Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Estruturas de inovação espanholas

  Ana Sofia Esteves  l C13
 
   Parque Científico de Madrid
   Madrid l Espanha
 

As infraestruturas de suporte à inovação

          A transferencia de tecnologia 

                   A criação de valor entre tapas e cañas.

 

As primeiras infra-estruturas de suporte à inovação surgiram nos princípios do seculo XX, para preencher a falha existente entre o desenvolvimento científico e a aplicação comercial, bem como para auxiliar as empresas que dificilmente conseguiam assumir isoladamente os custos de criação e manutenção de instalações técnicas que se apresentavam cada vez mais complexas.

 

No ano de 1998 surgem em Espanha os primeiros Parques Cientícos – um novo modelo de parque que se caracteriza por um tamanho menor, pela predominância de actividades de I+D e que se especializam na criação de empresas de base tecnológica.

 

Neste momento, existem em Espanha 80 Parques Científicos e Tecnológicos (número de parques membros da Associação de Parques Científicos e Tecnologicos de Espanha no final de 2008), sendo que 3% dos sectores de actividade das suas empresas pertencem às  áreas de agro-alimentação e biotecnologia (disciplinas que apresentam uma grande exigência a nível de financimento). Dentro destes, encontramos o Parque Científico de Madrid (PCM), que conta neste momento com 125 empresas associadas, (representando este valor uma taxa de ocupação de 98%). Dentro das empresas associadas encontra-se  uma predominância nas áreas das novas tecnologias de informação e comunicação - 47% do total - e da biotecnologia - 32% do total.

 

Um dos pontos fulcrais para o sucesso dos Parques Científicos e Tecnológicos, em geral, centra-se na criação de infraestruturas de apoio e desenvolvimento de estudos de transferência de tecnologia e suas aplicações às empresas associadas, enfocando a criação de valor.

Esta é uma prioridade notada no PCM, e o meu estágio nesta organização permitiu-me uma consciencialização da importância das estruturas referidas, já que este Parque Científico apresenta um notável esforço nestas áreas, onde a criação de valor assenta em alicerces como uma sólida transferência de tecnologia e uma visão visando a internacionalização.

 

Para isto o PCM conta com unidades próprias, como o Departamento de Transfêrencia de Tecnologia, bem como com sedes de importantes redes de transferência de tecnologia, como o MADRI+D ou a Enterprise Europe Network.

 

Recorrendo a uma das definições dadas a parque tecnólogico ou científico, estes são considerados como organizações, cujo objectivo principal é promover e aumentar a riqueza da comunidade onde se inserem, por via da promoção da cultura da inovação e da competitividade, dos negócios e das instituições baseadas em conhecimento a ela associadas.

 

Na “Espanha tecnológica” melhoram-se as estruturas de inovação, aposta-se fortemente na transferência de tecnologia e reconhece-se o potencial da ciência e tecnologia na criação de valor.

 

Em terras de “nuestros hermanos”, onde a curta distância nos proporciona várias semelhanças culturais, podem também destacar-se algumas diferenças na forma de ser e de estar que se repercrutem no dia-a-dia laboral.

As habituais cañas y tapas pós-laborais e a jornada mais curta de los viernes, propiciam uma cultura mais sociável, bem como um ambiente mais descontraído (onde se omite o tratamento formal a que estamos habituados).

Neste ambiente, tudo tem o seu tempo e poderá ser feito com calma, apesar de não se verificar decréscimo do nível de exigencia.

 

Apesar de a Espanha, tal como já foi referido, se encontrar aberta a grandes apostas de internacionalização dos seus produtos, as suas fronteiras encontraram-se mais fechadas quando o mercado português as tenta atravessar e aproveitar estes recursos e know-how, trazendo o seu conhecimento.

 

A Espanha aposta no produto nacional, e porque “O Que é Nacional é Bom”, esta será uma aposta vantajosa para este país vizinho. A maioria das empresas desenvolve uma cultura de defesa do produto nacional, o que apesar das suas vantagens, pode também tornar-se prejudicial para o espírito de um empreendedor, que necessita de saber abandonar um projecto, sendo que por vezes sair a perder é mais importante que uma vitória.

 

E porque em tempos de crise nunca é de mais insistir na importancia das Novas Empresas de Base Tecnológica (NEBTS), dentro deste panorama, aproveito para frisar que:

Constituindo as PME´s e, dentro destas, as NEBT`s, um dos grandes motores de crescimento da economia, estas representam oportunidade em tempos de crise e porque a Crise e as Oportunidade estão intrinsecamente associadas, cabe a cada um optar entre a acomodação ou o investimento sustentado nos tempos que correm.

 

Porque só um tempo é o nosso e o tempo é hoje!

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Projecto: materializar o sonho

Ilda Albuquerque | C13

GECI INTERNATIONAL

Hamburgo | Alemanha

 

O projecto de uma aeronave, desenrola-se tendo em conta  vários factores, entre os quais: disciplinas técnicas (estruturas, aerodinâmica, controlo...); regulamentações ambientais e de segurança; custos envolvidos, que de forma concorrente condicionam o resultado …

Como na concepção da maior parte dos produtos, o processo inicia-se com  a determinação  de requisitos. Estes podem estabelecer-se através de análises de mercado e reconhecimento de tendências actuais, identificando potenciais compradores, ou até mesmo, através de acordos com os futuros compradores, negociando com o futuro cliente os requisitos da nova aeronave. Tendo um conjunto de requisitos definidos, é iniciada a fase conceptual de projecto, na qual os traços gerais da aeronave e especificações são definidos. No passo seguinte, denominado projecto preliminar, com o objectivo de melhorar a forma, robustez e performance da aeronave realizam-se várias análises, tais como: estruturais (simulações numéricas FEM); aerodinâmicas (teste de túnel de vento, simulações numéricas CFD); controlo e estabilidade; estimativas de pesos; processo de manutenção. Segue-se a fase de projecto detalhado, onde os desenhos técnicos e instruções de construção são criados. Após a fase de projecto detalhado, os desenhos técnicos seguem para a fabricação das peças e assembly.  Mesmo depois do assembly final, testes de voo e certificação da aeronave, sempre com o intuito de manter a condição de aeronavegabilidade, as peças são seguidas regularmente durante a vida útil da aeronave, em inspecções de manutenção e reparação, podendo ser necessárias modificações relativamente à peça original.

Softwares de CAD-CAM e de simulação numérica são amplamente utilizados na indústria aeronáutica, durante a fase de projecto. Também a utilização de sistemas PDM (Product data management) é crucial, permitindo a traçabilidade das peças, para além de controlar custos e stocks.

 

A empresa GECI International possui know how em todas as etapas     mencionadas anteriormente, trabalhando como colaboradora de nomes tais como: AIRBUS, EADS, DASSAULT, SNECMA, BRITISH AEROSPACE, AEROMACCHI, AGUSTA WESTLAND. Estreia-se agora na construção de um modelo de concepção própria, o Skylander.

Inicialmente previsto para ser construído em Portugal, acabou por ser relocalizado para o norte de França, na base de Chambley. Segundo Serge Bitboul (presidente da GECI International), em entrevista para a EspacialNews, esta decisão deveu-se à demora nos procedimentos burocráticos – apesar de considerar as relações com as entidades portuguesas excelentes, o projecto necessitava de rápidos desenvolvimentos.

Com os primeiros modelos esperados para 2011, trata-se de um avião bimotor ligeiro, destinado aos mercados: de passageiros, carga, missões humanitárias, vigilância, combate a incêndios  e transporte de curta distância, capaz de utilizar pistas curtas e não preparadas. O design simplificado permite maximizar a eficiência ao mesmo tempo que reduz custos de operação e manutenção. Possui: asa alta, trem de aterragem fixo, cabine não pressurizada, volume de cabine até 28 m³ e payload de 3,3 ton, certificação CS23/FAR23 Commuter Cat, motores  Pratt & Whitney PT6A - 65B de  1.100 SHP cada, velocidade de cruzeiro de 220 kts e MTOW de 18,5 lbs.

O estágio na GECI International, desenvolvido no âmbito do programa INOV Contacto e a realizar-se nas instalações de Hamburgo no Airbus Technologie Park (ATP),  insere-se na fase de projecto detalhado imediatamente antes do envio dos desenhos técnicos para fabricação. O treino, consiste em várias etapas: validação em software CAD-CAM, Métodos, sistema PDM, paralelamente a on job training constituído por tarefas a realizar nas diversas bases de dados e softwares. Antes da inserção num projecto específico é necessário concluir o treino na íntegra. Pelo que as futuras actividades a desenvolver na empresa permanecem em aberto. Como cenário mais provável, será a inclusão no projecto A400M (aeronave europeia militar de carga, concebida pela Airbus Military), no qual a GECI adquiriu o pacote de estrutura secundária (System Bracket Installation), para as secções 13 e 15 da fuselagem.

O estágio desenvolve-se num ambiente  multicultural, onde as equipas de trabalho utilizam a mesma sala dos “aprendizes”, possibilitando assistir directamente aos grupos de trabalho a conferenciarem, e a lidarem com situações de troubleshooting e resolução de conflitos on the spot. Estando todos eles, sempre disponíveis para esclarecer qualquer dúvida encontrada no processo de aprendizagem.

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Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Em Espanha, Inovação é factor de competitividade para as empresas

Sofia Pinho da Costa | C12

 

Parque Científico de Madrid

Madrid | Espanha

 

A crescente globalização da economia exige um esforço constante em matéria de inovação. Por isso, a inovação empresarial é hoje vista como um elemento chave no desenvolvimento regional e constitui um dos factores mais importantes no aumento da produtividade e da competitividade da empresa, contribuindo, dessa forma, para a sustentação do emprego e melhoria do bem-estar.

Inovar é um processo que consiste em converter ideias em novos ou melhorados produtos ou serviços que tragam rendimentos para o mercado e para a sociedade e, consequentemente, benefícios para a empresa que leva a cabo o processo inovador. A inovação é um conceito que ultrapassa a evolução da tecnologia, incluindo também a criação de processos inovadores sob uma perspectiva comercial e organizativa.

A importância da inovação é cada vez maior para a empresa devido à situação actual do mercado, caracterizado pela feroz dinâmica da concorrência, que torna impossível a sobrevivência das empresas que não a saibam enfrentar com êxito.

O processo inovador não pode ser considerado como uma moda passageira, ou uma simples opção de mercado, mas sim como um requisito.

Como resposta às constatações e considerandos referidos, surgiu o Sistema Nacional de Inovação Espanhol, para fazer face a estes desafios actuais. Entende-se como Sistema Nacional de Inovação um conjunto de organizações de natureza institucional e empresarial que, dentro do território correspondente, interactuam e interagem entre si, com o objectivo de afectar recursos à realização de actividades orientadas à geração e difusão de conhecimentos sobre os quais se suportam as inovações, principalmente as tecnológicas. Entre estas organizações encontram-se os OPI (Organismos Públicos de Investigação), as Universidades e as empresas inovadoras.

 

Estes sistemas de inovação podem estruturar-se em torno de quatro elementos:

1) O que faz referência ao contexto económico e produtivo em que se inserem as organizações do sistema;

2) O que engloba as actividades de investigação científica realizadas pelos OPI e Universidades;

3) O que alude às empresas inovadoras e ao seu papel no desenvolvimento tecnológico;

4) O que se preocupa com as políticas que corrigem as falhas de mercado que afectam a afectação de recursos às actividades de criação de conhecimento.

Os investimentos e os recursos humanos em I&D, assim como o stock de capital científico e tecnológico acumulado, constituem os meios destinados pela sociedade às suas actividades de criação de conhecimento.

Contudo, esta afectação de recursos às actividades de I+D+i está sujeita a falhas de mercado que obrigam à intervenção pública, exigindo políticas de ciência e tecnologia. Estas orientam-se em duas direcções: para a criação de infra-estruturas e instituições que favoreçam a interacção entre organizações do sistema de inovação e, por outro lado, para a provisão dos meios financeiros necessários a uma investigação científica e tecnológica sustentável.

Em Espanha, a criação do CDTI (Centro para o Desenvolvimento Tecnológico Industrial) em 1997, o arranque dos primeiros programas de subvenções à I+D empresarial (1985) de iniciativa do Ministério da Indústria, a promulgação da Lei da Ciência (1986) e Planos Nacionais de I+D dela derivados, são exemplos das políticas anteriormente referidas. Políticas mais recentes são o caso do VI Plano Nacional de I+D+i (instrumento de programação com que conta o Sistema Espanhol da Ciência e Tecnologia, no qual se estabelecem os objectivos e prioridades da política de investigação, desenvolvimento e inovação) e a Estratégia Universidade 2015 (iniciativa para uma mudança e modernização das universidades espanholas).

É no contexto referido que surge o Centro de Estudos de Inovação e Tecnologia – CEINNTEC, projecto no qual estou inserida desde Junho de 2008.

Este Centro, criado pela Universidade Complutense de Madrid (UCM) no Parque Científico de Madrid (PCM), tem por objectivo estratégico fomentar o desenvolvimento de actividades inovadoras.

As suas principais funções são promover e impulsionar, de maneira eficaz, a criação e aplicação de conhecimento no âmbito da inovação, particularmente:

- Tornando produtiva a investigação científica e a aplicação do conhecimento acumulado na UCM e nos seus centros;

- Facilitando as interacções interdisciplinares entre ciências experimentais e sociais;

- Apoiando a projecção externa das empresas “incubadas” do Parque Científico de Madrid através de actividades de investigação, formação e assessoria.

 

Este Centro é um exemplo de iniciativas que podem também ser levadas a cabo em Portugal para estimular a necessária cooperação entre Universidades, Empresas e Organismos Públicos, para que juntos concorram para uma significativa melhoria da situação económica do país.

 

 

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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Invest when there is blood on the street

Diogo Sousa | C12

Critical Software Technologies, Ltd

Southampton | Reino Unido

 

Invest when there is blood on the streets”, By Dr Mergen Reddy, Leader: Strategy & Strategic Finance Deloitte Consulting, Source: Deloitte & Touche (South Africa)

Caros leitores,

 A actual crise financeira manifesta uma profunda crise espiritual e um conjunto equivocado de valores. Perguntam-me vocês:  “Quais as soluções para contrariar esta tendência?”.  Ao que vos respondo:

»   Política de inovação – a crise como oportunidade;

»   Internacionalização em mercados emergentes.

Numa época de crise geral em todos os sectores de actividades, os agentes económicos vêem-se obrigados a transformar as dificuldades em oportunidades, isto é, utilizar um período “menos próspero” para a promoção de ideias arrojadas e inovadoras.

 No caso das PME´s, o sucesso passará pela adopção de soluções centradas na sustentabilidade e diferenciabilidade no sector. As empresas capazes de introduzir novas metodologias beneficiarão de elevadas rentabilidades, sendo que nos dias de hoje, os consumidores/clientes exigem novos e melhores produtos, associados a preços justos e atractivos. Empresas de grande dimensão, que há dez anos se apresentavam como um concorrente quase inalcançável encontram-se agora numa posição mais fragilizada, o que possibilita a abertura de mais oportunidades para empresas em expansão.

Por outro lado, as grandes empresas também retiram benefícios com a actual crise, sendo para elas uma espécie de época de saldos. Com uma coesa capacidade financeira para adquirir empresas de dimensão inferior, incapazes de resistir a tamanhos cortes financeiros nos seus projectos, grandes empresas compram a preços inferiores, utilizam estratégias de fusões & aquisições com o intuito de se tornarem cada vez mais poderosas não só nos mercados onde já dominam, mas também em novos mercados completos de oportunidades.

O “boom” da internacionalização empresarial que se tem verificado desde o final da época de 90 assume, actualmente, um papel fundamental para a sustentabilidade financeira, económica e social das empresas. Por essa razão, muitas empresas já começaram a deslocar os seus esforços no sentido de estabelecerem contactos em países que possuem economias emergentes, de forma a aumentarem o volume de exportações. Economias como as dos países BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e Angola, tornam-se demasiado apelativas devido ao seu rápido crescimento económico.

 A Critical Software, empresa onde estou a estagiar, segue exactamente estas duas soluções, não só como resposta à crise mas também como estratégia de crescimento. iDEAS TO iNCOME (iTi) é um programa desenvolvido pela Critical Software, vocacionado para estimular a produção de ideias novas no seio de uma organização que quer ser capaz de acomodar a mudança gerada pelo fomento da inovação. Através de um canal interno, todos os colaboradores podem fazer propostas inovadoras, que são depois analisadas ao nível de um board constituído para o efeito e validadas segundo critérios objectivos. Como o seu próprio nome indica, o iTi visa o desenvolvimento de ideias que resultem na geração de riqueza.

Com dez anos de existência, a Critical Software destaca-se pela criação de software fiável e inovador para sistemas críticos das empresas. Projectos como o desenvolvimento da vertente de segurança do sistema de navegação dos satélites Galileo, de uma tecnologia de identificação de embarcações para a vigilância marítima e de um novo sistema para despistagem de minas marítimas num veículo não tripulado de contra-medidas Anti-Minas para o Ministério de Defesa Britânico, são exemplos de projectos que demonstram aposta forte da CSW em inovação.

Mais recentemente, a Critical dá prova do seu sucesso em tempo de crise, ao lançar um spin-off na área da saúde com a criação da empresa Critical Health. Uma empresa que se especializa no desenvolvimento de soluções para o diagnóstico e tratamento de doenças, cuja missão assenta em melhorar a qualidade de vida das pessoas e reduzir os custos na prestação de cuidados de saúde. A proposta de valor da Critical Health consiste em disponibilizar produtos tecnológicos acessíveis e inovadores que facultem informação que contribua para evitar a perda de visão, de mobilidade e de faculdades cognitivas na população.

Devido às limitações do mercado português na área de Software (sistemas críticos orientados para a indústria espacial), a empresa sentiu a necessidade de se internacionalizar, definindo o mercado mundial como o seu mercado alvo. Neste momento encontra-se representada em 4 países (Portugal, EUA, Reino Unido, Roménia), estando previsto para 2009 a abertura de escritórios no Brasil.

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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

El pueblo en el que nunca pasaba nada

Nádia Borges Duarte | C12
Sogrape Vinhos
Jerez de la Frontera | España
 

Muitos dizem que a vida é para ser levada com boa disposição, e o mesmo se pode ao Marketing. O humor, ou até mesmo a ironia, são cada vez mais utilizados em diferentes campanhas de marketing como forma de despertar a atenção.

Miravete de la Sierra é um exemplo de uma campanha de comunicação original, utilizando a actual tecnologia. Em www.elpuebloenelquenuncapasanada.com, Cristóbal faz-nos uma visita virtual por esta pacífica aldeia da província de Aragón. Como em mais uma metrópole o stress aqui também existe, mas é tomado com bastante mais calma. Desde a hora de ponta para se comprar o pão até ao novo corte de cabelo de Angél, nomeado o acontecimento do ano, tudo é vivido vagarosamente já que ali “el tiempo no pasa ni adelantando la hora”.

 

Esta página não se limita apenas a dar a conhecer humoristicamente Miravete enquanto aldeia, mas também o seu aglomerado populacional de 12 pessoas, efectuar reservas no hotel rural, comprar merchandising, como miniaturas dos habitantes, fazer doações para a recuperação do telhado da igreja (com eleição da telha a doar) chegando a oferecer actividades lúdicas tal como o “1º Open de ordenho de cabras virtual”.

A aposta surgiu da agência de publicidade Shackleton, anteriormente destacada por campanhas igualmente arrojadas (www.shackletongroup.com). Apostando no poder da Internet e nas novas tendências de marketing interactivo, a Shackleton, ofereceu esta campanha publicitária com o intuito de experimentar uma nova forma de comunicação e, consequentemente, promover esta tão desertificada aldeia.

El pueblo en el que nunca pasa nada poderá ser um óptimo benchmark a aplicar às muitas miravetes de Portugal. Cada vez a desertificação rural é mais profunda, deixando pequenos tesouros da natureza esquecidos ao mundo. Voltar a povoá-las é bastante difícil pelas condições que oferecem, contudo as mesmas características tornam-nas únicas como oferta turística. Um dos grandes critérios na eleição de destino de férias é, precisamente, o mais autêntico, o inexplorado e, sobretudo, o sossego. Surge, então, uma oportunidade única de alargar a oferta turística portuguesa de uma forma sustentada, mostrando as suas raízes, e de reabilitar as imensas aldeias perdidas no interior do país. Tudo isto aliando o mais actual marketing, tanto relacional como interactivo assim como web design e design criativo, no qual temos bastante mérito.

Com a participação de todos os habitantes, Miravete contou com 23.000 visitas apenas nos primeiros dias de campanha. A juntar os seus anúncios publicitários, el pueblo en el que nunca pasa nada já começou a receber a agitação turística característica da vontade desenfreada de viver tudo ao segundo, já que ali, para conhecer caras novas bastam apenas 12 segundos.

 

Anúncios publicitários:

http://www.youtube.com/watch?v=hxhm3i3-7fw

http://www.youtube.com/watch?v=GAPGFv6NfKM&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=0u9hB9Lw070&feature=related

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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Chispes

Jorge Daniel Carvalho | C12

 

Maine Avenue Technologies

Madrid | Espanha

 

O aumento contínuo das capacidades dos dispositivos móveis, os avanços no processamento de multimédia e na tecnologia de codificação digital e os protocolos de comunicação mais “capazes”, tornam possível providenciar um maior volume de conteúdo multimédia aos utilizadores finais.

 

Os utilizadores, cada vez mais, utilizam o telemóvel para tirar fotografias, filmar, despertar, calcular, memorizar, converter, compôr, iluminar, agendar, jogar, ouvir música e até telefonar. Outras funcionalidades surgem das novas capacidades dos telemóveis, como GPS, videoconferência, instalação das mais variadas aplicações, etc.

A panóplia de recursos de um telemóvel gera e usa, uma quantidade enorme de informação pessoal, que vai desde contactos e datas de aniversário, até conversações e fotografias, que faz com que vencer a dependência a um telemóvel se torne tão difícil como jogar um só cartão no Bingo num final de mês.

 

O telemóvel é um objecto muito pessoal e de difícil abandono. Rapidamente atingirá o estatuto de “engenhoca” divina, aparelho de culto, veneração e adoração.

 

Uma nova abordagem

Uma das maiores fontes de rendimento das operadoras de telecomunicações durante a ultima década advém da renovação de aparelhagem por parte do cliente. Novas tecnologias de comunicação e principalmente melhorias no domínio dos recursos físicos (câmaras fotográficas, GPS, etc.) tornam facilmente um telemóvel, com pouco mais de um ano, obsoleto.

 

A resistência crescente oferecida pelo cliente, que perde uma parte da informação contida no aparelho, vem provocar uma quebra no lucro obtido com a venda de telemóveis, e mesmo a troca de cartões SIM.

 

Torna-se então oportuno, para uma operadora de telecomunicações, começar a oferecer serviços pagos que facilitem a troca de telemóvel/cartão, ou que permitam a gestão interna dos conteúdos do telemóvel.

Efectivamente, serviços como,

 

- Carregar novas aplicações no cartão;

- Copiar agendas e mensagens de um cartão para o outro;

- Efectuar cópias de seguranças dos contactos do cliente;

- Reparar Cartões corrompidos;

- Gestão de perfil SIM;

- Actualização de listas de Roaming e parâmetros de rede;

- Actualização de SO de telemóvel;

- Gestão de conteúdo multimédia;

- Etc.

 

Podem tornar-se verdadeiras estrelas e revelarem-se como importantes vantagens concorrenciais, criando uma imagem de inovação e dinamismo, essencial para um líder neste tipo de mercado, para além de ser uma nova fonte extra de rendimento.

 

Um caso

A Maine Avenue Technologies (MAT) é um empresa espanhola, fundada em 2003, especializada em soluções distribuídas que providenciam gestão avançada de dispositivos inteligentes.

 

Com atenção no fenómeno apresentado, a MAT desenvolveu um conjunto de soluções baseadas em tecnologia Web, universais, que conseguem alcançar toda a gente em qualquer lado, assumindo que o dispositivo móvel se encontra conectado à internet.

 

Actualmente as soluções desenvolvidas pela MAT incluem:

- Cardbone: O backbone para serviços de smartcards - Gestão de conteúdo SIM;

- Kemyko - Gestão de conteúdo multimédia por bluetooth;

- MATWebID - Serviço para armazenamento de credenciais de internet, que permite a utilização dessas credenciais em qualquer estação, carregando os dados correctos do cartão SIM através de Bluetooth.

 

Estas soluções estão disponíveis actualmente em dezenas de lojas da Telefónica, S.A., Espanha, e estudos estatísticos revelam uma adesão crescente e uma grande taxa de utilização destes recursos com posterior venda de telemóvel, confirmando-os como uma verdadeira vantagem concorrencial.

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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

A Plataforma Grega

Raul Fonseca | C12

 

Plux

Grécia

 

Encontro-me a viver uma experiência única graças ao Inov Contacto e à Plux, empresa no ramo de engenharia de bio sinais, que tem como missão conceber, desenvolver e produzir sensores, sistemas wireless de aquisição, bem como o software apropriado. Entrámos no mercado grego com a ambição de dar a conhecer os nossos produtos, os quais são caracterizados como estado-da-arte na área do estudo electrofisiológico da actividade humana.

 

Thessaloniki, no alfabeto grego, Θεσσαλονίκη, fica situada a Norte da Grécia, cidade moderna que respira história, sendo o seu passado riquíssimo. A começar em Alexandre, O Grande, símbolo da nação, as suas incríveis conquistas são motivo de orgulho para todos os habitantes da Grécia. De todo o território grego, Salónica foi a única cidade que preservou uma série de exemplos típicos de arquitectura bizantina, do século IV ao XIV DC, época em que a cidade assumiu uma importância comparável à de Constantinopla, a capital do império, motivo pelo qual a cidade é considerada hoje em dia um museu de Arte Bizantina. E estes são apenas alguns exemplos de um passado recheado de momentos épicos. No presente verificam-se algumas situações desconfortáveis, designadamente, um complexo conflito entre a região grega da Macedónia e o país F.Y.R.O.M, ambos reivindicando a região como pertencente aos respectivos países. A leste da nação, temos outro país que suscita alguma desconfiança, a Turquia, graças também ao seu passado conjunto, com a longa ocupação turca da Grécia.

Todos estes conflitos fazem com que hoje o investimento na defesa do país seja ainda bastante elevado quando comparado com outros países europeus, notando-se algum atraso em áreas como, por exemplo, as tecnologias de informação e comunicação. Outra razão pela qual a Grécia continua “na cauda da Europa”, neste campo, deve-se à constante adaptação do que vem de fora, uma vez que todo o know-how é proveniente de países mais poderosos, limitando o país a seguir a “auto-estrada” de conhecimento por outros criada, verificando-se algumas insuficiências das instituições públicas e privadas.

Com esta percepção e seguindo uma proposta do primeiro-ministro, foi fundado em 2004 o comité de Tecnologias de Informação com o intuito de criar uma estratégia forte e coesa a médio/ longo prazo (2004-2013). As funções desempenhadas actualmente visam uma plataforma comum para a política de planeamento, coordenação, acompanhamento e desenvolvimento de tecnologia de informação a nível nacional e, principalmente, no sector público, com o objectivo de criar todas as condições necessárias, até 2013, para o surgimento de um “digital leap”, com uma reestruturação do sector público que permitirá automatizar processos, de forma a que novas tecnologias sejam também mais rapidamente, e melhor, integradas no sistema educativo. Pretende-se também incentivar os investimentos nas áreas rurais do país e, assim, colmatar o fosso digital entre os centros urbanos e as regiões desfavorecidas. A partir de parcerias entre os sectores público e privado  é possível obter resultados mais rápidos e eficazes a um menor custo público e, assim, dar um contributo significativo para a qualidade de vida dos cidadãos.

Estas são algumas das considerações estipuladas para que este salto digital ocorra e, a partir daí, a Grécia possa tornar-se um país capaz de desenvolver novas competências numa área tão importante hoje em dia. Outra preocupação, vital para o programa,  será conseguir chamar a atenção do povo grego para os benefícios que poderão tirar do sucesso desta campanha (Spots com acesso livre à internet etc.).

 

Em suma, um salto digital com um duplo objectivo: a melhoria da produtividade da economia grega e uma melhoria na qualidade de vida dos cidadãos.

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

The war on cancer

Elisabete Figueiredo | C12

 

IITRI - Illinois Institute of Technology- Research Intitute

Chicago | USA

 

As eleições presidenciais dos EUA estão a avizinhar-se e eu estou em Chicago, na cidade onde mora um potencial futuro presidente.

Estou a estagiar no Illinois Institute of Technology- Research Intitute (IITRI), no Carcinogenesis and Chemoprevention (C&C). Os principais projectos deste grupo focam-se na quimioprevenção de cancros que ainda atingem uma grande mortalidade, o do colon e o da mama.

Em conversa com o Dr Mehta, fiquei a saber que o apogeu do investimento em investigação na área do cancro foi atingido durante a presidência de Nixon, na década de 70. Nixon declarou "The War on Cancer" e queria que esta fosse uma acção lembrada como uma das mais importantes tomadas durante a sua Administração. Resolvi alargar a conversa/ entrevista com o Dr Mehta, que além de ter começado a dar os primeiros passos em investigação científica nessa década, é director do grupo C&C e vice-presidente-assistente do IITRI. Foi ainda nessa década que surgiu a quimio-prevenção enquanto área de investigação, que desde o inicío esteve associada ao IITRI.

Optei ainda por estender a conversa/ entrevista à Dra Murillo, que é professora assistente do IIT, investigadora principal no grupo C&C e supervisora do meu estágio. A Dra Murillo começou a sua carreira como nutricionista clínica e foi a "vontade de continuar sempre a aprender" e "saber as respostas" que a levou a enveredar pela investigação científica, sendo hoje uma reconhecida especialista na área da quimio-prevenção do cancro do cólon.

 

Dada a época de eleições e de grande instabilidade económica que atravessamos, pareceu-me pertinente perguntar qual o impacto, esperado por estes investigadores, do resultado das eleições na evolução da investigação científica .A resposta foi unânime, e ambos concordaram que o resultado se poderá manifestar ao nível de políticas adoptadas na investigação com células estaminais e também ao nível de financiamento total investido no National Institute of Health (NIH).

E qual teria sido a evolução da investigação na área da quimio-prevencao ao longo dos anos? Entre o momento em que o Dr Mehta e a Dra Murillo começaram a trabalhar em quimio-prevenção há uma discrepância de 20-30 anos. Nesse intervalo, os modelos in vitro começaram a ganhar relevância, houve um esforço em tentar perceber os mecanismos de acção dos compostos quimio-preventivos e a biologia molecular foi uma ferramenta que ganhou impacto neste tipo de estudos. Por outro lado, começa a sentir-se a ausência de fundos investidos nesta área.

Perguntei ainda qual achavam ser contributo da investigação na quimio-prevenção para a sociedade. Como em toda a investigação científica não há resultados imediatos, porém é muito compensador quando um composto de entre milhares estudados, que sugere um efeito protector, é levado para ensaios clínicos e prova ser efectivo. Este é um processo que pode ser muito moroso, mas uma das causas que faz acreditar que todo o trabalho desenvolvido valeu o esforço.

 

Gostava de ter incluído o resto do grupo no processo de entrevista, mas isso revelar-se ia muito extenso. Agradeço o contributo , ainda que de forma informal, que todos deram. O grupo C&C é uma amostra bem representativa da multi-culturalidade existente em Chicago, uma das características que mais me surpreendeu pela positiva. Somos indianos, chineses, afro-americanos, mexico-americanos, arábia-saudo-americanos e portugueses. Embora às vezes surjam "ruídos" de comunicação, esta é uma experiência socialmente muito enriquecedora e que fomenta o conhecimento inter-cultural e uma "comunicação internacional".

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

The Green crusade

Vitor Hugo  l  C12
 
Elan Pharmaceuticals
San Francisco l USA
 

Há um hábito muito português de tudo nos parecer qualquer coisa, de nos fazer lembrar algo de muito parecido ou então igualzinho a isto ou aquilo. Neste preciso instante, aposto que haverá alguém a dizer que esta introdução é igualzinha a uma outra que terá lido algures.

Pois bem,  eu posso dizer-vos  que aquilo que encontrei na cidade de São Francisco não me faz lembrar outro sítio qualquer e assim, é impossível imitá-la ou dizer que já se viu algo de semelhante.

Hoje, depois de acordar e lavar a cara dei por mim com uma visceral vontade de partilhar com vocês a notícia: a Califórnia está a mudar o mundo. Aposto que neste momento, muitas pessoas que estão a ler este texto involuntariamente processaram no cérebro uma equação matemática ao ler a palavra Califórnia. Algo parecido com:

 

California = Sun + Sand + Surf x Fun

 

Passados que estão quatro meses desde a minha chegada a este estado norte-americano, que muitos gostam de denominar como a land of dreams and dreamers, eu reescrevo a equação mais nestes termos:

California = Sun + Sand + Surf + Fun x Ethnic and racial mix

      Youth culture inventing itself before your eyes

 

Daí que não seja de estranhar que a Califórnia esteja a mudar o mundo. E perguntam vocês mas o que andará esta “menina” a fazer assim de tão especial. Pois bem, este foi o primeiro estado norte-americano a declarar guerra contra o aquecimento global. Agora uma pergunta: mas então não são os USA um dos países que mais contribui para o agravar da situação? Querem saber a resposta? Pois aqui vai: São, sim senhor. Este país produz um quarto do total dos gases responsáveis pelo efeito estufa e é um dos que não rectificou o acórdão de Quioto em 1997, chegando mesmo a abandonar a mesa de negociações quando decorria o ano de 2001. Apesar de isto ser verdade e de parecer que na guerra contra o aquecimento global os USA não estão a lutar, ou até por vezes que o estão a fazer,  mas do lado errado da barricada, a notícia que aqui vos divulguei umas linhas acima não era brincadeira.

Posso  adiantar-vos que o rosto desta revolução verde foi um famoso culturista transformado em herói de Hollywood que por sua vez renasceu em governador da Califórnia. Desde que foi eleito, há 5 anos atrás, que Schwarzenegger está a empurrar o seu estado governativo e o seu país adoptivo para a linha da frente adoptando leis efectivas para a redução de emissões de CO2 e assinando acordos com o Canadá, o México e as Nações Unidas para a cooperação no desenvolvimento das designadas tecnologias verdes. Dito assim não parece grande coisa, mas se vos disser que 19 dos 50 estados norte-americanos se preparam para seguir as medidas adoptadas aqui neste pedaço de terra da costa oeste acho que já começam a perceber o seu impacto. E a prova de que não vos estou aqui a “cantar a canção do bandido” é um estudo da Universidade de Berkeley, recentemente divulgado, que conclui que as medidas já implementadas na Califórnia vão estimular o crescimento económico e criar 17'000 novos postos de trabalho em novas clean tech start-ups.

Todavia, há ainda tanto a fazer em relação a estas matérias que todos nós nem sabemos por onde começar. Tal como naqueles dias em que é tal a quantidade de tarefas que temos delineada que optamos, por não fazer nenhuma. Não que não o queiramos, queremos pois, o que não sabemos é por onde começar. E é este o problema.

Para a aprovação de novas políticas ambientais é como se o mundo fosse um objecto muito grande de difícil transporte, sem lugar para pôr as mãos. Diz-se "Rapaziada, venham aqui ajudar-me a carregar o mundo que eu não consigo! E é certinho que alguém diga "Chefe, eu até ajudava, mas isto não tem sítio por onde se lhe pegue! Olhe para isto, não tem sítio para pôr as mãos, como quer que eu faça? Mas, se alguém porventura levantar o mundo nem que seja por um bocadinho de um dos lados, e arranjar sítio onde pôr as mãos, de maneira a que outros a seguir o possam ajudar, pode ser que o mundo afinal até tenha ponta por onde se lhe pegue.

Quem aqui vive, costuma dizer a brincar, que o que acontece hoje na Califórnia vai passar a acontecer no resto do mundo daqui por alguns anos. Eu gostava que assim fosse, e neste processo acho até que o orgulho americano é um factor chave. Os americanos não gostam nada de perder “guerras” quer elas sejam a construção de caminhos-de-ferro ou corridas espaciais. O que interessa é ganhar. E nesta em particular, podem ainda recuperar o tempo perdido e ser aqueles que vão conseguir ser o factor impulsionador para que outras grandes potências mundiais, como a China e a Índia, adoptem medidas semelhantes.

No entanto, todos a quem eu digo isto, apontam para mim um dos seus braços e riem-se como se eu tivesse acabado de contar uma piada das boas. As pessoas não acreditam que se pode mudar o mundo e ao revelarmos que nos associamos a esta intenção, mais depressa somos confundidos com um qualquer louco em vez de alguém que está em posse de todas as suas faculdades mentais e determinado a fazer parte. A mudar o mundo. E eu estou, desde esta manhã, após ter lavado a cara.

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Perspectivas sobre uma empresa farmacêutica

Pedro Rosmaninho | C12
 
Elan Pharmaceuticals
San Francisco | EUA
 

 

Confesso que quando a empresa para a qual fui seleccionado me foi revelada não sabia nada sobre ela. A euforia que senti nesse momento adveio do facto de ter a hipótese de trabalhar nos EUA,  país que com uma das maiores culturas de empreendedorismo. No entanto, descobri uma companhia fantástica,  com um óptimo ambiente de trabalho e com uma grande cultura de inovação e sentido social. A Élan Corporation, plc  é uma companhia de biotecnologia baseada em neuro-ciências, que está direccionada para a descoberta, desenvolvimento, produção e marketing de terapias para doenças auto-imunes como a esclerose múltipla e Doença de Crohn e doenças neuro-degenerativas como a Doença de Alzheimer e Parkinson. Muitas destas doenças quase podem ser consideradas um flagelo nos países desenvolvidos devido ao envelhecimento populacional. Para se ter uma ideia da dimensão do problema causado pelas doenças neuro-degenerativas convém dizer que o número estimado de doentes de Alzheimer em 2006 era de 26.6 milhões esperando-se que este valor quadruplique em 2050.

 

Na Élan existe a crença fundamental de que a ciência desenvolvida “in-house” tem potencial para melhorar a vida das pessoas que venham a sofrer de qualquer uma destas doenças e minorar a dimensão deste problema. Neste estágio foi-me dada a possibilidade de estar na linha da frente contra uma destas doenças neuro-degenerativas: a Doença de Parkinson. Neste momento, a Élan não tem nenhum fármaco no mercado contra esta doença específica, mas todos nós trabalhamos para que novas terapias que aliviem os seus sintomas sejam desenvolvidas. Tenho tido a possibilidade de adquirir mais competências técnicas bem como de aprofundar os meus conhecimentos sobre Parkinson. Tive a possibilidade de interagir com uma forma diferente de fazer investigação em relação ao que é praticado em institutos de investigação em Portugal e na Europa. Tendo em conta as minhas experiências anteriores posso dizer que o trabalho aqui é muito mais direccionado para a obtenção de drogas, num esforço coordenado entre os diferentes grupos de investigação.

 

O trabalho de equipa é essencial e assume uma relevância muito superior ao que existe em institutos públicos onde basicamente cada pessoa, dentro de cada grupo, tem o seu projecto com sinergias mínimas com quem está a trabalhar em algo com um ponto em comum. Aqui existe um propósito maior do que desenvolver um projecto para ser autor de um artigo científico. Os  aspectos  negativos, por seu lado, traduzem-se numa menor liberdade na escolha dos projectos, já que estes devem  ser relevantes para o desenvolvimento de fármacos ou para a melhor compreensão dos vários mecanismos e vias moleculares que estão envolvidos nestas doenças. Mas aqui desenvolvem-se projectos sempre com o intuito de salvar vidas e melhorar a qualidade de vida.

 

Além dos fármacos que desenvolve, a Élan e os seus empregados também estão envolvidos em vários projectos de âmbito social, angariando donativos para associações de ajuda a doentes de Alzheimer por exemplo.

 

Em suma, tive a felicidade de não só trabalhar numa empresa com uma cultura de inovação mas numa empresa com consciência ambiental, o que me abriu os horizontes,  demonstrando que não estamos diante de conceitos  antagónicos.

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Domingo, 7 de Setembro de 2008

Inovação, Tecnologia e Burocracia

    Tiago Grácio    |    C12

 

 

PT Inovação

Brasil

 

 

Face ao mediatismo actual do tema da globalização, muitos são os países emergentes agregados a este fluxo. Portugal, como tantos outros países, sentiu-se forçado a procurar oportunidades de negócio fora de portas, as empresas procuram investir nos mercados exteriores e os jovens predispõem-se a oportunidades de carreiras internacionais. Na minha perspectiva, tal como na de outros tantos jovens, coloca-se uma questão pertinente: Qual a melhor forma de iniciar uma experiência profissional além fronteiras? Obtive resposta através do programa Inov Contacto e está a revelar-se bastante aliciante: Um estágio inovador numa empresa de inovação.

 

Fiquei bastante satisfeito pela oportunidade de poder integrar uma empresa como a PT Inovação. Empresa jovem, cuja credibilidade assenta em 50 anos de experiência em telecomunicações, funcionando desde o início como âncora tecnológica do grupo Portugal Telecom. Actualmente, é uma empresa com negócios espalhados por 4 continentes, sendo os PALOP’s aqueles com maior destaque. Um dos países que tem tido maior volume de negócios é o Brasil, muito por influência de uma forte parceria com a operadora Vivo.

 

Apesar deste país nunca ter feito parte das minhas escolhas no que concerne ao desenvolvimento da minha experiência internacional (um pouco devido ao inexistente desafio linguístico), foi-me dada a oportunidade de aqui trabalhar por um período de 7 meses. Com um mês decorrido de estágio, já posso acrescentar alguns factores e números sobre o país que me acolheu.

 

O Brasil é, geograficamente, o quinto maior país do mundo e conta com uma população de 190 milhões de habitantes, colocando-o na mesma posição mundial em termos populacionais. Estas características movimentam anualmente um Produto Interno Bruto (PIB) de 0,76 triliões de Euros, classificando-o como sétimo maior mercado consumidor do planeta.

De acordo com a nova metodologia do Banco Mundial, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking das nações estrangeiras, com maior número de empresas detentoras de acções e títulos de valores da bolsa de Nova Iorque. Estes números são gigantescos e, totalmente fora da realidade de um pequeno país como Portugal. Para algumas empresas portuguesas, que atingem um certo patamar no mercado nacional, torna-se obrigatório a expansão das frentes de negócio. O mercado Brasileiro apresenta-se, como uma boa oportunidade, embora muitos entraves surjam no decorrer da implementação do negócio. A burocracia é o monstro feio do processo. Segundo Marcelo Lu, analista do Banco Mundial que participou na elaboração de um estudo sobre este tema, com a redução da burocracia, o Brasil poderia subir 2,2 pontos percentuais no crescimento anual do produto interno bruto (PIB). Em média são necessários seis procedimentos, 8% do rendimento per capita e 27 dias para o começo de um negócio num país dito rico. No Brasil são necessários, em média, 17 procedimentos, 11,7% do rendimento per capita e 152 dias, colocando-o na penúltima posição da América Latina em termos de facilidade de abertura de novos negócios, estando apenas à frente do Haiti. O maior problema é que estas barreiras burocráticas não se restringem apenas ao estabelecimento de novos negócios. Na maioria dos processos administrativos do dia-a-dia, é possível encontrar estes atritos que atrasam, significativamente, uma saudável e eficiente evolução do mercado.

 

Embora o Brasil seja um país excessivamente burocrático, também apresenta outros valores que não podem ser desprezados, no que diz respeito à ciência, tecnologia e inovação. Possui, de momento, o maior sistema organizacional da América Latina nestas áreas, resultante de investigações e projectos efectuados nos últimos 50 anos. Destacam-se a prospecção de petróleo em águas profundas, a construção de aeronaves, recordes de exportação no sector agronómico e um grande sucesso das empresas de TI, que conseguiram alguns feitos notáveis relativamente a software. Muitos destes resultados devem-se à actual política virada para as oportunidades de desenvolvimento científico e tecnológico, sendo este, um país com a possibilidade de poder vingar futuramente no mercado mundial. No entanto, a situação burocrática necessita de uma revisão urgente por parte do governo.

 

Fontes:

www.bbc.co.uk/portuguese/

www.brasiltecnologico.com.br

 

publicado por visaocontacto às 09:00
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Portugal e a gestão da inovação

 

    Bruno Fernandes  -  INI GraphicsNet  -  Darmstadt, Alemanha

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Actualmente Portugal, país de Pequenas e Médias empresas (PME’s), enfrenta um grande desafio a nível de competitividade. Não podendo continuar a competir via salários baixos (vantagem que já não possui, em detrimento por exemplo de países do Leste Europeu), o país tem de se afirmar internacionalmente através da inovação. São as ideias inovadoras e os produtos com alto valor acrescentado que permitem às empresas vencer num mundo cada vez mais competitivo. A inovação de produtos, e também de processos, tem de ser continuamente acompanhada e as empresas têm de saber gerir internamente esse processo. Um dos maiores entraves ao investimento em I&D nas PME’s portuguesas (iniciando assim um processo de inovação) é, para além das conhecidas restrições financeiras, a falta de competências dos seus gestores. Esse facto leva muitas vezes a que os órgãos de gestão não tenham consciência dessa necessidade e que, por isso, não considerem prioritária essa actividade.

Mas as restrições financeiras a que as PME’s Portuguesas estão naturalmente sujeitas, decorrentes da própria dimensão do mercado interno, impõem uma actuação conjunta, quer através de acordos bilaterais (horizontais ou verticais), quer através de agrupamentos regionais de empresas, formando os conhecidos clusters. Estes mecanismos ajudam as empresas a adquirir dimensão e “músculo” que lhes permitam enfrentar o desafio da inovação. Algumas pequenas e médias empresas portuguesas já iniciaram esse processo: a indústria do calçado, a indústria têxtil ou a indústria do mobiliário são apenas alguns exemplos.

É neste contexto que passo a apresentar a INI-GraphicsNet Stiftung. Esta empresa alemã, onde estagiei nos últimos nove meses no âmbito do INOV Contacto e agora trabalho, é uma rede internacional de centros de investigação que promove o desenvolvimento e comercialização de inovação (no caso concreto na área das tecnologias de informação e comunicação). Fundada pelo Prof. José Luís Encarnação há 30 anos (um português radicado há muito na Alemanha), tem como principal missão fazer a ligação entre quem desenvolve I&D por excelência - universidades e centros de investigação - e o mercado. Ao mesmo tempo que leva às empresas as inovações existentes no meio científico na área das TIC, informa este das necessidades da Indústria. Com este processo enceta-se um ciclo que se pretende virtuoso para todos.

Neste âmbito, a INI-GraphicsNet Stiftung foi convidada a elaborar um plano de viabilidade de um centro tecnológico para a Indústria do mobiliário no Norte de Portugal. Patrocinado pelas Câmaras Municipais de Paredes e Paços de Ferreira, e com o envolvimento do Ministério da Economia, este projecto, no qual tive oportunidade de participar, permitiu dar início ao que se espera vir a ser um verdadeiro cluster tecnológico na área do mobiliário em Portugal, estabelecendo uma rede entre as PME’s do sector no Norte de Portugal e as Universidades, nomeadamente a Universidade do Porto e Universidade do Minho.

São estes exemplos de excelência que devem de ser difundidos e estimulados dentro das empresas em Portugal. Só assim o País conseguirá obter um lugar de destaque num quadro de crescente competitividade internacional.

 

A AICEP, através do estágio que me proporcionou, permitiu-me adquirir novas competências e abriu-me, por esse motivo, novos horizontes. E são estas competências adquiridas por centenas de estagiários ao longo dos anos que trazem grande mais valia à Comunidade Contacto. Mas tal como uma empresa, a “rede” tem de enfrentar os desafios do futuro, precisa de um verdadeiro rumo, do desenvolvimento de uma estrutura que potencie todo o know-how que existe dentro da mesma, só assim seremos uma verdadeira “network”, que produza algo de inovador que possa ser vantajoso para o país, e isso, ainda não existe.

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Domingo, 13 de Maio de 2007

Aposta na INOVAÇÃO

 Gonçalo Santos, Altran, Levallois-Perret, França.

 

 

Innovation is hardly an obstacle for companies. Over the years, it has become the foundation of their strategies. Through innovation, a product or service sets itself apart from the competition and sets the stage for growth.

Reconhecida mundialmente por ser uma das empresas que mais aposta na inovação e sendo um empregador de referência, a Altran é por si só um mundo a explorar. Actualmente, com mais de 17 000 empregados em mais de 20 países, desde a Europa, Ásia, Brasil aos Estados Unidos, é uma empresa que passa por um processo de reestruturação gigante e eu tenho a sorte de estar no meio desse processo. Empenhada em unificar as várias empresas e os processos comuns nos inúmeros escritórios por todo o mundo, é também visionária, na minha opinião, por aproveitar as sinergias oriundas da dimensão do grupo e da sua distribuição geográfica sem descurar a flexibilidade e particularidades de cada uma das pequenas empresas com que o grupo foi crescendo (a política expansionista deu-se por aquisições de empresas de excelência nos diversos mercados globais). Actualmente, urge a necessidade de melhorar os processos internos, standardizar políticas comuns e aproveitar a base tecnológica que pode ser adoptada pelas várias empresas do grupo para reduzir custos e maximizar a produtividade interna. Sendo uma empresa cuja maior unidade de negócio é a vertente de consultadoria tecnológica, é crucial dotar todos os consultores e administrativos das ferramentas correctas e de plataformas que melhorem o processo de gestão de uma empresa cujas línguas, culturas e processos são fortemente heterogéneos. Este binómio entre standardização (facilidade de gestão global) e particularização (flexibilidade empresarial e adaptação a novos ambientes e necessidades) é um dos mais complexos e mais interessantes tópicos desta aventura.

Actualmente, encontro-me na equipa de Gestão dos Sistemas de Informação e a minha responsabilidade passa por conhecer em detalhe toda a nova infra-estrutura tecnológica que está a ser disponibilizada as empresas do grupo, formar os novos utilizadores, apresentar a nova solução do ponto de vista dos utilizadores, perceber os resultados deste esforço a nível mundial e numa fase posterior, pela colaboração no desenvolvimento da nova plataforma de trabalho colaborativo. Este, será um dos pilares da nova solução tecnológica do Grupo Altran.

"If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a movable feast." - Ernest Hemingway

Não preciso de vos dizer que Paris é uma cidade encantadora, romântica, viva e recheada de eventos pois bastaria lerem um folheto da cidade das luzes para ficarem a saber. Mas posso dizer-vos as pequenas coisas que adoro nesta cidade; os pequenos piqueniques solarengos no parque mesmo ao lado da minha casa, o jogging nocturno pela cidade e parar numas das pontes do Sena para apreciar o cintilar da torre Eiffel, dos franceses sempre com a sua orgulhosa baguette debaixo do braço, dos restaurantes típicos na Cité de Paris onde alguns datam depois de 1680, da soberba vista do topo da torre de MontParnasse, do meu esforço em compreender e falar esta língua que ainda não domino, de ligar o rádio e ouvir alguns dos grandes clássicos franceses, de parar na estação de 7 andares de St. Lazares e ver a correria louca de alguns dos 12 milhões que aqui habitam, de visitar os castelos onde viveram os grandes Reis e Imperadores e compreender a expressão – à grande e à Francesa, de sentir o cheiro a pão quente e croissants logo pela manhã nas inúmeras Pâtisseries e Boulangerie, de testemunhar os pedidos de casamento na Pont des Arts, de visitar as pequenas galerias de arte espalhadas por Montmarte, de sair à noite e saber que vai ser uma loucura conseguir encontrar um táxi para voltar para casa, de perder-me pela cidade e encontrar um novo recanto e um novo pedaço da cidade para descobrir. Não haja dúvidas, Paris irá acompanhar-me para sempre nas minhas memórias.

 

publicado por visaocontacto às 16:19
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