Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Portugal - Porta da Europa.

   Isabel Tavares

Grupo Pestana, Madrid, Espanha.

 

 

Quando me foi pedido para participar nesta edição da Newsletter Visão Contacto não levei muito tempo a decidir: gostaria de reflectir sobre as diferenças de atitude perante o turismo entre o meu país, Portugal e o país que me vai acolher durante 9 meses (Espanha). Mas como faze-lo? Foi então que me lembrei do meu primeiro dia de estágio em Madrid e da conversa que tive com Rafael Moreno.
 
Rafael tem 54 anos, dupla nacionalidade (espanhola e francesa) e diz-se apaixonado por Portugal.
Trabalha em turismo há 28 anos. Está desde Janeiro de 2004 no grupo Pestana e Pousadas de Portugal, trabalhou 10 anos nos Paradores de Espanha e 15 anos em França onde passou por várias empresas do sector do turismo. 
Quem melhor do que ele para me responder a algumas duvidas sobre a diferença de actuação entre Espanha e Portugal na promoção turística? 
 
Decidi então propor a Rafael Moreno uma reflexão conjunta sobre este tema. Uma pequena conversa entre duas pessoas com experiências completamente diferentes: uma com uma vasta experiência no sector e outra que começa agora a dar os primeiros passos.
Este profissional da área do turismo falou-me, de forma clara e realista, sobre as diferenças de atitude entre estes dois países, o que acabou por confirmar algumas ideias que já tinha sobre o tema.
 
Primeiro, falámos sobre Portugal. Como está o país em relação ao turismo? Para Rafael, apesar de não ser uma potência turística, o nosso país está numa boa situação.
 
A Espanha apresenta-se por isso como um bom cliente turístico para Portugal. Tem uma população de 45 milhões de habitantes e é neste momento a 7ª ou 8ª maior economia do mundo: “o Espanhol tem dinheiro para gastar e por isso pode escolher qualquer destino de férias”. “A grande conquista de Portugal tem que ser o cliente espanhol”. Mas, Portugal ainda está a dar os primeiros passos nessa conquista, uma tarefa que não se têm mostrado fácil.
Os maiores concorrentes de Portugal são sem duvida a as comunidades autónomas espanholas: só 15% dos espanhóis goza férias fora de Espanha, os restantes optam por visitar as outras comunidades e a escolha de destinos estrangeiro recai sobre países como França, Marrocos e Turquia.
 
Porque é que Portugal não está entre as primeiras escolhas dos espanhóis? Rafael aponta, entre outros, dois grandes motivos. Em primeiro lugar, a proximidade. Portugal estará sempre ali e os espanhóis poderão visitá-lo a qualquer momento, ou seja, a viagem é adiada em detrimento de outros destinos. O outro, é o desconhecimento dos espanhóis sobre o que o nosso país tem para oferecer.
Ora, se quanto ao primeiro motivo a solução passará por nos apresentarmos aos espanhóis como um pais ibérico que partilha a mesma “terra”, a mesma história, parece-me que em relação ao segundo temos uma maior responsabilidade. O que estamos a fazer mal? Ou o que não estamos a fazer? Para Rafael a solução passa pelas seguintes acções: “redobrar a promoção em Espanha, aumentar as parcerias de promoção conjunta do destino Península Ibérica e aprender com o exemplo espanhol”.
Em relação à promoção conjunta da Península Ibérica, já foram dados os primeiros passos na promoção deste destino em países longínquos como Brasil, EUA e alguns países asiáticos. A este propósito, penso que é interessante a imagem usada por Rafael Moreno: “Independentemente de tudo, estamos a falar de negócio/dinheiro, não adianta ficarmos presos ao passado é necessário evoluirmos, saber jogar e para isso a Espanha é o melhor parceiro que Portugal pode ter. É verdade que ao jogar com alguém posso sempre perder uma ou outra partida, mas a realidade é que essa pessoa está em minha casa a jogar comigo”.
 
É apoiado na vasta experiência no sector do turismo que Rafael apresenta sugestões concretas.
Primeiro, as regiões de turismo portuguesas têm que começar a trabalhar melhor em conjunto, ter uma estratégia comum, manter acções independentes, mas coordenadas. Em Espanha, este trabalho começou a ser feito à 15 anos e, neste momento, quando participa em feiras internacionais de turismo, cada uma das regiões tem o seu espaço na feira. Na realidade, são 17 forças de venda a promover um só país.
Segundo, e mais importante, a comunicação do produto “Portugal” tem que melhorar.
Tem que, de uma vez por todas, deixar de passar uma imagem de país triste. É elementar: “o produto pode ser muito bom mas se não tiver uma boa montra, ninguém vai entrar na minha loja para o comprar”.
Novamente, recuperando o exemplo de Espanha, se perguntarmos a um estrangeiro o que se faz neste país, a maioria dirá que se diverte, um país de “Fiesta”.
Durante anos, o nosso vizinho tem apostado em passar a imagem que Espanha é um país alegre e de diversão. Este esforço tem sido reforçado pelos cidadãos. O governo espanhol “montou” uma estratégia forte de consciencializado dos cidadãos espanhóis para que estes sejam abertos ao turismo, para que tenham a noção que são eles o melhor produto que a Espanha tem para oferecer.
 
Em suma, para Rafael Moreno, a mensagem a passar é simples: “É certo que Portugal é um país de mar, mas é necessário mudar slogans como “Profundo” (Go deeper). Esta é uma expressão delicada e com uma conotação algo pesada, a mensagem deve ser mais positiva, mais alegre. Novamente, Rafael dá o mote: “Portugal tem que ser a Porta da Europa, tem que estar de braços abertos para receber os visitantes”. Sobre isto, acrescento que talvez esteja na hora de passar de descobridores a descobertos.
 
Muito ficou por falar, mas a conclusão é simples: na minha opinião, estamos no bom caminho mas temos que mudar o nosso “Fado” e acreditar que somos capazes, tal como outros um dia foram.
Rafael Moreno, termina com o ditado espanhol “ A quién buen árbol se arrima, buena sombra le cobija” – “Quem a boa árvore se encosta, em boa sombra se abriga”.
Eu finalizo com a ideia que não temos que ser os primeiros em tudo. Tão eficiente como descobrir uma nova maneira de fazer algo é aprender com quem já sabe fazer e, quem sabe, até melhorar…
 
Obrigada Rafael e toda a sorte do mundo!
publicado por visaocontacto às 17:08
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Janela Moçambicana

   Leonor Ribeiro, Grupo Pestana, Maputo, Moçambique.
O sol nasce sempre cedo, levanta-se e deita-se primeiro do que qualquer pé descalço. Ilumina as ruas sujas, reflectindo-se, de quando em vez, nos estilhaços de vidro (provocados pelas explosões no Paiol) que permanecem e permanecerão – processo de recolha de lixo ainda muito arcaico – nos passeios esburacados. As bancas de fruta começam a surgir e o movimento acorda os poucos que ainda dormem... Casas herdadas da colonização – verdadeiros monumentos dignos de qualquer objectiva –, enfeitam a imagem de cidade ditada ao abandono. Os prédios, na sua maioria antigos, traçam um cenário dantesco. Num contraste forte com o cimento surgem as acácias carregadas de pequenas flores vermelhas, pintando a cidade com um tom vermelho e verde alegre.
Os dentes brancos agitam-se pela cidade em envergonhados sorrisos, como quem pede 5 meticais para o Chapa (meio de transporte utilizado pela comunidade mais desfavorecida e por algum aventureiro de mochila às costas). As capulanas (tecido típico, utilizado para fazer vestuário), balançadas pelo vento, prendem a atenção dos recém chegados à antiga Lourenço Marques...
(...) Fecho a janela, olho para o meu relógio – ainda com tic-tac europeu – visto uma roupa importada e vou trabalhar.
publicado por visaocontacto às 13:14
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