Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Brasil à Margem da Crise....

Ana Cunha | C13
 
Nemorus Securities       
Florianópolis | Brasil
 

O Brasil tem passado à margem da crise...

Numa altura em que a palavra crise é já uma constante no quotidiano europeu, debate-se muito acerca das melhores medidas para pôr fim a uma realidade difícil que insiste em permanecer.

Há pouco mais de um ano, o mundo assistia ao início de uma forte crise económica. Nos Estados Unidos, a crise no pagamento de hipotecas acabou por vir a alastrar-se por toda a economia mundial, permanecendo, ainda hoje, nos vários sectores internacionais.

Surpreendentemente, o Brasil – país em desenvolvimento – mostrou uma forte resistência perante um panorama de crise. O facto de os bancos não possuírem papéis ligados às hipotecas de alto risco que estiveram na origem dos problemas, constituiu o ponto de partida para a forte resistência que apresenta.  

Várias são as teorias defendidas para tentar justificar a posição segura do país de Lula face aos efeitos da crise mundial. No entanto, unanimemente os principais factores baseiam-se, essencialmente, em quatro pontos principais:

1)      O Brasil possui uma política económica previsível;

2)      Acumulou reservas internacionais de US$200 biliões;

3)      É detentor de inúmeros recursos naturais e apresenta uma agricultura moderna;

4)      Conta com 20 milhões de novos consumidores.

Segundo uma reportagem feita pela The Economist, o Brasil deve a sua resistência, face aos efeitos da crise, a três aspectos fundamentais, como o facto de apresentar uma demanda que está em alta; ter exportações para os Estados Unidos a representar menos de 20% do total - tendo uma base de exportação que se divide entre Europa, Ásia e América Latina - e, por último, o facto de o Brasil combinar um Banco Central com autonomia e uma política de câmbio flutuante, o que o torna menos vulnerável aos choques externos.

“O Brasil implementou nos últimos anos as políticas económicas correctas, acumulou reservas e, assim, a economia brasileira está em boa forma”. Afirmações como esta foram ouvidas no começo da crise, mantendo-se até há uns meses atrás.

Porém, no último trimestre de 2008 o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertava para uma realidade exigente:

“Mesmo em boa forma, o efeito do declínio no crescimento global terá consequências sobre as reservas; o Brasil está forte, mas não é imune à crise.”

A firmeza de um país em desenvolvimento face à situação económica internacional tem sido argumento forte e constante no discurso do governo de Lula. No entanto, os acontecimentos dos últimos meses tornam-se demasiado evidentes para se continuar a falar de um Brasil que se mantém aquém da crise.

No final do mês de Março o Banco Central viu-se obrigado a rever a sua expectativa para o crescimento da economia brasileira prevista para este ano de 3,2% para 1,2%. Importa dizer que ao longo das últimas cinco semanas as previsões têm vindo a piorar e que, mesmo este valor agora apresentado é considerado, por muitos, como um número optimista, tendo em conta as previsões do mercado.

No passado mês de Março, o governo brasileiro anunciou um corte de R$ 21,6 biliões no orçamento federal, como consequência da diminuição do crescimento do país e da queda na colecta de impostos.

Assiste-se, neste momento, à 1ª retracção da economia brasileira, desde 1992, ao mesmo tempo que se contabiliza uma queda de 1,7% na produção do sector industrial – sector este que já tinha sofrido uma diminuição de 1,3% em Janeiro e que se apresenta como o que mais sofre os efeitos da crise.

Em situação de recessão, no Brasil ou em qualquer outro país, os sectores que mais sofrem com a queda da demanda são os sectores automóvel; imobiliário e de bens de capital (ligado aos investimentos), por dependerem directamente de financiamento, que, nestas situações, escasseia.

No passado dia 30, o Ministro da Fazenda, Guido Montega, anunciou mais um pacote de estímulo fiscal para os sectores da construção civil e automóvel e ainda no passado mês de Março, o índice de aluguer teve a sua maior queda, desde 2003.

Perante o quadro actual, a consequência que agora se teme é o desemprego. A diminuição do consumo interno e do crédito; das exportações e do investimento, conduzem, inevitavelmente, à diminuição da demanda das empresas, que se vêem obrigadas a rever os seus quadros de funcionários.

Como em qualquer sistema económico, as repercussões de uma fragilidade denunciada fazem-se sentir nos restantes sectores. Como tal, a redução do consumo das famílias e do investimento das empresas revela a instabilidade reflectida em dois dos grandes pilares da expansão da economia do país.

 

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Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Espanha – Um olhar sobre La Crisis

André Silva | C13

 

         Centrocar

         Madrid | Espanha

 

Nuestros Hermanos, como carinhosamente os Portugueses se referem aos Espanhóis que a meu ver, só tem esse significado pela proximidade geográfica e por existir também alguma ligação cultural. Na medida em que, se deitarmos um olhar mais atento a este País, apercebemo-nos de enormes diferenças em cada virar da esquina, em cada rua - calle, no Idioma, nos hábitos sociais, formas de pensar, de trabalhar, de atitude para enfrentar as adversidades da vida, até na economia, tudo é diferente. Chego mesmo a concluir que aqui em Espanha a crise é distinta da que se vive, tanto em Portugal, como no resto do mundo.

 

Olhando um pouco para a história recente espanhola, vemos que até há bem pouco tempo, este país era o campeão do crescimento económico. Viveram-se tempos de grande euforia económica, em que tudo se vendia, tudo se comprava, a oferta de trabalho era abundante e variada, os salários eram considerados bons (muito acima dos praticados em Portugal), permitindo a aquisição de todo o tipo de bens, casa, carro e afins… quase toda a gente mostrava poder de compra, exteriorizava bem-estar e aparentava felicidade.

 

Pesquisando o porquê desta euforia económica, somos conduzidos, inevitavelmente, a olhar para dois importantes sectores, considerados os pesos pesados no desenvolvimento de uma economia. O sector imobiliário/construção civil e o sector bancário. Claro que uma economia fluorescente normalmente atrai os olhares de toda a gente, especialmente os da comunidade de trabalhadores de países menos desenvolvidos, onde a precariedade de trabalho e condições de vida são uma constante do dia-a-dia.

 

Daí, a Espanha ter praticamente sido invadida por uma quantidade razoável de imigrantes, em busca do El Dorado. Esta invasão massiva teve como consequência imediata a procura de habitação e, dado que a procura excedia em larga escala a oferta, motivou a construção exponencial de imóveis, com reflexos imediatos na especulação imobiliária. O sector bancário aparece como agente financiador de todo este mercado emergente que parecia uma fonte inesgotável de proveitos. A procura e a atribuição de créditos bancários para aquisição de bens apontava para ganhos avultados, para os sectores que directamente originaram esta explosão. A Espanha estava para as empresas e negócios como o paraíso para o Homem.

 

Com o despoletar da crise financeira a nível mundial, a Espanha apresentou uma economia em grande parte sustentada pelos sectores imobiliário/construção e bancário, mostrando toda a fragilidade em que a mesma estava sustentada e ressentiu-se disso como nenhum outro país da Zona Euro.

 

Em cerca de um ano e meio, a taxa de desemprego aumentou mais de 50%, cifrando-se actualmente em cerca de 17 %, correspondendo a cerca de 4.000.000 de desempregados.

O sector imobiliário/construção estagnaram e, em efeito “bola de neve”, arrastaram consigo uma boa parte de outros sectores da economia deste País, tais como o do automóvel e das máquinas para a construção, etc., com registo de quebras nas vendas da ordem dos 65% a 80% respectivamente. A economia deste País, neste momento, avança e recua como um motor aos solavancos. Crescimento efectivo, só mesmo na taxa de desemprego e no crédito mal parado, este último com repercussões sociais, com a subsequente venda em hasta pública de imobiliário (habitações, lojas, naves) e de veículos.

 

Reconheço que numa conjuntura como esta, haverá sempre operações cirúrgicas de mercado, as quais resultarão no desaparecimento dos elos mais fracos, sejam eles empresas frágeis, com os consequentes despedimentos, especuladores inveterados ou investidores incautos. No entanto há um sector que tem sentido muito menos os efeitos adversos desta crise - o sector da Restauração.

Os estabelecimentos de restauração, incluindo os de diversão nocturna, (pese embora o facto de existir um decréscimo da procura da ordem dos 10% - 15%), têm reagido bem à situação, oferecendo  redução dos preços, procurando assim atrair mais clientes, que a par de uma cultura de “rua”, contribuem deste modo para que estes estabelecimentos se encontrem sempre cheios de gente pronta a consumir.  

A realidade é que, esta crise, tem provocado uma transformação progressiva da atitude desta sociedade e após o período da euforia económica com taxas de crescimento na casa dos dois dígitos, vivemos actualmente tempos de acalmia, de estagnação, diria mesmo de contracção da economia. A solução tem-me parecido simples e vem directamente da expressão “temos de encarar a realidade e enfrentá-la”.

 

Desta forma, as empresas têm vindo, mais do que nunca, a estudar e analisar as suas fraquezas e os seus pontos fortes, ensaiando métodos de contenção, cortando nas despesas, reestruturando-se, procurando outros mercados e espreitando novas oportunidades, de modo a fortalecerem-se, para assim resistirem à crise e, no futuro estarem mais fortes e mais bem preparadas.

 

É evidente que, analisando esta crise global sob o ponto de vista didáctico, verificamos que da pior forma houve um ganho de “know-how”, quer pela parte empresarial, quer pela parte individual e que, talvez de outra forma, essa aprendizagem fosse bem mais difícil de obter.

 

Olhando de novo para o passado, a história tem-nos mostrado que a Espanha já viveu crises complicadas; no final dos anos 70, após a morte do general Franco, com 2 dígitos de inflação, no fim dos anos 80 quando cerca de 50 bancos tiveram de ser intervencionados pelo Estado e no anos 90 com o desemprego na casa dos 24%. Em todas elas a via foi quase sempre a mesma. O segredo está à vista, um dos grandes recursos do País também tem sido a família, que se desdobra até ao parentesco mais longínquo, dando sempre um ombro para os mais carenciados, até estes encontrarem as condições mínimas de sobrevivência com dignidade.

É um pouco olhando para esse passado e, se a isso juntarmos que a Espanha tem um tecido social modernizado, um sistema de saúde socializado, onde toda a gente tem assistência médica, que tenho a convicção profunda que, embora nada mais seja como dantes, uma vez mais a Espanha encontrará o seu caminho, onde surgirá uma economia mais estável, mais estruturada, fortalecida pela poupança dos recursos monetários de cada família e pela poupança dos recursos energéticos, uma solidez institucional apoiada em valores sociais mais consentâneos com a globalidade em que vivemos, com maior uniformidade de critérios e uma maior defesa e valorização do indivíduo, dentro de uma sociedade, como factor essencial ao desenvolvimento e prosperidade de um País.   

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Crise I: quais as oportunidades para as empresa nacionais na Bay Area californiana?

Carlos Marques | C13

Dassault Systemes Simulia Corporation

Fremont  | E.U.A

 

 As empresas nacionais que se insiram no perfil de criação de valor acrescentado através de tecnologias inovadoras e produtos diferenciados, terão sempre um espaço a ocupar no enorme mercado dos EUA e em particular na Califórnia, onde há exemplos concretos a comprová-lo.

Em áreas tão díspares como a concepção de software, passando pela produção de fibra óptica até às energias renováveis, há empresas portuguesas e empreendedores lusos a ter sucesso nas suas iniciativas de internacionalização na costa oeste dos Estados Unidos. É mesmo possível encontrar alguns deles no Little Portugal de San José a saborear deliciosos pratos da gastronomia lusa ao almoço na última quinta-feira de cada mês no insuspeito Trade Rite!

 

Contudo, há um reparo a fazer: falta sangue novo para impulsionar novas histórias de sucesso por estas bandas. Os exemplos citados referem-se a empreendedores pioneiros do século XX, profissionais que se instalaram em Silicon Valley há bem mais de vinte anos e que aqui constroem carreiras recheadas de êxito. Alguns deles foram inclusive “comprados” por concorrentes locais de maior dimensão, acabando por ser esta a melhor evidência da sua capacidade e do seu sucesso. Mas, é necessário que venha uma nova vaga lusa de empreendedores que traga consigo algo a oferecer e que aproveite as oportunidades que brotam na economia da Bay Area.

 

Outros sectores de actividade teriam condições para vencer, desde que devidamente apoiados e sustentados numa boa cadeia de distribuição e numa eficaz gestão da estrutura de custos. Falamos da gastronomia e restauração em geral e dos vinhos em particular.

Um longo caminho haverá com certeza a desbravar, principalmente no que diz respeito a algum proteccionismo vigente face aos produtos agrícolas nos Estados Unidos, mas o fundamental está nas nossas mãos: o saber fazer vinhos de qualidade com castas de enorme potencial. Temos ainda a vantagem de ter, no nosso vastíssimo catálogo de produtos vinícolas, alguns néctares bem semelhantes aos vinhos da Califórnia, em especial nos tintos maduros, o que se pode traduzir numa vantagem junto do consumidor que está fidelizado a este produto, uma vez que o vinho local é vendido a um preço  elevado ou muito elevado, dependendo do productor e do local de compra (ao contrário de outros estados, na Califórnia  é possivel comprar bebidas alcoólicas nos supermercados). Contudo, é necessário apostar muito mais na divulgacao junto dos profissionais e do consumidor final, o que felizmente comeca a suceder: dia 16 de Abril irá decorrer em San Francisco a 3ª Grande Prova de Vinhos de Portugal, organizada pela ViniPortugal.

 

Merecedor de atenção redobrada deverá ser o sector dos serviços, onde em algumas aplicações temos soluções tecnologicamente mais avançadas do que aquelas que se podem encontrar no oeste americano, como são os casos das portagens, serviço ATM e as telecomunicações, e que, por isso, poderiam perfeitamente procurar ocupar um papel de destaque face às características únicas que possuem, a competência do serviço e a eficiência da sua performance.

 

Em síntese, temos as competências e o know-how para competir aqui, faltando em alguns casos escala, experiência e vontade de correr riscos para avançar com uma entrada no mercado americano. Noutras situações, o puro desconhecimento e uma dose de ignorância impedem passos mais arrojados na direcção da internacionalização.

 

De qualquer forma, a solução passará por parcerias locais, totalmente conhecedoras das condições no terreno e possuidoras de redes de distribuição plenamente implantadas, deixando espaço e recursos libertos para as empresas lusas poderem trabalhar e aperfeiçoar os seus produtos.

 

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Crise II: quais as oportunidades que se apresentam aos americanos?

Carlos Marques | C13
 
Dassault Systemes Simulia Corporation
Fremont  | E.U.A

 

Ao lançar esta questão à minha recém-formada network californiana retive um certo receio no futuro que se avizinha, o que me surpreendeu, em virtude do espírito easy going típico destas paragens. Se há oportunidades a aparecer, este conjunto de californianos, por nascimento ou adopção, não as consegue divisar num horizonte próximo.

Um sentimento latente de algum pessimismo atravessa a amostra auscultada pelo autor: homens e mulheres, jovens e séniores, trabalhadores do sector público ou privado, nacionais ou estrangeiros. Ouvem-se, volta e meia, frases como “o pior ainda está para vir” ou “vão ser necessários dez anos para compôr o que se estragou em dez meses”.

 

Face às baixas taxas de juro actualmente praticadas pela FEDReserva Federal Americana – e a enorme quantidade de dinheiro que está a ser, e irá continuar a ser, injectado na economia dos EUA, o comum californiano está preocupado com um fenómeno de recrudescimento da inflação. Por outro lado, é verdade que com o dólar americano a enfraquecer nos mercados internacionais, os produtos “made in USA” serão mais competitivos face aos seus concorrentes e a porta das exportações estará aberta para permitir a entrada de dinheiro fresco nos abalados cofres das empresas norte-americanas, afectadas na sua generalidade pela desaceleração do consumo interno desde o terceiro trimestre de 2008.

Mas quem pensa assim desengane-se: o elevado valor da mão-de-obra nos EUA em comparação com os preços praticados na China, Índia e Sudoeste Asiático tornam a opção da manufacturação intensiva inviável para dar a volta a crise. A elevada percentagem de desempregados no estado da Califórnia, actualmente na casa dos dois dígitos, apenas vem sublinhar a situação difícil que se vive na costa do Pacífico. 

 

Assim, é preciso olhar para o outro topo da pirâmide e verificar que o investimento em produtos de elevado valor acrescentado, em particular de alta tecnologia, será a solução mais consensual para colocar os EUA de novo nos carris.

Para tal, um investimento forte deve ser canalizado para a formação de recursos humanos em áreas tecnológicas, e este representa o primeiro obstáculo a ser ultrapassado: os americanos que seguem para um curso superior universitário fazem-no maioritariamente nas áreas de leis e negócios. A apetência para as engenharias e matemáticas tem-se deteriorado dramaticamente ao longo das últimas décadas, chegando-se ao ponto de a grande maioria dos alunos de mestrado e doutoramento em ciências aplicadas nas universidades americanas serem estrangeiros. O próprio presidente Obama alertou recentemente para a necessidade do país formar mais gente em áreas técnicas, produtivas e criativas.

 

Isto também se reflecte na falta de confiança nos próprios produtos concebidos por marcas americanas. O exemplo mais gritante verifica-se na indústria automóvel, onde a crise dos três grandes – Chrysler, Ford e GM – é muito anterior à crise financeira despoletada no verão passado e centra-se na falta de qualidade de construção dos veículos americanos, em comparação com os congéneres europeus (leia-se alemães) e sobretudo asiáticos (Japão e Coreia), ao que se junta o desfasamento dos modelos propostos ao mercado no panorama actual de custos elevados nos preços de energia.

 

Todo este sentimento popular, as vicissitudes do momento, os problemas a enfrentar e as soluções a implementar assemelham-se em muitos pontos à realidade que actualmente vivemos no nosso país, onde encontramos uma sensação de pessimismo em relação aos tempos que vivemos e verificamos, ainda que em moldes distintos, um problema perene de formação e qualificação de parte substancial da nossa população.

 

Descontando os naturais factores de dimensão e escala, talvez a grande diferença entre estas duas realidades seja a de haver uma dinâmica para a mudança enraizada nos espírito americano, sem medos nem receios de abraçar um novo desafio se tal implicar a sobrevivência do seu próprio modelo de vida. E que não tardará a ser novamente demonstrada ao resto do mundo.

 

Como tal, vamos com certeza, assistir, a prazo, a um novo emergir dos EUA por acção das forças vivas que constituem a sua sociedade civil, baseado no respeito pela liberdade de acção de cada um, como agente económico, e na consciência de que para se alcançarem determinados objectivos é necessário sair da nossa zona de conforto, arregaçar as mangas e correr riscos em prol de um futuro melhor. Porque com esta mentalidade não é preciso pedir oportunidades a ninguém: cada um é capaz de criar a sua! 

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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Atitude positiva nas empresas tecnológicas dos EUA

João Sousa Botto | C13 

Leadership Business Consulting

São Francisco | EUA

 

Basta abrir o jornal, ligar a televisão ou,  simplesmente estar atento às conversas daqueles que nos rodeiam, para sabermos que vivemos uma crise económica; e não é necessário esforço adicional para perceber que os Estados Unidos são, realmente, o epicentro da crise.

 

Na minha actividade cruzo-me diariamente com excelentes profissionais que foram despedidos (layed-off) como consequência das dificuldades actuais. Felizmente, vejo que muitas pessoas acreditam nas suas próprias capacidades e vêem a sua nova situação como uma oportunidade para trabalhar em projectos que até agora tinham ficado para segundo plano por falta de tempo. Nos Estados Unidos – e sobretudo na zona de Silicon Valley - é motivo de orgulho ter-se, ou ter-se tido, a sua própria startup, mesmo que esta não tenha conhecido sucesso.

 

Os incentivos para estabelecer a sua própria empresa são agora muito interessantes e estão constantemente a surgir novas incubadoras empresariais, pelo que o lay-off é visto por muitos como a ocasião ideal para criar uma startup.

 

Mas os tempos em que as tecnológicas eram facilmente financiadas acabaram, e as empresas de capital de risco limitaram assustadoramente os seus investimentos. Actualmente, os bancos têm menos dinheiro disponível para empréstimos, o que afecta significativamente a disponibilidade financeira das próprias empresas de capital de risco. Para um empreendedor, com empresa estabelecida, conseguir novos financiamentos, tem agora não só que mostrar que o seu produto é interessante e completamente inovador ou substancialmente superior ao da concorrência (seja em termos de funcionalidade ou de preço) mas, também, que está dependente de um factor “sorte” por ter que conhecer os investidores certos. As empresas financiadas são agora as que produzem produtos que se encaixem na categoria need to have (versus nice to have), estando a principal preocupação relacionada com o contributo que o produto terá directa ou indirectamente na redução de custos para o seu utilizador.

 

Apesar de ser fácil iniciar uma nova empresa, esta terá que ser economicamente auto-sustentável ou contar com as limitações de financiamento anteriormente referidas. Estas condições, aliadas ao facto de os despedimentos e congelamento de novas contratações tenderem a sobrecarregar o actual quadro de recursos humanos, alteram o rumo das inovações de forma a que os novos produtos estejam agora relacionados com o aumento de produtividade e automatização de procedimentos.

 

Esta tendência é seguramente uma oportunidade para formar novas empresas focadas em encontrar soluções para colmatar as lacunas percebidas antes dos lay-offs mas que nunca chegaram a ser postas em prática por limitações temporais.

 

Por outro lado, apesar dos despedimentos, as empresas não podem deixar de inovar, sob pena de verem os seus produtos tornarem-se obsoletos e perderem margem de mercado. Espera-se, então, que as empresas que agora reduzem as suas despesas neste departamento tenham num futuro próximo que adquirir startups que estejam a inovar na sua área para gerir com sucesso a sua presença no mercado.

 

Pode, então, dizer-se, que a população americana enfrenta a crise utilizando os incentivos governamentais para criar novas empresas e realizar projectos que até então não tinham sido possíveis. A atitude positiva e abertura para aceitar a crise fazem com que se acredite que os Estados Unidos ultrapassarão esta situação antes das outras potências mundiais.

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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

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Ricardo Rôlo | C13

CGC Genetics Inc.

Newark (NJ) | Estados Unidos

A crise vem sendo um tema recorrente nos dias de hoje, sendo que estamos constantemente a ouvir novos desenvolvimentos e medidas de combate.

Nos Estados Unidos, para combater a crise, ouve-se falar em inúmeros milhões de dólares injectados na economia, nas instituições bancárias, de modo a colocar capital no “bolso” dos consumidores, das empresas, e deste modo conseguir criar empregos. Referem ainda que a Reserva Federal Americana deverá lançar um programa para estimular o crédito aos consumidores e às pequenas empresas. Ao nível dos impostos também haverá modificações no sentido de incluir alguns cortes e isenções fiscais. Todas estas medidas têm um objectivo comum, a recuperação económica.

É certo que a crise é à escala global e que dificilmente algum país sairá ileso. Contudo, a maneira como se enfrenta a crise é que poderá fazer a diferença.

No sector empresarial, enquanto umas empresas, em altura de crise, reduzem os gastos, os custos e os investimentos, aguardando por um clima de maior estabilidade, outras aproveitam para desenvolver o seu negócio e procurar novas oportunidades.

Felizmente, alguns empresários vêem a crise como um “horizonte de oportunidades”. Estas oportunidades podem ser ao nível do desenvolvimento de novos produtos, procura de novos clientes, reestruturações, planos de internacionalização, abertura de novas unidades, contratação de pessoal, entre outras.

A crise veio de algum modo fazer uma triagem em inúmeros mercados, em jeito de selecção natural, sendo que, apenas as empresas mais preparadas/eficientes conseguiram desenvolver ou manter a sua actividade. Findo este período o potencial de lucro será maior, dado que o número de empresas a actuar no mercado é menor.

Se no mercado em que uma empresa actua não há perspectivas de crescimento, a internacionalização poderá apresentar-se como uma alternativa viável. Internacionalizando, a empresa, poderá aumentar as receitas, conseguir uma posição privilegiada aquando da recuperação económica e aproveitar os incentivos disponibilizados.

Em Newark (Estado de New Jersey – U.S.A.), onde me encontro actualmente a trabalhar, existem inúmeros incentivos à instalação de empresas, que constituem óptimas oportunidades.

Empresas que pretendam instalar-se em Newark, podem contar com o apoio da Brick City Development Corporation (BCDC). Trata-se do principal dinamizador do desenvolvimento económico da cidade, tendo sido criado para manter, atrair e potenciar negócio, apoiar as pequenas empresas e estimular o desenvolvimento imobiliário na cidade. Os apoios prestados por esta entidade podem revestir-se de inúmeras formas, como a disponibilização de fundos, de estudos, de contactos relevantes para o negócio, pesquisa de parceiros estratégicos, entre outros.

Em Newark, existe ainda um pólo universitário científico-tecnológico (NJIT – New Jersey Institute of Technology) onde estão localizadas inúmeras empresas (nos edifícios do EDC – Enterprise Development Center) que estão a iniciar a sua actividade e que têm à disposição instalações com óptimas condições por valores bastante acessíveis. A parceria entre o EDC e o governo local, permite criar mais algumas medidas para captar investimento para a cidade, criar postos de trabalho e apoiar as empresas em início de actividade.

Para além de ser a sede de muitas empresas recentes, o Enterprise Development Center é também palco de inúmeras conferências, gratuitas, relacionadas com empreendorismo, candidatura a fundos governamentais, de incentivo ao crescimento, gestão de recursos humanos, entre outras. Mas o leque de serviços disponibilizados não se fica por aqui, disponibilizam ainda, “gratuitamente” (dado que faz parte dos serviços prestados pela entidade gestora do edifício a todos as empresas presentes) um consultor com uma vasta experiência no lançamento, gestão e desenvolvimento de inúmeras empresas, em diversos campos, para auxiliar as empresas que se encontram ali instaladas. Este auxílio poderá ser ao nível da elaboração do Plano de Negócio, da comercialização dos produtos, das estratégias de angariação de fundos, do licenciamento, entre outros. Essencialmente o auxílio prestado tem por objectivo ajudar as empresas a tomarem melhores decisões, a tornarem-se mais sólidas, rentáveis e bem sucedidas.

É em alturas de crise que estes e outros tipos de apoios se revelam preponderantes no desenvolvimento da actividade das empresas e no combate à crise.

Decorrente da situação económica actual, temos ainda o flagelo do desemprego. Com a redução de custos, em especial com pessoal, muitas profissionais viram-se numa situação de desemprego. Para uma empresa que necessita de recrutar profissionais qualificados existe, actualmente, no mercado (mais do que noutros tempos) um elevado número de profissionais altamente qualificados que, por força das circunstâncias, se encontram desempregados. Pela lei da oferta e da procura as empresas poderão contratar estes profissionais, com uma vasta experiência, por menos 20% a 30% dos valores praticados no mercado nos últimos anos.

A crise não é algo desejável. Contudo traz realmente algumas oportunidades, mas as empresas que delas pretendam tirar partido deverão estar bem preparadas, com uma estratégia concreta e cientes dos riscos envolvidos. Uma postura proactiva aliada a boas decisões estratégicas poderá ajudar as empresas, não só ultrapassar a crise, como a conseguir uma posição privilegiada na altura da recuperação económica.

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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Um cliché?

 

Uma verdade inegável é que a maior economia mundial vive a maior crise desde a Grande Depressão, podendo esta, segundo analistas e comentadores económicos, tornar-se ainda mais grave que esse marco História Económica, se não forem tomadas medidas drásticas, capazes de estancar a hemorragia que fere o âmago da economia Americana.

 

Os passos do presidente Barack Obama para reverter esta profunda recessão e reestruturar o enfraquecido sistema financeiro dos EUA e o grande gasto previsto para estimular a maior economia do mundo e limpar os balanços de bancos de activos tóxicos, enfrentam obstáculos de congressistas influenciados pelo partidarismo e lobbies poderosos, e grandes empresas que não querem largar o poder que lhes pertence há demasiado tempo.

 

Um dos alvos da estratégia para  limpar o sistema financeiro será atrair investidores privados com abundantes empréstimos para comprar hipotecas ruins e outros activos tóxicos e a compra pelo governo americano de activos tóxicos de bancos em dificuldades para que estas instituições possam voltar a conceder empréstimos, o que estabilizará o sistema financeiro. Só assim se restabelecerá a confiança no sector bancário norte-americano - parece ser a crença governamental.

 

Um dos passos mais importantes para a recuperação económica e mudança de mentalidade na direcção económica dos EUA é a aposta nas energias renováveis e consequente menor dependência em termos de importações de fontes de energia.

 

O pacote de estímulos económicos assinado pelo Presidente Obama em Fevereiro, direcciona mais de 80 mil milhões de dólares para a construção de uma nova e mais limpa infra-estrutura energética nacional. Vai ser criado um RPS (Renewable Portfolio Standard) que requererá que 25% por cento da electricidade americana seja derivada de fontes renováveis até 2025, o que tem o potencial de criar centenas de milhares de novos empregos. Este investimento foi saudado como algo sem precedentes, principalmente tendo em conta o contexto dos últimos 30 anos no sector da energia. Numa nação que gasta cerca de mil milhões de dólares todos os dias só em gasolina e que continuamente produz um milhão de milhão de Watts de energia eléctrica, é fácil verificar que este é apenas um primeiro passo. Um primeiro passo mas sem dúvida crucial, no caminho traçado para uma nova e mais limpa economia energética.

 

Ora, a presente crise económica afectou sobremaneira o mercado da energia eólica, nomeadamente a nível de uma maior dificuldade em obter financiamentos e o valor desses financiamentos.

 

Porquê então esta aposta em energia eólica quando esta atravessa um período menos positivo? As razões são várias e a vários níveis:

 

1.       Baixos custos de operação o que leva a uma redução geral do preço da electricidade;

2.       O combustível é grátis, abundante e inesgotável;

3.       É uma fonte de energia limpa;

4.       Melhora  sobremaneira a estabilidade no fornecimento de energia dos Estados Unidos

5.       Uma instalação utiliza, em média, menos de 1% do terreno do projecto, sendo possível continuar a cultivar à volta das turbinas de vento, estradas e linhas de transmissão.

 

Estes benefícios registam-se a nível regional, promovendo o desenvolvimento económico de muitas zonas rurais espalhadas pelo país, o referido uso contínuo de cultivo e pecuária, criando centenas de postos de trabalho temporários e permanentes, e gerando altos valores de impostos directos para a comunidade. Verificam-se também a nível nacional, pois é uma forma de produção de energia amiga do ambiente, que assegura estabilidade no fornecimento de energia e que permite a criação de milhares de empregos verdes qualificados.

 

Esta é uma aposta não só a médio mas, essencialmente, a longo prazo. Isto para a economia de um país que, apesar de tudo, não tem uma tão grande dependência energética como, digamos, Portugal. Na realidade, Portugal tem que rever prementemente a sua política energética. Somos um dos países da UE com maior dependência do exterior para alimentar a indústria nacional. Obviamente, estes altos custos traduzem-se numa clara perda de competitividade no mercado global. A aposta em energias renováveis, como a eólica, podem trazer altos benefícios para a economia portuguesa, deixando esta de ter de suportar custos tão altos e de sofrer fortes impactos com as variações de preços nos mercados internacionais das fontes energéticas tradicionais.

 

É inteiramente possível concretizar esta meta. Só são precisos novos e mais fortes incentivos pois o know-how e a capacidade existem, como é possível comprovar pelo registo da EDP Renováveis, líder mundial no sector das energias renováveis, sendo o quarto maior operador de energia eólica a nível global e o terceiro nos Estados Unidos (país com a segunda maior taxa de utilização de energias renováveis), neste último através da Horizon Wind Energy.

 

Este é apenas mais um exemplo de que, e aqui entra o cliché, “Yes, we can”

Daniel Fernandes Saldanha

Horizon wind Energy (EDP)

EUA

 

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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

A crise global cria novas oportunidades

Paula Nunes | C13

AICEP Portugal

EUA

 

A corrente crise global pode ser um ponto de viragem e uma oportunidade para aquelas empresas que souberem utilizar e perceber os benefícios e mecanismos de mercado que a própria crise criou, tornando assim, a crise global num ponto de mudança favorável.

 

 As start ups e o núcleo de pequenas empresas de hi-tech foram bastante afectadas  pela crise económica, os créditos deixam de ser possíveis, e os investimentos necessários tornam-se complicados. Este grupo económico sofre um enorme abanão na saúde financeira.

 

No entanto, a crise pode e deve ser vista como uma imensa possibilidade de inovação. As injecções de incentivos criadas pelo governo americano pode abrir portas à sobrevivência e crescimeno de muitas pequenas empresas.

 

No sector tecnológico, as pequenas empresas devem perceber e concentrar-se nos mercados para mais facilmente poderem penetrar.

A inovaçao é um dos conceitos que deve prevalecer nestes sectores.

As pequenas empresas ganham acesso aos mercados, pois as grandes empresas têm a direcção de encontrar uma saída simplesmente rápida, a sobrevivência à crise. No passado a IBM , entre outras grandes empresas deixaram espaço para a Microsoft e a Ebay crescerem, e darem um salto no mercado. As pequenas empresas focam-se numa estratégia a longo prazo, que redefine os produtos para o mercado específico que quer alcançar. Assim, a inovação é um aliado ao combate à crise, tendo um impacto bastante possitivo e poderoso. Refinar o mercado e produzir novas ideias de produtos para esse mesmo mercado é uma possibilidade de entrada e crescimento no sector. A inovação como meio para alcançar projecção económica.

 

Aliás, a inovação é um dos meios, mas tem de estar aliada a outros factores.

Os custos sao igualmente um factor que tem de ser contornado, dada a necessidade de olhar à relação qualidade / preço.

A empresa produz  X  gasta Y com a qualidade  W.

É importante manter esta equação equilibada, sem nunca diminuir a qualidade. Sacrifício de redução de custos sem afectar a qualidade.

No entanto, a redução de custos não pode ser entendida como redução de valores da empresa pois, se as equipas sentem os seus postos de trabalho em risco, será impossível manter a empresa segura no mercado.

Quem faz a empresa são as pessoas, se estas se sentem inseguras tornam a empresa instável. A redução de custos deve passar pela percepção dos custos desnecessários. Conseguir o mesmo produto, mas com fundos mais reduzidos, leva-nos, novamente, à inovação, ponto para o alcance da mudança.

 

Uma crise económica traz novas oportunidades económicas, novas procuras no mercado, e novas ideias são requisitadas. Para a evolução dos mercados é necessário surgirem novas soluções de sobrevivência, e quem melhor providenciar estas soluções mais sucesso terá.

Apesar de, hoje em dia, os media apenas falarem de um quadro negro e mau, existe, em paralelo, um conjunto de oportunidades crescente, para quem está atento e para quem não baixa os braços à crise

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise

 

 

 

 

César Moreira | C13
 
Piracicaba
 
Sao Paulo | Brasil
 
Quando se pensa no impacto da crise económica mundial no Brasil, de imediato surge a ideia de que o Brasil passa à margem desta. De facto, é a opinião de vários especialistas, de que apesar de a crise se fazer sentir globalmente, o Brasil terá a potencialidade de a superar mais facilmente. Não só o Brasil é visto como uma rara oportunidade de investimento, quer em acções, quer em títulos de empresas e do governo, como também está dotado de um regime económico de metas de inflação com cerca de 10 anos de existência, o que potencia o consumo interno.
Deste modo, o facto de o Brasil ser relativamente fechado (exporta e importa pouco em relação ao seu PIB) e dono da quinta maior população e do oitavo mercado mundial, é visto neste momento como uma vantagem, pois a economia pode continuar a crescer, impulsionada pelo mercado interno.
 
O pilar mais sólido
 
Desde 1999 que o Brasil adoptou um regime de metas de inflação. Testado durante várias crises e culminando com a actual, o sistema tem-se provado como um instrumento decisivo, sendo considerado por muitos como o mais sólido pilar macroeconómico brasileiro, garantindo estabilidade e resistência a choques externos. Entretanto, vários governos no mundo, estão a lançar pacotes fiscais para tentar estimular a economia, mas o caso brasileiro tem algumas particularidades. Com gastos na ordem dos 40% do PIB no sector público, tem pouco espaço de manobra para aumentos significativos da despesa pública, sendo, assim, ainda mais importante a diferença que pode fazer a política monetária administrada.
 
No entanto o sistema de metas de inflação funciona na companhia de dois elementos preponderantes, que é o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal. O câmbio flutuante permite que o país reaja com eficiência à volatilidade externa. A responsabilidade fiscal garante o equilíbrio das contas públicas. O governo tem gerado o excesso das receitas sobre as despesas públicas primárias consistentes, dando ao Banco Central o espaço necessário para administrar os juros sem que estes causem um impacto insuportável na dívida pública do país. Naturalmente, a decisão sobre os juros é a principal ferramenta de um banco central para manter a moeda estável e preservar o poder de compra da população. Por isso mesmo, a adopção do regime de metas é muito mais do que uma decisão técnica.
 
Entretanto, o Banco Central surpreendeu o mercado com um corte agressivo dos juros recentemente, que se pode repetir, novamente, nos próximos meses. A inflação consolidou-se em patamares considerados “civilizados” permitindo que o PIB crescesse à taxa de 3,5%, contra os pouco mais de 2% nas décadas anteriores, resultando numa acumulação nas reservas do país de cerca de 200 bilhões de dólares. O princípio das metas de inflação está na administração das expectativas quanto ao comportamento dos preços pelo Banco Central, que age para a inflação não sair dos valores predeterminados, ajustando a taxa de juro básica da economia.
E, é justamente numa conjuntura como a actual, que se deve ponderar a importância do sistema de metas para um país pois, efectivamente, o Brasil é um exemplo de sucesso.
É um país que acaba de obter uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares do governo americano, algo impensável para muitos países.
 
O impacto da Crise
 
Passados seis meses, já é possível visualizar alguns factos no meio da neblina que ainda obscurece o cenário global. Um dos factos é que, realmente, o Brasil não escapou da crise (nem seria razoável esperar o contrário). Um outro facto é que, paradoxalmente, a crise pode até acentuar a ascensão brasileira. No resto do mundo, e especialmente na Europa e Estado Unidos, o cenário continua sendo de quase depressão. Estima-se que o gasto total das famílias americanas tenha caído 5% no último ano, com previsões ainda piores. Resultados igualmente sombrios são recorrentes em quase todas as áreas ricas do mundo.
 
No Brasil, o mercado consumidor não apenas permanece robusto (o crescimento do consumo interno foi de quase 6% no último ano) como se tem vindo a transformar no principal alicerce da economia brasileira neste difícil ano de 2009. Esse mesmo mercado pode ser também o factor primordial para colocar o Brasil no pelotão de frente quando os “bons ventos voltarem a soprar”.
 
Todavia, o Brasil não esta sozinho no mundo, e existe fundamentalmente um impacto da crise nas importações e exportações. Apesar de o consumo interno se manter estável, as exportações sofreram uma desaceleração considerável.
 
Porém, é opinião generalizada da maioria dos grandes investidores estrangeiros que, apesar das dúvidas existentes, a melhor opção para aplicação de investimentos é nos mercados emergentes, sendo o Brasil alvo preferencial, pois o centro da crise continua a ser o mundo desenvolvido.
 
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Brasil: O país mais bem preparado para a crise

Madalena Reis | C13

Laboris Farmacêutica

Rio de Janeiro | Brasil

 
 

A Internet é uma ferramenta muito aliciante quando temos um trabalho desta natureza para fazer. Tudo nos aparece de uma forma inteligível, gráficos lindos, tabelas coloridas, números de factores económicos desde há 20 anos, perfeito! Pesquisei, como qualquer um faria, e muitos são os factores que explicam por que a crise não se tem sentido tanto no Brasil. Sim, o Brasil não está a passar à margem da crise. Ela existe, apenas com um impacto menor, não tão generalizado.

 

Eis alguns dos principais motivos que fazem do Brasil o “país mais bem preparado para a crise”:

 

- Aumento das relações externas, fazendo integrações com o Mercosul;

- Potência do mercado interno;

- Deslocação de multinacionais para o país, resultante não só da crise internacional mas também da vasta mão-de-obra e matéria-prima existente;

- Sistema bancário muito concentrado, com grande participação dos bancos oficiais (Banco do Brasil e Caixa Económica Federal) na oferta de crédito;

- Planos governamentais de apoio a alguns sectores, um exemplo foram a suspensão da cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para dinamizar o sector automóvel;

- Implementação do PAC (Plano de Aceleração de Crescimento). Desafiando as economias de maior envergadura, em momentos de maior tremor económico, este decidiu iniciar uma grande quantidade de projectos a nível de infra-estrutura para fomentar o desenvolvimento, sendo um deles o complexo desportivo da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, que se tem tornado ao longo dos tempos uma comunidade muito bem organizada.

 

A realidade descrita pelos números é diferente da que encontrei junto das pessoas. Parece haver dois países distintos.

 

- Temos o Brasil que sente a crise, repensa os investimentos individuais prevenindo o que de pior pode acontecer. Trocar de carro ou casa, ou ate férias prolongadas são agora projectos adiados.

 O Brasil está sentindo o tamanho da crise e ainda não acabou o susto.

- Despedimentos colectivos em algumas empresas (a Embraer, a principal fabricante de aviões do Brasil demitiu cerca de 20% da sua folha de pagamentos);

- Importadores de mercadorias brasileiras cancelaram vários pedidos, pois não tinham dinheiro para pagar;

 

Por outro lado, há o Brasil que parece não se ter apercebido deste crise. Para muitos o dia a dia permanece inalterado. «Quem sabe o brasileiro já tenha se tenha “acostumado” com as dificuldades, o povo se vira muito bem, sempre dá um jeito», “a crise é coisa de rico”. O Brasil que está habituado a apertar o cinto, sempre viveu de uma forma regrada, o dinheiro que há não chega para ser investido em nenhum bem mais supérfluo, dai não ressentir tanto a crise.

 

A confirmação oficial da existência de crise no Brasil aconteceu há pouco tempo, na comunicação social e o tema tem cada vez mais relevo, o que irá reflectir-se na opinião pública. A alegria e o optimismo deste povo sambista não vão acabar nunca, mas certamente que muitos tomarão consciência que nem tudo é Carnaval, Futebol e Praia!

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

A crise e a reacção francesa

Ana Catarina Brito | C13
Câmara Portuguesa de Comércio em França
Paris | França
 

 

No contexto da crise económico-financeira internacional, também a França está a ser fortemente atingida. Trata-se de uma crise com um enquadramento diferente das anteriores, tendo sido originada no interior do sistema financeiro (créditos sub-prime e outras operações próprias do sector, desenvolvidas em excesso) que se propagou à economia real. A necessidade de estabilizar o sistema financeiro é uma condição crucial no sentido de se restabelecer o normal funcionamento dos restantes sectores da economia e, daí, o peso significativo das medidas que têm sido tomadas pelos governos (num contexto de cooperação internacional), com o objectivo de restabelecer o funcionamento do sistema financeiro.

A actual crise afectou também as crenças ideológicas, pondo em causa o modelo neo-liberal e originando debates sobre o futuro do capitalismo. E a ganância e escândalos financeiros puseram em causa a confiança nas elites e nos valores tradicionais da sociedade.

Em França registou-se um abrandamento da economia e a Comissão Europeia admite a possibilidade de recessão económica. Espera-se, na melhor das hipóteses, um crescimento abaixo de 1% no ano de 2009, não havendo criação de novos empregos.

 

2.       Medidas de Apoio do Governo Francês

 

Neste quadro desfavorável, para além das medidas específicas destinadas à estabilização do sistema financeiro francês, uma série de medidas bastante significativas foram anunciadas pelo Presidente Sarkozy (mediáticas e, algumas, polémicas), nomeadamente: a injecção de 26 mil milhões de euros com vista ao relançamento da economia francesa (11,5 mil milhões de euros suplementares em 2009), com prioridade para o sector da construção e para a indústria automóvel. A título de exemplo, está prevista a construção de 70.000 novas habitações sociais, a duplicação dos empréstimos de taxa nula para a compra de novas casas, tal como a criação de fundos de investimento para os grandes actores do sector automóvel, primeiro Renault e PSA, com a finalidade de reestruturar as empresas subcontratadas e fragilizadas nesta indústria. O emprego e a protecção social são também uma das grandes preocupações do Presidente Sarkozy, citando-se como por exemplo, o aumento do subsídio de desemprego e a isenção de encargos sociais para as empresas (com menos de 10 trabalhadores) que contratem novos colaboradores auferindo de um rendimento de 1,6 acima do salário mínimo. Ao nível das empresas, prevê-se a antecipação do pagamento das dívidas do Estado (às empresas), designadamente em termos de IVA, no montante de 11,5 mil milhões de euros.

 

O papel da CCIFP

 

A acompanhar estas iniciativas, estão os esforços da sociedade civil, de dimensão crescentemente europeia, como é o caso da Câmara do Comércio e da Indústria Franco Portuguesa em Paris, uma iniciativa tomada pelos portugueses residentes em França.

A CCIFP conta entre os seus membros com mais de 180 empresas em França e em Portugal, representando mais de 7000 empregados e totalizando cerca de 4 mil milhões de euros em volume de negócios. Actualmente, estima-se que existam cerca de 45 000 empresários de origem portuguesa em França.

Este projecto foi criado em 2006. Em Setembro de 2008 a CCIFP aposta na organização do Forum dos empreendedores e gestores Portugueses ou Luso-descendentes de França, (altura em que os efeitos da crise se sentem já fortemente), registando um enorme sucesso e mantendo elevadas expectativas para o desenvolvimento futuro a partir do último trimestre do ano.

 A CCIFP ganha uma visibilidade na comunidade empresarial sem precedentes e regista um fluxo incessante de novos aderentes.

Neste contexto, a mais importante instituição de representação das empresas franco-portuguesas apresenta-se com novas responsabilidades em termos de missão e objectivos.

Para além de tudo isto, é o exemplo de como uma sociedade civil tenta recuperar alguns valores, como a solidariedade entre as empresas, fazendo jus ao lema: «juntos somos mais fortes». Trocam-se ideias, partilham-se projectos, fazem-se parcerias, criam-se novos clientes, ganha-se visibilidade e aumenta-se o volume de negócios.

Citando a ministra Cristhine Lagarde, “(…) os empresários franco portugueses representam uma grande corrente no âmbito da globalização (…)”

A título de exemplo, podemos observar a experiência da empresa Real Portas, especializada em todo o tipo de impressões, passando a citar algumas palavras do seu director: “A CCIFP representa um nova oportunidade de troca e de parceria entre os principais dirigentes das empresas. O facto de termos aderido como membro permitiu-nos ganhar novos mercados de impressão e de desenvolver toda a nossa rede de parcerias e contactos”. Em tempos de crise, é fundamental criar sinergias.

 

 

 

A actual crise é também, e sobretudo, uma crise de confiança. Existem duas perspectivas: olhar para a crise como uma ameaça, ou tomá-la como uma grande oportunidade. Oportunidade sobretudo, para as empresas/associações que souberem ler a evolução da crise e adaptar-se às novas circunstâncias, alterando o que for necessário. Neste contexto, é fundamental a importância da CCIFP na articulação das empresas e no aproveitamento das sinergias empresariais, bem como a canalização dos apoios governamentais (francês/português) para o tecido industrial que a CCIFP serve.

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Sábado, 11 de Abril de 2009

Crise Soft no Brasil

Isabel Sofia Leirós | C13

EDP Energias do Brasil

São Paulo | Brasil

 

 

O Brasil é um país de contrastes, que se divide entre os extremos da riqueza nas grandes metrópoles litorais, a desertificação do interior do seu território, e as áreas de grande densidade florestal.

O seu papel na economia mundial é cada vez mais relevante. Nas últimas décadas, cresceu exponencialmente através do seu forte investimento na agricultura e nas pescas, da diversidade de recursos naturais, e do investimento em energias renováveis (especialmente hidroeléctrica). Para além disto, a sua posição geográfica, quer por fazer fronteira com dez países da América do Sul, quer por ocupar praticamente toda a costa atlântica deste continente, estimula o investimento estrangeiro no país.

A recente crise económica, que tem vindo a afectar seriamente as grandes potências mundiais, já atinge também o Brasil, embora os efeitos tenham chegado bem mais tarde e em menor força, muito pela sua não dependência da importação de petróleo. Ao longo da costa dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, não é totalmente conhecido o potencial de extracção de petróleo e gás natural, já explorados. O investimento na produção de etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, uma alternativa à gasolina implementada e financiada pelo Governo Brasileiro já na década de 70, permite que indústrias e consumidores tenham uma maior estabilidade nos gastos com combustíveis, uma vez que não são tão directamente afectados pela flutuação dos preços do petróleo.

Mas, sem dúvida que um dos principais motores da economia brasileira, é a sua política proteccionista. A alta incidência de taxas sobre as importações reflecte-se de forma substancial no custo dos produtos quando estes chegam ao consumidor final. Dado os preços quase proibitivos dos produtos importados, o consumidor acabar por optar pelo produto nacional, estimulando a produção interna e, por consequência a economia.

No final do passado mês de Março, aquando da visita de Gordon Brown (primeiro-ministro inglês) ao Brasil, as declarações de Lula da Silva foram manchete por todo o globo, quando este afirmou: "é uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber tudo e agora não sabem nada". Apesar da polémica gerada pela opinião expressada, é compreensível a indignação do presidente brasileiro. A economia globalizada em que vivemos gera ondas de consequências positivas e negativas, que afectam particularmente o Brasil pela forte presença de corporações multinacionais que se viram forçadas a suspender a produção como forma de redução de custos e, inevitavelmente, ocorreram vagas de despedimentos já no final de 2008.

Mas, apesar desta vaga de despedimentos, a economia brasileira tem vindo a sustentar-se nos inúmeros “pequenos empregos” de serviços (o ascensorista, o empregado do parque de estacionamento, o porteiro e o segurança de prédios comerciais) que, apesar de parecerem irrelevantes e “menores”, se revelam de extrema importância para a base da sociedade, que encontra nestes a sua forma de subsistência.

Num país que actualmente oscila entre a crise mundial e a sua independência de economias internacionais, com acentuados problemas sociais, muitas são as formas de inclusão da população na vida activa. Destacam-se as políticas laborais que visam a contratação de jovens trabalhadores, permitindo por um lado, às empresas, o acesso a mão-de-obra a custo reduzido, e por outro lado, o acesso dos jovens a formação em posto de trabalho e a uma primeira incursão na vida profissional. Exemplos destas políticas, são os programas de contratação do menor aprendiz (que abrange jovens dos 14 aos 18 anos) e do estagiário (proveniente de escolas técnicas e universidades), pelo período máximo de 2 anos, que asseguram que estes não abandonem os estudos e que aufiram uma remuneração, que muitas vezes é fundamental para completarem a sua formação. Para além disto, estes dois programas desincentivam a exploração de mão-de-obra mais jovem e menos qualificada, uma vez que garantem um salário legalmente determinado.

Embora o governo brasileiro esteja já a implementar medidas de auxílio à banca e às empresas mais afectadas pela crise internacional (especialmente as que mais dependem da exportação), bem como pacotes sociais de apoio à população, o Brasil continua a apresentar-se como um mercado extremamente atractivo para o investimento estrangeiro. Apesar do sentimento de crise que também se vive no país, a economia brasileira continua a registar crescimento e a ser vista como um enorme mercado de consumo.

 

 

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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise Mundial - A resistência

Paulo Tomás | C13

Grupo Pestana

Salvador | Brasil

 

 

Num mundo em que a palavra “crise” se tornou tão global quanto a sua própria existência, o Brasil parece ser excepção à regra. De facto, alguns dados demonstram que, contra o que seria expectável, o país tens resistido às extremas dificuldades que vêm afectando economias teoricamente mais robustas.

Enquanto que no resto do mundo o crescimento médio do PIB baixou para 1%, no caso do Brasil apresentou um decréscimo de 5,4% para…3,5%. A inflação, que em tempos não muito longínquos era de 6%, ronda nesta altura os 4,5%.

A taxa de desemprego, que não pára de aumentar nos países ditos de “primeiro mundo”, cifrou-se no Brasil nos 7,9% em 2008, contra os 9,3% de 2007. De Novembro para Dezembro de 2008, a referida taxa baixou de 7,6% para 6,8%.

Por outro lado, a capacidade económica da generalidade da população Brasileira revela uma dimensão sem precedentes. A título de exemplo, e de acordo com a Associação Brasileira de Vendas Directas, o sector obteve um crescimento de 8,7% entre Outubro e Dezembro de 2008, tendo aumentado o número de revendedores em 7,2% relativamente a 2007. Outro bom exemplo é revelado pelos dados divulgados pela Volkswagen: nos últimos anos as vendas no Brasil aumentaram mais de 30%, enquanto que em países tradicionalmente consumidores, como os EUA e a Alemanha, se verificou uma quebra acentuada. Não admira, pois, que as previsões apontem para que o Brasil venha a ser ao longo dos próximos cinco anos o 6º destino preferido do investimento de empresas multinacionais.

Mas o que pode explicar esta resistência do Brasil à crise mundial? Bem, uma multiplicidade de factores.

Em primeiro lugar, os imensuráveis recursos naturais do país que, aliados ao investimento no seu aproveitamento e a uma agricultura moderna, colocam o país no top de produtores de praticamente qualquer produto que dependa da natureza. É o caso dos produtos agrícolas, do petróleo, do gás e do etanol, obtido a partir da cana-de-açúcar e tido como uma das fontes energéticas do futuro. E os níveis de produção não param de crescer…!

Depois, o Brasil apresenta 20 milhões de novos consumidores, o que, conjugado com a avalanche de crédito que vem sucedendo, estimula o crescimento económico do país.

Importante também foi a redução da dependência da economia Brasileira relativamente à Americana. Enquanto até há alguns anos atrás os EUA absorviam cerca de 27% das exportações do Brasil, hoje o valor cifra-se nos 15%, estando os restantes 85% bem distribuídos entre vários continentes. Assim, a crise que abalou fortemente os EUA, motor da economia mundial, teve menores impactos directos.

Extremamente relevantes são também as características da política económica Brasileira, estável e previsível. A consistência das medidas adoptadas ao longo da última década, bem como as reservas internacionais no valor de 200 biliões de dólares, possibilitam ao país usufruir de uma estabilidade e segurança invejáveis. Neste sentido, revelam-se de importância capital a existência de um Banco Central autónomo e a política de câmbio flutuante adoptada em 1999, que permite ao país ajustar os preços relativos de forma rápida e assim minorar o impacto de choques externos sobre os vencimentos e o emprego.

Por fim, são de referir as políticas monetárias que vêm sendo adoptadas com o intuito bem definido de resistir à crise mundial. É o caso da atenuação dos depósitos compulsórios exigidos pelo Banco Central, o que permite uma maior irrigação do sistema financeiro e, em especial, um maior investimento na agricultura, e é ainda o caso da utilização de parte das reservas cambiais para suprir de capital de giro os exportadores.

Todavia, e embora a situação seja bastante mais favorável ao Brasil do que à generalidade do mundo, o país não pode ignorar as ameaças de que é alvo: a própria crise financeira mundial, a inflação em alta na generalidade dos países, a queda no preço das mercadorias e a concorrência de outros mercados emergentes (como a Rússia, a China e a Índia).

Para prosperar, o Brasil deverá saber identificar as suas fraquezas, nomeadamente os gastos elevados do seu Governo, a baixa alfabetização da população, a taxa de desemprego que, embora tenha vindo a decrescer continua a alta, e o subaproveitamento de alguns recursos, tentando eliminá-las ou, pelo menos, atenuá-las.

Deverá ainda saber agarrar as oportunidades. Neste campo, a própria crise poderá ser benéfica, já que vem revelando o Brasil como um destino de investimento apetecível e um mercado de grandes dimensões, em expansão.

País de uma riqueza natural e cultural fantástica, o Brasil revela-se agora como um pólo potencial de riqueza financeira. Para concretizar o futuro próspero que lhe auguram os especialistas, e que, de resto, a crise tem confirmado como possível, o Brasil deverá considerar os aspectos políticos e financeiros globais, praticando a geoestratégia e nunca esquecendo que o seu maior compromisso é para com o seu povo.

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Quarta-feira, 18 de Março de 2009

O sonho pode também ser Português

Helena Silva | C12

Cisco Systems

San Jose, E.U.A.

O meu contributo ou artigo de opinião, como lhe queiram chamar, é mais uma dissertação onde espero deixar os leitores a pensar no que fizemos, fazemos e estamos a pensar fazer.

A crise está instalada e quanto a isso não há qualquer dúvida mas será esse um motivo suficiente para «baixarmos os braços»?

A mensagem que quero passar é que já chega de nos desculparmos que somos “pequenos” e por isso não conseguimos chegar a lado nenhum. Recuso-me a utilizar esse argumento, porque “os pequeninos” chegam onde chegam “os grandes”. E nada melhor do que uma altura de crise para mostrarmos o que valemos!

Vamos olhar para os bons exemplos. Não é uma questão de copiar mas sim, de aprender com eles. O mercado em que estou inserida é a maior economia mundial, mas se o é hoje,  é porque já trabalhou muito para sê-lo e isso nota-se na cultura, nos valores e nos hábitos. Ora vejamos, neste momento em que a crise começa a chegar aos lares americanos:

Começando pela Comunicação Social, assiste-se a mensagens de incentivo, ou melhor, de ajuda em que desafiam as pessoas a utilizar as formas mais criativas para poupar dinheiro.

No que respeita ao Governo Americano, a minha percepção é que actua como entidade responsável pelos acontecimentos mas também educativa, no que se refere à sua população. Uma das medidas que tem vindo a insistir cada vez mais é o tão falado, teleworking. Este conceito sugere que as pessoas trabalhem a partir de casa e que desta forma, poupem dinheiro, nomeadamente em gasolina. Assim, não só os trabalhadores ficam a ganhar em termos monetários e de qualidade de vida, como também as empresas conseguem reduzir alguns dos seus custos variáveis imputados ao espaço que é destinado aos trabalhadores. A acrescer a tudo isto, o Governo consegue ainda reduzir o seu défice moral para com o ambiente. Este é naturalmente um pequeno exemplo, em muitos, mas que mostra qual a postura perante a crise. Não basta dizer que podemos poupar dinheiro, é também papel dos nossos governadores, sugerirem quais as melhores formas para alcançarmos esse  objectivo.

Passando agora para a população geral, estaria a mentir se dissesse que se nota uma diferença radical nos hábitos, mas a verdade é que as pessoas com quem tenho contacto mostram preocupação com a crise e tomam medidas para reduzir os seus gastos habituais, como por exemplo, mudar de casa como forma de reduzir o custo suportado com a renda. À parte disso, tendem a fazer um esforço maior a nível profissional, uma vez que sabem que em períodos como este, os postos de trabalho são substancialmente mais vulneráveis. No entanto, não estão constantemente a falar sobre o assunto nem têm uma atitude mais pessimista perante a vida porque o país, ou o Mundo, está em crise.

O que quero com isto dizer, é que Portugal tem mentes brilhantes, muito boas ideias, muitos bons projectos que já mudaram o mundo, e acima de tudo profissionais competentes e trabalhadores, apesar dos estudos relativos à má produtividade que a comunicação social publica recorrentemente. Temos apenas pouca confiança e uma baixa auto estima. Penso que não vale a pena referir novamente todos os “bons-feitores” na divulgação do nome do nosso país, nem os projectos com enorme sucesso além fronteiras, nem tão pouco as inúmeras empresas portuguesas que têm presença internacional em vários mercados.

 

O facto de vir trabalhar para o estrangeiro só fez com que reiterasse a minha opinião quanto ao nosso país e à nossa cultura. Temos todos os ingredientes para fazer um bom trabalho, falta-nos apenas mudar mentalidades. Sair da casca! Porque o American Dream pode ser também o Sonho Português...

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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

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Rui Cabrita | C12
 
Critical Links
 
EUA
 

Redução da Dependência Energética como Solução

O receio económico generalizado tomou conta das vidas não só dos portugueses como de todo o Mundo. Repetidamente, ouve-se e lê-se que vivemos numa era global e sem fronteiras e, assim sendo, teremos de viver com tudo o que de positivo e negativo tal modelo económico e social acarreta. Antes de tentarmos arranjar soluções para esta crise há muito anunciada, e que terá o seu auge em 2009, temos de tentar perceber o porquê destas quebras económicas tão repentinas e acentuadas que levam, todo o mundo, a indicadores de depressão dramáticos.

Muitos se perguntam ou, simplesmente, já não se recordam de onde surgiu esta crise financeira mundial. A crise teve início no país que muitos apelidam de super potência mundial – E.U.A.!

 Com a crise das empresas dotcom o mercado de imóveis aqueceu e o FED (Banco Central Americano) resolveu baixar os juros para que as pessoas passassem a financiar e fazer empréstimos. A iniciativa deu certo.

O mercado imobiliário viu que o financiamento era uma boa maneira de ganhar dinheiro e, em 2003, houve um aumento na procura pelo crédito, já que os juros no sector chegaram a 1% ao ano, o menor em 50 anos nos EUA. Comprar imóveis era um dos melhores investimentos e a prática de hipotecar, comum nos EUA, aumentou consideravelmente.

O problema maior começou quando essas empresas que hipotecavam, “descobriram” o subprime, um tipo de crédito para pessoas de baixos rendimentos. Como o risco, neste tipo de negociação é mais alto, já que as garantias de recebimento são pequenas, os lucros que incidem nestes créditos são maiores. (ex.: Uma pessoa hipoteca a sua casa por 100 mil euros paga à hipotecária 100 mensalidades de 2mil euros. Lucro de 100%).

As hipotecárias passaram a vender esses títulos a bancos e fundos de pensão, alegando altos ganhos. A empresa que pagou 100 mil ao proprietário do imóvel, repassa para os bancos por 150 mil, mas o imóvel no fim vale 200 mil. Um bom negócio se não fosse o risco final. Como as pessoas que aderiram a esse crédito eram de baixos rendimentos, elas passaram a não pagar as mensalidades e o mercado começou a temer o subprime.

Um ano mais tarde, o valor dos imóveis atingiu o seu máximo e começou a cair. O FED passou a aumentar os juros na tentativa de conter a inflação. Isso encareceu os créditos e naturalmente afastou os compradores. Com isso, aumentou consideravelmente o número de imóveis à venda, fazendo com que os valores destes imóveis despencassem e o número de pessoas que não pagavam aumentasse cada vez mais pois, com os juros mais altos, as pessoas não conseguiam pagar as suas dívidas. Com menos crédito, menor o poder de compra e menos dinheiro passou a circular no mercado, gerando um problema de liquidez. Para se ter uma noção dos efeitos devastadores desta crise... quase dois milhões de americanos perderam o emprego no ano transacto.

Este factor conjugado com a volatilidade que se verificou com o preço do petróleo a atingir sistematicamente preços máximos históricos ao longo dos dois últimos anos, deu origem à maior crise financeira dos últimos 70 anos. Resumindo, a causa principal de toda esta crise é... dos ESPECULADORES!

Uma das soluções para contrariar ou amenizar esta crise é tornar a economia dos países menos vulnerável a tais “bichos papões”.

No caso específico de Portugal, a sua dependência energética é das mais acentuadas de todos os países da U.E. Para se ter uma noção, a taxa de dependência energética em 2007 era de 83,1%, muito acima da média europeia (54%). Isto implica um elevado custo na importação de energia, principalmente petróleo, sujeita a variações do mercado internacional. As soluções são complexas mas incluem o aumento da eficiência energética (1), a diminuição dos consumos (2) e a aposta em novas formas de energia (3), nomeadamente as energias renováveis.

1 - A optimização do consumo de energia deverá abranger todo o processo de produção, distribuição e consumo dessa mesma energia. Assim, em relação à produção será necessária a aposta em energias “amigas do ambiente” em que, no processo de transformação de energia, sejam produzidos o mínimo de desperdícios possíveis, por exemplo, a descentralização com produção de energia mais perto da zona de consumo, diminuindo as perdas energéticas no transporte (políticas de sustentabilidade e eficiência energética).

Relativamente ao consumo de energia, a eficiência depende da sua utilização mais racional, quer a nível doméstico (equipamentos mais eficazes, menor consumo), quer a nível industrial.

2 - Em 2007, do total de energia final para consumo, 36,57% foi utilizada em transportes (o sector onde mais se gasta energia), sendo que 89,98% se destinava a transportes rodoviários.  O sector doméstico constituiu 16,75% dos gastos de energia, tendo a electricidade um peso de 36,04% dos gastos.  

Desta forma, é essencial a diminuição da utilização do automóvel particular, promovendo melhores redes de transportes públicos, a criação de redes ferroviária e marítima europeias, para transporte de pessoas e mercadorias.

Em relação aos edifícios, a promoção da arquitectura bio climática, assim como a reconversão do parque habitacional e de escritórios para a produção de energia e calor, generalizando a micro geração e co-geração, são algumas hipóteses.

3 - As alternativas energéticas incluem as energias renováveis: eólica, foto voltaica, solar térmica, bio massa, bio gás, mini-hídricas, geotermia, ondas, etc. Estas diferentes tecnologias são soluções complementares e nenhuma delas por si só é a solução para as nossas necessidades energéticas.

Este tipo de energia, se adequadamente desenvolvido, permitiria a diminuição da utilização de combustíveis fósseis, reduzindo assim a importação de energia e a dependência de Portugal a nível energético, assim como seria um contributo importante para a diminuição da emissão de gases de efeito de estufa (GEE). 

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Terça-feira, 10 de Março de 2009

Funcionar apesar da crise

Vera Magalhães | C12
BES
França
 

Os especialistas económicos não estão muito optimistas: o ano 2009 anuncia-se como sendo um ano mau, no emprego, na indústria, no comércio... mas não para todos! Apesar da crise existente, e que segundo os analistas, veio para ficar, existem novas tendências de consumo, conjunturais e estruturais, e empresas, produtos, serviços e nichos de mercado, irão encontrar uma forma de prosperar.

 

Pode afirmar-se que toda a crise traz muitas oportunidades a curto e a longo prazo. Os períodos de tensão levam a modificações comportamentais e sócio-culturais profundas nos consumidores. No mercado francês, estas alterações são já visíveis: um francês em cada dois, já modificou a sua forma de consumo como resposta à crise. O factor preço, cada vez mais, aparece como o primeiro factor de escolha dos diferentes bens – Hard-discounts, grandes distribuidores, empresas low-cost têm crescido a olhos vistos e são cada vez mais uma presença constante na vida dos consumidores. Um estudo recente mostra que em França a procura de promoções aumentou em cerca de 16%. Este fenómeno, que inicialmente estaria principalmente interligado ao sector alimentar, tem-se também reflectido noutros sectores. As empresas low-cost têm começado a conquistar progressivamente todos os sectores de actividades, desde o cabeleireiro ao fitness, ao aluguer de skis, e até à alta tecnologia. Prevê-se que no final do corrente ano, já terão conquistado cerca de 10% da quota de mercado.

 

O mercado francês apresenta várias “boas notícias” para contrariar o pessimismo associado à crise, e a lista que se segue demonstra claramente esse pensamento. Estes são alguns dos sectores/empresas out of the box que durante o ano de 2009 apresentarão crescimento em todos os sentidos.

 

Comércio On-line – para o ano de 2009, prevê-se um crescimento de 22% e de 17% para 2010. Com ou sem crise, o comércio via Internet tem-se desenvolvido, aliado ao aumento do factor confiança nas transacções realizadas on-line. Com a crise e com a mudança de comportamento dos consumidores em resposta à mesma, as compras antes realizadas nas lojas, começaram a ser transferidas para a Internet, permitindo ao consumidor limitar as viagens de automóvel, aceder a preços mais atractivos (descontos, promoções, preços de revenda) e a oferta variada. Um destes exemplos é a empresa francesa on-lineventeprivee.com. Em quatro anos o volume de negócios da empresa aumentou cerca de 230% e tornou-se o primeiro site de vendas on-line na Europa. A empresa conta já com 1.000 empregados e prevê para o ano de 2009 um aumento de 300 postos de trabalho.

 

Farmácia – O sindicato profissional farmacêutico francês – Gemme – prevê um crescimento de 10 a 12% para os medicamentos genéricos reembolsáveis em França. Em 2008 este mercado atingiu um record em termos de facturação (2 mil milhões de euros) e este ano, devido à comercialização de novos medicamentos genéricos e à existência de contratos a encorajar os médicos a prescreverem genéricos em três grandes classes de medicamentos, permitirá abrir um mercado potencial suplementar e incrementar o nível de facturação em cerca de 1,3 mil milhões de euros.

 

Energia Solar e energias renováveis – a empresa PME Solairedirect aumentou o capital social em 20 milhões de euros no final de 2008. Criada em 2006 é uma das principais operadoras de energia solar em França. O presidente e fundador da empresa anunciou uma previsão de 160 milhões de euros de volume de negócios para o corrente ano. O sector em questão não está a ser directamente afectado pela crise, dado estarmos a falar de uma energia que influencia o crescimento sustentável e também pelo facto dos principais fornecedores de painéis solares estarem a baixar os preços dos mesmos, em consequência do grande crescimento do mercado espanhol. No âmbito das energias renováveis, devido às preocupações ambientais, a produção de energias, infra-estruturas de transportes colectivos, isolamento de edifícios, entre outros, não conhecerão a crise, estando já prevista a criação de 440 000 postos de trabalho até 2012.

 

Tecnologia – no universo dos telemóveis no mercado francês, os smartphones têm mostrado a sua preponderância. Para o ano de 2009 prevê-se a venda de 2,8 milhões smartphones, o que representa cerca de 11% na venda total de telemóveis. A esta preferência está associada a ergonomia do telemóvel – ecrãs tácteis e o fácil acesso à internet.

 

Luxo – a pastelaria de gama alta Pierre Hermé abriu o seu 4º ponto de venda em Paris, em plenos Champs-Elisées, uma das ruas mais caras e mediáticas da capital francesa. É caso de pensar, “serão os chocolates anti-depressivos?” Nada melhor do que perguntar aos traders de Wall Street quando estes experimentarem as especialidades de La Maison du chocolat que abriu em Novembro em Nova Iorque, em pleno anúncio do FMI de forte recessão mundial. A empresa que apresenta um crescimento de dois dígitos, pretende abrir outro ponto de venda no aeroporto Charles de Gaulle em Janeiro.

 

Em conclusão, apesar da crise que se faz sentir em inúmeros sectores da actividade económica francesa, existem outros, e algumas empresas em particular, que têm conseguido manter em pleno os seus níveis de actividade e até encontrar oportunidades de negócio de forma a potenciarem o seu crescimento.

 

É caso para dizer que “apesar da crise, há sectores que ainda funcionam”.
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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Viver para o Amanhã: The swedish way of life

Lígia Fernandes | C12, Suécia

Montez Champalimaud

Malmö | Suécia

 

Uma cultura onde a liberdade é individual mas o pensamento colectivo.

A necessidade da bicicleta, e a inevitabilidade dos transportes públicos.

Directores sem carro.

O silêncio causado pela ausência de trânsito.

A pesca do salmão nos canais do centro da cidade de Estocolmo.

 

A luta diária para conseguir separar o saco de lixo numa infinidade de contentores que vão desde vidro de diferentes cores a papel de jornal, passando por lâmpadas de vários formatos, várias densidades de papel e plástico, pilhas e lixo orgânico e inorgânico.

 

Um ritmo, uma atitude, marcados por um compasso mais lento, o tempo suficiente para reflectir antes de agir. O “swedish way of life”

 

Aqui, vive-se diferentemente. Vive-se para o amanhã.

 

A febre verde

Este ano, a Suécia está no terceiro lugar do Índice de Performance Ambiental da Universidade de Yale e da Universidade da Colúmbia. Mas a história “verde” remonta a tempos mais antigos, uma vez que a Suécia tem sido pioneira em termos ambientais.

Há quase 40 anos, em 1972, Estocolmo recebeu a primeira conferência das Nações Unidas sobre o ambiente, onde foram ditadas as linhas de política ambiental internacional. E desde 1990 foi adoptada uma política de taxas virada para a eficiência energética. Resultado: a economia cresceu 44% enquanto as emissões de gazes de estufa diminuíram 9%.

 

Hoje a Suécia é assim:

 

- Cidades e Vilas: As cidades e vilas auto sustentáveis, planeadas para consumir metade da energia e água são o espelho da nova Suécia. Danderyd, nos arredores de Estocolmo, e a zona do “Western Harbour”, em Malmö, são apenas alguns exemplos. E Växjö é considerada a cidade mais “verde”. Painéis solares no topo dos edifícios recolhem energia. Num dos países mais frios do mundo, o aquecimento é livre de emissões de carbono.

Transportes: Nas cidades, os autocarros de cor verde são movidos a bio diesel. Os carros “verdes” (ecologicamente eficientes) possuem vários descontos e benefícios (Resultado: constituem 36% dos novos carros registados em Janeiro de 2008). E durante o Verão, carreiras especiais de “autocarros da Natureza” levam as gentes a vários pontos do campo onde podem realizar diferentes actividades e caminhada.

- Sistema de separação do lixo e reciclagem incrivelmente eficiente. A recolha de lixo é o ex libris: um sistema automatizado subterrâneo transporta o lixo através de vácuo para as centrais onde é tratado.

-Bicicletas: Não interessa a idade, não importa a temperatura fria ou a distância. Toda a população usa bicicletas, e as cidades estão preparadas para a sua circulação

-Energias alternativas: Em 2003, introduziu-se um certificado de “electricidade verde”, baseada em energias renováveis eólicas e hidráulicas. Por toda a Suécia, os moinhos eólicos marcam a paisagem

-Um lifestyle verde: Ser “verde” também é atitude, moda. Reflecte-se nos produtos ecológicos e biológicos espalhados pelas prateleiras dos supermercados, nas escolhas alimentares saudáveis e prática de exercício, ou na participação em seminários e associações ecológicas, nos festivais e todos os acontecimentos municipais planeados ecologicamente.

 

E as límpidas águas de Estocolmo, segundo dizem, são o melhor local para a pesca de salmão. Bem no centro da cidade, junto ao palácio real.

 

Um futuro ainda melhor?

E, porque quem ambiciona nunca se contenta, eis próximos objectivos para o futuro:

- Um orçamento de Estado definido em 3 biliões de coroas para ambiente e energia       

-Aumentar a percentagem de energias renováveis de 40 para 49% (meta definida pela EU para a Suécia). (Esta seria a maior percentagem do mundo).

-Um objectivo de, em 15 anos, tornar-se independente do petróleo.     

-Interesse crescente em companhias “amigas do ambiente”.

 

Uma ponte com Portugal

Mas para quem olha para o nosso país com olhos mais cinzentos é necessário não se iludir. As oportunidades são muitas. E Portugal segue a Suécia na “revolução” das energias renováveis. Em Maio de 2008 ocorreu, no Museu da Electricidade, o simpósio sobre energias renováveis na Suécia e em Portugal, por ocasião da visita de Estado dos reis da Suécia a território português, onde foram discutidas oportunidades de investimento entre os dois países. Provindos de passados diferentes, estes dois extremos da Europa começam a encontrar caminhos paralelos.

O amanhã vive aqui.

 

 Fontes:

 

http://www.businessweek.com/globalbiz/content/jan2009/gb20090115_287438.htm?campaign_id=rss_daily

 

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Terça-feira, 3 de Março de 2009

Se há crise, há Carnaval

Cláudia Margarida Pereira Lebre | C12

Portucel International Trading

Colónia | Alemanha

 

O que aconteceu dia 11.11. às 11h11?

 

Esta pergunta, que parece absurda, é de resposta óbvia para qualquer habitante de Colónia, pois é nesse dia e a essa precisa hora que começa a 5ª estação... O período de Carnaval! A partir daí serão 106 dias a festejar, independentemente da crise financeira ou abrandamento económico.

Afinal até a economia ganha com o Carnaval e, segundo alguns especialistas, "é quando há crise que o Carnaval é mais preciso!"

 

Porquê?

Porque nas cidades fortalezas da NRW (Nordrheinwestfalen/ Renânia do norte-Vestefália) mais precisamente, Köln, Düsseldorf e Mainz, o Carnaval não é apenas, alegria, caos, loucura, um estado de emergência, é um verdadeiro negócio de biliões conseguindo ter mais impacto no volume anual de vendas do que o Natal (!!)!

 

Os maiores vencedores são a indústria de brinquedos e de guloseimas, que até este ano esperam um aumento das vendas na ordem dos 10%, ou não fosse o objectivo do Carnaval esse mesmo; trazer cor e alegria aos dias mais cinzentos. Para os vendedores de doces, ele representa literalmente a cereja em cima do bolo! Só em Colónia e para um único desfile (Rosenmontag) são vendidos em média 150 toneladas de rebuçados, 700.000 tabletes de chocolate, 250.000 caixas pralinés (chamados "kamelle") e 300.000 ramos, de flores que serão atirados ao público presente - estimado em cerca de 1,4 milhões de visitantes!

 

Estes visitantes precisam de almoçar, beber, de táxis ou um lugar onde dormir, para grande alegria do sector da restauração!

É já a seguir à passagem de ano que começam as festas privadas, os bailes de máscaras e reuniões de Carnaval, cujos bilhetes esgotam em média uma semana após serem postos à venda (os preços variam entre 12 e 40€ cada) e só acabam, para grande tristeza dos foliões, na 4ª feira de cinzas.

 

No final, o saldo é sempre mais que positivo, a NRW consegue ter um número de vendas estimado entre os 3 e 5 mil milhões de euros! Em 1º lugar está Colónia com aproximadamente 350 milhões de euros em 2007 (segundo o Instituo da Economia Alemã), seguido de Düsseldorf com "apenas" 235 milhões.

Aqui não se brinca quando o assunto é Carnaval. Pode ser um negócio sazonal, mas equilibra as contas de muitos comerciantes e tem cerca de 50.000 empregos (fixos e temporários) dependentes directamente e indirectamente dele!

O único senão que se pode apontar a este "negócio" é que, para além de estar muito dependente da vontade do S. Pedro, parece ter-se tornado num "negócio exclusivo", nem toda a região, nem toda a Alemanha consegue apanhar este comboio carnavalesco! Enquanto que nas cidades fortalezas o período do Carnaval representa actualmente um pico de vendas, nas cidades vizinhas este quase passa despercebido.

 

Há quem tema que a recessão possa destabilizar estes bons resultados, mas a opinião dominante entre os vendedores é: "Segundo a nossa experiência, as pessoas não alteram drasticamente o seu comportamento de compra aquando das festas tradicionais como o Natal, Páscoa ou Carnaval! As pessoas poupam em bens do dia-a-dia, mas não no fato de cowboy do filho!" e, se por acaso, os números do Carnaval não forem assim tão bons, uma certeza fica: "o Carnaval traz às pessoas coragem e confiança e como tal dinamiza o espírito geral de compra. É, mesmo nos momentos de crise, que o Carnaval é mais necessário.

 

Fonte: Dresdner Bank, www.dresdner-bank.com

 

 

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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Robustez anti-crise

Maria da Franca Levy Gomes | C12

Enabler

Índia

A Índia, enquanto economia emergente será, segundo o FMI, menos afectada pela crise mundial que os países mais desenvolvidos. Segundo as previsões, o crescimento do PIB da Índia, que em 2007 foi de 9,2%, baixou para os 7,9% em 2008. Espera-se porém um ligeiro aumento para 2009. Os preços dos bens também têm vindo a baixar desde 2007 e espera-se que assim se mantenha em 2009. (Hindustan Times). Porém, a diminuição das exportações e a falta de investimento no país – essencial para o seu desenvolvimento, poderão vir a agravar esta situação.

Assim, as iniciativas tomadas por empresas e organizações no país, surgem não apenas para fazer face à crise Mundial, mas também, serão sobretudo, para combater os problemas internos que um país com 1.148 milhões de habitantes e em desenvolvimento enfrenta e com o qual se debate diariamente.

Os problemas sociais passam pelo crescimento incontrolável da população. Só Mumbai tem o dobro da população de Portugal, vivendo na sua grande maioria na rua, ou em condições muito precárias de higiene, sem acesso a serviços de saúde, e sem escolaridade. Esta larga porção da população indiana, desamparada e explorada, não vê outra solução que não seja ter mais filhos, e assim mais braços para trabalhar e trazer umas míseras 20 rupias para casa, por dia (0,31 euros).

Os problemas de infra-estruturas passam pelo facto de as grandes cidades indianas como Mumbai, Delhi, Bangalore, Chennai, Calcuta, Hiderabade não conseguirem acompanhar, a nível de infra-estruturas, o seu crescimento. Como resultado, deparamo-nos com estradas esburacadas, falta de passeios, edifícios sem qualquer tipo de estudo de impacto ambiental e paisagístico, ruas transformadas em lixeiras.

Os problemas económicos passam pela disparidade no que diz respeito ao crescimento salarial da população, agravando assim o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. A mão-de-obra é muito barata devido à sua grande oferta, e assim, explorada.

Como reacção a todas estas profundas e enraizadas dificuldades, várias medidas vão sendo postas em prática com o âmbito de fortalecer o país e torná-lo mais apto na luta contra crise. Esta luta passa em parte por saber usufruir das vantagens competitivas de cada país, a todos os níveis sociais e económicos.

O que tem a Índia de vantajoso relativamente a outros países? Uma vasta população, logo mão de obra, potencial tecnológico bem como humano, forte potencial no que diz respeito a desportos como cricket e hóquei, uma cultura exótica, uma história interessante, uma paisagem variada e exuberante e uma flora e uma fauna ricas e diversificadas.

Assim Delhi recebera em 2010 os Jogos da Commonwealth, tirando partido da sua história.

A sul do pais. Bangalore é considerado a Silicon Valley da Índia, usufruindo do seu potencial tecnológico e humano.

O país vai dando a conhecer a sua cultura através de jogos e campeonatos mundiais de cricket e hóquei, tendo já sido campeões mundiais nestes dois desportos.

A sua cultura multifacetada, que divide a sociedade em castas, englobando num mesmo território mais de quarto fortes religiões, centenas de templos, igrejas, mesquitas, um território onde se falam 120 línguas (23 oficiais) diferentes, onde as praias de areia branca ou escura se misturam com as palmeiras, onde os elefantes, os tigres, os camelos, as vacas sagradas abundam, onde o deserto, a montanha e os campos de chá e café se estendem a perder de vista, a Índia oferece a quem a visita, umas ferias inesquecíveis. Assim o país usufrui da cultura e beleza natural para atrair turistas.

Neste contexto deparamo-nos com grandes grupos como o Grupo Tata. O Grupo Tata, presente na Índia desde 1868, gere vários tipos de negócios, tais como construção automóvel, hotelaria (Hotel Taj – Mumbai), software e sistemas de informação, produção de aço, serviços financeiros, seguros, produção de energia, produtos de grande consumo (chá, café, livrarias), produtos farmacêuticos entre outros.

Este grupo foi pondo em prática ao longo dos anos várias iniciativas comunitárias, bem como apoiando a Arte e o Desporto através de patrocínios e sendo o “patrono” no que diz respeito à herança da cultura Indiana (tapeçarias entre outros).

Tem igualmente sob sua gerência o Tata Memorial Centre, hospital Nº1 no tratamento e investigação oncológicos, no qual 70% dos pacientes recebem tratamento gratuito.

O Instituto Indiano de Ciência também pertence a este grupo e engloba 40 departamentos de Investigação e Desenvolvimento, bem como um departamento de ensino nas áreas da ciência, engenharia e tecnologia.

É de salientar igualmente a preocupação ecológica deste grupo, incentivando o desenvolvimento sustentável, que proteja o meio ambiente e beneficie as pessoas que dele dependem, através do JRD Tata Ecotechnology Centre.

A Índia tem ainda um longo percurso a percorrer e muitos aspectos a fortalecer, como a questão da sensibilidade relativamente à higiene e à limpeza, das infra-estruturas, da corrupção, da alfabetização e da pobreza. Mas a verdade é que a Índia tem muito para oferecer a qualquer investidor, com grandes margens de lucro. Esta será a sua tábua de salvação nesta época de crise.

publicado por visaocontacto às 23:09
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Invest when there is blood on the street

Diogo Sousa | C12

Critical Software Technologies, Ltd

Southampton | Reino Unido

 

Invest when there is blood on the streets”, By Dr Mergen Reddy, Leader: Strategy & Strategic Finance Deloitte Consulting, Source: Deloitte & Touche (South Africa)

Caros leitores,

 A actual crise financeira manifesta uma profunda crise espiritual e um conjunto equivocado de valores. Perguntam-me vocês:  “Quais as soluções para contrariar esta tendência?”.  Ao que vos respondo:

»   Política de inovação – a crise como oportunidade;

»   Internacionalização em mercados emergentes.

Numa época de crise geral em todos os sectores de actividades, os agentes económicos vêem-se obrigados a transformar as dificuldades em oportunidades, isto é, utilizar um período “menos próspero” para a promoção de ideias arrojadas e inovadoras.

 No caso das PME´s, o sucesso passará pela adopção de soluções centradas na sustentabilidade e diferenciabilidade no sector. As empresas capazes de introduzir novas metodologias beneficiarão de elevadas rentabilidades, sendo que nos dias de hoje, os consumidores/clientes exigem novos e melhores produtos, associados a preços justos e atractivos. Empresas de grande dimensão, que há dez anos se apresentavam como um concorrente quase inalcançável encontram-se agora numa posição mais fragilizada, o que possibilita a abertura de mais oportunidades para empresas em expansão.

Por outro lado, as grandes empresas também retiram benefícios com a actual crise, sendo para elas uma espécie de época de saldos. Com uma coesa capacidade financeira para adquirir empresas de dimensão inferior, incapazes de resistir a tamanhos cortes financeiros nos seus projectos, grandes empresas compram a preços inferiores, utilizam estratégias de fusões & aquisições com o intuito de se tornarem cada vez mais poderosas não só nos mercados onde já dominam, mas também em novos mercados completos de oportunidades.

O “boom” da internacionalização empresarial que se tem verificado desde o final da época de 90 assume, actualmente, um papel fundamental para a sustentabilidade financeira, económica e social das empresas. Por essa razão, muitas empresas já começaram a deslocar os seus esforços no sentido de estabelecerem contactos em países que possuem economias emergentes, de forma a aumentarem o volume de exportações. Economias como as dos países BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e Angola, tornam-se demasiado apelativas devido ao seu rápido crescimento económico.

 A Critical Software, empresa onde estou a estagiar, segue exactamente estas duas soluções, não só como resposta à crise mas também como estratégia de crescimento. iDEAS TO iNCOME (iTi) é um programa desenvolvido pela Critical Software, vocacionado para estimular a produção de ideias novas no seio de uma organização que quer ser capaz de acomodar a mudança gerada pelo fomento da inovação. Através de um canal interno, todos os colaboradores podem fazer propostas inovadoras, que são depois analisadas ao nível de um board constituído para o efeito e validadas segundo critérios objectivos. Como o seu próprio nome indica, o iTi visa o desenvolvimento de ideias que resultem na geração de riqueza.

Com dez anos de existência, a Critical Software destaca-se pela criação de software fiável e inovador para sistemas críticos das empresas. Projectos como o desenvolvimento da vertente de segurança do sistema de navegação dos satélites Galileo, de uma tecnologia de identificação de embarcações para a vigilância marítima e de um novo sistema para despistagem de minas marítimas num veículo não tripulado de contra-medidas Anti-Minas para o Ministério de Defesa Britânico, são exemplos de projectos que demonstram aposta forte da CSW em inovação.

Mais recentemente, a Critical dá prova do seu sucesso em tempo de crise, ao lançar um spin-off na área da saúde com a criação da empresa Critical Health. Uma empresa que se especializa no desenvolvimento de soluções para o diagnóstico e tratamento de doenças, cuja missão assenta em melhorar a qualidade de vida das pessoas e reduzir os custos na prestação de cuidados de saúde. A proposta de valor da Critical Health consiste em disponibilizar produtos tecnológicos acessíveis e inovadores que facultem informação que contribua para evitar a perda de visão, de mobilidade e de faculdades cognitivas na população.

Devido às limitações do mercado português na área de Software (sistemas críticos orientados para a indústria espacial), a empresa sentiu a necessidade de se internacionalizar, definindo o mercado mundial como o seu mercado alvo. Neste momento encontra-se representada em 4 países (Portugal, EUA, Reino Unido, Roménia), estando previsto para 2009 a abertura de escritórios no Brasil.

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Domingo, 1 de Março de 2009

PerCursos

Elisabete Oliveira | C12
Cisco Systems
San Jose, Silicon Valley - EUA

Desde o começo de cada vida, que os pais pensam no percurso para os seus filhos. Estes são cada vez mais bem planeados, a altura em que nascem, quantos irmãos vão ter, que escolas vão frequentar, e muitos até pensam o que irão estudar para que o seu futuro fique garantido.

Escola primária, escola preparatória, secundário, cursos profissionais tecnológicos para uns, licenciaturas e mestrados para outros; cada um escolhe o seu percurso, mas actualmente estas linhas já estão traçadas... Cerca de dezassete anos de estudo, aprendizagem contínua, experiências boas e más, que complementam cada indivíduo e o fazem uma pessoa particular.

Eis que chega o dia em que o ‘pacote’ está finalizado e embalado para seguir em frente. É hora de bater às portas para aplicar tudo aquilo que aprendemos e apreendemos durante a primeira fase das nossas vidas...
‘’É a crise! A culpa é da crise! ‘‘ Dizem alguns baixando os braços mas continuando a bater de porta em porta, depois de pedirem mais uns trocos aos pais para um café e retomarem forças. Outros não o dizem, mas ouvem: ‘’É a crise! A culpa é da crise! ‘‘.
Não pode ser isto que nos abala. Até já dizem que só há crise porque toda a gente fala dela! A comunicação social, os empresários, os estudantes, o governo...

Motivação, o que nós, jovens e menos jovens, precisamos é motivação...
Não só precisamos da motivação que temos dentro de nós, aquela que vamos construindo através dos nãos que ouvimos sucessivamente, de porta em porta. Mas também precisamos de ser motivados. Motivados para continuar a desenhar um percurso, e para desenhá-lo não podemos ir atrás dos outros... Não podemos continuar a seguir as linhas traçadas... Temos de ser inovadores, ver mais além e arriscar!
Temos que dizer não aos empresários que nos pedem constantemente para fazer um estágio de X meses (ganho=0) em troca de experiência, sim porque sem experiência ninguém contrata, e com experiência ninguém quer fazer estágios (ou continua a fazê-los a ganho zero para ganhar mais experiência...) e isso faz com que os licenciados vão parar atrás de um balcão de um estabelecimento ou call center.

Uma simples ideia, um acto inovador, uma nova aplicação de materiais ou ideologias pode virar completamente a história e fazer de um jovem à procura de uma oportunidade de emprego, um empreendedor.

O que não falta são bons exemplos para descrever boas ideias de sucesso.
Desde malas feitas de canetas de feltro recicladas (Just Beg de Naulila Luís), passando por um copo (re)vestido por uma manga, mantendo a tradição na utilização de objectos já caídos em desuso ou menos modernos, mas renovando a sua imagem com uma nova veste e uma nova utilidade (Mangas de Carina Martina); até ao sofá que estofado a desperdício de algodão aquece o utilizador nas noites mais frias através de uma manta escondida num bolso lateral, prolongando assim o conceito habitual de sofá (Re-Pocket de Henrique Ralheta e Miguel Flôr).

É através de uma simples ideia, de uma vontade de querer manter a tradição ou de querer fugir dela, inovando e surpreendendo, que a crise nos vai passando ao lado, até que se deixe de ouvir falar dela.
As ideias não se esgotam... Reciclam-se!

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Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

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Bernardo Lago Cruz | C12

Critical-Links

Nova Deli | India

 

 

A crise financeira, a crise económica, a crise social, a grande crise de valores são na Índia um fenómeno interligado mais com a própria cultura Indiana do que com a massificação de comportamentos encontrados no Resto do Mundo.
A realidade Indiana é caracterizada pela existência de centenas de diferentes dialectos, dezenas de religiões e mais de 1 bilião de pessoas a viverem unidos pela mesma nação.·Sendo assim deixo aqui 4 paralelismos entre a crise na Índia e a crise Mundial.

 - A Crise Social 

 14 milhões de pessoas partilhando 80Km2A Crise Social no contexto indiano é no ponto de vista ocidental aquela que é mais brutal, o panorama em Nova Delhi é de uma cidade a rebentar pelas costuras onde o trânsito caótico e o lixo espalhado pelas ruas são aliados a uma pobreza extrema. A Índia goza do estatuto de uma democracia, mas o sistema de estratificação social das castas ainda vigora na sociedade indiana, sendo a cor da pele um factor de descriminação social presente. Quem nasce pobre morre pobre, dia após dia, sol após sol os sem-abrigo e waste pickers reúnem-se junto de montanhas gigantes de lixo para proceder à separação deste e a casta mais pobre (Os Intocáveis) muitas vezes é desmembrada intencionalmente pela Mafia Organizada de Delhi com vista a poderem ser uma fonte de rendimentos.

Em cada semáforo dezenas de miúdos carregando cocos, mangas, bananas, balões, livros e peluches assediam os turistas com um comum brilho nos olhos e sorrisos irresistíveis. Os rickshaws manuais são confinados maioritariamente à população idosa, que carrega turistas e mercadorias O choque cultural é incontornável no que toca ao comum ocidental que visita a Índia pela primeira vez. A realidade é que a cultura indiana é muito diferente da nossa, o que para nós é considerado desumano para os indianos é considerado normal, a vida e a morte têm um sentido muito distinto quando comparados com os da sociedade Judaico-Cristã. Mas uma questão permanece, imaginem como seria a interacção social se toda a população de Portugal estivesse concentrada em 80Km2?

  

2. A Crise Económica – Baksheesh, o suborno honesto

 

A crise económica que se vem a sentir no mundo deriva de múltiplos factores, factores esses que pertencem a relações desenvolvidas sobretudo entre países ocidentais. No que toca às relações económicas dos diversos agentes no espectro indiano, é de notar que as relações estabelecidas entre eles não foram baseadas na lei da concorrência perfeita. Os contratos e relações estabelecidos são efectuados com base em relações pessoais e contratos paralelos, há uma maneira própria de fazer negócio, onde o dinheiro debaixo da mesa é mais importante do que a viabilidade económica do negócio.

Outra curiosidade no mundo económico indiano prende-se com o chamado Black Money. Segundo o Swiss Bank a Índia tem aproximadamente 1500 milhões de dólares não declarados, depositados na Suiça (em segundo lugar vem a Rússia com 3 vezes menos). Esse dinheiro deriva, principalmente, de contratos paralelos. Os baksheesh como  são abertamente chamados os subornos, contribuem para que a pesada burocracia deixe de ser uma presilha para a economia Indiana.

O baksheesh é, de certo modo, uma forma aberta e “honesta” de corrupção, já que toda a população indiana conhece o seu poderoso significado.

Assim, a crise económica mundial é menos sentida na Índia, visto que as decisões são baseadas na tradição indiana e menos afectadas com o desenrolar da economia Mundial.

 

3. A Crise Financeira – Proteccionismo Salvador

 

A crise financeira é aquela que mais se pode sentir face às outras. A interligação dos mercados mundiais faz com que seja impossível não sentir os efeitos negativos vindos da economia americana e consequentemente da economia ocidental. Mas, mais uma vez, é fácil demonstrar que a Índia é um país que se encontra protegido neste campo, visto que a lei Indiana obriga as empresas estrangeiras que operam naquele país a possuírem capital indiano. Sendo assim, em alturas de crise, o mal-amado proteccionismo indiano ao capital estrangeiro protege as empresas indianas.

Ao observar o pânico gerado pela onda de desemprego nas famílias face à fuga dos capitais estrangeiros de Portugal, questiono-me se Hugo Chavez tinha razão ao proteger o próprio país de decisions makers estrangeiros que só têm em conta factores financeiros em detrimento do contributo e know how gerado pelo sector secundário do país.

 

4. A Crise Generalizada de Valores – medo/consumo vs amor/ carpe diem

 

Para a maior parte da população ocidental, a realidade mundial é lida através dos meios de comunicação social. Neste momento ligamos a TV ou internet e somos bombardeados por múltiplos actos de violência, morte e fome, com publicidade pelo meio, havendo uma cultura de medo/consumo associada. Visto que há uma crise económica e financeira generalizada, o consumo sofre mudanças, as pessoas já não conseguem comprar aquilo que os media publicitam, porque os bancos não lhes financiam o capital de que necessitam. Existe assim um vazio, provocado pela desgraça e violência que nos é imposta pelos media,  e que aumenta de dia para dia quando não temos aquele sentimento de bem-estar ao comprarmos um carro,   telemóvel ou qualquer bem material.

Na Índia não existe uma crise generalizada de valores, a maior parte da população não tem tempo nem condições para ser brainwashed pelos media, a pobreza e o ramerrame do dia a dia, fazem as pessoas viverem o momento de coração aberto, sem medos nem receios, prontos a encontrar felicidade e harmonia em pequenos prazeres que para nós ocidentais são dados adquiridos.

 

Namasted

 

 

 

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Perspectivas da crise

Rute Freitas | C12

Efacec

Madrid | Espanha

 

“A economia espanhola contrairá este ano, pela primeira vez em 16 anos, caindo 1,6%, e o défice das contas públicas atingirá os 5,8% do PIB. A taxa de desemprego será de 15,9%.”

Económico, edição on-line de 16.01.2009

O cenário de crise, recessão económica e desemprego estão instalados. Este é um fenómeno mundial que afecta todos os sectores da actividade económica, com consequências graves para a estabilidade económica e social dos países.

No entanto, simultaneamente, existem sectores que apesar de se ressentirem com os efeitos da crise, conseguem, de alguma forma, contrariar a tendência negativista e encontrar alternativas de crescimento que os sustentem.

O sector do turismo, de acordo com a Organização Mundial de Turismo, assume-se como um dos principais sectores da economia mundial. Nas últimas seis décadas, experimentou um crescimento sustentável e uma diversificação cada vez maior, tendo-se convertido num dos sectores que regista um crescimento mais rápido. Esta dinâmica permitiu-lhe ter, na actualidade, um papel fundamental no progresso socioeconómico.

O turismo converteu-se num dos principais agentes do comércio internacional. Actualmente, as receitas de exportação geradas pelo turismo internacional ocupam a quarta posição, depois dos combustíveis, dos produtos químicos e dos produtos automóveis, sendo que em muitos países se assume como a primeira categoria de exportação. Para muitos dos países em vias de desenvolvimento, apresenta-se como uma das principais fontes de receita, através da criação de emprego e oportunidade de desenvolvimento.

Principais indicadores:

- Mundialmente, a chegada de turistas internacionais atingiu os 903 milhões em 2007, mais 6,6% que em 2006;

- Entre 1995 e 2007, o crescimento médio situou-se nos 4%, apesar da estagnação verificada entre 2001 e 2003, devido ao terrorismo, SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e abrandamento económico;

- As receitas turísticas ascenderam aos 625 000 milhões de euros em 2007, o que corresponde a um crescimento de 5,6% em relação a 2006;

- Tudo aponta para que 2008 seja o quinto ano consecutivo de crescimento sustentado da indústria turística mundial;

- Para 2008, antecipa-se um crescimento mais moderado, devido às consequências provocadas pela economia global, que afectam a confiança do consumidor, com os inevitáveis constrangimentos no rendimento disponível;

- Em 2010, prevê-se que as chegadas internacionais alcancem os 1.000 milhões e, para 2020, as chegadas internacionais superem os 1.600 milhões.

Fonte: Organização Mundial de Turismo

A Espanha ocupava (em 2007) o segundo lugar, no que respeita a destinos mais visitados, a nível mundial, precedida pela França, e desfrutava de uma quota de mercado de 7%, à frente dos Estados Unidos e Itália. No que respeita a receitas, atingiu 51,1 milhões de dólares, que a colocam na 2ª posição, sendo a primeira ocupada pelos Estados Unidos.

Em 2007, o turismo representava 11% do PIB e do emprego, em Espanha. Segundo previsões da Organização Mundial de Turismo, prevê-se para 2020 que 75 milhões de turistas visitem o país. No entanto, em 2008, perante o cenário de crise, o sector do turismo ressentiu-se, tendo-se verificado uma queda de 1% no impacto do PIB.

A Espanha é um país surpreendente, brinda-nos com uma imensa diversidade de património cultural e natural. Consciente do seu potencial, sabe promover os diferentes aspectos do território, sendo capaz de seduzir todos os segmentos de viajantes! Há uma força gigante de promoção do país que não se limita ao exterior, verifica-se, simultaneamente, um aumento do turismo interno que resulta dum esforço contínuo de promoção das diferentes regiões.

Há um claro investimento em marketing turístico, com o objectivo de promoção do território, que assenta na diversificação de produtos e serviços. A Espanha apresenta uma multi-variedade de possibilidades e destinos, procurando novas fórmulas capazes de cativar os turistas. O fenómeno mais recente é o Turismo Rural, que surge como alternativa ao turismo massificado; que procura criar novas oportunidades, desenvolvendo turística, económica e socialmente zonas rurais, de imensa riqueza histórica, cultural e paisagística. Conseguindo enquadrar toda a actividade de acordo com os princípios do turismo sustentável, ou seja, em comunhão com o meio ambiente e responsabilidade social.

A Espanha, pela sua reputação e riqueza turística, quase não necessitaria de promover-se. No entanto, a fórmula do sucesso resulta da contínua procura de ideias que promovam o país, a cultura e as gentes!  Será esta uma incógnita, descoberta na equação da crise?

Olé!

 

Bibliografia

Instituto Nacional de Estatística – Espanha

www.ine.es

Económico

www.economico.pt

Edição de 16.01.2009

Organização Mundial de Turismo

www.unwto.org

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Deseja um café?

Rui Melo Ferreira | C12

Critical Links

New Jersey | USA

Vamos encarar as coisas de frente: Sabemos que provavelmente até 2010 muitas pessoas irão perder o seu emprego, outras ainda terão sérias dificuldades em encontrar o emprego com que sempre sonharam.

Mas acredito que as crises nos ensinam e abrem novas oportunidades pois o que não nos mata torna-nos mais fortes e sempre que uma porta se fecha, outra abre-se. Daí a minha convicção em que a criação da nossa própria empresa é uma opção cada vez mais válida.

Após serem dados todos os passos correctos nesse sentido chega a altura de iniciar a actividade da empresa. É nesta etapa que normalmente será adquirida toda a panóplia de equipamentos tecnológicos para arrancar com o negócio, acompanhada geralmente com um investimento bastante avultado.

Jovens empreendedores, permitam-me que vos mostre um caminho alternativo: E que tal apenas dois aparelhos? Uma máquina de café e o edgeBOX!  

Infelizmente a tecnologia desenvolvida pela  Critical Links ainda não permite um aveludado expresso, (talvez um dia!) mas na verdade o edgeBOX responde às mais diversas necessidades, disponibilizando todos os meios que uma PME necessita para poder competir de forma eficaz: desde uma central telefónica ao router, passando pelo serviço wireless até a um completo sistema de segurança, et caetera... seria penoso para o leitor se todas as vantagens e as cerca de 50 aplicações disponíveis a partir do edgeBOX ao serviço das PME’s fossem enumeradas.

 Não será por acaso que em época de downturn, o edgeBOX continua a traçar uma rota de crescimento. Que o digam os cerca de cem mil utilizadores espalhados pelos cinco continentes em apenas dois anos.

Há cerca de um ano, a Critical Links, empresa com ADN na Critical Software, moveu os seus headquarters de Coimbra para New Jersey e, com o INOV-CONTACTO, foi-me concedida a oportunidade única de vir a trabalhar numa atmosfera vibrante, rodeado de excelentes profissionais e numa cultura com consideráveis diferenças quando comparadas a realidade americana e portuguesa.

Um elemento determinante para uma definição positiva do que é a cultura americana é o apoio à ideia, à pro-actividade e ao talento. Os projectos e as pessoas são avaliados  sem olhar a raças, credos ou origens...É esta no meu entender uma das principais lições que este país dá ao mundo. Demonstrando que na sua linha  conceptual a  land of freedom and of endless opportunities continua bem viva e pujante.

E nesse sentido ganhei uma lição para a vida: A necessidade de continuar a sonhar, ser audaz, criativo, trabalhar com afinco, combater a inércia e arriscar.  

Acredito que o caminho para a felicidade poderá requerer um esforço enorme, mas acredito ainda mais que os desafios devem ser encarados sem medos, de forma positiva no sentido de tornar as nossas vidas cada vez mais realizadas, e perdoem-me a ambição, tornar o mundo um sítio melhor.

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