Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Brasil à Margem da Crise....

Ana Cunha | C13
 
Nemorus Securities       
Florianópolis | Brasil
 

O Brasil tem passado à margem da crise...

Numa altura em que a palavra crise é já uma constante no quotidiano europeu, debate-se muito acerca das melhores medidas para pôr fim a uma realidade difícil que insiste em permanecer.

Há pouco mais de um ano, o mundo assistia ao início de uma forte crise económica. Nos Estados Unidos, a crise no pagamento de hipotecas acabou por vir a alastrar-se por toda a economia mundial, permanecendo, ainda hoje, nos vários sectores internacionais.

Surpreendentemente, o Brasil – país em desenvolvimento – mostrou uma forte resistência perante um panorama de crise. O facto de os bancos não possuírem papéis ligados às hipotecas de alto risco que estiveram na origem dos problemas, constituiu o ponto de partida para a forte resistência que apresenta.  

Várias são as teorias defendidas para tentar justificar a posição segura do país de Lula face aos efeitos da crise mundial. No entanto, unanimemente os principais factores baseiam-se, essencialmente, em quatro pontos principais:

1)      O Brasil possui uma política económica previsível;

2)      Acumulou reservas internacionais de US$200 biliões;

3)      É detentor de inúmeros recursos naturais e apresenta uma agricultura moderna;

4)      Conta com 20 milhões de novos consumidores.

Segundo uma reportagem feita pela The Economist, o Brasil deve a sua resistência, face aos efeitos da crise, a três aspectos fundamentais, como o facto de apresentar uma demanda que está em alta; ter exportações para os Estados Unidos a representar menos de 20% do total - tendo uma base de exportação que se divide entre Europa, Ásia e América Latina - e, por último, o facto de o Brasil combinar um Banco Central com autonomia e uma política de câmbio flutuante, o que o torna menos vulnerável aos choques externos.

“O Brasil implementou nos últimos anos as políticas económicas correctas, acumulou reservas e, assim, a economia brasileira está em boa forma”. Afirmações como esta foram ouvidas no começo da crise, mantendo-se até há uns meses atrás.

Porém, no último trimestre de 2008 o FMI (Fundo Monetário Internacional) alertava para uma realidade exigente:

“Mesmo em boa forma, o efeito do declínio no crescimento global terá consequências sobre as reservas; o Brasil está forte, mas não é imune à crise.”

A firmeza de um país em desenvolvimento face à situação económica internacional tem sido argumento forte e constante no discurso do governo de Lula. No entanto, os acontecimentos dos últimos meses tornam-se demasiado evidentes para se continuar a falar de um Brasil que se mantém aquém da crise.

No final do mês de Março o Banco Central viu-se obrigado a rever a sua expectativa para o crescimento da economia brasileira prevista para este ano de 3,2% para 1,2%. Importa dizer que ao longo das últimas cinco semanas as previsões têm vindo a piorar e que, mesmo este valor agora apresentado é considerado, por muitos, como um número optimista, tendo em conta as previsões do mercado.

No passado mês de Março, o governo brasileiro anunciou um corte de R$ 21,6 biliões no orçamento federal, como consequência da diminuição do crescimento do país e da queda na colecta de impostos.

Assiste-se, neste momento, à 1ª retracção da economia brasileira, desde 1992, ao mesmo tempo que se contabiliza uma queda de 1,7% na produção do sector industrial – sector este que já tinha sofrido uma diminuição de 1,3% em Janeiro e que se apresenta como o que mais sofre os efeitos da crise.

Em situação de recessão, no Brasil ou em qualquer outro país, os sectores que mais sofrem com a queda da demanda são os sectores automóvel; imobiliário e de bens de capital (ligado aos investimentos), por dependerem directamente de financiamento, que, nestas situações, escasseia.

No passado dia 30, o Ministro da Fazenda, Guido Montega, anunciou mais um pacote de estímulo fiscal para os sectores da construção civil e automóvel e ainda no passado mês de Março, o índice de aluguer teve a sua maior queda, desde 2003.

Perante o quadro actual, a consequência que agora se teme é o desemprego. A diminuição do consumo interno e do crédito; das exportações e do investimento, conduzem, inevitavelmente, à diminuição da demanda das empresas, que se vêem obrigadas a rever os seus quadros de funcionários.

Como em qualquer sistema económico, as repercussões de uma fragilidade denunciada fazem-se sentir nos restantes sectores. Como tal, a redução do consumo das famílias e do investimento das empresas revela a instabilidade reflectida em dois dos grandes pilares da expansão da economia do país.

 

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Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Espanha – Um olhar sobre La Crisis

André Silva | C13

 

         Centrocar

         Madrid | Espanha

 

Nuestros Hermanos, como carinhosamente os Portugueses se referem aos Espanhóis que a meu ver, só tem esse significado pela proximidade geográfica e por existir também alguma ligação cultural. Na medida em que, se deitarmos um olhar mais atento a este País, apercebemo-nos de enormes diferenças em cada virar da esquina, em cada rua - calle, no Idioma, nos hábitos sociais, formas de pensar, de trabalhar, de atitude para enfrentar as adversidades da vida, até na economia, tudo é diferente. Chego mesmo a concluir que aqui em Espanha a crise é distinta da que se vive, tanto em Portugal, como no resto do mundo.

 

Olhando um pouco para a história recente espanhola, vemos que até há bem pouco tempo, este país era o campeão do crescimento económico. Viveram-se tempos de grande euforia económica, em que tudo se vendia, tudo se comprava, a oferta de trabalho era abundante e variada, os salários eram considerados bons (muito acima dos praticados em Portugal), permitindo a aquisição de todo o tipo de bens, casa, carro e afins… quase toda a gente mostrava poder de compra, exteriorizava bem-estar e aparentava felicidade.

 

Pesquisando o porquê desta euforia económica, somos conduzidos, inevitavelmente, a olhar para dois importantes sectores, considerados os pesos pesados no desenvolvimento de uma economia. O sector imobiliário/construção civil e o sector bancário. Claro que uma economia fluorescente normalmente atrai os olhares de toda a gente, especialmente os da comunidade de trabalhadores de países menos desenvolvidos, onde a precariedade de trabalho e condições de vida são uma constante do dia-a-dia.

 

Daí, a Espanha ter praticamente sido invadida por uma quantidade razoável de imigrantes, em busca do El Dorado. Esta invasão massiva teve como consequência imediata a procura de habitação e, dado que a procura excedia em larga escala a oferta, motivou a construção exponencial de imóveis, com reflexos imediatos na especulação imobiliária. O sector bancário aparece como agente financiador de todo este mercado emergente que parecia uma fonte inesgotável de proveitos. A procura e a atribuição de créditos bancários para aquisição de bens apontava para ganhos avultados, para os sectores que directamente originaram esta explosão. A Espanha estava para as empresas e negócios como o paraíso para o Homem.

 

Com o despoletar da crise financeira a nível mundial, a Espanha apresentou uma economia em grande parte sustentada pelos sectores imobiliário/construção e bancário, mostrando toda a fragilidade em que a mesma estava sustentada e ressentiu-se disso como nenhum outro país da Zona Euro.

 

Em cerca de um ano e meio, a taxa de desemprego aumentou mais de 50%, cifrando-se actualmente em cerca de 17 %, correspondendo a cerca de 4.000.000 de desempregados.

O sector imobiliário/construção estagnaram e, em efeito “bola de neve”, arrastaram consigo uma boa parte de outros sectores da economia deste País, tais como o do automóvel e das máquinas para a construção, etc., com registo de quebras nas vendas da ordem dos 65% a 80% respectivamente. A economia deste País, neste momento, avança e recua como um motor aos solavancos. Crescimento efectivo, só mesmo na taxa de desemprego e no crédito mal parado, este último com repercussões sociais, com a subsequente venda em hasta pública de imobiliário (habitações, lojas, naves) e de veículos.

 

Reconheço que numa conjuntura como esta, haverá sempre operações cirúrgicas de mercado, as quais resultarão no desaparecimento dos elos mais fracos, sejam eles empresas frágeis, com os consequentes despedimentos, especuladores inveterados ou investidores incautos. No entanto há um sector que tem sentido muito menos os efeitos adversos desta crise - o sector da Restauração.

Os estabelecimentos de restauração, incluindo os de diversão nocturna, (pese embora o facto de existir um decréscimo da procura da ordem dos 10% - 15%), têm reagido bem à situação, oferecendo  redução dos preços, procurando assim atrair mais clientes, que a par de uma cultura de “rua”, contribuem deste modo para que estes estabelecimentos se encontrem sempre cheios de gente pronta a consumir.  

A realidade é que, esta crise, tem provocado uma transformação progressiva da atitude desta sociedade e após o período da euforia económica com taxas de crescimento na casa dos dois dígitos, vivemos actualmente tempos de acalmia, de estagnação, diria mesmo de contracção da economia. A solução tem-me parecido simples e vem directamente da expressão “temos de encarar a realidade e enfrentá-la”.

 

Desta forma, as empresas têm vindo, mais do que nunca, a estudar e analisar as suas fraquezas e os seus pontos fortes, ensaiando métodos de contenção, cortando nas despesas, reestruturando-se, procurando outros mercados e espreitando novas oportunidades, de modo a fortalecerem-se, para assim resistirem à crise e, no futuro estarem mais fortes e mais bem preparadas.

 

É evidente que, analisando esta crise global sob o ponto de vista didáctico, verificamos que da pior forma houve um ganho de “know-how”, quer pela parte empresarial, quer pela parte individual e que, talvez de outra forma, essa aprendizagem fosse bem mais difícil de obter.

 

Olhando de novo para o passado, a história tem-nos mostrado que a Espanha já viveu crises complicadas; no final dos anos 70, após a morte do general Franco, com 2 dígitos de inflação, no fim dos anos 80 quando cerca de 50 bancos tiveram de ser intervencionados pelo Estado e no anos 90 com o desemprego na casa dos 24%. Em todas elas a via foi quase sempre a mesma. O segredo está à vista, um dos grandes recursos do País também tem sido a família, que se desdobra até ao parentesco mais longínquo, dando sempre um ombro para os mais carenciados, até estes encontrarem as condições mínimas de sobrevivência com dignidade.

É um pouco olhando para esse passado e, se a isso juntarmos que a Espanha tem um tecido social modernizado, um sistema de saúde socializado, onde toda a gente tem assistência médica, que tenho a convicção profunda que, embora nada mais seja como dantes, uma vez mais a Espanha encontrará o seu caminho, onde surgirá uma economia mais estável, mais estruturada, fortalecida pela poupança dos recursos monetários de cada família e pela poupança dos recursos energéticos, uma solidez institucional apoiada em valores sociais mais consentâneos com a globalidade em que vivemos, com maior uniformidade de critérios e uma maior defesa e valorização do indivíduo, dentro de uma sociedade, como factor essencial ao desenvolvimento e prosperidade de um País.   

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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

A crise global cria novas oportunidades

Paula Nunes | C13

AICEP Portugal

EUA

 

A corrente crise global pode ser um ponto de viragem e uma oportunidade para aquelas empresas que souberem utilizar e perceber os benefícios e mecanismos de mercado que a própria crise criou, tornando assim, a crise global num ponto de mudança favorável.

 

 As start ups e o núcleo de pequenas empresas de hi-tech foram bastante afectadas  pela crise económica, os créditos deixam de ser possíveis, e os investimentos necessários tornam-se complicados. Este grupo económico sofre um enorme abanão na saúde financeira.

 

No entanto, a crise pode e deve ser vista como uma imensa possibilidade de inovação. As injecções de incentivos criadas pelo governo americano pode abrir portas à sobrevivência e crescimeno de muitas pequenas empresas.

 

No sector tecnológico, as pequenas empresas devem perceber e concentrar-se nos mercados para mais facilmente poderem penetrar.

A inovaçao é um dos conceitos que deve prevalecer nestes sectores.

As pequenas empresas ganham acesso aos mercados, pois as grandes empresas têm a direcção de encontrar uma saída simplesmente rápida, a sobrevivência à crise. No passado a IBM , entre outras grandes empresas deixaram espaço para a Microsoft e a Ebay crescerem, e darem um salto no mercado. As pequenas empresas focam-se numa estratégia a longo prazo, que redefine os produtos para o mercado específico que quer alcançar. Assim, a inovação é um aliado ao combate à crise, tendo um impacto bastante possitivo e poderoso. Refinar o mercado e produzir novas ideias de produtos para esse mesmo mercado é uma possibilidade de entrada e crescimento no sector. A inovação como meio para alcançar projecção económica.

 

Aliás, a inovação é um dos meios, mas tem de estar aliada a outros factores.

Os custos sao igualmente um factor que tem de ser contornado, dada a necessidade de olhar à relação qualidade / preço.

A empresa produz  X  gasta Y com a qualidade  W.

É importante manter esta equação equilibada, sem nunca diminuir a qualidade. Sacrifício de redução de custos sem afectar a qualidade.

No entanto, a redução de custos não pode ser entendida como redução de valores da empresa pois, se as equipas sentem os seus postos de trabalho em risco, será impossível manter a empresa segura no mercado.

Quem faz a empresa são as pessoas, se estas se sentem inseguras tornam a empresa instável. A redução de custos deve passar pela percepção dos custos desnecessários. Conseguir o mesmo produto, mas com fundos mais reduzidos, leva-nos, novamente, à inovação, ponto para o alcance da mudança.

 

Uma crise económica traz novas oportunidades económicas, novas procuras no mercado, e novas ideias são requisitadas. Para a evolução dos mercados é necessário surgirem novas soluções de sobrevivência, e quem melhor providenciar estas soluções mais sucesso terá.

Apesar de, hoje em dia, os media apenas falarem de um quadro negro e mau, existe, em paralelo, um conjunto de oportunidades crescente, para quem está atento e para quem não baixa os braços à crise

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Alimentar a economia

Elma Miranda | C13
AICEP
Tóquio | Japão
 

O consumidor Japonês,  profundamente atento, devido à constante exposição a informação, sejam programas de televisão; publicidade; internet; livros; viagens ou uma enorme oferta de restauração, é grande apreciador de gastronomia estrangeira.

Na rua, a omnipresença de marcas de produtos alimentares internacionais é um facto: desde os milhares de Mcdonalds e Starbucks até produtos de consumo diário, podemos encontrar de tudo em qualquer supermercado.  Até produtos portugueses estão expostos nas prateleiras, desde que procurados com a devida atenção.  

No entanto, esta realidade não é fruto da pura curiosidade do palato nipónico. O Japão, considerado um país altamente industrializado e desenvolvido, não goza do mesmo estatuto no que toca ao sector alimentar.

Os produtos alimentares produzidos localmente, como por exemplo 'sushi' e 'saké', apenas garantem uma auto-suficiência alimentar de 40%.

Por isso é incontornável o recurso à importação de produtos estrangeiros, o que significa amplas e óbvias oportunidades para negócios, num mercado de 127 milhões de consumidores com um dos poderes de compra mais elevados do mundo, para além de um nível de sofisticação muitíssimo apurado.

Uma tendencial redução do volume da produção interna e o favorecimento de dietas com base em produtos importados faz com que a meta dos 45% de auto-suficiência proposta pelo Governo Japonês para o próximo ano seja um enorme desafio.

No entanto, aceitando este mercado com todas as suas potencialidades, não podemos descurar alguns pormenores: trata-se de uma nação a envelhecer rapidamente, que procura novos alimentos, com forte ênfase no ramo healthy e existe um grande interesse em prevenir doenças causadas por alimentação ou estilos de vida incorrectos.

A segurança alimentar é também factor primordial, não só pelas regras impostas pelo Ministry of Health, Labour and Welfare, que define a legislação da segurança alimentar, mas também o próprio consumidor reconhece a importância da ausência de factores de risco e quase dois terços admitem pagar mais por um produto que tenha garantia de segurança. O mercado Japonês não admite falhas, a excelência não é uma preferência, mas sim um requisito essencial. Todo o produto alimentar importado para o Japão tem de estar de acordo com o Japanese Food Sanitation Law e dependendo do produto, outras regras e restrições poderão ser aplicadas.

Fazer business no Japão requer uma abordagem diferente daquela tipicamente usada na Europa, América do Norte e Sul e até outros países Asiáticos.

A nível da comunicação, surgem dificuldades que não deverão ser subestimadas: neste mercado global, o Inglês não é comum, a maioria dos Japoneses não têm facilidade em expressar-se em Inglês. Assim, será uma mais valia apresentar o produto em Japonês, com informações traduzidas e efectuar encontros de negócios com auxílio de intérpretes.

No Japão, o pensamento, modo de vida e a forma de fazer negócios estão enraizados em tradições e práticas antigas, que se traduzem em diferentes valores culturais, hábitos e linguagens a nível empresarial.

O desconhecimento destas situações poderá ser nefasto para uma relação negocial que se pretende produtiva e sólida, uma vez que o return on investment é mais demorado que nos outros mercados, mas uma vez iniciado o negócio, este basear-se-á numa relação fortemente pessoal, duradoura e de grande fidelidade.

Em suma: quem souber compreender e respeitar as necessidades do consumidor japonês; adaptar o seu produto às especificidades deste mercado e o seu modus operandi de negócios ao modelo Japonês, terá uma maior vantagem e consequentemente uma maior probabilidade de sucesso neste mercado que é a segunda maior economia do mundo.

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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise

 

 

 

 

César Moreira | C13
 
Piracicaba
 
Sao Paulo | Brasil
 
Quando se pensa no impacto da crise económica mundial no Brasil, de imediato surge a ideia de que o Brasil passa à margem desta. De facto, é a opinião de vários especialistas, de que apesar de a crise se fazer sentir globalmente, o Brasil terá a potencialidade de a superar mais facilmente. Não só o Brasil é visto como uma rara oportunidade de investimento, quer em acções, quer em títulos de empresas e do governo, como também está dotado de um regime económico de metas de inflação com cerca de 10 anos de existência, o que potencia o consumo interno.
Deste modo, o facto de o Brasil ser relativamente fechado (exporta e importa pouco em relação ao seu PIB) e dono da quinta maior população e do oitavo mercado mundial, é visto neste momento como uma vantagem, pois a economia pode continuar a crescer, impulsionada pelo mercado interno.
 
O pilar mais sólido
 
Desde 1999 que o Brasil adoptou um regime de metas de inflação. Testado durante várias crises e culminando com a actual, o sistema tem-se provado como um instrumento decisivo, sendo considerado por muitos como o mais sólido pilar macroeconómico brasileiro, garantindo estabilidade e resistência a choques externos. Entretanto, vários governos no mundo, estão a lançar pacotes fiscais para tentar estimular a economia, mas o caso brasileiro tem algumas particularidades. Com gastos na ordem dos 40% do PIB no sector público, tem pouco espaço de manobra para aumentos significativos da despesa pública, sendo, assim, ainda mais importante a diferença que pode fazer a política monetária administrada.
 
No entanto o sistema de metas de inflação funciona na companhia de dois elementos preponderantes, que é o câmbio flutuante e a responsabilidade fiscal. O câmbio flutuante permite que o país reaja com eficiência à volatilidade externa. A responsabilidade fiscal garante o equilíbrio das contas públicas. O governo tem gerado o excesso das receitas sobre as despesas públicas primárias consistentes, dando ao Banco Central o espaço necessário para administrar os juros sem que estes causem um impacto insuportável na dívida pública do país. Naturalmente, a decisão sobre os juros é a principal ferramenta de um banco central para manter a moeda estável e preservar o poder de compra da população. Por isso mesmo, a adopção do regime de metas é muito mais do que uma decisão técnica.
 
Entretanto, o Banco Central surpreendeu o mercado com um corte agressivo dos juros recentemente, que se pode repetir, novamente, nos próximos meses. A inflação consolidou-se em patamares considerados “civilizados” permitindo que o PIB crescesse à taxa de 3,5%, contra os pouco mais de 2% nas décadas anteriores, resultando numa acumulação nas reservas do país de cerca de 200 bilhões de dólares. O princípio das metas de inflação está na administração das expectativas quanto ao comportamento dos preços pelo Banco Central, que age para a inflação não sair dos valores predeterminados, ajustando a taxa de juro básica da economia.
E, é justamente numa conjuntura como a actual, que se deve ponderar a importância do sistema de metas para um país pois, efectivamente, o Brasil é um exemplo de sucesso.
É um país que acaba de obter uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares do governo americano, algo impensável para muitos países.
 
O impacto da Crise
 
Passados seis meses, já é possível visualizar alguns factos no meio da neblina que ainda obscurece o cenário global. Um dos factos é que, realmente, o Brasil não escapou da crise (nem seria razoável esperar o contrário). Um outro facto é que, paradoxalmente, a crise pode até acentuar a ascensão brasileira. No resto do mundo, e especialmente na Europa e Estado Unidos, o cenário continua sendo de quase depressão. Estima-se que o gasto total das famílias americanas tenha caído 5% no último ano, com previsões ainda piores. Resultados igualmente sombrios são recorrentes em quase todas as áreas ricas do mundo.
 
No Brasil, o mercado consumidor não apenas permanece robusto (o crescimento do consumo interno foi de quase 6% no último ano) como se tem vindo a transformar no principal alicerce da economia brasileira neste difícil ano de 2009. Esse mesmo mercado pode ser também o factor primordial para colocar o Brasil no pelotão de frente quando os “bons ventos voltarem a soprar”.
 
Todavia, o Brasil não esta sozinho no mundo, e existe fundamentalmente um impacto da crise nas importações e exportações. Apesar de o consumo interno se manter estável, as exportações sofreram uma desaceleração considerável.
 
Porém, é opinião generalizada da maioria dos grandes investidores estrangeiros que, apesar das dúvidas existentes, a melhor opção para aplicação de investimentos é nos mercados emergentes, sendo o Brasil alvo preferencial, pois o centro da crise continua a ser o mundo desenvolvido.
 
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Brasil: O país mais bem preparado para a crise

Madalena Reis | C13

Laboris Farmacêutica

Rio de Janeiro | Brasil

 
 

A Internet é uma ferramenta muito aliciante quando temos um trabalho desta natureza para fazer. Tudo nos aparece de uma forma inteligível, gráficos lindos, tabelas coloridas, números de factores económicos desde há 20 anos, perfeito! Pesquisei, como qualquer um faria, e muitos são os factores que explicam por que a crise não se tem sentido tanto no Brasil. Sim, o Brasil não está a passar à margem da crise. Ela existe, apenas com um impacto menor, não tão generalizado.

 

Eis alguns dos principais motivos que fazem do Brasil o “país mais bem preparado para a crise”:

 

- Aumento das relações externas, fazendo integrações com o Mercosul;

- Potência do mercado interno;

- Deslocação de multinacionais para o país, resultante não só da crise internacional mas também da vasta mão-de-obra e matéria-prima existente;

- Sistema bancário muito concentrado, com grande participação dos bancos oficiais (Banco do Brasil e Caixa Económica Federal) na oferta de crédito;

- Planos governamentais de apoio a alguns sectores, um exemplo foram a suspensão da cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para dinamizar o sector automóvel;

- Implementação do PAC (Plano de Aceleração de Crescimento). Desafiando as economias de maior envergadura, em momentos de maior tremor económico, este decidiu iniciar uma grande quantidade de projectos a nível de infra-estrutura para fomentar o desenvolvimento, sendo um deles o complexo desportivo da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, que se tem tornado ao longo dos tempos uma comunidade muito bem organizada.

 

A realidade descrita pelos números é diferente da que encontrei junto das pessoas. Parece haver dois países distintos.

 

- Temos o Brasil que sente a crise, repensa os investimentos individuais prevenindo o que de pior pode acontecer. Trocar de carro ou casa, ou ate férias prolongadas são agora projectos adiados.

 O Brasil está sentindo o tamanho da crise e ainda não acabou o susto.

- Despedimentos colectivos em algumas empresas (a Embraer, a principal fabricante de aviões do Brasil demitiu cerca de 20% da sua folha de pagamentos);

- Importadores de mercadorias brasileiras cancelaram vários pedidos, pois não tinham dinheiro para pagar;

 

Por outro lado, há o Brasil que parece não se ter apercebido deste crise. Para muitos o dia a dia permanece inalterado. «Quem sabe o brasileiro já tenha se tenha “acostumado” com as dificuldades, o povo se vira muito bem, sempre dá um jeito», “a crise é coisa de rico”. O Brasil que está habituado a apertar o cinto, sempre viveu de uma forma regrada, o dinheiro que há não chega para ser investido em nenhum bem mais supérfluo, dai não ressentir tanto a crise.

 

A confirmação oficial da existência de crise no Brasil aconteceu há pouco tempo, na comunicação social e o tema tem cada vez mais relevo, o que irá reflectir-se na opinião pública. A alegria e o optimismo deste povo sambista não vão acabar nunca, mas certamente que muitos tomarão consciência que nem tudo é Carnaval, Futebol e Praia!

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Sábado, 11 de Abril de 2009

Crise Soft no Brasil

Isabel Sofia Leirós | C13

EDP Energias do Brasil

São Paulo | Brasil

 

 

O Brasil é um país de contrastes, que se divide entre os extremos da riqueza nas grandes metrópoles litorais, a desertificação do interior do seu território, e as áreas de grande densidade florestal.

O seu papel na economia mundial é cada vez mais relevante. Nas últimas décadas, cresceu exponencialmente através do seu forte investimento na agricultura e nas pescas, da diversidade de recursos naturais, e do investimento em energias renováveis (especialmente hidroeléctrica). Para além disto, a sua posição geográfica, quer por fazer fronteira com dez países da América do Sul, quer por ocupar praticamente toda a costa atlântica deste continente, estimula o investimento estrangeiro no país.

A recente crise económica, que tem vindo a afectar seriamente as grandes potências mundiais, já atinge também o Brasil, embora os efeitos tenham chegado bem mais tarde e em menor força, muito pela sua não dependência da importação de petróleo. Ao longo da costa dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, não é totalmente conhecido o potencial de extracção de petróleo e gás natural, já explorados. O investimento na produção de etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, uma alternativa à gasolina implementada e financiada pelo Governo Brasileiro já na década de 70, permite que indústrias e consumidores tenham uma maior estabilidade nos gastos com combustíveis, uma vez que não são tão directamente afectados pela flutuação dos preços do petróleo.

Mas, sem dúvida que um dos principais motores da economia brasileira, é a sua política proteccionista. A alta incidência de taxas sobre as importações reflecte-se de forma substancial no custo dos produtos quando estes chegam ao consumidor final. Dado os preços quase proibitivos dos produtos importados, o consumidor acabar por optar pelo produto nacional, estimulando a produção interna e, por consequência a economia.

No final do passado mês de Março, aquando da visita de Gordon Brown (primeiro-ministro inglês) ao Brasil, as declarações de Lula da Silva foram manchete por todo o globo, quando este afirmou: "é uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes da crise pareciam saber tudo e agora não sabem nada". Apesar da polémica gerada pela opinião expressada, é compreensível a indignação do presidente brasileiro. A economia globalizada em que vivemos gera ondas de consequências positivas e negativas, que afectam particularmente o Brasil pela forte presença de corporações multinacionais que se viram forçadas a suspender a produção como forma de redução de custos e, inevitavelmente, ocorreram vagas de despedimentos já no final de 2008.

Mas, apesar desta vaga de despedimentos, a economia brasileira tem vindo a sustentar-se nos inúmeros “pequenos empregos” de serviços (o ascensorista, o empregado do parque de estacionamento, o porteiro e o segurança de prédios comerciais) que, apesar de parecerem irrelevantes e “menores”, se revelam de extrema importância para a base da sociedade, que encontra nestes a sua forma de subsistência.

Num país que actualmente oscila entre a crise mundial e a sua independência de economias internacionais, com acentuados problemas sociais, muitas são as formas de inclusão da população na vida activa. Destacam-se as políticas laborais que visam a contratação de jovens trabalhadores, permitindo por um lado, às empresas, o acesso a mão-de-obra a custo reduzido, e por outro lado, o acesso dos jovens a formação em posto de trabalho e a uma primeira incursão na vida profissional. Exemplos destas políticas, são os programas de contratação do menor aprendiz (que abrange jovens dos 14 aos 18 anos) e do estagiário (proveniente de escolas técnicas e universidades), pelo período máximo de 2 anos, que asseguram que estes não abandonem os estudos e que aufiram uma remuneração, que muitas vezes é fundamental para completarem a sua formação. Para além disto, estes dois programas desincentivam a exploração de mão-de-obra mais jovem e menos qualificada, uma vez que garantem um salário legalmente determinado.

Embora o governo brasileiro esteja já a implementar medidas de auxílio à banca e às empresas mais afectadas pela crise internacional (especialmente as que mais dependem da exportação), bem como pacotes sociais de apoio à população, o Brasil continua a apresentar-se como um mercado extremamente atractivo para o investimento estrangeiro. Apesar do sentimento de crise que também se vive no país, a economia brasileira continua a registar crescimento e a ser vista como um enorme mercado de consumo.

 

 

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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

O Brasil e a Crise Mundial - A resistência

Paulo Tomás | C13

Grupo Pestana

Salvador | Brasil

 

 

Num mundo em que a palavra “crise” se tornou tão global quanto a sua própria existência, o Brasil parece ser excepção à regra. De facto, alguns dados demonstram que, contra o que seria expectável, o país tens resistido às extremas dificuldades que vêm afectando economias teoricamente mais robustas.

Enquanto que no resto do mundo o crescimento médio do PIB baixou para 1%, no caso do Brasil apresentou um decréscimo de 5,4% para…3,5%. A inflação, que em tempos não muito longínquos era de 6%, ronda nesta altura os 4,5%.

A taxa de desemprego, que não pára de aumentar nos países ditos de “primeiro mundo”, cifrou-se no Brasil nos 7,9% em 2008, contra os 9,3% de 2007. De Novembro para Dezembro de 2008, a referida taxa baixou de 7,6% para 6,8%.

Por outro lado, a capacidade económica da generalidade da população Brasileira revela uma dimensão sem precedentes. A título de exemplo, e de acordo com a Associação Brasileira de Vendas Directas, o sector obteve um crescimento de 8,7% entre Outubro e Dezembro de 2008, tendo aumentado o número de revendedores em 7,2% relativamente a 2007. Outro bom exemplo é revelado pelos dados divulgados pela Volkswagen: nos últimos anos as vendas no Brasil aumentaram mais de 30%, enquanto que em países tradicionalmente consumidores, como os EUA e a Alemanha, se verificou uma quebra acentuada. Não admira, pois, que as previsões apontem para que o Brasil venha a ser ao longo dos próximos cinco anos o 6º destino preferido do investimento de empresas multinacionais.

Mas o que pode explicar esta resistência do Brasil à crise mundial? Bem, uma multiplicidade de factores.

Em primeiro lugar, os imensuráveis recursos naturais do país que, aliados ao investimento no seu aproveitamento e a uma agricultura moderna, colocam o país no top de produtores de praticamente qualquer produto que dependa da natureza. É o caso dos produtos agrícolas, do petróleo, do gás e do etanol, obtido a partir da cana-de-açúcar e tido como uma das fontes energéticas do futuro. E os níveis de produção não param de crescer…!

Depois, o Brasil apresenta 20 milhões de novos consumidores, o que, conjugado com a avalanche de crédito que vem sucedendo, estimula o crescimento económico do país.

Importante também foi a redução da dependência da economia Brasileira relativamente à Americana. Enquanto até há alguns anos atrás os EUA absorviam cerca de 27% das exportações do Brasil, hoje o valor cifra-se nos 15%, estando os restantes 85% bem distribuídos entre vários continentes. Assim, a crise que abalou fortemente os EUA, motor da economia mundial, teve menores impactos directos.

Extremamente relevantes são também as características da política económica Brasileira, estável e previsível. A consistência das medidas adoptadas ao longo da última década, bem como as reservas internacionais no valor de 200 biliões de dólares, possibilitam ao país usufruir de uma estabilidade e segurança invejáveis. Neste sentido, revelam-se de importância capital a existência de um Banco Central autónomo e a política de câmbio flutuante adoptada em 1999, que permite ao país ajustar os preços relativos de forma rápida e assim minorar o impacto de choques externos sobre os vencimentos e o emprego.

Por fim, são de referir as políticas monetárias que vêm sendo adoptadas com o intuito bem definido de resistir à crise mundial. É o caso da atenuação dos depósitos compulsórios exigidos pelo Banco Central, o que permite uma maior irrigação do sistema financeiro e, em especial, um maior investimento na agricultura, e é ainda o caso da utilização de parte das reservas cambiais para suprir de capital de giro os exportadores.

Todavia, e embora a situação seja bastante mais favorável ao Brasil do que à generalidade do mundo, o país não pode ignorar as ameaças de que é alvo: a própria crise financeira mundial, a inflação em alta na generalidade dos países, a queda no preço das mercadorias e a concorrência de outros mercados emergentes (como a Rússia, a China e a Índia).

Para prosperar, o Brasil deverá saber identificar as suas fraquezas, nomeadamente os gastos elevados do seu Governo, a baixa alfabetização da população, a taxa de desemprego que, embora tenha vindo a decrescer continua a alta, e o subaproveitamento de alguns recursos, tentando eliminá-las ou, pelo menos, atenuá-las.

Deverá ainda saber agarrar as oportunidades. Neste campo, a própria crise poderá ser benéfica, já que vem revelando o Brasil como um destino de investimento apetecível e um mercado de grandes dimensões, em expansão.

País de uma riqueza natural e cultural fantástica, o Brasil revela-se agora como um pólo potencial de riqueza financeira. Para concretizar o futuro próspero que lhe auguram os especialistas, e que, de resto, a crise tem confirmado como possível, o Brasil deverá considerar os aspectos políticos e financeiros globais, praticando a geoestratégia e nunca esquecendo que o seu maior compromisso é para com o seu povo.

publicado por visaocontacto às 12:01
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