé e espada na mão

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Sábado, 20 de Junho de 2009

Entre o Mediterrâneo e o Sahara

Pedro Caprichoso | C13

SECIL

Gabès  | Tunísia

 

Quando penso em “aculturação”, penso imediatamente na Língua, na Alimentação e – claro está – nas Pessoas. Comecemos pelas últimas:

 

As pessoas

 BRUSCAS VARIAÇÕES DE HUMOR. Esta é a característica que mais demarca os Tunisinos a nível pessoal. Tão depressa estão no fundo do poço – deveras deprimidos – como no topo da montanha – felicíssimos da vida. Exemplo disso foi o episódio que testemunhei pouco depois de chegar à Tunísia. Certo dia apareceu-nos à porta do gabinete um velhote com o ar mais simpático do mundo. Como apenas se conseguia expressar em árabe, um colega português conduziu-o, então, a um gabinete contíguo para, com ajuda, sabermos ao que vinha. Eis senão quando o velhote desata a gritar a plenos pulmões. Eu não os acompanhei, pelo que somente perscrutei os gritos. E deixem-me que vos diga que perscrutar gritos em Árabe é, seguramente, uma das coisas mais assustadoras que já

Uma mistura enjoativa de catinga, perfume roscofe e fruta
experimentei nesta vida. O motivo da altercação não é para aqui chamado. Importa apenas dizer que senti uma pena terrível do homem. Se os gritos deste velho tiveram este efeito em mim, nem quero imaginar o que será assistir, por exemplo, em Gaza, à histeria dos nossos irmãos Palestinianos quando os vemos na televisão a carregar os seus mortos. As pessoas são assim mas é assim que eu gosto delas. São mais verdadeiras.

 

FORMAIS. Esta é a característica que mais define os Tunisinos a nível profissional. São muito formais – capazes de perder meia-hora a formatar um rodapé – mas depois têm alguma dificuldade quando chega a hora de arregaçar as mangas e passar à prática. Os portugueses, pelo contrário, são conhecidos pelo desenrasca e por fazer as coisas em cima do joelho. Conseguem ver a distância que nos separa? E a que nos une? O trabalhador português vê uma fuga de óleo e é capaz, ele próprio, de tentar resolver o problema, acaso sozinho, acaso sem conhecimento do seu superior, e acaso privado do necessário equipamento de protecção, habilitando-se assim a entrar para a estatística como mais uma vítima de acidente de trabalho. Quanto ao Tunisino, este apercebe-se da fuga, ignora-a – pois está quase na hora do almoço e a fome aperta – e só depois, só lá mais para o fim da tarde, se se lembrar, é que informa o seu superior da ocorrência. Sinceramente não sei o que é o melhor: se um Tunisino indolente se um Português chico-esperto. Sei apenas isto: somos tão diferentes (e no fundo tão iguais). Somos irmãos.

 

A Língua

 VERBO ÊTRE. Verbo que tanto designa “ser” como “estar”. E é justamente nesta dupla função que está o busílis da questão para um tipo como eu, que fala traduzindo literalmente do português para o francês. Chegará o dia, oxalá, em que tal não será necessário e o meu francês equiparar-se-á ao do Barroso em Bruxelas, saltando deste para o Inglês e do Inglês para este com a mesma facilidade com que o mesmo saltou de Primeiro-Ministro de Portugal para a Presidência da Comissão Europeia. Mas por enquanto é assim, na base do desenrasca, que me tenho safado.

 

Estar com fome conta como atenuante, mas não explica tudo. Expliquemos pois: pouco passaria da uma da tarde quando eu estava no gabinete do G. e este me pergunta: “Vamos almoçar?”. Ao que respondi: “Oui, parce que je suis «faime». “Como é que é?”, inquiriu G. de pronto. Após o que desatou às gargalhadas, como se vitimado por um ataque de cócegas. Se – comecei eu a pensar com os meus botões – je quer dizer “eu”, se suis quer dizer “estar” e se faim quer dizer “fome”, então Je suis faim quer dizer: “Eu estou com fome”. Certo? Errado. Em primeiro lugar, porque em francês apenas se utiliza o verbo Avoir (Ter) em conjugação com a palavra faim (fome). Em português, pelo contrário, tanto se utiliza o Ter como o Ser: tanto posso ter fome como estar com fome. E depois, como já devem ter reparado, porque aqui o taralhoco pronunciou mal a palavra faim: em vez de faim saiu “faime”. A última sílaba (me) é claramente uma reminiscência da palavra em português (fome). "Faime" não existe mas assemelha-se bastante à palavra femme, que em francês significa “mulher”. Ou seja, no fim de contas, o que eu disse foi: “Sim, porque sou mulher”. Frase que G. depois fez o favor de espalhar aos sete ventos, desde logo a começar pela cantina, onde almoçámos. Hoje, dois meses após o incidente, ainda há quem passe por mim e me pergunte: “Então, ainda tens fome?”

 

A Alimentação

CONDIMENTOS. Passadas duas semanas após a minha chegada à Tunísia, comecei a detectar um cheiro esquisito. Para onde quer que fosse, lá estava o mesmo cheiro: em casa, no carro, no trabalho… Uma mistura enjoativa de catinga, perfume roscofe e fruta em avançado estado de decomposição. Mas donde vem este pivete? Fiquei com esta pergunta na cabeça durante mais de um mês, pergunta para a qual apenas encontrei resposta na semana passada. Resposta: de mim próprio. É um facto científico que a alimentação determina o nosso cheiro. Já havia lido qualquer coisa sobre o assunto, pelo que bastaria somar 2 + 2: a alimentação determina o nosso cheiro + mudança de hábitos alimentares = mudança de cheiro. Aparentemente, a alimentação assaz condimentada faz-me cheirar a uma mistura enjoativa de catinga, perfume roscofe e fruta em avançado estado de decomposição. O cheiro é mau mas a comida é óptima.

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Filho adoptivo da mãe Rússia

João Campos | C13

Logoplaste

Novomoskovsk - Rússia | Olomouc - Rep. Checa | Elst - Holanda

 

Desde que me lembro de olhar o mapa do mundo, a Rússia, além de o dominar, sempre me transmitiu um silêncio profundo e uma certa sensação de medo. Na minha cabeça, a imagem de uma Rússia formada através dos media, um monstro de guerras, crispações politicas, uma democracia pouco livre, a máfia, mendigos na rua, milionários a jogarem dinheiro fora, ou o

aos poucos sinto-me a ir para casa, porém, com mais bagagem para compreender as pessoas e o mundo
retrato dos filmes do James Bond com agentes maléficos do KGB, bandidos impiedosos, mulheres vorazes, guarda-costas durões, cientistas chanfrados…

 

A minha inquietação começou ainda em Portugal, à minha espera um cenário destes e um alfabeto muito diferente do que havia aprendido em cadernos de duas linhas. Fácil, foi só mesmo perspectivar o quão penosa iria ser a minha adaptação, tão penosa como o longo, demasiado longo e castigador inverno russo.

 

Ainda antes de partir, lembro-me de ter publicado no facebook, “Rússia, I am hot enough to melt your snow!”. Ao aterrar na imponente Moscovo, cedo me apercebi que, este «chegar, ver e vencer» romano, não era adequado a um país de cultura tão abastada, personalidade tão vincada e a uma história de perder a memória. Humildemente, arrefeci o temperamento, enfiei a carapuça e aprendi a caminhar nas manhas do solo gelado.

 

Esta foi a minha forma de sobreviver na Rússia, adaptando-me, aceitando as diferenças, tentando percebê-las, mas nunca afogando a minha personalidade. Afinal, o meu temperamento nunca baixou dos 0ºC, a carapuça era apenas um gorro para me aquecer e a caminhada tinha ginga de portuga. Também era assim que eles me aceitavam, na diferença e no respeito, sendo que a nossa relação foi muito além do mútuo respeito - houve empatia, amizade e afeição, havendo nisso muita culpa da curiosidade russa.

 

Em Novomoskovsk, onde eu morava, a 300kms de Moscovo, numa Rússia pobre e profunda, os portugueses eram o tema de conversa da aldeia, um estrangeiro era coisa rara naquelas bandas, eu sentia-me observado mas sem hostilidade, já que para eles eu era uma boa fonte de informação sobre o exterior, abordavam-me e aproveitavam para fazer perguntas, muitas perguntas de Portugal e, na conversa, entre gargalhadas e barreiras da língua, interessava-lhes também a minha opinião sobre a Rússia. A minha resposta era ponderada e ao encontro do que eles queriam ouvir, pois não há coisa pior, para este povo nacionalista, do que maltratar a própria pátria. O povo russo é muito emocional, de sentimentos extremados e destes eu preferia o amor ao ódio.

 

Sentia que a evolução da minha integração esbarrava na comunicação, o inglês era capricho das gentes endinheiradas de Moscovo e de um ou outro iluminado. Foi então que me empenhei em aprender a língua de Tolstoi. Estudava à noite em casa e, no autocarro, à ida para a fábrica, massacrava o paciente Alexander – o meu mestre russo improvisado que arranhava um inglês tosco. Ele não se importava com as aulas grátis, aliás, tinha aquele feitio russo sempre pronto a ajudar. À medida que o meu russo evoluía as coisas ficavam mais fáceis e as relações aprofundavam-se. Quando comecei a trocar um “Hi!” por um “Priviet!”, eles apreciaram a dedicação, e quando comecei a construir frases e até pequenas conversas, era como se me abrissem os braços da adopção. No ginásio, aqueles que, ao princípio, me pareciam bestas de coração de aço, quando comecei a soltar vocábulos em russo, desfaziam-se em simpatia, e essa é uma característica bem russa, por detrás de uma expressão rígida e fria está um carácter humano e caloroso.

 

Aos poucos, os meus fantasmas dissipavam-se e eram substituídos por experiências gratificantes. Só mesmo a pasmaceira própria de uma vila (que parece aldeia) e o clima se armavam em desmancha-prazeres e testavam a minha resistência. O antídoto contra a pasmaceira era os fins-de-semana, quase sempre, passados em Moscovo, autênticas lufadas de progresso europeu.

 

Agora estou na República Checa e daqui a uma semana vou para a Holanda. Aos poucos sinto-me a ir para casa, porém, com mais bagagem para compreender as pessoas e o mundo.

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

A virgem cidade cosmopolita - Dubai

Tiago Soares, C13
 
Aicep
 
Dubai, Emirados Árabes Unidos
 

Este post irá transcrever uma realidade, para muitos desconhecida em torno das ilimitações surpreendentes desta terra das arábias onde as tempestades do deserto invadem por vezes uma cidade, que alberga à volta de 1.4 milhões de habitantes,  no qual os emiratis (árabes) apenas representam uma pequeníssima fatia do bolo (10% da população total), recheado de várias culturas provenientes de todo o mundo, os chamados "Expats",  ou em português Expatriados.

Dubai, um dos sete emirados que constituem a federação dos Emirados Árabes Unidos, localizado na costa Oeste do Golfo Pérsico, é governado por Sua Majestade Sheikh Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, Vice Presidente e Primeiro Ministro dos EAU.

Este Emirado é considerado o "paraíso" do Médio Oriente, assumindo-se como um centro de excelência ou de luxo dos universos empresarial e turístico.

 

Negociar ao limite

Os primeiros dia e semanas foram uma luta constante à procura de apartamento para os próximos 6 meses de estada, onde um agente de imobiliário oriundo do Paquistão, com um inglês um pouco complicado de entender, nos tentava passar a perna em todos os apartamentos que visitavamos.

Por mais voltas que dávamos ao tabuleiro do “Monopólio” acabavamos sempre na mesma casa.

Aqui o negociar é a palavra-chave, é mostrar ao vendedor que nós somos os donos do valor final, do bem que iremos possivelmente adquirir.

O negócio é feito, literalmente, com a máquina de calcular à frente. Exemplifico por passos:

1º - O vendedor coloca o preço do bem na máquina.

2º - Pegamos na máquina, apagamos esse valor e colocamos o nosso valor irrisório.

3º - Ele não concorda e escreve um valor mais baixo, imaginemos 30%.

4º - Pegamos pela última vez na máquina e retiramos deste último mais 20%.

5º - Negócio fechado.

 

Trajes, Máscaras, Saudações e o adhan

Os homens árabes ou emiratis, usam umas  túnicas brancas de nome Dish Dash, que servem mais como afirmação do povo: “Eu sou Emirati”, aplicando-se o mesmo conceito à mulher emirati.

Neste caso, as mulheres  andam, por norma, cobertas de cima a baixo com um vestido negro, “Abayah”, cobrindo parcialmente ou totalmente a cara, tendo algumas uma máscara de ferro, sinal de que são pessoas idosas

É curioso assistir às saudações normais entre árabes amigos, que se beijam três vezes na cara, ou tocam com a ponta do nariz no ombro do amigo.

Num país onde a religião islâmica está presente, existe uma grande proliferação de mesquitas espalhadas pelo Dubai, que no alto dos seus minaretes, Muazzin a pessoa encarregada de pronunciar o Adhan (chamamento a oração), convida a comunidade muçulmana a dirigir-se para as rezas diárias. Absolutamente imponente.

 

“Can you spell it, please?”

Durante este estágio um dos aspectos mais complicados que encontrei, foi compreender o inglês de muitas pessoas, sendo que estamos num país onde as nacionalidades mais visiveis são oriundas principalmente do sul da Ásia, como Índia, Filipinas, Paquistão, Cazaquistão, Bangladesh, entre outras.Todos os nomes eram estranhos e díficeis de pronunciar, e ainda hoje o são.

Coloco como exemplo os telefonemas a empresas, as pessoas que conhecemos nas feiras,exposições, nas horas de lazer, etc. Uma vez ao telefone perguntava o nome da pessoa e ela limitava-se a responder: "Ya ya". Após alguns segundos e alguns risos de ambos, pedi para que soletrasse o seu nome, resultado final: "Yaha".

Interessante!!!

 

O Dubai tem duas faces inter-relacionadas:

1ª ) Extravagância, modernismo e avanço tecnológico;

2ª) pobreza, exploração e humilhação.

 

Ambas as faces, são caracterizadas pelas contínuas e gigantes infra-estruturas que este emirado possui, alimentando-se da mão de obra barata, proveniente de países como: Filipinas, Índia, Paquistão e Bangladesh. Estes trabalhadores vivem em condições absolutamente desumanas, em barracas afastadas do centro da cidade e perto do deserto.

Não me alongo mais nesta história, caso estejam interessados visitem o link infra: 

http://www.youtube.com/watch?v=1G--pYzttkY&feature=fvst

 

Algumas Frases e Palavras soltas do Dubai:

Religião oficial: Islão.

Excelentes oportunidades comerciais.

Linguagem empresarial: Inglês e Árabe 

IRS não existe.

Duas estações: Primavera e Verão.

Alojamento é extremamente caro.

"Palete" de nacionalidades.

Carros luxuosos.

Muitos táxis, poucos autocarros...

Consumo de Alcool: Bares, Hoteis e alguns restaurantes.

Palmeiras

 

Curiosidades:

 A capital é Abu Dhabi.

O Dubai não tem reservas de petróleo nem gás.

Abertura prevista do Metro: 09-09-2009.

O Burj Dubai (edificio mais alto do mundo) estará terminado em finais de Agosto.

O "Mapa Mundo" ainda não nem sequer está construído.

Os condutores buzinam para tudo e mais alguma coisa.

Apenas existe uma loja especializada(MMI) para comprar álcool.

Só é permitida a venda de álcool com uma licença, atribuída a residentes.

Há um restaurante suspenso a 50 metros de altura.

Em algumas praias, paga-se 5 AED equivalente a 1 euro.

Há camelos nas praias.

A água do mar é um caldo autêntico.

Bares e Discotecas fecham às 03h.

As bebidas são caras.

O tabaco é barato.

Um dos locais mais seguros do Mundo.

 

Esta experiência proporcionada pelo programa INOV CONTACTO, abriu os meus horizontes e levo na bagagem boas e más recordações, com vista a num futuro próximo regressar...ou, quem sabe, ficar mais um ou dois anos.

 "Who Knows???" 

 Para os mais curiosos: visitem os seguintes blogs dos três estagiários desta última edição, C13:

http://dubaiano.blogspot.com 

http://doandbuy.blogspot.com

http://dubairro.blogspot.com

 

"Triumphs whoever stands firm...And for his right fight"

 

  H.H. Sheikh Mohammed Bin Rashid Al Maktoum

 

Dedico este post a todos os inóvios espalhados pelo Mundo. 

 

publicado por visaocontacto às 08:34
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Um olhar sobre as Astúrias

Pedro Cadete | C13
Inmofocus / Janela Digital
Barcelona | Espanha
 

Se hoje existe Portugal, podemos agradecer aos povos que outrora habitaram nesta região montanhosa e que iniciaram o movimento cristão no início no século VIII, que visava a recuperação das terras perdidas para os árabes muçulmanos, durante a invasão da Península Ibérica, por parte dos visigodos cristãos.

Aos muçulmanos faltava ocupar a região montanhosa das Astúrias, onde resistiram muitos refugiados; aí surgiu Pelágio (ou Pelaio) que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente o movimento de reconquista do território perdido. Graças a este herói, hoje, podemos orgulhar-nos do nosso pequeno país à beira mal plantado.

O Principado das Astúrias é uma comunidade autónoma uniprovincial de Espanha. É um principado por razões históricas e o herdeiro do trono Espanhol goza precisamente o seu título, Príncipe das Astúrias. A capital das Astúrias é Oviedo mas é Gijón a cidade mais povoada.

A província das Astúrias está situada na costa norte da Espanha. Delimitada, a oeste da província de Lugo (Galiza), a leste pela Cantábria, a sul pela província de León (Castilla y Leon) e ao norte pelo Mar Cantábrico.

Embora o castelhano seja a única língua oficial do Principado, a língua nativa é o Asturiano que, embora não goze de estatuto oficial, é reconhecido como tal pela Organização das Astúrias, de acordo com a sua legislação e estatuto autónomo.

Vários historiadores, psicólogos, sociólogos,… referem que a Cultura Popular não vive em livros ou museus e não necessita de ser protegida e conservada por alguém a tempo inteiro.

A Cultura Popular e milenar que se vive nesta região é uma cultura quase em estado selvagem, que brota em cada rua por onde se passa e por cada paisagem que se fotografa - afinal estamos numa terra de mitos e lendas que deram origem a um mundo de mistérios onde vivemos.

O isolamento secular das Asturias teve a virtude de preservar essa riqueza cultural de um valor incalculável, conservada entre as montanhas, em cada casa que por ali se encontra, e em cada pessoa que se conhece nestas ruas.

A economia da comunidade autónoma das Astúrias, emprega 6% da força de trabalho no sector primário em actividades como a criação de carne de bovino, agricultura (milho, batatas e maçãs) e pesca. O sector secundário emprega 30% da população, através de actividades ligadas ao sector mineiro, siderurgia, energia, construção naval, armas, produtos químicos, equipamento de transporte, etc .

O sector terciário absorve 65% da população e está em  crescimento, o que é sintomático da concentração de população nos centros urbanos e da importância que o turismo adquiriu na região nos últimos anos. Apesar da mudança que atingiu a comunidade industrial nas últimas décadas, a renda per capita tem aumentado acima da média nacional de mudar para 19.868 € em 2006 (89,7% do PIB per capita no país).

A província de Astúrias conta com 1.080.138 habitantes (INE 2008), o que representa 2,38% do total nacional. A densidade populacional é de 101,4 habitantes por km2, sendo ligeiramente superior à média nacional.

Regista a mais alta taxa de mortalidade de Espanha (12 por mil) e a mais baixa taxa de natalidade (6 por mil).

Nos últimos anos temos assistido a um esforço do governo local em “reciclar” pessoas ligadas ao sector mineiro em declínio, para as formar, dando-lhes novas oportunidades no sector do turismo. Mas apesar deste esforço governamental, a população tem migrado para outras províncias em busca de trabalho e melhores condições de vida.

Os estrangeiros aqui presentes são, em média 2,81% (INE 2006), menos que a média nacional. Sendo perto de 15% de origem equatoriana, 9% colombiana e 7% portuguesa.

Actualmente, a nível individual destacamos o piloto Fernando Alonso, duas vezes campeão do mundo de Formula 1 nos anos de 2005 y 2006 e ainda o ciclista Samuel Sánchez, medalha olímpica de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

Sobre a cozinha Asturiana, quem visitar esta região deve provar as comidas típicas daqui, muitas delas receitas milenares. Os enchidos, “chorizo”, a “bolla”,” bollos preñaos”, o pudim de arroz, a “fabada”, entre outros que devem acompanhar com o vinho da região ou então a cidra local.

Porquê escolher as Astúrias para implementar um negócio? Pelos apoios governamentais, por ser uma das regiões que melhor se tem adaptado à evolução dos mercados e sobretudo pelos recursos humanos disponíveis, gente simples, trabalhadora e muito hospitaleira.

publicado por visaocontacto às 15:57
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

É um orgulho ser Contacto!

Gonçalo Rebelo de Andrade

Elan Pharmaceuticals

EUA

 

Ao terminar o meu doutoramento em Bioquímica na Alemanha debatia-me com o que gostaria de fazer, qual o rumo a tomar e como lá chegar. Já conhecia o programa Contacto, através de outros contacteantes e todos eles contavam maravilhas e como o programa lhes tinha mudado a maneira de ver o mundo e de certo modo a vida, pelo abrir de olhos para outras realidades. Como seriam estágios em empresas no estrangeiro e tinha chegado à conclusão que queria continuar o meu caminho na via empresarial, concorri ao Programa, mesmo sabendo que poderia ser altamente competitivo.


Após a fantástica prova do Planks e alguns meses de espera veio finalmente a resposta. Positiva!!! O que me deixou radiante e entusiasmado! Era A oportunidade para adicionar ao meu completo percurso académico uma experiência relevante numa empresa no estrangeiro, dentro da minha área científica! Tratei logo de investigar quais eram as empresas onde os C12 e C11 tinham estado, para ter uma ideia de quais seriam os meus potenciais destinos. Quando no final do campus, em Dezembro, me foi anunciado que viria para os EUA fiquei delirante e um pouco desconcertado com a empresa atribuída, pois não sabia nada sobre a Elan Pharmaceuticals.

 

Nem tão pouco para que cidade iria. Ao saber que seria para a cidade gémea da Lisboa das 7 Colinas, com os eléctricos da Powell e a sua imponente Golden Gate nem queria acreditar. Nesse mesmo dia à noite escrevi aos C12 que lá estavam e apercebi-me do papel de liderança que a Elan Pharmaceuticals tem no mundo das doenças neurodegenerativas. Ainda hoje devo ter os braços marcados de tanto me beliscar nesse fim de semana.
Os primeiros contactos com a empresa foram muito cordiais e a minha futura supervisora muito prestável e profissional, até no envio do projecto que me esperava.

 

O que não esperava, de todo, foi a diferença abismal de benefícios para os trabalhadores que a empresa oferece – desde transporte, passando por refeições e pequenos almoços, happy hour e, muito em breve, ginásio e restaurante. Apesar de ter havido já algumas mudanças estruturais na empresa e alguns projectos terem sido descontinuados por ter havido uma refocalização em áreas core, a experiência na Elan Pharmaceuticals está a ser uma mais valia, não só pelo skill set laboratorial que estou a desenvolver mas também pela intensa componente prática de vida empresarial com que me deparo no dia a dia e me permite melhorar as minhas soft skills, adaptação e flexibilidade, cumprindo metas ambiciosas. Do mesmo modo permite-me ter um contacto directo com a realidade de uma economia depressiva e quão determinante é o ambiente económico na rotina empresarial.

 

O Programa Inov Contacto abriu-me as portas dos EUA e tem, não só permitido o aumento exponencial da minha rede de contactos, tanto neste mercado, como noutros, mas também a valorização pessoal, abrindo as portas para uma transição para o ambiente empresarial. Neste aspecto o Programa Inov Contacto tem sido surpreendente, excedendo as expectativas mais optimistas. Os relatos dos contacteantes, inclusive este, só pecam por defeito. É, realmente, uma experiencia inesquecível!

 

 

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Um olhar sobre Moçambique

Cristiana Santos | C13
 
Companhia Agrícola João Ferreira dos Santos
Ilha de Moçambique | Moçambique
 
 
Chegada a Nampula e ida para a Ilha de Moçambique
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ilha de Moçambique
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fazenda Muchelia (local de trabalho)
 
 
publicado por visaocontacto às 12:28
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Sábado, 18 de Abril de 2009

Cabo Verde - Um caso de sucesso

Sofia Barata Cardoso | C13

Efectivo Business – Consultoria e Investimento SA.,

Cabo Verde

 

Cabo Verde é considerado um mercado economicamente estável, resultado da gestão macroeconómica efectuada nos últimos anos. O elevado grau de Investimento Estrangeiro e as relações que são mantidas com o mercado Português, conduz a que sejamos o maior parceiro comercial de Cabo Verde. Aliás, segundo as estatísticas, Cabo Verde é o décimo oitavo mercado para a exportação portuguesa, em termos gerais, e o sétimo fora da Europa.

A visita do 1º Ministro, José Sócrates, à cidade da Praia, onde me encontro a estagiar, decorreu entre os dias 12 e 14 de Março e veio reforçar as oportunidades para futuros investimentos e cooperação entre os dois países.

Com um leque de razões para novas oportunidades de Investimento – como a estabilidade económica e financeira já referida, a situação geográfica privilegiada e a quantidade de mão-de-obra disponível (com um nível de produtividade significativo) – Cabo Verde é considerado um mercado aliciante.

Durante esta visita deslocaram-se à cidade da Praia vários representantes de grandes grupos empresariais Portugueses, tais como o grupo Portugal Telecom, Caixa Geral de Depósitos, Efacec, Sumol, entre outros.

Apesar de já existir um elevado número de empresas Portuguesas neste mercado, a vontade de crescimento e de cooperação económica e empresarial é significativa. Exemplo disso é o caso da PT que está presente em Cabo Verde há 13 anos, através da participação efectiva de 40% do capital social da Cabo Verde Telecom (empresa operadora de telecomunicações públicas que presta serviço telefónico e móvel, nacional e internacional em Cabo Verde), que até agora já investiu um total de 140 milhões de euros, pretendendo ainda investir 50 milhões de dólares na construção de um cabo submarino de fibra óptica.

 

O meu estágio decorre na Efectivo Business – Consultoria e Investimento SA., empresa que desenvolve projectos na área da consultoria e contabilidade. Presente em Cabo Verde desde 2006, possui um vasto conhecimento do mercado e do seu funcionamento, factor que me tem permitido alargar a minha experiência no mundo empresarial, numa realidade bastante diferente que de, outra maneira, não seria possível.

Neste mercado, os sectores com maior índice de investimento e novas oportunidades são os da construção, transportes e comunicações. No entanto, o sector dos serviços financeiros e bancários tem vindo a apresentar maiores índices de crescimento, o que pode ser verificado pelo aumento dos activos líquidos do sistema bancário de Cabo Verde nos últimos anos.

 

Tendo em conta todos estes factores, Cabo Verde é considerado um exemplo de sucesso e sinto-me privilegiada por assistir à celebração de novos acordos de cooperação entre Portugal e o País que me acolhe nesta edição do Inov Contacto!!

 

 

Fontes:

Jornal A Semana

Jornal Expresso das Ilhas

Banco de Cabo Verde

Portal do Sistema Estatístico Nacional de Cabo Verde

 

 

publicado por visaocontacto às 08:24
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Cabo Verde é Sabi!

Sónia Sousa | C13

Consulgal

Cidade da Praia | Cabo Verde

Há tempos, num concerto de um conhecido artista local dizia ele, entre músicas, que Cabo Verde era tão bom que nem a crise cá chegava.

O que pode soar como uma piada ou senso comum tem, na realidade,   fundamento a nível económico.

O facto é que, apesar de o mundo inteiro viver tempos conturbados a nível económico, Cabo Verde tem contrariado esta tendência e encontra-se numa trajectória de crescimento.

A economia de Cabo Verde tem vindo a prosperar nos últimos anos, resultado de uma conjuntura externa favorável, de políticas económicas adequadas e do crescimento do investimento estrangeiro.

Não leva muito tempo a perceber que, apesar deste crescimento, ainda muita coisa falta ou falha no país.

O fenómeno da globalização  trouxe consigo profundas mudanças económicas e sociais, levando a que se encarassem novos problemas e desafios.

Vivemos, indubitavelmente, numa economia baseada no conhecimento, com cada vez mais competitividade e com tendência para o regionalismo, ao invés da especialização sectorial.

Para uma região sobreviver e se desenvolver neste contexto, é necessário que as fraquezas e as ameaças sejam transformadas em oportunidades.

Assim, cada uma das lacunas que existem em Cabo Verde é passível de se tornar uma oportunidade de negócio para alguém com espírito empreendedor e capacidade de investimento.

A falta ocasional de luz (derivada da total dependência do exterior quanto a fontes de energia primária), a precariedade dos sistemas de distribuição de água e tratamento das águas residuais, a falta de infra-estruturas de transporte, ou mesmo, o fraco nível de Serviços Bancários (existindo cerca de 1 balcão para 8775 habitantes) indicam a necessidade de reforçar estes serviços no país.

Além destas, muitas mais situações podem ser referidas.

A nível da indústria, existem diversas oportunidades: desde o ramo das confecções e do calçado até aos produtos alimentares.

É fácil perceber esta necessidade quando são comuns as queixas de que para comprar alguma peça de roupa todos os caminhos vão dar ao Mercado de Rua do Sucupira, ou quando de repente se tem de mudar o menu do jantar por falta de ingredientes específicos.

O sector da construção, em franco desenvolvimento, também carece da produção interna dos materiais utilizados, tendo de recorrer a importações para tal (o que encarece o preço das habitações).

Também ao nível dos serviços se verificam vastíssimas oportunidades: actividades de apoio ao turismo e à indústria, zonas francas comerciais, transportes colectivos de passageiros, serviços de apoio às diferentes áreas de negócio e muito mais.

No entanto, uma das oportunidades que mais destaco relaciona-se com as energias renováveis. Tendo em conta o clima do país (com sol durante o ano inteiro e, em certas alturas, ventoso) e a urgência em arranjar soluções que colmatem as falhas energéticas, é de lastimar que não se aproveite, ainda, o potencial do país em termos de energias renováveis.

A taxa de crescimento nacional do consumo de energia é de cerca de  12%. Para fazer face ao consumo energético e garantir uma margem de segurança operacional, a capacidade instalada teria que aumentar a uma taxa de 20% ao ano.

A concessionária nacional não será, a curto prazo, capaz de responder com um plano de investimentos que cubra um aumento pronunciado do consumo. A concessionária detém o monopólio da distribuição de energia e água, mas a produção está aberta à concorrência.

Assim, seja através de energias renováveis ou de outras hipóteses alternativas, esta é uma questão premente no que diz respeito às necessidades de fornecimento.

A economia cabo-verdiana oferece cada vez mais e mais variadas oportunidades de negócios, em sectores cada vez mais diversos.

É importante também realçar que, além de existirem essas oportunidades, o próprio país tem condições favoráveis à sua materialização: regista um elevado crescimento demográfico, tem uma situação geográfica privilegiada, estabilidade política e social, liberdade económica e parcerias económicas importantes que levam ao acesso preferencial a alguns mercados  e diversos incentivos ao IDE.

Esta conjuntura de oportunidades e incentivos tem levado a que cada vez mais países olhem para Cabo Verde como um Mercado promissor e a apostar: no presente e no futuro.

Cabo Verde é Sabi! Alguns de nós já o descobriram. E você? Está à espera de quê?

publicado por visaocontacto às 09:00
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Sucesso em tempos de crise

Débora Cruz | C13

Homelidays

França

 

Numa altura em que a palavra crise já se tornou parte do quotidiano, a França não é excepção e, nos dias que correm, já  se faz um esforço para ver la vie en rose.

Os dados mais recentes revelam que a actividade económica em França caiu 1,2 % no último trimestre de 2008 e, em 2009, as previsões não são mais animadoras, estimando-se uma recessão de um ponto percentual.

À semelhança do que ocorre noutros países, a indústria é um dos sectores mais afectados, mas outros factores têm contribuído para este decréscimo da actividade, como a redução massiva de stocks por parte das empresas e a queda das exportações. Contudo, há quem diga que o pior já passou.

Na verdade, uma crise é sinónimo de mudança e as empresas francesas já se começam a adaptar aos novos desejos do mercado.

Começa a verificar-se uma crescente procura por “pessoas diferentes”, fruto de uma necessidade cada vez maior de inovação, de novas ideias e de personalidades flexíveis, capazes de compreender o mundo e a sua complexidade. Os valores sociais também estão a mudar e aqueles que se preocupam apenas com números e com rentabilidade vêem o seu posto ameaçado após esta catástrofe financeira.

Vários são os sectores que aproveitam a crise como forma de reunir esforços e vencer.

As energias renováveis, os serviços electrónicos e as empresas low cost  são disso exemplo em terras gaulesas.

Os consumidores franceses optam, cada vez mais, por produtos amigos do ambiente e o governo francês, assim como a Europa, reforçam esta tendência criando regulamentação adequada. Desde edifícios que visam reduzir o consumo de electricidade e calor, até à Informática, que promete computadores ecológicos, a era do verde está verdadeiramente en vogue!

A crise também não está presente no e-business. O comércio electrónico prospera, o e-marketing revoluciona a publicidade e várias são as empresas em França a desenvolver plataformas para criar o seu negócio on-line.

A crise contribui ainda para a emersão de um novo mercado. Depois das viagens e da alimentação, já bastante divulgadas, pode agora encontrar-se um vasto leque de produtos e serviços a baixo custo. A Banca, o sector automóvel, as telecomunicações e muitos outros sectores, já perceberam que o preço é, em tempos de crise, um dos factores de maior influência na escolha dos consumidores.

Toda esta conjuntura é, por isso, propícia ao crescimento e sucesso de casos como o da Homelidays, empresa francesa sedeada em Paris, pensada e desenvolvida para a mediação de negócios de arrendamento de casas de férias entre particulares, através da Internet. O conceito é bastante simples: um site onde as pessoas possam anunciar os seus próprios apartamentos e casa de férias, de maneira credível, sem grandes custos e que garanta, ao mesmo tempo, aos turistas que procuram um alojamento num lugar desconhecido, uma maior segurança. Partindo desta ideia, a empresa foi crescendo e é actualmente nº1 na Europa na sua área de negócio.

 É curioso que uma empresa virada para as férias e para o lazer esteja a ter tão bons resultados numa altura de crise?

Só nos prova que, saber utilizar a criatividade, ter um espírito empreendedor e não temer desafios são sempre factores que nos levam ao sucesso, mesmo em tempos de crise...

publicado por visaocontacto às 20:00
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Tendências e oportunidades de Negócio em Cabo Verde

Carla Barrias  |  C12
 
Grupo Pestana  |  Cabo verde
 

A economia cabo-verdiana tem progressivamente apresentado melhorias, associadas a conjunturas extremamente favoráveis, tanto externas como internas.

 

Com as economias desenvolvidas em crise, economias em desenvolvimento, como Cabo Verde, o interesse de investimento é acrescido. Não somente a conjuntura económica externa faz deste país um destino atractivo como internamente existe um conjunto de factores igualmente atraentes: demograficamente, a população é jovem, cerca de 60%, apresentando ainda um IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – (elemento de riqueza humano) elevado, estando no 3º lugar do ranking africano; a sua localização geoestratégica, situada no Atlântico, entre a Europa, as Américas e África, permite um acesso privilegiado e facilitado a mercados externos; por último o contexto político e social (elemento de extrema relevância) é estável, possuindo políticas económicas adequadas – estabelecendo acordos de acesso preferencial a mercados externos (UE – Acordo de Cotonou; CEDEAO – Tratado da CEDEAO; EUA – Acordos SGP e AGOA, e Canadá Nova Iniciativa para África) e ainda políticas de incentivo ao investimento externo – isenções fiscais e aduaneiras, transferência em divisas para o exterior de dividendos e lucros, garantias geradoras de confiança e de segurança na economia.

 

Esta convergência criou diversas oportunidades de negócio, nomeadamente em sectores imperativos ao desenvolvimento como: a Energia, Águas, Infra-estruturas de Transportes, Turismo e Banca.

 

Numa visão geral:

 

- A Energia possui uma grande dependência face ao exterior, em energias primárias (i.e. o petróleo), no entanto existem já projectos para colmatar esta lacuna através do aumento dos parques eólicos, assim como na criação de plataformas de energia solar, com metas de produção de 25% e 2%, respectivamente, numa fase inicial;

 

- As Águas, igualmente deficitárias, pela fraca percentagem de pluviosidade, pelo défice de distribuição, funcionando ainda em sistema de fontanários públicos e por último pela drenagem e tratamento de águas residuais ser somente efectuado em dois centros urbanos, Mindelo (S. Vicente) e Praia (Santiago). É pretendido duplicar a produção de água dessanalizada, até 2010, procurando para tal parcerias público/privadas;

 

- O sector bancário, com pouca expressão até há cerca de 3 a 4 anos, desde 2006 que apresenta uma elevada liquidez, justificada pelo crescimento continuado do PIB, de acordos económicos criados, a abertura de novas empresas estrangeiras  e nacionais, assim como ao aumento de utilização de produtos bancários da população;

 

- Especificamente no Turismo (área de formação), assiste-se a um aumento tanto ao nível do turismo de lazer;

 

Em 2007 Cabo Verde albergou cerca de 312.880 turistas (dos quais 45.692 internos) repartidos entre portugueses (19%), que procuram Cabo Verde no Verão, fim-de-ano e Páscoa; britânicos (14.9%) – uma recente origem – italianos (14.8%), que visitam o arquipélago ao longo de todo o ano; alemães (10%); franceses (7.6%), sobretudo no Outono/Inverno; espanhóis (2.8%), que apresentam tendência de crescimento significativa; holandeses e belgas (2.5%); americanos (1.6%); suíços (1%) e outros (25.8%), no entanto as infra-estruturas hoteleiras ainda se mostravam muito aquém da procura.

 

Como destino maioritariamente procurado para turismo de lazer é a Ilha do Sal que representa a maior percentagem de entradas de turistas por ilhas cerca de 61.4%, onde o valor abaixo mais significativo é representado pela Ilha de Santiago, muito justificado pela forte presença do turista de negócios e por a capital estar aí situada -19.4% (São Vicente: 7.8%; Boavista: 5%; Santo Antão: 2.4%; Fogo: 2.1%; Maio: 0.8%; São Nicolau: 0.6%; Brava: 0.5%).

 

Atende-se no entanto à reabilitação das estradas existentes, bem como a modernização e extensão da rede de estradas do país; sendo dado um especial enfoque à melhoria das acessibilidades rodoviárias em Santiago, Fogo, S. Antão, Brava e S. Nicolau de forma a potenciar o turismo rural nessas ilhas.

Relativamente às vias de transporte marítimo, estas são uma variável estruturante do turismo, permitindo a unificação da rede de ilhas do país no transporte de passageiros e carga, assim como aumentar o tempo de estada e a diversidade de destinos dos turistas. Deste modo, existem projectos para construções de portos em todas as ilhas (prioridade à ilha da Boavista, do Sal e do Maio devido às necessidades de transporte de carga e de passageiros, bem como o abastecimento dos estabelecimentos hoteleiros aí existentes).

 

Através destas medidas pretende-se uma diversificação do produto turístico, complementando o conhecido sol/praia, aproveitando a morfologia geográfica variada e o património histórico e arquitectónico, para a exploração do potencial do turismo de natureza, do turismo de circuitos (históricos e religiosos), turismo cultural e do turismo de negócios.

 

O objectivo é atingir 500 mil turistas até 2012 e 1 milhão até 2020, atraindo novos mercados, como os países nórdicos (Suécia, Dinamarca e Noruega) e Leste europeu (Polónia, República Checa e Rússia).

 

Nesta perspectiva, o Governo aposta no turismo residencial aproveitando as vantagens competitivas que Cabo Verde apresenta face a outras regiões estrangeiras, como o clima, a segurança, a acessibilidade dos preços dos lotes na costa e a hospitalidade natural. São exemplos de projectos neste segmento o Vila Verde Resort (Sal) e o Ponta da Bicuda (Santiago).

 

Sites Relacionados:

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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Robustez anti-crise

Maria da Franca Levy Gomes | C12

Enabler

Índia

A Índia, enquanto economia emergente será, segundo o FMI, menos afectada pela crise mundial que os países mais desenvolvidos. Segundo as previsões, o crescimento do PIB da Índia, que em 2007 foi de 9,2%, baixou para os 7,9% em 2008. Espera-se porém um ligeiro aumento para 2009. Os preços dos bens também têm vindo a baixar desde 2007 e espera-se que assim se mantenha em 2009. (Hindustan Times). Porém, a diminuição das exportações e a falta de investimento no país – essencial para o seu desenvolvimento, poderão vir a agravar esta situação.

Assim, as iniciativas tomadas por empresas e organizações no país, surgem não apenas para fazer face à crise Mundial, mas também, serão sobretudo, para combater os problemas internos que um país com 1.148 milhões de habitantes e em desenvolvimento enfrenta e com o qual se debate diariamente.

Os problemas sociais passam pelo crescimento incontrolável da população. Só Mumbai tem o dobro da população de Portugal, vivendo na sua grande maioria na rua, ou em condições muito precárias de higiene, sem acesso a serviços de saúde, e sem escolaridade. Esta larga porção da população indiana, desamparada e explorada, não vê outra solução que não seja ter mais filhos, e assim mais braços para trabalhar e trazer umas míseras 20 rupias para casa, por dia (0,31 euros).

Os problemas de infra-estruturas passam pelo facto de as grandes cidades indianas como Mumbai, Delhi, Bangalore, Chennai, Calcuta, Hiderabade não conseguirem acompanhar, a nível de infra-estruturas, o seu crescimento. Como resultado, deparamo-nos com estradas esburacadas, falta de passeios, edifícios sem qualquer tipo de estudo de impacto ambiental e paisagístico, ruas transformadas em lixeiras.

Os problemas económicos passam pela disparidade no que diz respeito ao crescimento salarial da população, agravando assim o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. A mão-de-obra é muito barata devido à sua grande oferta, e assim, explorada.

Como reacção a todas estas profundas e enraizadas dificuldades, várias medidas vão sendo postas em prática com o âmbito de fortalecer o país e torná-lo mais apto na luta contra crise. Esta luta passa em parte por saber usufruir das vantagens competitivas de cada país, a todos os níveis sociais e económicos.

O que tem a Índia de vantajoso relativamente a outros países? Uma vasta população, logo mão de obra, potencial tecnológico bem como humano, forte potencial no que diz respeito a desportos como cricket e hóquei, uma cultura exótica, uma história interessante, uma paisagem variada e exuberante e uma flora e uma fauna ricas e diversificadas.

Assim Delhi recebera em 2010 os Jogos da Commonwealth, tirando partido da sua história.

A sul do pais. Bangalore é considerado a Silicon Valley da Índia, usufruindo do seu potencial tecnológico e humano.

O país vai dando a conhecer a sua cultura através de jogos e campeonatos mundiais de cricket e hóquei, tendo já sido campeões mundiais nestes dois desportos.

A sua cultura multifacetada, que divide a sociedade em castas, englobando num mesmo território mais de quarto fortes religiões, centenas de templos, igrejas, mesquitas, um território onde se falam 120 línguas (23 oficiais) diferentes, onde as praias de areia branca ou escura se misturam com as palmeiras, onde os elefantes, os tigres, os camelos, as vacas sagradas abundam, onde o deserto, a montanha e os campos de chá e café se estendem a perder de vista, a Índia oferece a quem a visita, umas ferias inesquecíveis. Assim o país usufrui da cultura e beleza natural para atrair turistas.

Neste contexto deparamo-nos com grandes grupos como o Grupo Tata. O Grupo Tata, presente na Índia desde 1868, gere vários tipos de negócios, tais como construção automóvel, hotelaria (Hotel Taj – Mumbai), software e sistemas de informação, produção de aço, serviços financeiros, seguros, produção de energia, produtos de grande consumo (chá, café, livrarias), produtos farmacêuticos entre outros.

Este grupo foi pondo em prática ao longo dos anos várias iniciativas comunitárias, bem como apoiando a Arte e o Desporto através de patrocínios e sendo o “patrono” no que diz respeito à herança da cultura Indiana (tapeçarias entre outros).

Tem igualmente sob sua gerência o Tata Memorial Centre, hospital Nº1 no tratamento e investigação oncológicos, no qual 70% dos pacientes recebem tratamento gratuito.

O Instituto Indiano de Ciência também pertence a este grupo e engloba 40 departamentos de Investigação e Desenvolvimento, bem como um departamento de ensino nas áreas da ciência, engenharia e tecnologia.

É de salientar igualmente a preocupação ecológica deste grupo, incentivando o desenvolvimento sustentável, que proteja o meio ambiente e beneficie as pessoas que dele dependem, através do JRD Tata Ecotechnology Centre.

A Índia tem ainda um longo percurso a percorrer e muitos aspectos a fortalecer, como a questão da sensibilidade relativamente à higiene e à limpeza, das infra-estruturas, da corrupção, da alfabetização e da pobreza. Mas a verdade é que a Índia tem muito para oferecer a qualquer investidor, com grandes margens de lucro. Esta será a sua tábua de salvação nesta época de crise.

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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

...

Bernardo Lago Cruz | C12

Critical-Links

Nova Deli | India

 

 

A crise financeira, a crise económica, a crise social, a grande crise de valores são na Índia um fenómeno interligado mais com a própria cultura Indiana do que com a massificação de comportamentos encontrados no Resto do Mundo.
A realidade Indiana é caracterizada pela existência de centenas de diferentes dialectos, dezenas de religiões e mais de 1 bilião de pessoas a viverem unidos pela mesma nação.·Sendo assim deixo aqui 4 paralelismos entre a crise na Índia e a crise Mundial.

 - A Crise Social 

 14 milhões de pessoas partilhando 80Km2A Crise Social no contexto indiano é no ponto de vista ocidental aquela que é mais brutal, o panorama em Nova Delhi é de uma cidade a rebentar pelas costuras onde o trânsito caótico e o lixo espalhado pelas ruas são aliados a uma pobreza extrema. A Índia goza do estatuto de uma democracia, mas o sistema de estratificação social das castas ainda vigora na sociedade indiana, sendo a cor da pele um factor de descriminação social presente. Quem nasce pobre morre pobre, dia após dia, sol após sol os sem-abrigo e waste pickers reúnem-se junto de montanhas gigantes de lixo para proceder à separação deste e a casta mais pobre (Os Intocáveis) muitas vezes é desmembrada intencionalmente pela Mafia Organizada de Delhi com vista a poderem ser uma fonte de rendimentos.

Em cada semáforo dezenas de miúdos carregando cocos, mangas, bananas, balões, livros e peluches assediam os turistas com um comum brilho nos olhos e sorrisos irresistíveis. Os rickshaws manuais são confinados maioritariamente à população idosa, que carrega turistas e mercadorias O choque cultural é incontornável no que toca ao comum ocidental que visita a Índia pela primeira vez. A realidade é que a cultura indiana é muito diferente da nossa, o que para nós é considerado desumano para os indianos é considerado normal, a vida e a morte têm um sentido muito distinto quando comparados com os da sociedade Judaico-Cristã. Mas uma questão permanece, imaginem como seria a interacção social se toda a população de Portugal estivesse concentrada em 80Km2?

  

2. A Crise Económica – Baksheesh, o suborno honesto

 

A crise económica que se vem a sentir no mundo deriva de múltiplos factores, factores esses que pertencem a relações desenvolvidas sobretudo entre países ocidentais. No que toca às relações económicas dos diversos agentes no espectro indiano, é de notar que as relações estabelecidas entre eles não foram baseadas na lei da concorrência perfeita. Os contratos e relações estabelecidos são efectuados com base em relações pessoais e contratos paralelos, há uma maneira própria de fazer negócio, onde o dinheiro debaixo da mesa é mais importante do que a viabilidade económica do negócio.

Outra curiosidade no mundo económico indiano prende-se com o chamado Black Money. Segundo o Swiss Bank a Índia tem aproximadamente 1500 milhões de dólares não declarados, depositados na Suiça (em segundo lugar vem a Rússia com 3 vezes menos). Esse dinheiro deriva, principalmente, de contratos paralelos. Os baksheesh como  são abertamente chamados os subornos, contribuem para que a pesada burocracia deixe de ser uma presilha para a economia Indiana.

O baksheesh é, de certo modo, uma forma aberta e “honesta” de corrupção, já que toda a população indiana conhece o seu poderoso significado.

Assim, a crise económica mundial é menos sentida na Índia, visto que as decisões são baseadas na tradição indiana e menos afectadas com o desenrolar da economia Mundial.

 

3. A Crise Financeira – Proteccionismo Salvador

 

A crise financeira é aquela que mais se pode sentir face às outras. A interligação dos mercados mundiais faz com que seja impossível não sentir os efeitos negativos vindos da economia americana e consequentemente da economia ocidental. Mas, mais uma vez, é fácil demonstrar que a Índia é um país que se encontra protegido neste campo, visto que a lei Indiana obriga as empresas estrangeiras que operam naquele país a possuírem capital indiano. Sendo assim, em alturas de crise, o mal-amado proteccionismo indiano ao capital estrangeiro protege as empresas indianas.

Ao observar o pânico gerado pela onda de desemprego nas famílias face à fuga dos capitais estrangeiros de Portugal, questiono-me se Hugo Chavez tinha razão ao proteger o próprio país de decisions makers estrangeiros que só têm em conta factores financeiros em detrimento do contributo e know how gerado pelo sector secundário do país.

 

4. A Crise Generalizada de Valores – medo/consumo vs amor/ carpe diem

 

Para a maior parte da população ocidental, a realidade mundial é lida através dos meios de comunicação social. Neste momento ligamos a TV ou internet e somos bombardeados por múltiplos actos de violência, morte e fome, com publicidade pelo meio, havendo uma cultura de medo/consumo associada. Visto que há uma crise económica e financeira generalizada, o consumo sofre mudanças, as pessoas já não conseguem comprar aquilo que os media publicitam, porque os bancos não lhes financiam o capital de que necessitam. Existe assim um vazio, provocado pela desgraça e violência que nos é imposta pelos media,  e que aumenta de dia para dia quando não temos aquele sentimento de bem-estar ao comprarmos um carro,   telemóvel ou qualquer bem material.

Na Índia não existe uma crise generalizada de valores, a maior parte da população não tem tempo nem condições para ser brainwashed pelos media, a pobreza e o ramerrame do dia a dia, fazem as pessoas viverem o momento de coração aberto, sem medos nem receios, prontos a encontrar felicidade e harmonia em pequenos prazeres que para nós ocidentais são dados adquiridos.

 

Namasted

 

 

 

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

A verdade da mentira

Critical Links

EUA

 

“Primeiro vieram os “yuppies” – “young urban professionals”; depois os “dinkies” –“double income no kids”; agora conheça os “lohas” – “lifestyles of health and sustainability”.

 Os “lohas” compram café que obedece às regras do comércio justo e produtos orgânicos, frequentam mercados de produtores e aderem à medicina complementar, colocam as suas poupanças em fundos de investimento socialmente responsáveis e passam as suas férias como eco-turistas. Estão interessados na saúde, no ambiente, na justiça social, no desenvolvimento pessoal e num modo de vida sustentável.

 

[...] Juntos, os “lohas” norte-americanos representam 227 mil milhões de dólares, uma “imensa” oportunidade de negócio.” In “Guilt is no solution”, Financial Times, 16 Outubro de 2003

 

Um dia encontrei este texto, li-o e guardei-o. Tenho-o revisitado algumas vezes.

Gosto da forma como demonstra que conceitos como sustentabilidade, eficiência e o tão desejado lucro podem coabitar. Gosto da forma pragmática como aplica o pensamento económico à responsabilidade social e ambiental.

 

Na conjuntura global em que nos encontramos, sabemos que o lucro não vai ser colocado de parte, que não vai perder a sua condição “sine qua non”. No entanto, também estamos a ganhar consciência (às vezes da forma mais penosa) de que existem alterações que têm de ser implementadas nos moldes pelos quais nos regemos. E embora muitas vezes essas alterações não estejam associadas com o lucro, a verdade é que de uma forma um tanto ou quanto “verdade da mentira” se consegue estabelecer uma relação. Digo “verdade da mentira” porque o texto foca o valor monetário da oportunidade de negócio como motivação para as alterações, quando é no contrário que reside a verdade.

 

A empresa onde trabalho vende um produto verde, o chamado “Green IT”. É um servidor de comunicações que tem funcionalidades que permitem substituir até 7 dispositivos diferentes. O sucesso do mercado pode ser explicado por vários factores, mas gostava de salientar o facto de que, quem o detém não necessita de despender tanto dinheiro como se tivesse que adquirir esses 7 dispositivos, e que por outro lado vê a sua conta de energia reduzida em 70%. Além de existirem mais especificações que tornem proveitoso a obtenção deste produto, os dois que referi, por si só, fazem-no já apetecível. Não foi ao acaso que referi só vantagens do fórum financeiro, para muitos e, sobretudo para os mais ávidos de lucro, isso ainda contém um peso substancial nas suas decisões. Mas a verdade sobre este produto é que ele foi desenvolvido a pensar na sua componente ecológica, sustentável e eficiente.

 

Mais recentemente, num artigo do Jornal de Negócios encontrei o seguinte texto:

“Igualmente importantes são os estudos que presidem às apostas na criação de infra-estruturas nas áreas energéticas e ambientais. Um estudo de Setembro da Universidade do Massachussets, em Amherst, mostra que o sector tem um potencial enorme de criação de emprego.

Ademais, os chamados "green collar jobs" têm a vantagem de serem exigentes em capital humano, e por isso não passíveis de exportação para países de mão-de-obra barata.” In  “E agora?” Carlos Ferreira dos Santos, Jornal de Negócios, 15 Janeiro 2009.

Penso que ele diz muito por si só e coloco-o aqui para colmatar a perspectiva macroeconómica que me podia faltar. Leva-me também a concluir que muitas das vezes não são as alterações em si que são difíceis de realizar, mas sim a maneira como são apresentadas a quem as pode efectuar...Se para implementar valores de sustentabilidade, eficiência e responsabilidade social numa sociedade (a que eu chamo verdade) for necessário recorrer ao lucro (a que eu chamo a mentira em termos de valores), então que se produzam muitas “verdades da mentira”...

 

António José Borges Veloso   |   C12

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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Escolhe uma Cor...Segue as Tendências!

Magda Genebra l C12

 

Parque Científico de Madrid

Espanha

  

Dada a conjuntura de crise a nível Mundial a que já nos acostumamos ouvir na televisão, pelas ruas ou ler nos jornais diariamente, as implicações para o dia-a-dia de um consumidor ressaltam e a preocupação das empresas emerge. Desta forma também as tendências globais de Marketing, Branding ou da Publicidade terão de se adequar à medida de uma carteira cada vez mais justa por oposição a um consumidor cada vez mais exigente.

 

A alteração dos padrões de consumo dos consumidores na corrida a bens como os alimentares ou farmacêuticos dever-se-á, segundo um relatório de JWT (10 Trends 2009), no primeiro caso à procura de amostras de produtos e de ofertas especiais e no segundo caso à grande tendência para a compra de genéricos. O Online será cada vez mais uma ferramenta por parte dos utilizadores e um investimento por parte das empresas. O aumento do comércio online é o reflexo da recessão económica onde o consumidor procurará ofertas e promoções, especialmente através de sites de leilões e de classificados (sites como o do ebay tenderão a aumentar o seu tráfego). Por sua vez, o investimento nos motores de busca, o dito Search Marketing (como é o caso do Google ou YAHOO!) por parte das empresas anunciantes vingará de forma considerável pois apresenta-se como um instrumento estratégico tendo como principal vantagem a medição da Rentabilidade Económica por cada euro/dólar investido, “o que em tempos de dificuldades económicas é um argumento extremamente importante” (Petersen, Christian; Director da agência Eprofessional).

 

A “redução de tamanhos” dos produtos para “cortar” nos custos fixos (por exº a renda de uma armazém) e variáveis das empresas (por ex. custos de transporte) poderá apresentar-se ainda como uma tendência, dada a crise instalada. Denota-se já nos nossos dias uma procura no redimensionamento dos produtos. Nos bens de grande consumo temos o caso do novo skip “Pequeno e poderoso” com doses mais pequenas mas igualmente eficazes, ou ainda na indústria automóvel o boom do smart for two. Segundo estudos da JWT, “este conceito sairá reforçado em 2009 com o aparecimento no mercado de uma série de modelos automóveis de dimensões reduzidas”. Este assunto está intimamente ligado com o esforço efectuado pelas empresas para se conotarem entre as ditas “amigas do ambiente”, por um lado porque poupam nos recursos, por outro porque elas próprias nas suas estruturas, apostam cada vez mais na instalação de energia limpa como forma de diminuir custos e principalmente posicionarem-se na mente dos consumidores como empresas conscientes. E quanto não vale uma marca amiga do ambiente aos olhos de um consumidor? A Caixa Geral de Depósitos foi uma pioneira com a instalação de painéis solares na sua sede em Lisboa, numa busca pela eficiência energética, tendo a médio/longo prazo um retorno com a venda dessa mesma energia produzida à REN (Rede Eléctrica Nacional).

 

A fragmentação dos media, a saturação das técnicas tradicionais, um consumidor mais inteligente e que evita conscientemente as mensagens publicitárias são alguns dos “problemas” com que as marcas se deparam, além da (mal)dita crise. Para isso são necessários novos métodos, redimensionar as acções de forma a atingirem eficazmente os consumidores, aumentando assim a sua distância face à concorrência.

Dou-vos outro exemplo de redimensionamento estratégico (e inteligente) de uma das marcas mais poderosas do mundo (seguramente uma das marcas das nossas vidas, entre tantas outras pelas quais literalmente me apaixono todos os dias) – a Coca-Cola. Uma passagem perfeita do Slogan: “Viva o lado Coca-Cola da Vida” para o tão sugestivo “Open Hapiness” que tem como objectivo principal trazer uma atmosfera mais optimista numa época de crise financeira e económica Global.

 

 

Gostaria ainda de introduzir dois conceitos que, na minha tão humilde opinião, despoletarão o futuro das marcas. O Marketing Relacional e por conseguinte o Marketing Experiencial. O primeiro assume cada vez mais um papel preponderante assinando a diferença com mensagens que se adaptam a grupos de clientes com necessidades específicas. A relação Marca vs. Consumidor está cada vez mais estreita, ou seja, os produtos e serviços disponíveis tornam-se práticos, úteis e únicos. De nacionalidade Japonesa, chega-nos um belíssimo exemplo, a MUJI. Com mais de 350 lojas em todo o Mundo, três delas em Espanha, a MUJI apresenta uma filosofia muito clara – fabricar produtos de alta qualidade e sem marca nem etiqueta, onde primam Inovação, Funcionalidade e Design.

O segundo conceito referido anteriormente, o Marketing Experiencial, resume-se basicamente à interacção directa, à experiencia imediata (nomeadamente através de eventos, etc.) que encaminham o consumidor a uma posterior preferência e fidelização no momento da compra. Desde a comunicação à experiência, o mais simples e possível em formas, cores, sons e sabores transmite a confiança necessária em detrimento da “lavagem cerebral” da Publicidade convencional. Dois exemplos simples e práticos: A marca de cerveja Heineken criou o conceito “Heineken Experience” em Amesterdão para que qualquer pessoa, desde que maior de idade, pudesse descobrir o que está por detrás da confecção da cerveja e degustar a mesma. Outro exemplo é as lojas Imaginarium. Para começar têm duas portas, uma para as crianças, outra para os pais. Depois existe sempre uma preocupação com a decoração, a música, os aromas e a forma de tratar as próprias crianças.

 

Porque “Quando se está próximo de alguém não é necessário gritar para se fazer ouvir, pode-se até sussurrar-lhe ao ouvido”, resume Eurico Nobre, da OgilvyOne.

 

 

Despeço-me na esperança de nos voltarmos a cruzar brevemente em terras lusas, quiçá acompanhados pelo “Sabor Autêntico” de uma SUPER BOCK ou com “a nova embalagem, o sabor de sempre” de um Café Delta!

 

Bem-haja!!

 

 

FONTES

Espanha:

Marketing Directo: http://www.marketingdirecto.com

Brandlife: http://www.brandlife.es/

Online Marketing España: http://www.online-marketing.es/

Portugal:

Meios & Publicidade: http://www.meiosepublicidade.pt

Jornal Briefing: http://www.jornalbriefing.iol.pt/

Revista Marketeer: http://www.marketeer.pt/

Internacional:

JWT - http://www.jwt.com/

 Cosmo Worlds: http://www.cosmoworlds.com/ 

American Marketing Association: http://www.marketingpower.com/

 

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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Obama | Obama

Verónica Leitão | C12
Companhia das Quintas
Newark | USA 
 

Sem dúvida que Barack Obama é definido como a pessoa e/ou produto out of the box mais marcante dos últimos tempos.

 

 Desde que cá cheguei em Julho, que ainda estava no ar quem seria o próximo candidato pelos democratas para a presidência dos Estados Unidos da América. No que diz respeito ao contexto social dos E.U.A., Obama conseguiu unir as massas, devolver a esperança já esquecida em tempos de crise, não só financeira, como também uma profunda crise de valores. Esperança para as comunidades afro-americanas, de demonstrar como é um país de oportunidades, de criar a hipótese de um senador afro-americano ser eleito como presidente de uma potência mundial. Estas eleições tiveram um impacto gigantesco para quem cá está. Ninguém é indiferente às constantes formas de marketing utilizadas pelos dois partidos. Em Julho não estava ainda definido quem seria o candidato democrata. Estava mais que decidido que seria Hillary Clinton, quando, do nada, Barack Obama é escolhido. Porquê? Puro Marketing. Marketing “viral” tomou novas proporções nestas eleições. Websites como Facebook, Youtube e MySpace tornaram-se ferramentas vitais de comunicação e propagação de ideais, de crenças e de aproximação entre um candidato e o segmento jovem.

 

Segundo Webster, Marketing pode ser definido como o processo ou técnica de promoção, venda e distribuição de um produto ou serviço. Barack Obama é tanto um produto como um serviço. A genialidade de definir Obama como uma marca, foi um ponto estratégico para a sua vitória esmagadora.

 

Sem dúvida alguma que Clinton tinha um budget superior em comparação com Obama, mas a estratégia deste último foi pioneira em focar-se em nichos de mercado, em lugar de gastar recursos a tentar atingir o mercado no seu todo. Após ter assegurado a nomeação democrata, Obama teve que contrariar uma América conservadora, agarrada às suas tradições, tão representativas do que McCain garantia. Enquanto este último demonstrava, através da sua idade e do facto de ser um prisioneiro de guerra, que as tradições se devem manter, Obama tentou uma vez mais mostrar que existe uma contínua crise de valores, de descrença no poder e que essa tendência deve ser contrariada. Apostou em publicidade on-line direccionada para segmentos tão diferentes como os gays, estudantes, desportistas ou mulheres.

        

 

Segundo dados fornecidos pela Nielsen Online, em Julho de 2008 a campanha McCain tinha 15.1 milhões de sponsored link impressions- o número de vezes que é feito o download de um anúncio do ecrã de um computador, em comparação com 1.2 milhões alcançados por Obama. Por outro lado, a Campanha Obama focou-se em gastar o seu budget em publicidade de displays. Dessa forma atingiu 416.7 milhões de image-based ad impressions em contraste com os 16. 5 milhões de ad impressions de McCain.

 

Outra estratégia fundamental para o confirmado sucesso de Obama foi o marketing boca-a-boca. Esta estratégia, alinhada com o marketing “viral”, foi utilizada de uma forma nunca antes vista. Figuras públicas deram a cara a uma definição de politica, fosse por que partido fosse. Ambos os lados usaram e abusaram dos média e despenderam em TV., somas nunca antes imaginadas. TNS Media Intelligence estimou que os candidatos gastaram mais de 7 milhões de dólares em publicidade on-line e 300 milhões de dólares em TV desde Fevereiro de 2007.

 

Embora estejamos na véspera de ver história a ser escrita, o buzz não padeceu com a vitória de Barack Obama. Todos os seus movimentos foram analisados á lupa. O título de “President Elect” nunca antes tomara tamanhas proporções. Desde as decisões de quem pertenceria á sua equipa, ao cão escolhido pela família, tudo girou em volta da marca Obama.

 

Palavras como Change, Hope ou mesmo a frase mais marcante de todo o percurso de Obama – Yes We Can ficarão para sempre na história. Qualquer pessoa que coloque estas palavras nos parâmetros de busca do Youtube, encontrará uma série de vídeos, resultados perfeitos de marketing “viral”.
 
Se estas eleições nos ensinaram alguma coisa, foi que qualquer pessoa, desde que siga o rumo certo, e com uma brilhante estratégia de marketing, pode ser o próximo Presidente dos Estados Unidos da América.
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Crescimento

Nuno Ribeiro do Rosário | C12
Chamartin
Madrid | Espanha
 

O primeiro marco na experiência pessoal oferecida por este programa surge quando sentimos na pele o constatar de uma realidade: “eu estou longe de casa!!”. São desencadeados sentimentos de insegurança perante o desconhecido, que só se superam quando acompanhados de uma postura de vivência aventureira, no sentido de partir à descoberta de tudo o que a cidade para onde formos enviados nos tem para oferecer. Mas, a dificuldade de não ter os nossos por perto para nos apoiarmos, não é tão grande como a dificuldade de não estarmos por perto para apoiar os nossos, a falta dos confortos e segurança que temos quando a viver numa sociedade com que estamos familiarizados, a SAUDADE estão presentes constantemente obrigam-nos a ter essa postura que nos faz superar a nós próprios, crescer, amadurecer.

 

A partilha de “piso” imediatamente nos obriga a construir uma comunidade apoiada em pilares comuns a todos os seus elementos. É ao alcançar esse conforto que a experiência se torna ainda mais interessante, pois criamos a nossa base em que sustentamos o apoio ao dia-a-dia profissional e só assim nos podemos ir inserindo, conhecendo e identificando com o novo meio que nos foi oferecido pelo programa da melhor maneira. Todas as pessoas que se aventuram no Inov Contacto têm pelo menos um sentimento em comum, a procura de uma mudança. Uma mudança na sua vida para melhor, que nos permita crescer, que nos faça evoluir. Todos procuramos definir-nos num mundo actual, um mundo global, um mundo em que a vivência e experimentação oferecida em Portugal não é suficiente para nos realizarmos das variadas formas de viver que constatamos quando saímos do nosso país e nos ajudam a mudar. É esta mudança provavelmente a grande mais valia pessoal do programa Inov Contacto.

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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

CBS Interactive

bruno dinis | c12
cbs interactive | london

 

 

Ar puro. O programa InovContacto abriu uma nova janela na minha vida. Um estágio na CBS Interactive em Londres, numa empresa diferente, numa cidade brilhante.

 


Agrega marcas como CBS, Cnet, Bnet, Tv.com, Mp3.com, Last.fm, Gamespot, SmartPlanet entre muitas outras.


condições de trabalho.

Com excelentes condições de trabalho à minha disposição, sinto-me como peixe na água. O mundo da produção de vídeo exige grandes recursos humanos e financeiros. Desde câmaras de alta definição, estúdios onde gravamos diariamente todos os “sketches”, ate aos profissionais da multimédia, tenho, de facto, aprendido imenso com todos eles. Todos me auxiliam e ensinam sempre que necessito de algo novo e a partilha de conhecimento é muito bem explorada. Isso repercute-se numa maior produtividade do grupo de trabalho e torna a nossa equipa muito mais forte. Confesso que não podia estar melhor

 

team building.

A CBS Interactive, multinacional norte-americana, leva esta temática muito a sério. Como sabemos o 'team building' é um processo de motivação natural que tem como objectivo criar num grupo de pessoas um “espírito de equipa”. Clarificando: desde a simples 'pint' (uma cerveja num 'pub' aleatório), onde socializamos com os colegas de outros departamentos, passando pelo “bowling”, sessões de karaoke, festas temáticas e até aulas de danças latinas. Todos estes processos geram um sentimento de cumplicidade e pertença ao grupo e melhoram a produtividade do mesmo e a forma como as pessoas interagem e trabalham em equipa.

 

videos.

Quanto às minhas funções, neste momento estou a gravar e editar vídeos para os sites: www.cnet.co.uk (media e produtos tecnológicos de consumo) e www.gamespot.co.uk (videojogos). Deixo-vos aqui alguns exemplos do meu trabalho, salvaguardando que, se não fosse esta oportunidade que a aicep nos proporciona, jamais teria um estágio como este.

.

 

Como é sabido todos nós estamos cada vez mais dependentes da tecnologia e do poder que os media exercem na nossa vida. Agora mais do que nunca. É aí que entra a CBS Interactive. A sétima maior empresa na Internet, com mais de 180 milhões de visitas mensais em todos os seus sites.
 

alguns exemplos do meu trabalho online:
Iphone 3G
Apple MacBook
Red Alert 3 (com Gemma Atkinson)


cheers

 

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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Adaptabilidade como Factor Crítico de Sucesso

Pedro Grilo Fernandes | C12

Inmofocus

Barcelona | Espanha 

 

 

A cidade que me acolhe é, numa palavra, “trendy”. É cosmopolita, multicultural e tem “carisma”. É uma cidade do mundo e não só de Espanha. Não é a cidade que não dorme e onde tudo acontece, mas sim a cidade onde tudo vai acontecendo e que dorme com um olho aberto. É portanto um ponto de passagem obrigatório e acessível na Europa.

 

Por esta altura, o leitor já poderá ter descoberto que é de Barcelona que falo, ou porque já cá viveu ou visitou, ou porque alguém lhe falou sobre a cidade ou, pelo menos, já sabe algo através dos media ou da Internet sobre a capital da Catalunha.

 

Aproveito então a oportunidade para transmitir de outra forma, um pouco desta minha experiência no âmbito do programa “Inov Contacto”.

 

Ao olhar para o “mapa-mundo”, e ao descobrir o nosso pequeno “rectângulo”, percebemos como fisicamente nos encontramos no centro do planeta mas, também, quão minúsculos somos.

.

Quando viajamos ou vivemos no estrangeiro percebemos ainda que há portugueses praticamente em todos os cantos do mundo. Portugueses com uma capacidade de adaptação e integração excepcionais.

 

É assim que podemos entender com mais clareza que somos, de facto, herdeiros de grandes descobridores.

 

Nascido à beira mar, junto a um Atlântico desconhecido, num pequeno e muito pobre país, rapidamente percebemos a nossa vocação de enfrentar o desconhecido em busca de novos mundos que dessem dimensão ao nosso “pequeno mundo” . Foi a ousadia, o espírito aventureiro e também a necessidade que fez do nosso povo aquilo que ele ainda é, pese embora o nosso “pessimismo militante”.

 

No momento em que escrevo assistimos a um mundo globalizado em crise: o efeito dominó da crise do sub prime norte-americano provocou ondas de choque em toda a Europa. A crise que começou em Wall Street e nos mercados financeiros, rapidamente alastrou para a economia real. Os estados tentam estancar a crise e evitar a recessão que parece já inevitável. Ninguém sabe ainda para onde vamos, o que é um facto é que nada mais será como dantes.

 

Num mundo globalizado e interligado ninguém está imune mas, é também verdade, que é nos momentos de crise que surgem as grandes oportunidades.

 

As economias emergentes estão aí para mostrar que há novos mundos a descobrir e a apostar: A China, a Índia, o Brasil e África...

 

Portugal explora já  essas oportunidades, nomeadamente com o Brasil,  com o qual temos uma proximidade cultural e onde naturalmente se aplica a adaptabilidade como F.C.S. (FACTOR CRITICO DE SUCESSO).

África, e mais concretamente os países de língua oficial portuguesa são, e deverão ser muito mais, explorados como parceiros privilegiados.

 

 Na Era da Informação, o conhecimento, a formação e as inovações tecnológicas estão, cada vez mais, ao alcance de todos. Mas só a capacidade de adaptação a mudanças que ocorrem de minuto a minuto ao nível tecnológico, de métodos de trabalho, de gestão de recursos e de deslocalização é que podem fazer a diferença.

 

Adaptabilidade não significa o abandono da identidade nacional, dos valores que são a espinha dorsal de uma nação, das características únicas de um povo com uma história comum, um dos povos mais coesos da Europa.

 

Adaptabilidade significa ver onde está a “janela de oportunidade” e aproveitá-la, deixar para trás vícios provocados pela rotina, pela insegurança e pelo medo do desconhecido. Colocar em evidência mais valias e pontos fortes, com “classe” e inteligência.

 .

Este “Admirável mundo novo”“   traz consigo grandes desafios, inúmeros riscos, mas extraordinárias oportunidades para um país  que já foi “grande”  e que nada impede de  voltar a sê-lo.

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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Destino: Holanda

Paulo Carvalho | C12

20/20 Vision Europe B.V.

Den Haag | Holanda

 

Interessado, desde há muito tempo, numa carreira profissional no estrangeiro, eis que a oportunidade me ‘bateu à porta’ e tomei conhecimento do programa INOV Contacto através de um dos meus professores.

Até então, desconhecia a existência deste programa, bem como de tudo o que ele proporciona às pessoas que nele se envolvem. Surgida esta oportunidade, e ultrapassadas as diversas fases iniciais do programa, chegou o dia de conhecer o meu destino.

Nervoso, tal como as duas centenas de futuros estagiários que se encontravam no pavilhão Atlântico, fiquei a saber que o meu destino seria a Holanda na empresa 20/20Vision.

 

Nada sabia desta empresa, mas após alguma pesquisa, tomei conhecimento de que se trata de uma empresa que, desde 1996, assumiu o compromisso de desenvolver e implementar um software que facilite todo o processo de tratamento de facturas.

Desta forma, desenvolveu um programa que permite o processamento das facturas em formato digital no qual o seu design é descrito como sendo “user-friendly” e “cost-efficient”.

A provar estas características está a forma como foi construído, ou seja, é constituído por uma estrutura base que, posteriormente, pode ser modelada um pouco à imagem de cada cliente. O programa, por eles criado, permite aos seus clientes que todo o processo, desde a recepção de cada factura até à sua liquidação, seja feito num curtíssimo espaço de tempo, permitindo desta forma, que os seus clientes possam pagar aos respectivos fornecedores dentro dos prazos estipulados. Acresce, ainda, a vantagem de evitar a dupla liquidação da mesma factura. Desta forma, as empresas que adquiram este software conseguem garantir o aumento da produtividade bem como a melhoria do desempenho dos seus colaboradores.

 

 Baseado no mundo da óptica, o programa surge como um software, que garante ao utilizador final, uma visão clara e total sobre política de compra e respectivos pagamentos das facturas da empresa, assim como um controlo sobre os orçamentos. É nesta perspectiva, oferecendo cem por cento de controlo sobre pagamentos e fluxo de dinheiro na empresa, que o software se torna uma ferramenta indispensável na mesma, pois toda esta política é baseada num fluxo de trabalho transparente para o utilizador.

Tendo sempre em vista a satisfação do cliente, a 20/20Vision Europe BV começou por oferecer aos seus clientes um programa para digitalização e processamento digital de facturas. Mais tarde, o seu software sofreu uma evolução e, em conjunto com os seus clientes, foi desenvolvido o software de gestão de compras e, posteriormente, a integração de gestão de orçamentos, o que faz de toda esta oferta um poderoso instrumento para qualquer empresa. Todos estes componentes juntos oferecem um controlo completo do processo de compra e pagamento de facturas.

 

Concluindo e sintetizando em pouca palavras, a Holanda não foi, de início, o meu país de eleição, aquele que sonhava conhecer, contudo, esta nova experiência tornou-se fascinante e a cada dia que passa sinto que venço novas batalhas e alcanço novas conquistas.

Uma cultura liberal, inserida num contexto social um pouco diferente do meu país, mas não, de todo menos cativante. O Ambiente profissional sem barreiras hierárquicas acentuadas – todos lado a lado, por um objectivo comum – é, sem dúvida, uma das grandes lições de sucesso que levo comigo para toda a vida.

A nível de relações pessoais, os holandeses são um povo mais reservado e introvertido, é necessário conquistar a sua confiança aos poucos para se entrar e fazer parte do seu quotidiano.

  

http://www.2020vision.nl/

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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

...

Duarte Aragão | C12

 

International Spain and Portugal

Madrid | Espanha

 

 

 

 

Comecei por tomar uma decisão que aos olhos de quem formatou parte da minha cabeça não era a melhor, isso reflectiu-se em mim, tive medo de estar a fazer um erro completamente desnecessário, agora compreendo que talvez esta tenha sido uma das melhores decisões que fiz.
 
mesmo que um pouco fora de tempo), pois está dar-me a oportunidade de entrar num estado de espírito que, embora ainda me assuste, pois não tenho resultados concretos do que estou a fazer, todos os dias me tem dado a oportunidade de pensar "porque é que ninguém me disse que eu podia fazer isto assim?". Quem não arrisca não petisca!

Maio de 2008, estou a terminar o mestrado, mais ou menos a três meses de entregar a tese. Junho de 2008, largo tudo para começar o programa InovContacto na Artemis International Spain and Portugal.

 

 

 Em Junho comecei o programa do InovContacto, cheio de preocupações por largar o projecto que vinha desenvolver desde o início ano lectivo e sem ter bem noção se esta seria uma boa ou má opção. Esta é a minha primeira experiência de emprego e a primeira oportunidade para viver sozinho, longe do conforto da mamã e do papá.

 

O primeiro mês foi passado em Portugal a saltar entre empresas onde a Artemis faz consultoria. A experiência inicial não me deu de todo a confiança que esperava, todos os dias acordava questionando-me se esta teria sido uma boa opção, afinal de contas deixar um ano de trabalho para trás sem mais nem menos e com poucas hipóteses de o continuar onde o deixei, não é de todo um enunciado prometedor. À minha apreensão ainda somei a desaprovação de todos os professores, com quem na altura de tomar a decisão do que fazer, falei, relativamente ao meu desejo de aproveitar a oportunidade. É importante salientar que apenas uma professora, embora compreendesse o perigo de começar a vida profissional sem terminar um curso nos últimos meses, percebeu que esta oportunidade podia ter resultados positivos. O primeiro mês, mesmo tendo aumentado o peso sobre a minha preocupação, serviu para durante um curto espaço de tempo observar e tentar compreender um pouco quem trabalha em Portugal, embora no início não o tivesse considerado como importante, agora penso que faz alguma diferença, nem que seja para compreender que mesmo estando um ao lado do outro existem diferenças entre Espanha e Portugal quando se sentam a trabalhar.

 

Um de Julho, chego a Madrid. A última vez que tinha estado em Madrid era muito pequeno para ter prestado a atenção, a única recordação que tenho é de ver a Guernica com o meu pai, provavelmente pela importância que lhe atribuiu. Nos primeiros dias, embora continuasse com a preocupação do mestrado, a excitação e o número de coisas que tinha para fazer não me deixaram grande espaço para que os estudos me ocupassem a cabeça.

Devo confessar que tive sorte nas coisas que eram difíceis, como encontrar casa e companhia para "compartir el piso", portanto deixei que a excitação de estar a começar uma aventura sozinho no quarteirão ao lado de Lisboa me apanhasse. Dia sete de Julho foi o primeiro dia de trabalho. Com o início do trabalho achei que era prudente começar o mais cedo possível a ver que hipótese tinha de fazer a tese. Na altura encarei como uma possibilidade, se bem que considerasse como um ideal distante fazer a tese fora de Portugal. Tal como seria de esperar inicialmente não fazia ideia do que andava a fazer, portanto tratei de "disparar" emails em todas as direcções com esperança de que alguém me indicasse o que fazer. O resultado foi que muitos dos sítios para onde escrevi não me levaram a sério, ou talvez eu não os tenha considerado como uma opção possível.

 

Durante grande parte do tempo pensei que a opção melhor e mais simples seria fazer a tese em Portugal, afinal de contas fiz o curso em Portugal e sou Português! Talvez essa seja a opção mais simples/confortável, mas dificilmente será a melhor, especialmente para quem passou o tempo todo fechado em casa. À medida que foi passando o tempo, fui compreendendo que muitas das coisas que me pareciam impossíveis, apenas parecem, não são. Talvez na minha cabeça o tenham deixado de ser, esta simples diferença de atitude altera a forma como se faz tudo. Um exemplo prático, é que embora muitas respostas que recebo agora, relativamente ao meu mestrado, parecem-me mais sérias, ou talvez seja eu que as considero mais sérias, ainda não compreendi se a forma como abordo a questão é diferente, se as respostas são diferentes, ou se é apenas na minha cabeça que as coisas estão diferentes.

 

O meu objectivo com esta "composição" era conseguir escrever algo que andei a tentar encontrar nos dias que antecederam a minha decisão, esta não é suposto ser uma confirmação de que a minha decisão foi a melhor, até porque embora já tenha uma possibilidade para terminar o meu mestrado numa bela faculdade (que não digo qual é para não dar azar), ainda não acabei o curso, portanto não sei se toda esta revolta na minha cabeça irá terminar bem. Resumindo tudo num único parágrafo, como costuma ser exigido aos engenheiros:

 

Comecei por tomar uma decisão que aos olhos de quem formatou parte da minha cabeça não era a melhor, isso reflectiu-se em mim, tive medo de estar a fazer um erro completamente desnecessário, agora compreendo que talvez esta tenha sido uma das melhores decisões que fiz (mesmo que um pouco fora de tempo), pois está dar-me a oportunidade de entrar num estado de espírito que, embora ainda me assuste, pois não tenho resultados concretos do que estou a fazer, todos os dias me tem dado a oportunidade de pensar "porque é que ninguém me disse que eu podia fazer isto assim?". Quem não arrisca não petisca!

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San Fran@CISCO

David Gustavo Ramos | C12
 
Cisco Systems
San Jose | EUA
 

Estou a estagiar na Cisco em San Jose, Califórnia. Fundada em 1984, a principal actividade desta organização é desenvolver e vender soluções para redes e comunicações. Tem como prioridade a satisfação do cliente. Para atingir tal objectivo foca vários aspectos, nos quais se encontram “inovação” e “teamwork”. Quando comecei o estágio na Cisco, deparei-me com um ambiente multicultural, sem diferenças profissionais e bastante acolhedor. Logo de início fui ajudado por colegas de trabalho que me inseriram nos projectos no qual estava envolvido e transmitiram-me alguns dos muitos conhecimentos que possuem sobre esta área tão grande, o “networking”.

Um dos maiores proveitos que tento tirar enquanto estagiário na Cisco é o de poder aprender através de profissionais altamente qualificados.

 

No ambiente de trabalho verifica-se boa disposição, disponibilidade e empenho gerais.

Recentemente, a Cisco lançou o CVO - Cisco Virtual Office. O CVO possibilita ao trabalhador poder exercer as suas funções a partir de um outro lugar que não o tradicional escritório, tendo exactamente as mesmas condições de quando está no escritório. Isto é, segurança ao aceder à internet, possibilidade de usufruir de serviços de voz, dados, vídeo e aplicações. Permite também comunicar instantaneamente com qualquer parte do mundo a qualquer hora. Esta solução faz com que os colaboradores "ganhem" tempo, poupem dinheiro e aumentem a produtividade, faz também com que haja menos necessidade de usar transportes, diminuindo, assim, os gases tóxicos lançados para a atmosfera. A minha estada nos EUA tem sido bastante enriquecedora, quer a nível pessoal, quer a nível profissional. A oportunidade de estagiar na maior empresa de “networking” do mundo e a possibilidade de conhecer uma nova cultura como a dos EUA torna esta experiência bastante gratificante.

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

The war on cancer

Elisabete Figueiredo | C12

 

IITRI - Illinois Institute of Technology- Research Intitute

Chicago | USA

 

As eleições presidenciais dos EUA estão a avizinhar-se e eu estou em Chicago, na cidade onde mora um potencial futuro presidente.

Estou a estagiar no Illinois Institute of Technology- Research Intitute (IITRI), no Carcinogenesis and Chemoprevention (C&C). Os principais projectos deste grupo focam-se na quimioprevenção de cancros que ainda atingem uma grande mortalidade, o do colon e o da mama.

Em conversa com o Dr Mehta, fiquei a saber que o apogeu do investimento em investigação na área do cancro foi atingido durante a presidência de Nixon, na década de 70. Nixon declarou "The War on Cancer" e queria que esta fosse uma acção lembrada como uma das mais importantes tomadas durante a sua Administração. Resolvi alargar a conversa/ entrevista com o Dr Mehta, que além de ter começado a dar os primeiros passos em investigação científica nessa década, é director do grupo C&C e vice-presidente-assistente do IITRI. Foi ainda nessa década que surgiu a quimio-prevenção enquanto área de investigação, que desde o inicío esteve associada ao IITRI.

Optei ainda por estender a conversa/ entrevista à Dra Murillo, que é professora assistente do IIT, investigadora principal no grupo C&C e supervisora do meu estágio. A Dra Murillo começou a sua carreira como nutricionista clínica e foi a "vontade de continuar sempre a aprender" e "saber as respostas" que a levou a enveredar pela investigação científica, sendo hoje uma reconhecida especialista na área da quimio-prevenção do cancro do cólon.

 

Dada a época de eleições e de grande instabilidade económica que atravessamos, pareceu-me pertinente perguntar qual o impacto, esperado por estes investigadores, do resultado das eleições na evolução da investigação científica .A resposta foi unânime, e ambos concordaram que o resultado se poderá manifestar ao nível de políticas adoptadas na investigação com células estaminais e também ao nível de financiamento total investido no National Institute of Health (NIH).

E qual teria sido a evolução da investigação na área da quimio-prevencao ao longo dos anos? Entre o momento em que o Dr Mehta e a Dra Murillo começaram a trabalhar em quimio-prevenção há uma discrepância de 20-30 anos. Nesse intervalo, os modelos in vitro começaram a ganhar relevância, houve um esforço em tentar perceber os mecanismos de acção dos compostos quimio-preventivos e a biologia molecular foi uma ferramenta que ganhou impacto neste tipo de estudos. Por outro lado, começa a sentir-se a ausência de fundos investidos nesta área.

Perguntei ainda qual achavam ser contributo da investigação na quimio-prevenção para a sociedade. Como em toda a investigação científica não há resultados imediatos, porém é muito compensador quando um composto de entre milhares estudados, que sugere um efeito protector, é levado para ensaios clínicos e prova ser efectivo. Este é um processo que pode ser muito moroso, mas uma das causas que faz acreditar que todo o trabalho desenvolvido valeu o esforço.

 

Gostava de ter incluído o resto do grupo no processo de entrevista, mas isso revelar-se ia muito extenso. Agradeço o contributo , ainda que de forma informal, que todos deram. O grupo C&C é uma amostra bem representativa da multi-culturalidade existente em Chicago, uma das características que mais me surpreendeu pela positiva. Somos indianos, chineses, afro-americanos, mexico-americanos, arábia-saudo-americanos e portugueses. Embora às vezes surjam "ruídos" de comunicação, esta é uma experiência socialmente muito enriquecedora e que fomenta o conhecimento inter-cultural e uma "comunicação internacional".

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

The Hole in the Wall

João Castelão Vaz  |  C12

 

Logoplaste

UK

 

Dirigo este artigo em especial para quem, como eu, decidiu embarcar neste programa como um salto em frente na sua carreira professional. Tinha à partida 3 anos de experiência e voltaria à categoria de estagiário, numa qualquer empresa, num país qualquer. Nestas condições é um risco, e ninguém duvide disso. Entrei na Logoplaste UK, cujo mérito e modelo de negócio em Portugal é sobejamente conhecido e muitos contacteantes no passado tiveram a sorte de ingressar numa entre muitas das unidades de negócio. O modelo de negócio é o  “Hole in the Wall” forma de Just in Time de  fornecimento de garrafas HDPE (Polietileno de alta densidade) ou PET (polietileno tereftalato) para enchimento de produtos de grande consumo.

Pelo facto de se tratar de um produto presente diariamente nas nossas vidas não deixa de envolver bastante “ciência”. Rapidamente enumero como principais a Química, a Física, a Matemática (estatística), e outras disciplinas como a termodinâmica, a gestão da cadeia de valor, a ergonomia, o marketing, a performance mecânica, a integridade, e características como a fiabilidade do produto na cadeia de fornecimento.

Pensemos em algumas situações concretas:

-As propriedades físico-químicas influem na qualidade do produto acabado, assim se o teor de água no PE for elevada, gasta-se energia na sua secagem, ou corre-se o risco de se obter um produto com fraca resistência mecânica.

-Se a viscosidade intrínseca, propriedade associada à massa molecular das cadeias de PE, não for a mais adequada, ao apertarmos uma embalagem de Ketchup o mais certo é dosearmos também o prato do vizinho.

-A aparência final de uma embalagem pode assemelhar-se a casca de laranja, ou o pescoço de uma garrafa apresentar-se torcido derivado do facto de não suportar as cargas estáticas especificadas pelo cliente. Qualquer produto que chegue até às prateleiras do supermercado nestas condições, naturalmente, ficará por lá, porque optamos por não o levar para casa. Ou ainda, se falarmos de sumo de maça, este pode tornar-se castanho porque o material da embalagem era mais permeável à entrada de oxigénio.

-Um último exemplo: Quem gosta de beber Coca-Cola “choca” porque as dimensões do gargalo não se adequaram à vedação da tampa? Dou-vos o exemplo da Coca-Cola que, como outras empresas, gere o seu produto e a sua fabricação como se de peças para estações espaciais se tratasse. Estamos a falar de processos seis sigma que já pouco toleram 3.4 defeitos por milhão. Se obtemos um volume de plástico, que passaria aos olhos mais experienciados, mas que actualmente não lhe dá razão temos também que nos preocupar com as dimensões à terceira casa decimal.

Profissionalmente interessa-me as combinações de todos estes factores, as causas e consequências de variâncias do processo industrial, o desenho de experiências e outros métodos estatisticos para optimizar e fornecer 1 bilião de garrafas, todas elas dentro de especificações. Os vectores principais do sucesso deste negócio passam pela redução de desperdícios (matéria-prima, operacionais, movimento), pela aposta na qualidade (cumprir especificações, a importância de “fazer bem à primeira”) e pela eficiência energética (a potência eléctrica contratada é para cumprir e pequenas acções como desligar a luz são essenciais).

Foi um risco mas a satisfação profissional foi alcançada. Se a matriz do programa Contacto é a internacionalização, a Logoplaste é sem dúvida a “escolha” para o desenvolvimento profissional. 

 

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Ciência Fundamental vs. Aplicada

Raquel Santos | C12
 
Elan Pharmaceuticals, Inc.
San Francisco | USA
 

Ao concorrer para o programa Inov Contacto não possuía nenhuma expectativa para além da nova experiência que um programa deste tipo é suposto proporcionar. Assim sendo, ao iniciar a semana de formação não tinha em mente nenhum destino específico.  Ocasionalmente, ia surgindo o pensamento de que seria interessante viver em São Francisco, pensamento este que se tornou realidade, ao ser anunciado no fim da semana de formação, que iria trabalhar para a Élan Pharmaceuticals, Inc., nos Estados Unidos da América, mais precisamente em São Francisco. E, assim, se iniciou a minha viagem pelo mundo da investigação científica numa empresa de biotecnologia com base nas neurociências.

 

Tendo trabalhado em investigação científica a nível académico durante três anos e meio, esta viagem iria certamente ser propícia a novas aprendizagens tanto profissionais como pessoais.

 

Ao considerarmos estes dois mundos da ciência, a primeira ideia que surge é que o modo de fazer ciência deverá ser totalmente diferente. Por um lado, parte-se do princípio de que no mundo académico se faz Ciência Fundamental, ou seja, o conhecimento pelo conhecimento – um Investigador estuda uma determinada hipótese porque esta lhe desperta interesse, independentemente de poder vir ou não a ter uma aplicação prática. Por outro lado considera-se que ao nível da Indústria se pratica a dita Ciência Aplicada, que tem sempre por objectivo a obtenção de um produto final que possa vir a ser comercializado, pelo que só serão estudadas hipóteses que poderão resultar numa aplicação prática num futuro próximo.

 

Esta foi a maior surpresa da minha viagem pelo mundo da indústria biotecnológica. Na Élan Pharmaceuticals, Inc. o modo como se pensa ciência não difere muito do modo dos Laboratórios onde trabalhei. O primeiro passo é encontrar uma hipótese de interesse; o segundo, obter conhecimento sobre o problema em questão, tentando diferentes abordagens; o terceiro corresponde à análise dos dados obtidos e à tomada de decisões sobre que direcção seguir. É neste último ponto que começam a surgir algumas diferenças. No mundo académico esta decisão fundamenta-se principalmente na determinação de qual é a questão mais interessante que surge dos dados obtidos, enquanto que na indústria esta decisão poderá ter unicamente como base qual o passo que nos levará mais próximo de obter o produto final desejado. Para que estas decisões sejam tomadas, ocorrem reuniões periódicas em que os grupos envolvidos num determinado projecto apresentam os resultados obtidos até à data e estes são discutidos entre os Group Leaders, o Responsável pelo Projecto e o Responsável pelo Departamento de Investigação, entre outros. Assistir à interacção destes Cientistas, observar como abordam os problemas em mesa e respondem às novas questões que vão sendo colocadas, é algo fascinante para alguém que quer vir a ser cientista. Nesta discussão são determinadas que hipóteses devem continuar a ser estudadas, que linhas de investigação irão seguidas e quais deverão ser descartadas. Contudo, em alguns casos, uma hipótese não é simplesmente descartada, porque os resultados não aparentam vir a ter a aplicação prática que se pretendia. Se estes proporcionarem conhecimento fundamental, que poderá vir a ajudar a compreender o modo como as coisas se processam naturalmente, isso facilitará a determinação de como uma determinada doença se expressa, podendo levar ao eventual desenvolvimento de novas terapias.

 

No fundo, Ciência Aplicada e Ciência Fundamental precisam uma da outra e não estão tão separadas como seria de esperar à partida. A primeira precisa de conhecimento previamente adquirido, para que possa encontrar questões de interesse prático; a segunda beneficia, em parte, desta necessidade para a obtenção dos fundos necessários para o seu financiamento. Hoje em dia, esta linha de separação está-se a tornar cada vez mais ténue e tanto nas empresas se pratica Ciência Fundamental como nos ditos Laboratórios Académicos se começa a praticar Ciência de algum modo Aplicada.

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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Empreendedorismo Espacial

João Geraldes  |  C12

 

Rotacional

Noordwijk | Holanda

 

Localizado na pequena cidade de Noordwijk na Holanda, o European Space Research and Technology Centre (ESTEC) é o berço da maioria dos projectos da Agência Espacial Europeia (ESA). É aqui que a ESA e os seus 17 estados membros se juntam para desenvolver uma diversa gama de ambiciosos projectos espaciais, tornando possível a concretização de objectivos que individualmente seriam impossíveis de realizar. Por entre os diversos projectos permanece o desenvolvimento cientifico e novas aplicações na exploração espacial, contribuindo para uma cada vez mais vigorosa industria espacial europeia.
 
O ESTEC conta com mais de 2000 especialistas distribuídos por entre os variados projectos que se encontram em curso, e é a maior das infra-estruturas da ESA, sendo este considerado o coração da ESA. 90% do orçamento da ESA é usado em contractos com industria. Isto resulta na criação de aproximadamente 1000 contractos com companhias europeias e canadianas todos os anos. Estes contractos geram mais de 30 000 postos de trabalho qualificados, contabilizando receitas anuais entre 5-6 biliões de Euros. A ESA coloca cerca de 1,6 biliões de euros todos os anos em contractos com industrias Europeias. Estes factores fazem da ESA o mais importante cliente da industria espacial europeia.
Um dos elementos fundamentais da ESA é o principio do retorno geográfico: onde contractos são feitos num determinado pais consoante a participação desse pais para o orçamento da ESA. Apesar de alguns programas serem de caracter obrigatório para os estados membros contribuírem de acordo com o seu produto nacional bruto (PNB), outros programas são opcionais, onde cada estado membro decide individualmente até que nível deseja participar. Tentando a ESA garantir assim ás empresas e instituições dos estados membros, uma igualdade de oportunidade de negócio. Estas oportunidades de negócio são dispostas como invitation to tender (ITT) e encontram-se disponíveis para consulta no sistema EMITS (http://emits.esa.int).
 
A ESA contribui também para o desenvolvimento da industria europeia com o Technology Transfer Programme Office (TTPO). Onde a sua principal função é demonstrar aos cidadãos europeus alguns dos benefícios do programa espacial europeu e fortalecer a competitividade da industria europeia. Este fortalecimento é realizado encorajando os benefícios e potencial comercial de tecnologia espacial para aplicações não-espaciais, que por seu lado, resultam em produtos inovativos e geração de novos empregos na Europa. Actuando sobre a premissa que muita da tecnologia desenvolvida sobre programas espaciais pode ser transferida para novas aplicações terrestres - particularmente aquelas que melhoram o nosso dia-a-dia.
 
O Technology Transfer and Promotion Office, agora chamado Technology Transfer Programme Office (estabelecido em 1990), facilita a transferência entre as tecnologias espacial e terrestre apoiando o desenvolvimento e comercialização destas aplicações. Um dos métodos de implementação deste apoio é a incubadora de negócios (European Space Incubador), onde empresas em inicio de actividade dispõem de serviços operacionais, know-how num ambiente altamente tecnológico e fácil acesso a especialistas técnicos da ESA entre outros. Por entre os apoios fornecidos destacam-se: Financiamento; Acesso a suporte de engenharia por parte de especialistas da ESA; Acesso a recursos da ESA (laboratórios, workshops e etc); Desenvolvimento de negócio e aconselhamento; Acesso a parcerias estratégicas e networking; Escritórios num ambiente de negócio. Todas estes pontos fazem da incubadora de negócios da ESA um exemplo a seguir com bastantes casos de sucesso na criação/desenvolvimento de industrias tecnológicas europeias.
 
Por outro lado a ESA contribui na formação de jovens quadros com o seu programa de Young Graduate Trainees (IGT's). Este programa encontra-se maioritariamente orientado para as áreas de engenharia/ciência, consistindo num estágio de um ano com o objectivo de fornecer ao jovem licenciado uma valiosa experiência de trabalho e preparação para futuro emprego na industria/pesquisa cientifica espacial. Todas estas razões fazem da ESA uma forte contribuição para o desenvolvimento de empresas e individuais em variadas áreas, possibilitando por um lado a criação e/ou desenvolvimento de industrias através das possibilidades de negócio e apoios, como também a integração de jovens profissionais no mercado de trabalho através de um ambiente de alta aprendizagem e criação de contactos, algo imprescindível para o futuro de um jovem empreendedor.
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Pormenores na Vanguarda Ambiental

Rita Figueiredo l C12
 
Sonae Sierra
Alemanha l Düsseldorf
 

 

 

A Sonae Sierra, empresa na qual me encontro a estagiar, juntou-se ao programa INOV Contacto em 2000 e desde então 23 estagiários, dos quais 9 posteriormente assinaram contrato, tiveram a oportunidade de percorrer os corredores da Sonae Sierra integrando os mais diversos departamentos.

 

O Departamento de Comunicação e Ambiente, no qual estou inserida, é responsável pela abordagem ambiental da Sonae Sierra. Baseia-se na implementação do seu Sistema de Gestão Ambiental (SGA), certificado em conformidade com a norma ISO 14001. O SGA abrange todas as actividades de negócio e aplica-se em todos os países onde a empresa opera. Destina-se a aumentar a eco-eficiência e a promover o controlo dos impactes ambientais significativos resultantes das suas actividades de negócio, dando continuidade, aos compromissos assumidos na Política de Ambiente.

 

O SGA da Sonae Sierra possui duas importantes fases, uma respeitante aos centros em fase de projecto/construção e outra aos centros já em operação. Na primeira fase a certificação do sistema termina no dia em que a obra é dada por concluída. Seguidamente os esforços são direccionados para a manutenção da certificação do centro comercial em operação. Dos 48 centros em operação 27 possuem certificação de acordo com a ISO14001.

 

Para além dos centros geridos pela Sonae Sierra também os seus escritórios têm que respeitar e cumprir com as melhores práticas ambientais. Assim ao ser destacada para a Alemanha e ter o meu posto de trabalho nos escritórios de Düsseldorf achei que ia encontrar um local onde os meus colegas seriam de uma extrema consciência ambiental, não tivesse a Alemanha a fama que tem em relação a estas questões. Descobri no entanto que os Alemães apenas se preocupam com um dos 3R´s – Reciclar! Infelizmente o Reduzir e Reutilizar ainda não fazem parte da sua cultura ambiental. “Reutilizar? Isso dá muito trabalho. Coloca-se tudo para reciclar e já está! ” – Afirmou uma das minhas colegas de trabalho quando lhe sugeri que reutilizasse o verso de folhas inutilizadas para fazer blocos de notas.

 

No entanto não posso deixar de afirmar que a Alemanha é sem dúvida um país na vanguarda ambiental. Eis alguns exemplos:

 

Num fim-de-semana desloquei-me de carro com alguns amigos até Colónia. Numa das zonas da cidade fomos multados por o nosso carro não ter o “autocolante ambiental”.

Pois é, desde o início do corrente ano que a cidade de Colónia (tal como Berlim, Hannover e muitas outras - http://www.umwelt-plakette.de) possuem zonas ambientais, onde os veículos automóveis têm que ser portadores de um autocolante certificativo da sua aceitabilidade em termos de emissões atmosféricas. O autocolante identifica o carro com uma cor: verde para veiculo ambientalmente aceitável, amarelo para pouco aceitável e vermelho para muito pouco aceitável. Dependendo da especificação da zona o carro poderá ou não circular nela.

 

Numa outra situação um amigo espanhol, sabendo da minha área de formação em Engenharia do Ambiente, veio muito feliz ter comigo mostrando-me que tinha alugado uma casa com certificado energético. Grande parte do consumo energético na Alemanha é gasto no aquecimento das casas e da água, como tal esta é uma importante factura a ter em conta aquando do aluguer ou compra de uma casa. Devido à falta de informação sobre este assunto foi criado um certificado energético que permite uma maior transparência na escolha dos imóveis.

  
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Gene + Tech

Inês Barbosa | C12

Genentech

São Francisco | EUA 

 

Gene: do Grego génos, geração; s.m., segmento de DNA que contém instruções para a produção de uma proteína.

Tecnologia: do Grego technologia < téchne, arte + lógos, tratado; s.f., teoria geral e estudos especializados sobre os procedimentos, instrumentos e objectos próprios de qualquer técnica, arte ou ofício.

 

Definições enganadoramente simples. Os bons (velhos?) compêndios da universidade bem que se esmeram em tentativas de definição polidas, sucintas e infalíveis. Mas é tarefa árdua.

E quão difícil será então a resolução da “operação aritmética”: gene + tecnologia? Sim, eu sei que aritmética sem números é, no mínimo, estranho. Sim, concordo que poderia ser uma boa invenção. Mas não é aí que quero chegar. Apelo à vossa capacidade de abstracção e garanto-vos que se a aritmética de palavras se transformasse em números, o resultado daquela operação seria um número totalmente novo, que animaria a teoria dos conjuntos!

Mas cinjamo-nos ao que existe. A solução é complexa. E também real, racional e natural. Justifico-me: a combinação de gene e tecnologia ou, de forma mais pragmática, engenharia genética e indústria tecnológica, dá origem a um admirável mundo novo de esperanças, oportunidades,  soluções e, claro, problemas. Mas há quem arrisque esse caminho.

A Genentech, empresa que me recebeu neste estágio do Contacto, foi pioneira na indústria biotecnológica, quando apostou, já há 32 anos, no desenvolvimento das aplicações práticas da técnica de DNA recombinante. Esta técnica foi desenvolvida em 1973 por Stanley Norman Cohen e Herbert Boyer – um dos fundadores da Genentech. Sucintamente, para se produzir DNA recombinante, basta dar azo à imaginação e, com uma pitada de sensibilidade e bom-senso, combinar uma ou mais cadeias de DNA com outras sequências que não têm necessariamente que pertencer a um mesmo organismo. Assim, se a estratégia for bem delineada, genes de bactérias, pirilampos e humanos podem conviver em perfeita harmonia. São inúmeras as aplicações desta técnica: desde a criação de ratinhos que “fluorescem” no escuro até à produção de insulina para o tratamento da diabetes. Na Genentech, a lista de fármacos cuja produção se deve à técnica de DNA recombinante é extensa, e os alvos terapêuticos destes medicamentos são também diversos: doenças oncológicas, imunológicas, neurológicas e de crescimento e reparação de tecidos.

A Genentech, para além de liderar a investigação nalguns ramos da Ciência Fundamental e Aplicada, compromete-se também no desenvolvimento das potencialidades dos seus produtos, bem como na sua produção e comercialização. Para assegurar o bom desenrolar de todo este processo, a empresa conta com cerca de doze mil trabalhadores, espalhados por diversos pólos em South San Francisco, Oceancide, Vacaville, Hillsboro e Singapura.

Complexo? Real? Racional? Genentech, naturalmente.

Finalizo com um problema “aritmético”: Bióloga + Genentech = desafio e aprendizagem constantes… e uns quantos números por inventar.

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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Contacto - Uma experiência Global

Amílcar Loureiro  |  C12

 

Pfizer

Sandwich | England

 

 

Pfizer Global

A Pfizer é uma empresa com uma história de inovação e aventura, de riscos elevados e de decisões corajosas. É a crónica de uma pequena empresa de produtos químicos que começou em Brooklyn, Nova Iorque, e se tornou líder do mercado farmacêutico mundial. Fundada por dois primos imigrantes alemães Charles Pfizer e Charles Erhart, que implementaram um espírito empreendedor pioneiro que tem sido constante nestes 150 anos de história mundial da Pfizer. O reflexo da Pfizer Global é ter trabalhadores em 89 países, estar presente em 150 países a nivel de mercado, englobar divisões tão reconhecidas como a farmacêutica, produtos OTCs, saúde animal e investigação e desenvolvimento.

Empresa e ambiente

 

A sede europeia encontra-se situada em Sandwich, com cerca de 4000 funcionários, dividida em diferentes departamentos com uma qualidade de condições de espaço físico excelente. O ambiente laboral encontra-se rodeado de um espirito inovador, criativo, jovem, competitivo e multicultural. O meu estágio está inserido no Departamento de Vacinas, dividido em vários grupos. O grupo de trabalho em que estou inserido é constituído por 8 pessoas de 5 nacionalidades, a saber, a inglesa, americana, portuguesa, alemã e húngara. O espirito de inovação é bom aliado da troca de conhecimento, sendo a aprendizagem um desafio constante. O meu papel no respectivo grupo envolve trabalho predominantemente laboratorial,  que consiste na transformação, produção e purificação de proteínas . Na indústria farmacéutica tudo está coordenado, todas as equipas estão dependentes umas das outras e o propósito do bem comum é so um - Pfizer.

 

Experiência  cultural


Como em tantas histórias, o primeiro capítulo desta aventura começou com uma candidatura ao programa INOV-Contacto, uma semana de campus em Lisboa, e um bilhete de avião para a Inglaterra. A história continua com a chegada a Sandwich estado de Kent Inglaterra, sim para além do genial futebol inventaram também a sandwich. A culinária começa com o famoso fish and chips, english breakfast e, claro, chá e biscoitos. As novas amizades que se começam a fazer e as antigas que se mantém são "o sal da vida". A cultura do pub, pint, de uma Inglaterra que a não dos postais turísticos.


Desafios  Globais

 

Hoje um cidadão de um país não é apenas nacional mas global. A necessidade de Portugal como país é assumir-se cada vez mais como uma economia criativa, tecnológica, resumindo: atraente para novos investimentos, que fomentem uma economia mais forte e mais especializada. O programa Contacto é a ponte para projectos futuros que podem dar os seus frutos a médio e longo prazo.

 

Thank you AICEP

 

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