Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Madrid - Uma opção de vida

  

Daniela Mateus

 

Bloom Consulting | Madrid | Espanha | C11

 

 

O ritmo marca as horas da cidade. Em Madrid, todos os dias são dias de festa. José Torres, CEO da Bloom Consulting, disse um dia, à revista Notícias Magazine, que esta é “a melhor cidade para se viver. Aqui, as pessoas estão contentes, genuinamente contentes”. É a cidade de la movida. Sente-se no ar um enorme desejo de celebrar a vida, de disfrutar cada momento como se fosse único. Patrícia Soares da Costa, responsável por Country Branding na Bloom Consulting, revê nesta cidade o lema “work hard, party harder”. Apesar de se trabalhar muito e de haver um grande nível de exigência, as pessoas não hesitam em separar trabalho das suas vidas pessoais. Os bares enchem-se ao final da tarde. A lotação esgotada dura até de madrugada. No dia seguinte é dia de trabalho. Tudo recomeça. Os espanhóis trabalham, ganham e gastam. Cerca de 92% do seu salário é gasto em produtos de consumo final.

 

Para muitos portugueses, esta é a cidade que escolheram para viver. Em 2007, e de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Assuntos Sociais, eram já cerca de 10.000 (cerca de 10% do valor total em Espanha) e esse número não pára de crescer. A falta de oportunidades, os baixos salários, a vontade de progredir são factores incontornáveis que os levam a arriscar. A geração de emigrantes de hoje difere, no entanto, daquela que na década de 50 e 60 decidiu tentar a sua sorte além-fronteiras. São, sobretudo, jovens licenciados, unidos por uma enorme vontade de crescer. Viver no estrangeiro, dizem, aumenta-lhes a percepção do mundo, alarga-lhes as ideias e permite-lhes conhecer novas realidades e pessoas.

Em Espanha, a emigração é uma realidade exponencial. Os portugueses vêm, porque o mercado é maior, mais aberto e com mais oportunidades. Há mais verbas, emprego, diversidade e uma economia mais pujante. Apesar disso, Espanha é, ainda assim, tão próxima de Portugal. A integração está facilitada. Aqui, afirmam José e Patrícia, os portugueses tendem a ser bem vistos, ainda que haja um enorme desconhecimento em relação à cultura portuguesa. Os conhecimentos do mercado global, de línguas e a capacidade de adaptação são elementos valorizados. Por isso, encontrar uma oportunidade de trabalho não é assim tão difícil. Ambicionar a grandes projectos e ascender ao topo de carreira são sonhos, aqui, passíveis de concretizar, enquanto se disfruta da vida.

Mariana Resende, directora criativa da Bloom Consulting, considera que os espanhóis são amáveis, receptivos e privilegiam a integração. Por isso, neste país, os portugueses não se sentem estrangeiros.

 

Portugal é, ainda, sinónimo de baixa capacidade de empreendedorismo. Sente-se o pessimismo no ar, diz José. O poder político interfere em demasia. Talvez seja, também, por isso que as grandes multinacionais estejam a escolher Espanha para instalar as suas sedes no mercado ibérico. Os números demonstram-no. Há 300 empresas portuguesas presentes em Espanha e 3.000 espanholas em Portugal. Talvez não seja por acaso. Portugal quer aproximar-se  deste mercado positivista, sem medo da mudança. É em Espanha que as coisas acontecem. Mesmo em termos culturais, as diferenças são notórias. Patrícia diz que “apesar da proximidade, até mesmo o conceito “latino” se vive de forma diferente. Eles são mediterrânicos e nós atlânticos”.

Ainda assim, os três são consensuais. Não trocariam Madrid por nada. Portugal é um destino longínquo, para onde esperam talvez um dia regressar em final de carreira ou para gozar a reforma. Porque, na verdade, Espanha é, para eles, sinónimo de força, de qualidade de vida citadina, de diversão e de oportunidades. É aqui que está o futuro. Portugal recorda-lhes tão somente a tranquilidade, a segurança, a familiaridade. É a melancolia do espírito português que se sente. A tão nossa “saudade”. Mas que rapidamente passa, porque afinal Portugal está tão somente a uma hora de distância...

 

 

 

 

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Domingo, 30 de Março de 2008

A política da ciência nas eleições em Espanha.

     Gabriela Ribeiro    -    Parque Científico de Madrid

Madrid

Espanha

 

A política científica é um dos factores chave que induz o desenvolvimento da ciência e tecnologia. Essa política tem um papel decisivo ao criar condições para a existência de liberdade na investigação, ao proporcionar os recursos necessários para que sejam atingidos os desejados resultados dessa investigação, e ao ajudar na disseminação desses resultados. Contudo, o real ímpeto para a investigação e para a aquisição de novos conhecimentos está profundamente enraizado na natureza humana e expressa-se na curiosidade e na motivação para aprender e inventar o que antes ainda não era conhecido ou ainda não tinha sido descoberto. Em toda a história da humanidade, geração após geração, cada um dos nossos antepassados tem tido a oportunidade de participar na aventura do conhecimento. Cada um de nós, que neste momento fazemos parte do Programa INOV contacto, estamos de certa forma a participar nesta oportunidade e a deixar um pouco da nossa sabedoria nas empresas e países onde nos encontramos.

Um pouco alheios ao que os decisores políticos definem, no que concerne a políticas na área científica, embarcamos nesta experiência convictos de que podemos ser um grão de areia que faz a diferença na engrenagem e que podemos contribuir para mais um passo em frente na busca de respostas. No entanto, o que hoje quero transmitir é um pouco do que as políticas científicas em Espanha têm significado para o desenvolvimento deste país onde me encontro a fazer o meu estágio.

Enquanto escrevo, decorre a campanha eleitoral para a escolha do novo Presidente do Governo Espanhol. Muitas promessas se têm ouvido e muitas estratégias se têm gizado pelos partidos políticos no que respeita a política científica. Há claramente em todos os programas eleitorais a vontade de melhorar a I&D no país e não há dúvida que um dos pontos em discussão nesta campanha tem sido a política de maturação do sistema científico em linha com o desenvolvimento económico e social dos últimos anos. Tenho escutado e sentido a frustração de muitos colegas no Parque Científico de Madrid que discordam dos relatórios optimistas que colocam o país numa posição cimeira, na Europa a 25, no que diz respeito ao crescimento do investimento em I&D. Dizem-me que parece que a vontade política não sai do papel e o que se vive na realidade na Investigação Científica está muito aquém do que seria desejável.

Nas últimas décadas, Espanha tem-se desenvolvido de forma extraordinária tanto social como economicamente. A taxa de crescimento do PIB excedeu a média da União Europeia e a vitalidade da economia tem permitido uma real convergência com a Europa a 25. Por exemplo, o PIB per capita era de 87.6% da media da Europa a 25 em 1990 e cresceu para cerca de 98% na actualidade. E o objectivo do Programa Nacional de Reforma Espanhol é que as cifras se situem nos 100% de convergência em 2010.

O que é certo é que Espanha tem estado nos últimos anos num processo de crescimento baseado principalmente no crescimento da taxa de emprego e num modesto aumento da taxa de produtividade. Tendo atenção a este facto o Governo Espanhol tem-se desdobrado em esforços para corrigir as fraquezas estruturais detectadas na economia do país. Espanha está atrasada no que respeita a I&D e isso afecta todas as outras áreas do Sistema Nacional de Inovação. Torna-se então imperativo reorganizar e estimular o sistema Ciência-Tecnologia-Empresas e um dos pontos a melhorar é o investimento no capital humano e em novas políticas de investigação e inovação. Um dos principais objectivos é atingir, até 2010, os 2% do PIB em investimento em I&D, que ficam ainda muito aquém dos 3% que são a meta da Europa a 25.

Mas, e desprezando momentaneamente os aspectos estatísticos, os esforços feitos por Espanha têm consolidado o sistema Ciência-Tecnologia-Empresas ao melhorar a sua organização, fomentar a transferência de conhecimento e tecnologia, fortalecendo as infra-estruturas de ciência e tecnologia e intensificando a presença internacional do seu sistema de I&D. Tudo isto requer um esforço coordenado de investimento público e privado que será necessário intensificar nos próximos anos que tem sido discutido durante a campanha eleitoral em curso.

Resta esperar o resultado destas eleições e observar o decurso da próxima legislatura, para ver se as aspirações dos meu colegas cientistas espanhóis se vão concretizar e o sistema científico espanhol melhora

 

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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

La Movida

Dulce Afonso

e

Joana Cruz

Madrid

 

Espanha

 

As Tabernas e as tapas são o mais típico de Madrid e o costume é ir de Bar em Bar e provar as especialidades de cada um. A isto chama-se tapear. Rapidamente nos convertemos a este estilo de vida e já dominamos o menu de tapas e elegemos o Bar com a melhor tortilla e as melhores patatas bravas. Tendo em conta que a vida social madrilena se desenvolve em redor de Bares e Tabernas, a imensa oferta e variedade não é excessiva para todos os madrilenos que, todas as noites, saem para a calle! E, no que diz respeito a tapear, existe mesmo um código de conduta que nós tentamos respeitar: é proibido falar de trabalho, não se pode estar sentado mas sim ao balcão e o número ideal são 5 pessoas! O que ainda não faz parte dos nossos costumes é o pequeno-almoço madrileno, churros (farturas) servidos com uma chávena de chocolate quente. Temos mesmo algumas dúvidas se alguma vez nos habituaremos a tão “nutritivo” pequeno-almoço!

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Terça-feira, 25 de Março de 2008

BioBoom

 

Joana Cruz

(Unidade de Genómica)

&

Dulce Afonso

(Unidade de Bio Transformações Industriais)

Parque Científico de Madrid

 

Madrid | Espanha

 

 

 

 

 

O negócio de Biotecnologia é um negócio global. As empresas espanholas sabem disso e esforçam-se por cumpri-lo. A facturação da biotecnologia espanhola cresce 20% ao ano, sendo que Espanha aporta 4% da produção mundial em biotecnologia mas está a anos luz desse valor  no que se refere a patentes, capital e pessoal técnico no sector. Está cada vez mais incutido nos espanhóis que a investigação de hoje é a facturação de amanhã.

A Comunidade Autónoma de Madrid é uma peça chave em Espanha na investigação pública no campo da Biotecnologia e da Biomedicina, tanto pelo número de investigadores como pela sua qualificação. 

Um dos impulsos para este sector é a criação de uma rede de Parques Científicos e Tecnológicos como ferramenta de transferência de conhecimentos, propiciando a colaboração entre as universidades, a investigação, o mundo empresarial e a administração pública. A origem dos parques está intimamente ligada a Silicon Valley, que serviu de modelo de desenvolvimento tecnológico e económico.

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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

O Grupo SoftCode

   Ana castro Rocha - SoftCode, Madrid, Espanha

Desde Novembro que trabalho no Parque Científico de Madrid, mais precisamente para o grupo SOFTCODE SL, ao qual pertencem a SOFTCODE e a CI2T.

SOFTCODE é uma empresa de base tecnológica, que oferece vários tipos de serviços relacionados com novas tecnologias, nomeadamente serviços de consultoria de qualidade, meio ambiente, segurança, inovação, engenharia e tecnologias da informação.

CI2T surgiu da necessidade de oferecer ao tecido empresarial das PME serviços avançados de Assessoria e Consultoria, sobretudo para realizar actividades de engenharia e controlo de processos. Está vocacionada para o sector agrícola e comercializa um sistema informático para gestão integral (controlo on-line e administração remota) de estufas e cultivos hidropónicos – SIGINVER.

 

SIGINVER, um producto inovador

SIGINVER captou a minha atenção pelo facto de ser um projecto único no mercado espanhol pelas suas características distintivas. Foi realizado pelo Instituto Universitario de Automática e Informática Industria de la Universidad Politécnica de Valencia em colaboração com investigadores do Instituto Valenciano de Investigaciones Agrarias, desenvolvido durante 6 anos sob a direcção do Professor da citada Universidade, Miguel Martínez Iranzo, que em conjunto com Jose Maria Duran Altisen (Catedrático do Departamento de Produção Vegetal) e Francisco Larios Santos (Subdirector Geral Adjunto da Subdirecção Geral de Relações Internacionais do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas) formam o Comité Assessor do grupo.

O produto pode ser instalado em qualquer estufa para realizar um controlo integral de forma a obter as condições óptimas de crescimento de plantas e permite que, através da internet, o produtor agrícola possa ter controlo sobre a sua estufa a partir de qualquer lugar e em qualquer momento. Tem um sistema de alertas via e-mail ou sms que avisam em caso de falha e câmaras que permitem visualizar a estufa e que servem como sistema de vigilância.

Algumas das suas características mais relevantes são:

Segurança;

Integridade/Fiabilidade;

Disponibilidade 24h/365 dias;

Eficiência;

Fácil gestão do software e manutenção;

Portabilidade.

 

A minha experiência

Trabalho com ambas as empresas. Contudo, actualmente, estou a centrar o meu trabalho na CI2T usando as minhas competências enquanto marketeer na tentativa de delinear um Plano de Marketing que dite as linhas condutoras para uma gestão proactiva, tanto a nível nacional quanto internacional, a seguir pelo grupo e que possa sustentar as futuras decisões da empresa. No Plano, está incluida uma estratégia de internacionalização que contempla países como o México, Perú e o Chile e espera-se que num futuro próximo possa vir a contemplar também o nosso país.

Em termos de aprendizagem, esta oportunidade constitui uma enorme mais-valia para mim, uma vez que, para além de poder aplicar os meus conhecimentos de marketing numa vertente mais clássica, estou ainda a aprofundar conhecimentos sobre várias técnicas de marketing na Internet que estão a ser exploradas pelo grupo para conseguirmos em conjunto penetrar em todas as frentes de ataque e atingir da forma mais eficaz o consumidor pretendido. Desde o Web Marketing, Network Marketing, passando pelo Marketing Viral, Buzz Marketing, todas estas ferramentas de Social Media Marketing são usadas através de uma rede social, um blog e pelo site da empresa para promover a sua imagem e a dos seus produtos.

O grupo é caracterizado pela componente INOVAÇÃO, que está presente em qualquer produto ou serviço comercializado, que resulta em grande parte das alianças estratégicas que mantém com a Fundación Parque Cientifico de Madrid, com a Universidad Politecnica de Valencia e com a Universidad Politecnica de Madrid

 

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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

O meu Contacto.

   Ana Raquel Cunha - Soporcel - Madrid, Espanha.

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Encontro-me precisamente na última semana do estágio. Entre muito trabalho, nostalgia, festas de despedida e lágrimas, aproveito uma pausa e aqui faço um balanço destes últimos nove meses em terras de “orgullo ibérico”, reflectindo sobre as tão faladas diferenças existentes nos dois lados da fronteira.

 

Sendo assim, do lado castelhano, encontrei uma cidade:

·         Dinâmica, cosmopolita, aberta a novas culturas, que este ano foi palco do Festival Europeu do Orgulho Gay e onde muito dificilmente alguém se sente estrangeiro ou desintegrado. “El mundo vive hoy en Madrid”, um território onde diversidade é sinónimo de fertilidade e que, ao contrário do que eu esperaria do dogma do espanhol austero e elitista, fez-me sentir em casa desde o primeiro minuto.

·         Optimista, com um profundo sentimento comum de “orgulho ibérico” (muito embora pesem os problemas nacionalistas), que se faz notar desde o cantor do metro que diariamente ainda repete o “y viva la españa” até à cozinha de um pequeno escritório como o meu, onde se pode ver a fotografia que abre este texto simpaticamente exposta na máquina de café.

·         De callejeros, amigos, boas conversas e serões, de terrazas, tapas, cañas e tinto de verano e onde se toma sempre “la penúltima”; de ruído, pessoas extrovertidas que não falam, gritam, e onde o uso de palavrões convive harmoniosamente com toda a euforia que paira no ar.

·         Que não me presenteou com horas de sono, nem me brindou com horas de tédio, e que a nível cultural oferece mais do que o tempo que deixa em branco; que me habituou a fazer os carregamentos do telemóvel fora de horas, numa das inúmeras lojas chinesas espalhadas pela cidade e onde em 20 metros quadrados se vende desde pão a vinhos Rioja, passando por todo o tipo de artigos passíveis de enumeração.

·         Onde é proibido usar frases de empate como o “por favor” ou o “será possível” e onde o telefone é atendido, não com um “Estou sim...” , mas antes com um curto e directo “Digame...”

·         Que me ensinou a ser prática e desenrascada com a famosa teoria das lentejas: “ó las comes, ó las dejas”; e a não ficar indignada com respostas tão típicas como “lo comes con patatas”, quando procuro a solução para um problema.

·         Que me fez suspirar pelo mar e pelo pão que não fosse em forma de baguete; onde temi a ETA e grupos extremistas que diariamente se manifestam.

E um escritório:

·         Que muito embora pertença a um grupo empresarial português, acolheu pela primeira vez uma estagiária do país vizinho.

·         Que não me poupou a uma primeira semana de praxe na famosa Feira Aula de Madrid, e que, mesmo sabendo que era recém-licenciada e que não dominava perfeitamente o idioma, não hesitou em atribuir-me, na segunda semana, uma carteira de contactos para gerir diariamente como coordenadora de marketing do escritório.

·         Que, tal como a cidade, é multicultural e onde o GM, Ignacio Bereincua, rapidamente me explicou o funcionamento do mesmo, com um simples organigrama:

  

 

 

 

Nesse momento achei um pouco exagerada a tónica dada nas origens. Hoje consigo perceber o peso que estas adquirem na convivência e trabalho com cada um dos membros. Ainda neste ponto, ressalto o facto de o jantar de Natal de este ano estar reservado num restaurante Peruano, após doze anos de fidelidade a um Vasco.

·         Onde há hierarquias de trabalho, não de comunicação; onde o uso de títulos académicos e tratamento na terceira pessoa é anedótico e chega mesmo a ser inadequado.

·         Onde os 50 e-mails diários enviados pelo GM começam todos por “Familia,...” e terminam em “SOMOS LOS MEJORES!!! SIEMPRE LOS 1º...!!!!!! VAMOS A POR ELLO, VAMOS A POR ELLO, VAMOS A POR ELLO!!!!!”

·         De comerciais que viajam mensalmente a Portugal e ainda assim conseguem surpreender-me com expressões tal como “vou ter com as bigotas...” e com os “extremamente educados e tristes dos portugueses...”.

·         Onde a resposta a um pedido de informação a nível interno pode ser tão simples e normal como “npi” ( ni puto idea )!

·         Onde “menos es más” e por isso consegue ter dos melhores resultados do grupo e ao mesmo tempo praticar a jornada intensiva de Verão (substituição do horário de trabalho tradicional pelo das 8.00/14.00) e que lamenta o facto de a direcção portuguesa não permitir também a tão típica jornada intensiva das sextas feiras, durante todo o ano.

·         Que não dispensa o seu “paella lunch” em dias de sales conference, nem a oportunidade de se reunir em almoços até às 7 da tarde quando é necessário discutir algum tema “em familia”, e onde os melhores negócios muitas vezes surgem aliados a um Gin Tónico.

De uma forma geral, e em jeito de conclusão, resta-me dizer que estes nove meses foram uma verdadeira experiência de vida, onde aprendi o sentido pragmático da expressão “carpe diem”, vivendo a um ritmo alucinante, trabalhando sem complexos nem entraves à comunicação, acção e imaginação e divertindo-me em exagero. Gostei principalmente de integrar o “orgulho ibérico” e de com ele aprender que, tal como os espanhóis, devemos fazer mais por nós. Anseio, por isso, o dia em que verei o orgulho de ser português, não na máquina de café de um escritório, mas transparecido em cada olhar, palavra ou atitude de cada um dos nossos 11 milhões.

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Te voy a echar de menos

   Inês Branquinho  -  Bial  -  Madrid, Espanha

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A principal motivação que qualquer contacteante tem ao inscrever-se neste programa gira em torno da oportunidade oferecida de poder trabalhar e viver num país diferente durante 9 meses.

 

Longe de saber o meu destino final, não poupei a fantasia e imaginei logo como seria viver na China, como iria ser trabalhar e aproveitar toda a cultura da América Latina ou como poderia ser fascinante ter uma experiência em África. Pontos do globo com pessoas diferentes, opções gastronómicas distintas, modas alternativas e formas de pensar divergentes.

Aterrei em meados de Fevereiro do corrente ano na capital de Espanha, Madrid.

A viagem durou aproximadamente 60 minutos e a sensação de estar a 6 horas de carro da minha casinha à beira do Tejo foi, confesso, um pouco desanimadora para quem sonhou ir bem mais longe.

 

Entre os habitantes de Lisboa e Madrid, os dois centros financeiros e políticos da Península Ibérica, existem diferenças. No entanto, não as suficientes para poderem desafiar ou provocar um choque cultural no verdadeiro sentido da expressão.

Diria que há muitas pequenas diferenças entre lisboetas e madrilenos que tentei explorar ao máximo com o intuito de absorver o que de melhor a cultura madrilena tem. Desde cedo apercebi-me que tinha muito a aprender com esta cidade.

 

A oferta cultural é impressionante, tendo Madrid alguns dos museus mais famosos do Mundo. Qualquer evento, seja um espectáculo, uma exposição de objectos de arte ou uma nova peça de teatro é facilmente assinalada por filas e multidões nas portas. Infelizmente, são poucas as ocasiões em que se dá este fenómeno em Lisboa. Recordo-me com contentamento do último dia da exposição “Amadeo Souza-Cardoso Diálogo de Vanguardas”, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Outro aspecto cultural relevante é a atenção dada à literatura. Espanha tem um dos maiores mercados editoriais do mundo e é possível observar, diariamente, dezenas e dezenas de livros que circulam nas mãos de madrilenos serem devorados em todo o tipo de tempos mortos, seja no percurso quotidiano das excelentes redes de transportes públicos ou, simplesmente, no tempo de beber um café.

 

O orgulho e o cultivo de tudo o que é nacional acaba por ser contagiante. O movimento diário nas ruas e toda a La Movida sugam qualquer hábito “domingueiro” que algum lisboeta possa trazer escondido consigo.

É, em geral, um povo mais alegre que faz questão de encher nos finais de tarde todos os bares, restaurantes, cafés ou esplanadas que são a verdadeira alma da cidade. Um dia banal de trabalho é, geralmente, bem terminado ao som de música nacional, a beber as célebres cañas e a “picar” umas tapas num ambiente de muita conversa.

 

Este modo mais relaxado de encarar o dia-a-dia reflecte-se, também, na esfera profissional onde qualquer lisboeta que não tenha sido previamente avisado se surpreende pelo clima informal que lidera o local de trabalho. Há uma sobrevalorização do tratamento horizontal e é deixado de lado o “Engenheiro”, “Doutor”, “Professor”, “Senhor”, ou qualquer outro prefixo que evidencie diferentes escalões hierárquicos, o que melhora significativamente os ambientes laborais.

 

Felizmente, a falta de ânimo inicial pouco durou, sendo substituída por uma vontade avassaladora de conhecer mais e melhor esta cidade. 

Passaram 9 meses e Madrid… te voy a echar de menos!

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O Meu Contacto

   Tatiana Carneiro  -   CGD   -   Madrid, Espanha.

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[..] Todos sabemos que Espanha, no geral, tem uma cultura muito semelhante à nossa, como têm os restantes países mais latinos e mediterrâneos. O que significa que realmente não passei por nenhuma forte adaptação cultural, apesar de estar totalmente preparada para isso. Mas, de todas as formas, para todos aqueles que pensam em ir estudar, trabalhar ou viver para outro pais mas que estão receosos de deixar o seu pais, de uma nova realidade desconhecida ou de um eventual choque cultural, lembrem-se que Tudo na vida é uma questão de hábito. Não é nenhum segredo e provavelmente nem é muito reconfortante mas é a mais pura das verdades! Por isso deixem os medos e inseguranças para trás e arrisquem. Se não for agora, quando será?

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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Oportunidades de Negócio

   Raquel Rio Tinto - AICEP,  Madrid,  Espanha.

 

Serviços ajustados às carreiras internacionais

 

Num mundo cada vez mais globalizado, as empresas vêem-se tentadas a entrar em novos mercados e, para um profissional dos dias de hoje, o local de trabalho começa a não ter poiso certo e a necessidade de viajar em negócios passa a ser uma constante. É então curioso observar a forma como os serviços se vão adaptando (por vezes de uma forma tardia, é certo) às necessidades de cada época.

 

A viagem de avião, levada durante demasiado tempo de uma forma pesada e enfadonha, exigia a quem se deslocava em trabalho o desperdício de muito tempo por causa de um simples vôo. O tempo de permanência no aeroporto (check-in, embarque e recolha de bagagem no destino) é muitas vezes superior àquele passado a voar.

Desde há algum tempo, companhias aéreas como a Lufthansa, por exemplo, começaram a oferecer serviços como o Quick Checkin (checkin automático em máquinas no aeroporto), ou o Checkin Online com a impressão do cartão de embarque a partir de casa, tendo o passageiro apenas de estar no aeroporto pouco antes de o avião levantar vôo. Há que estar focalizado no consumidor e na experiência que este gostaria de ter ao viajar e, no que diz respeito às viajens de negócios, o tempo é um factor preponderante.

Ao que parece, o próximo passo que virá acelerar o processo de embarque nos aeroportos consiste numa espécie de “Via Verde” para quem tenha o passaporte electrónico.

 

A empresa portuguesa Vision Box, de sistemas de biometria, vai instalar nos aeroportos um sistema de leitura automática dos dados dos passaportes electrónicos para controle de fronteiras. O sistema efectua a leitura dos dados no momento em que os passageiros por ele passam, sendo tirada uma fotografia do passageiro imediatamente comparada com a que consta no passaporte.

 

Procuram oportunidades de negócio??? Encontrem soluções integradas que garantam Alta Segurança, Eficiência, Rapidez, Simplicidade, User-Friendly e Low Cost.

 

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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

As relações de trabalho em Portugal e no Mundo

   Sérgio Silva - Logoplaste, Madrid, Espanha.

 

 

Gestores Portugueses

 

Portugal é um país de formalismos. É, provavelmente, o único país do mundo em que os seus licenciados, inseridos num meio empresarial, insistem em ser tratados pelo seu título académico.

Sem querer entrar num enquadramento histórico muito longo direi apenas que antigamente o titulo de Dr. correspondia a um estatuto social elevado destacando-se pela cultura e/ou pela fortuna. Pela raridade de licenciados, na altura, também era atribuído a quem concluísse um curso universitário.

É com este background cultural que temos a ideia generalizada de que o respeito, enquanto trabalhador, provém, não da nossa capacidade profissional, mas sim, do facto de termos ou não o nosso nome antecedido por Dr. ou Eng.

A cultura empresarial portuguesa está, neste aspecto, bastante atrasada comparativamente com, por exemplo, os restantes países europeus. Mesmo em Espanha, país onde estou colocado e onde podemos mais facilmente comparar os gestores de ambos os países, este fenómeno não acontece e chega, inclusive, a ser repudiado. 

Em Portugal chega-se ao exagero de tratarmos todas as pessoas por Dr. pelo simples facto de termos medo de ferir alguma susceptibilidade. É nisto que temos que mudar a nossa mentalidade. Os gestores portugueses não deveriam preocupar-se com simples trivialidades.

Numa empresa, onde todos deveriam estar a contribuir para um objectivo comum e a trabalhar em conjunto para alcançá-lo, este tratamento formal, na minha opinião, apenas serve para manter o distanciamento entre os profissionais de uma empresa, ao “elitizar”, separar e diferenciar.

O que estamos a assistir neste momento é uma desvalorização progressiva dos títulos académicos, sobretudo com a “popularização” da licenciatura e consequentemente a uma mudança de atitude e mentalidade nos futuros gestores portugueses.

Em conclusão, o mundo empresarial português só terá a ganhar com a eliminação destas minudências e a abolição das barreiras formais entre profissionais. Somos capazes de chegar atrasados a uma reunião importante com um cliente estrangeiro mas se uma carta vier endereçada apenas com o nosso nome somos capazes de perder tempo a tentar rectifica-la.

 

Sou da opinião de que primeiro somos profissionais e depois somos licenciados.

 

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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Sem título.

   Rita Calhorda - AICEP, Madrid, Espanha.

Na newsletter deste mês pretende-se dar uma visão do impacto que a nossa cultura pessoal, ou seja, todos os factores que contribuíram para o desenvolvimento dos nossos valores culturais, em especial os referentes ao nosso país, pode ter, ou não, na nossa adaptação em empresas estrangeiras, ou mesmo influenciar a cultura dessas mesmas organizações.

 

Visto que me encontro a estagiar em Madrid, na delegação da AICEP, não posso dizer que tenha sentido grandes diferenças culturais, nem no país, que, possivelmente, pela proximidade tem muitas semelhanças com o nosso (inclusive a língua), nem na organização em que me encontro, pois uma percentagem elevada dos funcionários é portuguesa e trabalha-se muito directamente com Portugal. Aliás, devido à sua dimensão, a delegação local têm 14 funcionários efectivos, não existindo uma forte cultura organizacional.

É difícil para mim estabelecer comparações com a realidade empresarial portuguesa, pois este estágio é o primeiro contacto que tenho com a vida profissional.

No entanto, do que tenho vindo a observar e através da conversa com colegas, existem alguns pontos que gostaria de destacar.

Parece-me que, a situação que mais reflecte as diferenças culturais existentes é a questão dos horários. Apesar do horário de entrada ser semelhante ao português, o intervalo para almoço é, geralmente, mais tarde e dura mais tempo. A maior parte das empresas pratica horário contínuo durante os meses de verão e encerram à sexta a tarde. Embora esta situação tenha origem nas condições climatéricas de algumas zonas de Espanha, parece-me que provoca algum prejuízo à rentabilidade das empresas e, sendo a realidade portuguesa diferente, provoca alguma dificuldade de habituação.

No entanto, esta situação parece começar a sofrer alterações, pois a maioria das empresas já pratica um horário de almoço de menor duração e algumas não encerram à sexta à tarde.

O hábito generalizado de se “ir beber um copo” depois do trabalho ou depois do jantar, o que implica que se vá dormir mais tarde, não parece influenciar a vida laboral, mas constitui outro factor diferente a que temos de nos adaptar.

Outra diferença que notei foi de carácter comportamental. O povo espanhol é muito mais emotivo e proactivo que o português. Esta diferença reflecte-se muito a nível empresarial, não só a nível de competição entre colegas, como também no grau de exigência demonstrado pelo consumidor. Esta realidade exige uma maior entrega por parte da classe gestora, mas, quando se conseguem ultrapassar estes obstáculos, geram-se resultados muito mais consistentes. Este último factor é ainda incrementado pela dimensão muito superior do mercado. Este facto é apontado pelos gestores portugueses, que vingaram neste mercado, como o mais importante a ter em conta, juntamente com o ser um mercado bastante fechado na sua própria cultura.

 

Da observação que tenho feito dos portugueses no estrangeiro, parece-me que estes demonstram uma grande capacidade de adaptação às diferentes culturas em que estão inseridos, assim como às novas realidades com que se deparam. No entanto, por vezes, existe a tendência para se criar um grupo fechado, o que não só põe em causa a adaptação à realidade local, como também à transmissão da “cultura” portuguesa, pois ao não haver integração, não existem contactos e possibilidades de trocas culturais, sendo impossível estabelecerem-se verdadeiras relações interculturais. Por exemplo, ao grupo que veio para Madrid este ano estagiar, parece-me que sucedeu um pouco o que acabo de relatar, o que impediu a criação de uma verdadeira network de contactos a nível local.

 

Por fim, gostaria de lamentar uma vez mais o facto de o meu contributo não ser de maior substância, mas de facto, a nível profissional, ainda não posso fazer uma avaliação devidamente fundamentada. No entanto, gostaria de salientar os seguintes pontos: a capacidade e gosto de adaptação do povo português a realidades diferentes, que permite uma boa integração a nível empresarial; concretamente no caso do mercado espanhol creio que temos vantagens em relação a qualquer outro povo, inclusive ao próprio, devido, por exemplo, aos idiomas, no entanto dever-se-á ter uma especial atenção pois, apesar das semelhanças, Espanha tem características muito próprias, é um mercado muito maior que o português, onde existe um grau de competição muito superior e muito mais fechado.

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Portugal - Porta da Europa.

   Isabel Tavares

Grupo Pestana, Madrid, Espanha.

 

 

Quando me foi pedido para participar nesta edição da Newsletter Visão Contacto não levei muito tempo a decidir: gostaria de reflectir sobre as diferenças de atitude perante o turismo entre o meu país, Portugal e o país que me vai acolher durante 9 meses (Espanha). Mas como faze-lo? Foi então que me lembrei do meu primeiro dia de estágio em Madrid e da conversa que tive com Rafael Moreno.
 
Rafael tem 54 anos, dupla nacionalidade (espanhola e francesa) e diz-se apaixonado por Portugal.
Trabalha em turismo há 28 anos. Está desde Janeiro de 2004 no grupo Pestana e Pousadas de Portugal, trabalhou 10 anos nos Paradores de Espanha e 15 anos em França onde passou por várias empresas do sector do turismo. 
Quem melhor do que ele para me responder a algumas duvidas sobre a diferença de actuação entre Espanha e Portugal na promoção turística? 
 
Decidi então propor a Rafael Moreno uma reflexão conjunta sobre este tema. Uma pequena conversa entre duas pessoas com experiências completamente diferentes: uma com uma vasta experiência no sector e outra que começa agora a dar os primeiros passos.
Este profissional da área do turismo falou-me, de forma clara e realista, sobre as diferenças de atitude entre estes dois países, o que acabou por confirmar algumas ideias que já tinha sobre o tema.
 
Primeiro, falámos sobre Portugal. Como está o país em relação ao turismo? Para Rafael, apesar de não ser uma potência turística, o nosso país está numa boa situação.
 
A Espanha apresenta-se por isso como um bom cliente turístico para Portugal. Tem uma população de 45 milhões de habitantes e é neste momento a 7ª ou 8ª maior economia do mundo: “o Espanhol tem dinheiro para gastar e por isso pode escolher qualquer destino de férias”. “A grande conquista de Portugal tem que ser o cliente espanhol”. Mas, Portugal ainda está a dar os primeiros passos nessa conquista, uma tarefa que não se têm mostrado fácil.
Os maiores concorrentes de Portugal são sem duvida a as comunidades autónomas espanholas: só 15% dos espanhóis goza férias fora de Espanha, os restantes optam por visitar as outras comunidades e a escolha de destinos estrangeiro recai sobre países como França, Marrocos e Turquia.
 
Porque é que Portugal não está entre as primeiras escolhas dos espanhóis? Rafael aponta, entre outros, dois grandes motivos. Em primeiro lugar, a proximidade. Portugal estará sempre ali e os espanhóis poderão visitá-lo a qualquer momento, ou seja, a viagem é adiada em detrimento de outros destinos. O outro, é o desconhecimento dos espanhóis sobre o que o nosso país tem para oferecer.
Ora, se quanto ao primeiro motivo a solução passará por nos apresentarmos aos espanhóis como um pais ibérico que partilha a mesma “terra”, a mesma história, parece-me que em relação ao segundo temos uma maior responsabilidade. O que estamos a fazer mal? Ou o que não estamos a fazer? Para Rafael a solução passa pelas seguintes acções: “redobrar a promoção em Espanha, aumentar as parcerias de promoção conjunta do destino Península Ibérica e aprender com o exemplo espanhol”.
Em relação à promoção conjunta da Península Ibérica, já foram dados os primeiros passos na promoção deste destino em países longínquos como Brasil, EUA e alguns países asiáticos. A este propósito, penso que é interessante a imagem usada por Rafael Moreno: “Independentemente de tudo, estamos a falar de negócio/dinheiro, não adianta ficarmos presos ao passado é necessário evoluirmos, saber jogar e para isso a Espanha é o melhor parceiro que Portugal pode ter. É verdade que ao jogar com alguém posso sempre perder uma ou outra partida, mas a realidade é que essa pessoa está em minha casa a jogar comigo”.
 
É apoiado na vasta experiência no sector do turismo que Rafael apresenta sugestões concretas.
Primeiro, as regiões de turismo portuguesas têm que começar a trabalhar melhor em conjunto, ter uma estratégia comum, manter acções independentes, mas coordenadas. Em Espanha, este trabalho começou a ser feito à 15 anos e, neste momento, quando participa em feiras internacionais de turismo, cada uma das regiões tem o seu espaço na feira. Na realidade, são 17 forças de venda a promover um só país.
Segundo, e mais importante, a comunicação do produto “Portugal” tem que melhorar.
Tem que, de uma vez por todas, deixar de passar uma imagem de país triste. É elementar: “o produto pode ser muito bom mas se não tiver uma boa montra, ninguém vai entrar na minha loja para o comprar”.
Novamente, recuperando o exemplo de Espanha, se perguntarmos a um estrangeiro o que se faz neste país, a maioria dirá que se diverte, um país de “Fiesta”.
Durante anos, o nosso vizinho tem apostado em passar a imagem que Espanha é um país alegre e de diversão. Este esforço tem sido reforçado pelos cidadãos. O governo espanhol “montou” uma estratégia forte de consciencializado dos cidadãos espanhóis para que estes sejam abertos ao turismo, para que tenham a noção que são eles o melhor produto que a Espanha tem para oferecer.
 
Em suma, para Rafael Moreno, a mensagem a passar é simples: “É certo que Portugal é um país de mar, mas é necessário mudar slogans como “Profundo” (Go deeper). Esta é uma expressão delicada e com uma conotação algo pesada, a mensagem deve ser mais positiva, mais alegre. Novamente, Rafael dá o mote: “Portugal tem que ser a Porta da Europa, tem que estar de braços abertos para receber os visitantes”. Sobre isto, acrescento que talvez esteja na hora de passar de descobridores a descobertos.
 
Muito ficou por falar, mas a conclusão é simples: na minha opinião, estamos no bom caminho mas temos que mudar o nosso “Fado” e acreditar que somos capazes, tal como outros um dia foram.
Rafael Moreno, termina com o ditado espanhol “ A quién buen árbol se arrima, buena sombra le cobija” – “Quem a boa árvore se encosta, em boa sombra se abriga”.
Eu finalizo com a ideia que não temos que ser os primeiros em tudo. Tão eficiente como descobrir uma nova maneira de fazer algo é aprender com quem já sabe fazer e, quem sabe, até melhorar…
 
Obrigada Rafael e toda a sorte do mundo!
publicado por visaocontacto às 17:08
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"Espanha - oportunidade e não ameaça"

   José Guerreiro, CHP, Madrid, Espanha.
Desde a minha chegada a Madrid, ao abrigo da 10ª edição do Programa InovContacto, que as surpresas se têm sucedido, como um encontro agradável e inesperado. Apesar da proximidade física entre esta cidade e o Porto ou Lisboa, urbes onde vivi alguns anos da minha vida, as diferenças são notórias e, em muitos aspectos, aprazíveis.
 
Tudo se passa num ápice. As pessoas “vivem” mais depressa e com maior intensidade. É uma cidade que parece não parar de dia e de noite, num movimento contínuo. Os madrilenos usufruem bastante dos diversos espaços públicos ao ar livre, especialmente agora com a temperatura a subir. As solicitações são de diversa ordem, sendo de destacar, a vasta oferta cultural de Madrid.
 
Algo que me impressionou foi a interligação dos meios de transporte que permitem deslocações rápidas e com razoável conforto. Utilizando o Metro, chega-se a qualquer parte da cidade, em tempo reduzido. A nível das diferenças culturais com Portugal, gostava de destacar a informalidade no trato, que facilita as relações profissionais e pessoais e também a forma confiante como normalmente encaram os problemas.
 
 
 
Iniciei as minhas funções na Câmara Hispano Portuguesa de Comércio e Industria em Espanha em meados de Janeiro, do corrente ano. Encontrei um ambiente de trabalho muito bom que, devido à sua reduzida estrutura, me permitiu acompanhar as actividades da Câmara em toda a sua amplitude, enriquecendo assim esta experiência profissional.
 
A Câmara Hispano Portuguesa foi fundada em 1971, como uma organização privada sem fins lucrativos, com a finalidade de apoiar as empresas com interesses empresariais no mercado ibérico, fomentando as suas relações económicas e desenvolvendo também laços de amizade entre Portugal e Espanha.
 
A Câmara tem relações privilegiadas com alguns institutos públicos, como o ICEP, contactos regulares com Associações Empresariais, Câmaras de Comércio Espanholas, Câmaras de Comércio dos países da União Europeia estabelecidas em Espanha, entre outras. Neste momento, é constituída pela sede em Madrid e por três delegações, na Andaluzia (Málaga), na Galiza (Vigo) e no País Basco (Bilbao).
 
No intuito de atingir os seus objectivos, a Câmara desenvolve diversas actividades, entre as quais, Seminários, Conferências e Almoços, subordinados a temas de grande importância e actualidade, com vista a identificar oportunidades de negócio no mercado ibérico e impulsionar a actividade empresarial das empresas associadas.
 
Dispõe de serviços de apoio jurídico, fiscal e económico e facilita os contactos profissionais com outras empresas. Promove cursos de português com o apoio dos Serviços de Educação da Embaixada de Portugal em Madrid, sendo um importante veículo de comunicação nas relações comerciais entre os dois países. Participa e promove a participação dos seus associados em Feiras e dispõe de uma bolsa de trabalho com o intuito de optimizar as buscas de candidatos por parte das empresas suas associadas.
 
A Câmara desempenha, assim, um importante papel de promoção dos produtos e serviços das empresas portuguesas em Espanha. Nesse sentido, existem factores importantes que poderão facilitar em larga medida, a entrada de empresas portuguesas no mercado espanhol, destacando-se entre outros a proximidade geográfica, a semelhança linguística e as boas relações existentes entre Portugal e Espanha. Por outro lado, a economia espanhola continua a registar elevados crescimentos económicos, tendo o PIB atingido um crescimento de 4,1%, no primeiro trimestre de 2007, o maior desde o terceiro trimestre de 2001, contrariamente à evolução da economia portuguesa, com crescimentos reduzidos.
 
Considero que ao actuarem no mercado ibérico e com a dinâmica patente da economia espanhola, as empresas portuguesas poderão melhorar a sua competitividade, beneficiando também, investimentos futuros noutros mercados. Julgo, por isso, que não devemos olhar Espanha como uma ameaça, como muitas vezes acontece, mas sim como uma oportunidade.
publicado por visaocontacto às 13:05
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Madrid me encanta.

   Pedro Folgado, ESViagens, Madrid, Espanha.

 

 

  

Depois de dois anos e meio a trabalhar em Portugal com um início de carreira (talvez demasiado) estável, o bichinho de mudar definitivamente de vida começou a fazer mais sentido do que nunca. Fosse pela ausência de novos desafios, fosse por estar saturado da estabilidade, fosse pela estranha sensação de não querer lamentar-me de nunca ter embarcado numa aventura rumo ao “desconhecido”, a verdade é que daí a candidatar-me ao Programa Inov Contacto foi um pequeno (grande) passo.

A colocação em Madrid teve um sabor agridoce: por um lado, a capital Espanhola não foi o destino que inicialmente estava previsto, nem o que, por consequência e muito honestamente, mais me estimulava; por outro, a proximidade a Portugal confundia-se com um sentimento de segurança adicional. O resultado tem-se revelado muito “saboroso” e a recompensa maior do que alguma vez esperado, em especial ao constatar o magnífico grupo que me esperava.

A Carlson Wagonlit Travel, empresa que me recebeu, era-me de todo desconhecida e nem o mês de estágio que passei em Lisboa me iluminou particularmente acerca da mesma. No entanto, tudo mudou após a chegada a Espanha e aqui foi-me transmitida não só formação geral acerca da empresa, como também formação específica para as funções que iria desempenhar. Actualmente, encontro-me a estagiar no Departamento de Recursos Humanos e tenho sob minha responsabilidade a gestão do projecto de implementação de um sistema de payroll em regime de outsourcing.

Nunca esperei que confiassem tamanha responsabilidade nas mãos de um mero estagiário, mas essa é, sem dúvida, uma das mais agradáveis diferenças que encontro entre a cultura empresarial espanhola e a portuguesa: uma vez aqui, o tratamento não é excessivamente hierarquizado e o nível de responsabilidade e responsabilização é horizontal, independentemente do nosso background, experiência profissional anterior ou até país de origem.

Outra diferença que desde logo considero relevante notar é uma maior orientação para resultados e objectivos, mesmo que, à semelhança de Portugal, se note uma ligeira tendência para trabalhar sob pressão e deixar tudo para o último “minuto”… 

Sobre a cidade que pela primeira vez me recebe, Madrid é absolutamente fantástica! Desde as famosas tapas y cañas, à diversão nocturna incomparável, passando pela enorme oferta cultural, tudo é pretexto para que nos sintamos bem e (quase) em casa. Se existe alguma coisa em que os Espanhóis nos levam vantagem, só poderá ser o facto de os nuestros hermanos estarem sempre prontos para a movida! Em qualquer dia da semana e a qualquer hora da noite ou do dia, desde que esteja bom tempo, encontra-se a Gran Via, por exemplo, frequentada por pessoas de todas as idades, estatutos sociais e ocupações profissionais. Turistas, madrileños e habitantes mais ou menos ocasionais, cruzam-se assim num dos ex libris da cidade com o mesmo deslumbramento.

Para nós Portugueses, a adaptação ao modo de vida madrileño não é difícil. Também nós partilhamos do gosto por ambientes festivos, as diferenças culturais não são muito acentuadas, a língua é fácil de compreender e falar. Curiosa é a extrema dificuldade que os Espanhóis têm para perceber o Português falado, assim como o desconhecimento que muitos revelam acerca do nosso País. Sempre pensei que os nossos vizinhos estivessem mais informados acerca da nossa realidade actual e tivessem já desmistificado alguns dos estereótipos que associavam(os) a gerações mais antigas.

Não obstante o facto de a experiência profissional ser amplamente positiva e de ser uma óptima oportunidade de desenvolvimento, creio que o mais importante é o crescimento pessoal que se obtém. A descoberta, mesmo que forçada, de capacidades desconhecidas (como a culinária, por exemplo), a partilha de espaço com totais desconhecidos, a vivência diária num ambiente cultural diferente daquele a que estamos habituados, a estranheza de passar dias inteiros sem ouvir falar a nossa língua… são experiências que nos obrigam a crescer e a encarar com maior confiança o futuro.

O que quer que o destino me reserve, tenho hoje a certeza que estarei, se não preparado, pelo menos mais optimista, para o enfrentar.

 

publicado por visaocontacto às 12:56
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Domingo, 13 de Maio de 2007

Entre "nuestros hermanos".

 Luís Ramos, Soft99, Madrid, Espanha.

 

Cinco meses passaram desde o início da minha aventura no programa INOV Contacto.

Cinco meses de novas pessoas, novo emprego e novas experiências.

Cinco meses em que a minha vida mudou por completo.

 

Na atribuição de estágios, fui contemplado com a empresa Soft99. Esta é uma empresa portuguesa de desenvolvimento de software de criação e gestão documental. É uma empresa com representação em vários países europeus através de diferentes parceiros internacionais, a minha colocação recaiu em Madrid, Espanha. A data de partida seria a 14 de Fevereiro, mas entretanto eu e outro colega Contacto iríamos realizar um estágio de formação na Soft99 de um mês. O parceiro no qual estou correntemente a desenvolver o meu estágio é a GEDia Consulting S.L., uma empresa dedicada à gestão documental focalizada na digitalização de documentos e extracção de dados destes. O ambiente de trabalho é bom e jovem, o que facilitou muito a integração no grupo. Aqui os horários de trabalho são totalmente diferentes dos que estava habituado, inicio o dia pelas 08h00 e termino às 16h00, jornada directa com uma pequena pausa pelo meio. Este esquema agrada-me muito, pois fico com as tardes para fazer desporto, desfrutar do bom tempo ou dormir uma sesta. Assim um dia de semana não se resume apenas a trabalho o que eleva a qualidade de vida.

 

Madrid é uma cidade que já conhecia de umas férias passadas. É das poucas cidades que visitei, que me agradou ao ponto de a considerar para uma morada futura, acabando agora por acontecer. Assim que soube da minha colocação, apressei-me a contactar os vários amigos espanhóis que por cá tinha na esperança de estes terem ou conhecerem alguém com um quarto livre para alugar. Com alguma facilidade, consegui arranjar um quarto que iria vagar precisamente no mês seguinte à minha chegada. Acabei por ter mesmo muita sorte em conseguir o quarto dois meses antes de vir para cá, comparando com a dificuldade que os restantes colegas do contacto encontraram neste processo. Estou agora a viver com uma espanhola e um espanhol o que contribui em muito para o meu desenvolvimento da linguagem e integração na cultura.

A zona onde estou a morar, Malasaña, é de si especial, um centro de actividade social, perto de tudo e de todos. Na loja do prédio onde vivo, um florista coloca em alto som variadas bandas sonoras que o ajudam a realizar os seus artísticos arranjos florais, acordar ao som de música clássica ou de uma ópera para um dia de primavera é de si extraordinário. A Plaza del Dos de Mayo é local de encontros e desencontros, um local recorrente para uma tarde de cañas e tapas, um lugar extraordinário para sair à noite, com bares muito diversos, capazes de agradar a todos os gostos. Muito perto encontra-se a Calle Fuencarral com as suas muitas lojas, das mais comuns em qualquer centro comercial às mais alternativas e exóticas, todas fazem jus à zona em que se encontram.

 Madrid é uma cidade de ritmo elevado, não pára. É impressionante o espectáculo a que assisto durante toda a semana, o movimento e o número de pessoas. De manhã o caos nos transportes e a pressa de chegar ao local de trabalho, pela tarde as esplanadas cheias de grupos de amigos ou colegas de trabalho que aproveitam para apanhar um pouco de sol acompanhado de uma cerveja enquanto discutem temas da actualidade. De noite, ruas cheias de pessoas que se movimentam entre casas de tapas, restaurantes, bares e discotecas.

É uma cidade fonte de cultura. Os muitos museus que a compõem, estão repletos de obras de artistas de renome mundial. Nos museus Reina Sofia e Prado, obras de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Joan Miró, Juan Gris, Francisco Goya e Diego Velázquez fazem as delícias de qualquer consumidor de arte. Os museus apresentam regularmente exposições temporárias também de elevada qualidade. Recentemente fui ver uma de Roy Lichtenstein e outra de Chuck Close, maravilhosas. Muitas actividades culturais preenchem o tempo em Madrid, esta semana realizou-se a par do dia internacional do livro, La Noche del Libro en Madrid, em que todas as bibliotecas e livrarias se encontravam abertas até altas horas da noite e várias actividades lúdicas e culturais preenchiam espaços ao ar livre.

 

Já um bom amigo dizia, “Podes trabalhar em qualquer lado, o importante é a maneira como vives o teu tempo livre.” Madrid é sem dúvida uma cidade que me preenche, tanto a nível pessoal como profissional, sempre com algo de novo para ver ou fazer.

 

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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Quem espera sempre alcança

 

David Magboulé

Imbiosis

Madrid, Espanha


Já antes da partida para Madrid, tinha programa para o primeiro fim-de-semana: a visita do Pedro e do João que vinham de Londres.
 
Tinha tudo preparado, sítio onde ficar (em casa do meu amigo Manuel), alguns dias para procurar casa antes de arranjar trabalho e algumas pessoas com quem entrar em contacto para facilitar a adaptação. E há que dizer que correu tudo como previsto. Quase tudo.
 
Passei as minhas primeiras três semanas num profundo extremismo entre o bem-estar, a alegria e a curiosidade, sentimentos provocados pela descoberta de uma nova zona geográfica, de uma nova cultura e de uma nova população, mas também por uma programação de divertimento recheada, novos conhecimentos à mistura, e isto tudo aliado à nova experiência profissional que estava a viver... experiência deveras interessante e inovadora a meu ver.
O sentimento oposto deveu-se ao desconforto pelo qual estava a passar, que não me deixava começar a criar raízes e tão pouco sentir-me integrado, se bem que esse processo demora e é faseado.
De facto, dormi no chão da sala do Manuel, durante as primeiras semanas. Mas literalmente. Ele não tinha um clochão extra e o sofá, apesar de confortável, era pequeno e deitado ficaria com a cabeça e os pés de fora e virados para cima, imaginem a forma de um ‘v’!
Por isso criei o meu próprio colchão, ao juntar dois sacos-cama que ele tinha um em cima de um outro, o que me ‘elevava’ a 5 cm do chão! Nada mal.
 
Nunca pensei que procurar casa em Madrid fosse tão complicado. Apesar dos inúmeros avisos prévios, tinha esperança em encontrar algo na primeira semana. Afinal, só queria um estúdio de ao menos 30 m2 no centro da cidade por volta de 600 eur!.. Além disso, depois da minha experiência como agente imobiliário em Paris durante o ano passado, sabia que seria difícil encontrar proprietários tão exigentes e inflexíveis.
Enganei-me. Vi casas e casas e casas, e ainda mais casas mas depois cada vez menos porque comecei o estágio e por isso tinha menos tempo mas também porque já estava farto e a desesperar.
Para já, a descrição dos apartamentos nos anúncios nunca correspondia ao que se via in situ. Para pior claro. Os preços eram exageradamente caros para a qualidade do imóvel (de vez em quando ainda me vem ao de cima a gíria imobiliária). E os senhorios não se conformavam com o simples pagamento duma caução e da primeira renda! Não! Queriam 2 às vezes 3 meses de caução (que provávelmente nunca iriam devolver), mais o ‘aval bancário’ (são 12 meses de renda postos de parte numa conta bancária que é desbloqueada se o inquilino não pagar a renda), mais contrato de trabalho e além disso que alugássemos o apartamento por pelo menos um ano (o que no nosso caso, não seria o caso)!!
Só faltava mesmo pedirem que os nossos pais e todos os familiares assinassem o contrato de arrendamento e que incorporassem um chip no nosso corpo ligado ao GPS deles para não nos perderem de vista!!
 
No meio de toda esta frustração, ainda em casa do Manuel a dormir no chão, com a roupa sempre dentro da mala, já a trabalhar, já a aproveitar o de melhor que Madrid tem para oferecer (boémia, diga-se) e a sentir-me meio adoentado, decidi exprimir um grito de ajuda e de revolta.... ao Yahoo Groups!!
 
É verdade, existem tantos portugueses nesta cidade, especialmente ‘não-contacteantes’, que se criou um grupo nessa plataforma chamado ‘tugasmadrid’ e para o qual mandei um mail a perguntar se alguém tinha um apartamento com um quarto a mais ou se sabiam de algum estúdio disponível mas sem ter que passar por todas aquelas barreiras acima-referidas.
 
Tinha realmente desistido da ideia de viver sozinho, o que não me incomodava nada porque já o fazia praticamente desde os 18 anos e porque queria estar à vontade, sabendo também que iria ter muitas visitas de amigos nestes 9 meses. Mas ao mesmo tempo não queria viver numa casa com 3 ou mais pessoas, tipo numa républica universitária, onde mal se pode ter o seu próprio espaço e a empatia entre os co-habitantes é sempre sui generis.
 
Foi aí que surgiu o Tiago, a minha salvação. Recebi uma chamada no dia seguinte a ter mandado o mail de um homem do Norte, de 35 anos, que estava à procura de alguém para dividir o seu apartamento em Goya, Salamanca (bairro residencial no centro, onde a procura é muita e a oferta escassa), de 110 m2, 3 quartos (um para visitas), já todo equipado e mobilado, com vista de esquina, internet e canal plus!
 
Depois de uma entrevista com a presença da sua ex-namorada (psicóloga!) que por acaso até conhecia de Lisboa (Portugal é assim), mostrei-lhe que estava muito interessado e sinceramente já nem sei se não acabei por suplicar para ficar nessa casa. Era tanto o desespero, e agora via uma luz no fundo do túnel (que dramático!).
 
Uma semana depois, já tinha tido resposta! Houve pressão, muita comunicação, alguma angústia, mas um final feliz. A ‘entrevista’ tinha corrido bem, tinha deixado boa imagem, e fui aceite! Estava tão contente como se tivesse sido seleccionado entre milhares para o posto de Secretário-Geral da ONU! (Sim, é um sonho... Se tiverem contactos lá, agradeço.)
 
Peguei nos meus aposentos logo quando recebi a excelente notícia meti-me num táxi e instalei-me. E foi até com uma certa pena e nostalgia já que me despedi de casa do Manuel, que tinha sido impecável em receber-me e insistir que eu ficasse lá até encontrar um apartamento, um bom amigo. 
 
Desde então a vida tem-me corrido na melhor das feições. A casa é um espanto, um conforto inigualável. O meu ‘housemate’ e eu temo-nos dado muito bem mesmo, já tive inúmeras visitas (prolongadas e curtas) nestas 2 semanas, muitas jantaradas, muito convívio, muito divertimento. Sinto-me mais enraízado na cidade e na cultura espanhola, e já me sinto mais estável e até mais concentrado no trabalho.
 
Esta casa proporcionou-me o que realmente se quer da vida: uma base sólida, que leva à tranquilidade e que por sí leva ao desfruto total das experiências.
Nunca se deve perder a esperança, quem espera sempre alcança.
publicado por visaocontacto às 10:51
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