Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Contacto 13, solidário em Moçambique

Os estagiários INOV Contacto demonstrou que quando se quer é possível ajudar e abraçou uma causa. Ajudar um orfanato em Moçambique.

 

Porque uma imagem vale mais que mil palavras!

 

Contacto MOZ solidário...

 

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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Um pequeno gesto... Um grande sorriso!

 

Marta Botelho | C13

Pengest / Consultec

Maputo | Moçambique

 

 

O dia começou cedo e o Domingo prometia ser diferente...

Íamos visitar o Orfanato de Conhane que fica no Chokué, a 240 km de Maputo. É importante explicar que 100 km em Moçambique não são iguais a 100 km em Portugal. Parece estranho, mas a verdade é que 100 km em estradas esburacadas, com pessoas que a atravessam surgidas do nada (e nada aqui significa mesmo nada), chapas e machimbombos apinhados que se movem numa condução maluca e imprevisível, camiões com grande diversidade de carga e em larga escala acima do considerado possível, são 100 km que soam a 200 e que duram, duram e duram (como as pilhas...)! Tudo isto torna, ao mesmo tempo, o percurso muito interessante e uma surpresa a cada curva.

Passadas quase 3 horas de viagem e conversa animada sobre tudo e nada as expectativas eram grandes sobre o que iríamos encontrar.

A recepção foi calorosa ao som de músicas cantadas pelas crianças e pela Irmã Isaura. Mana Marta cantou e dançou tentando acompanhar o ritmo africano que lhes corre no sangue (não é nada fácil!).

Além das danças e das cantigas, brincámos, jogámos à bola, montámos um baloiço, pintámos e contámos histórias. Foi um dia especial para eles e ainda mais para mim.

 

 

As crianças tinham várias idades e muitas marcas escondidas por trás de um sorriso rasgado. As histórias variam mas todas elas são tristes até terem sido acolhidas na instituição. Algumas delas foram entregues pelos pais que não têm dinheiro para as sustentar, outras foram encontradas abandonadas na rua, outras são órfãs da SIDA. Num país onde a esperança média de vida ronda os 41 anos, a pobreza extrema é uma realidade muito presente com 70% da população a viver abaixo do limiar da pobreza e em que a percentagem de pessoas infectadas com o vírus da SIDA varia entre 18 e 27 %, é inevitável que o número de crianças órfãs cresça a cada dia.

Há várias instituições portuguesas (www.umpequenogesto.org), a actuar em Moçambique com o objectivo de promover a melhoria das condições de vida de crianças desfavorecidas e suas famílias. Através de projectos de apadrinhamento, onde se liga uma criança Moçambicana a um padrinho/madrinha Português, é possível ajudar nos gastos com a alimentação, vestuário, transporte, medicamentos e despesas hospitalares das crianças. Mais do que uma ajuda financeira, todos os padrinhos são incentivados a entrar em contacto com os seus afilhados, a estabelecerem uma relação. Para além de alimento, estas crianças estão sedentas de carinho e atenção.

E porque tivemos o privilégio de nascer e não aqui, porque tivemos oportunidades que nenhum deles nunca terá, porque podemos ajudar e acima de tudo porque...


 

 

...com um pequeno gesto podemos proporcionar um GRANDE sorriso!

As crianças agradecem:

 

 

 

Kanimambo, Obrigado!”

 

 

 

 

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Os contactos continuam a aparecer na TV...

Que melhor maneira de terminar este ano de 2009 com boas novas dos contacteantes espaçhados pelo mundo.

Ana Amial, contacteante da edição C12 dá uma entrevista à televisão moçambicana sobre as marcas moçambicanas integrada num programa televisivo com o mesmo nome.

 

A VER!

 

 

 

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Um olhar sobre Moçambique

Cristiana Santos | C13
 
Companhia Agrícola João Ferreira dos Santos
Ilha de Moçambique | Moçambique
 
 
Chegada a Nampula e ida para a Ilha de Moçambique
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ilha de Moçambique
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fazenda Muchelia (local de trabalho)
 
 
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Um estágio na área da Medicina Veterinária em Moçambique (O Primeiro)

Cristiana Santos | C13

Companhia Agrícola João Ferreira dos Santos

Ilha de Moçambique | Moçambique

 

Meses após o início desta edição do Programa INOV Contacto tive a confirmação de que o meu estágio foi mesmo o primeiro na área da Medicina Veterinária. Agradeço a oportunidade e espero contribuir da melhor forma.

 

O estágio está a decorrer na Ilha de Moçambique (província de Nampula), numa exploração com cerca de 2000 cabeças de bovinos de carne das raças Afrikander, Landim e Brahaman, onde os acessos e comunicação nem sempre são fáceis.

Num país em que a distribuição diária de água e electricidade ainda não é constante (sobretudo na região norte) naturalmente que esse facto terá consequências directas nas condições de trabalho, nomeadamente a nível higiénico-sanitário, principalmente quando o local de trabalho é no campo, fora de grandes centros, e se lida com animais.

Além das claras diferenças sanitárias entre Portugal e Moçambique as principais diferenças encontradas nas condições de trabalho estão relacionadas com as instalações e material de protecção individual que a profissão nos exige.

Como exemplo de instalações podemos fazer referência ao “matadouro” que existe na exploração, onde se procede ao abate e desmancha de animais para posterior transporte e comercialização de carne. Em Portugal o abate de animais nas explorações não é permitido, sendo estes abatidos em matadouros independentes mais próximos das respectivas explorações, com as condições higiénico-sanitárias e instalações adequadas e o pessoal que aí trabalha usa todo o material de protecção individual (vestuário próprio, galochas, luvas, óculos de protecção). Neste ponto Moçambique tem ainda um longo caminho a percorrer, que terá forçosamente que passar pela formação e sensibilização dos trabalhadores desta área, nomeadamente no que diz respeito às zoonoses (doenças transmitidas pelos animais ao Homem).

Os troncos de contenção também ainda não constituem uma realidade em Moçambique. Nesses troncos são realizadas todas as práticas veterinárias (p. ex. tratamentos clínicos, profilaxia médica e sanitária, maneio reprodutivo) onde o animal é colocado individualmente e imobilizado, pelo que estas estruturas constituem a segurança do veterinário e dos demais trabalhadores pecuários além do bem-estar animal.

Relativamente aos programas sanitários que visam a erradicação de um conjunto de doenças (há algumas variações entre os dois países, pois têm climas diferentes e consequentemente microrganismos causadores de doenças diversos) e são condição indispensável para que um país adquira o estatuto de indemnidade e, consequentemente, possa realizar-se a livre circulação de animais e seus produtos, estes programas existem em Moçambique e são, assim como em Portugal, obrigatórios por lei, mas em Moçambique ainda são pouco praticados e solicitados por parte dos produtores aos Serviços Veterinários, assim como se verifica a inexistência de uma base de dados nacional e informatizada. Portanto, a este nível podemos também constatar uma grande distância entre os dois países, o que poderá dever-se ao facto de existir uma ineficiente fiscalização pecuária por parte das autoridades competentes em Moçambique.

Assim, as responsabilidades no sector agro-pecuário devem ser tripartidas entre os Criadores, o Estado e os próprios Médicos Veterinários. No entanto, torna-se por várias vezes evidente que aspectos políticos e económicos se sobrepõem a aspectos técnicos e científicos, devido provavelmente ao desajustamento que existe entre quem regulamenta e quem executa.

Convém salientar que, independentemente do país e natureza sócio-cultural da região, a correcta actuação do médico veterinário, enquanto profissional e Homem, deve basear-se na tentativa de melhorar a saúde e produção animal, de modo a contribuir para uma evolução sustentada da capacidade produtiva, tendo em consideração o respeito pelos animais, pela população humana no seu bem-estar, e pelo ambiente.

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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Relação Portugal-Moçambique

  Maria João de Almeida

 

 

  M&J Pestana

  Moçambique

 

 

 

Com um passado comum mas com tantas diferenças a todos os níveis, estes dois países lusófonos, vivem ainda algumas dificuldades relacionais devido a uma descolonização complicada.

 

Apesar de tudo, trinta e três anos depois da independência, ambas as partes encontram diversas razões para criar uma relação saudável de modo a ultrapassar as complicações históricas.

 

Após a descolonização, Moçambique passou por diversas dificuldades para conseguir ser um país independente. Fome, miséria, doenças e desemprego de grande parte da população foram algumas delas. Contudo, o povo moçambicano, com as suas características tão próprias, tão diferentes daquelas a que estamos habituados em Portugal e, de uma forma geral, na Europa, é um povo extremamente simpático e acolhedor. São pessoas humildes, por vezes até demasiado, talvez por ainda estar patente uma certa ideia de superioridade dos “brancos” na mentalidade de algumas pessoas. Esse aspecto é mais comum nas pessoas com menos formação e é realmente incómodo e aparentemente complicado de mudar.

 

Relativamente à cultura Pestana em Moçambique, posso dizer que, depois de ver como funciona um hotel do mesmo grupo em Portugal (Madeira), se verificam diferenças abismais. Os padrões de serviço são totalmente diferentes, assim como o ritmo de trabalho, o profissionalismo, as mentalidades, a extrema resistência à mudança, etc.

 

O Grupo Pestana é detentor de três unidades hoteleiras em Moçambique, nomeadamente em Inhaca, Bazaruto e em Maputo, onde decorre o meu estágio neste momento, no departamento de reservas.

Reparo diariamente que os hábitos e os métodos de trabalho são completamente distintos dos que se verificam em Portugal, como é o caso do cumprimento de horários. Alguém que entre às oito da manhã, às cinco da tarde, já está a sair, independentemente de terem ficado ou não coisas importantes por fazer. Outro exemplo é a falta de polivalência das pessoas, cada um tem a sua função, não existindo a preocupação de ajudar o colega caso seja necessário, mesmo que seja em prol de uma melhor prestação do serviço.

 

No caso de serviços como restaurante e bar, verifica-se uma grande lacuna em formação, os colaboradores não sabem bem o que devem fazer e muitas vezes nem sabem como falar com os clientes. Logística e coordenação são conceitos ainda pouco interiorizados, por exemplo as entradas vão para a mesa praticamente ao mesmo tempo que o prato principal. A simpatia, está sempre patente, mas eficiência é algo complicada. Se estas situações se verificam num hotel desta categoria penso não ser necessário mencionar como é nos restaurantes e bares da cidade de uma forma geral. É por estas razões que é tão importante que ambas as culturas percebam que temos muito a aprender uns com os outros.

 

Apesar de todos estes factores que apontei com um certo tom de crítica, a experiência tem sido fantástica. Com todos os constrangimentos de viver num país em que grande parte das pessoas que se vê na rua são tão pobres, que tentam vender tudo o que podem, insistindo tanto que levam as pessoas ao desespero, vencendo-as pelo cansaço; com todas as dificuldades em arranjar uma casa habitável, com condições mínimas e preços aceitáveis, posso dizer que a minha adaptação em Moçambique está a correr da melhor maneira possível.

 

Para além de tudo de fantástico que Moçambique possui, a comunidade portuguesa em Maputo é significativa, há ainda muitos ex-contacteantes que por cá ficaram, e que, obviamente, nos ajudam muito na nossa integração e contribuem para nos fazer sentir um pouco mais “em casa”.

 

Sim, apesar do pouco tempo que aqui passei, penso que posso dizer que me sinto “em casa”.

 

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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Por Moçambique tudo bem. E você?

    João Cordas   |    C12

 

M&J Pestana

Moçambique

 

 

África e Moçambique, designadamente, sempre ficaram nas mentes dos portugueses que por aqui passaram e se estabeleceram como um continente de magia e de sonho. Incluo-me nesse rol de gente. Dos que sonharam e variadíssimas vezes tentaram por os pés nesta terra. Ter sido galardoado com a etapa Moçambique na prossecução do Programa INOV Contacto edição 12, afigurava desde logo 8 meses de desafio e encanto no continente berço da humanidade.

 

Por Maputo me quedei. Cidade perdida no tempo onde praticamente tudo relembra presença portuguesa na então Lourenço Marques. Desde o traçado arquitectónico, aos monumentos ícones, até às comezinhas tampas de esgoto desta urbe do século XXI. Até a célebre “Cristal” se mantém maioritariamente frequentada por expatriados lusos em busca da saudade da gastronomia mediterrânica, restauração ancestral que Portugal tão bem põe em prática no dia-a-dia. Chegado que estou a este ponto, é chegada também a hora de falar sobre o desafio que por cá abracei - Pestana Carlton Rovuma.

 

Pestana Carlton Rovuma.

Parte integrante do maior grupo hoteleiro português e também símbolo da marca Pestana - por ter sido o primeiro a ser construído fora de Portugal – Neste hotel, foi-me proposta a concepção, implementação e monitorização de um Projecto de Higiene e Segurança Alimentar (vulgo HACCP) que se adaptasse não somente à realidade do hotel, mas também à forma intrínseca do ser africano que muitas vezes é desconhecedor e insensível a preocupações com a estruturação sistemática de procedimentos conducentes a um manuseamento e armazenamento dos alimentos de uma forma que seja a apropriada.

 

A postura relaxada e descomplexada relativamente à vida e a um quotidiano geralmente difícil e cheio de obstáculos, são traços culturalmente imbuídos nas gentes desta região do mundo, mas que, quando aplicados a uma cozinha, têm resultados que não são os melhores. Esse, foi então, o papel que me coube nestes primeiros tempos. Tentar mudar comportamentos e práticas que há muito se haviam enraizado e implementar processos.

 

Um desafio? Sim, acrescentando muito arregaçar de mangas, muito ensinar pelo exemplo e alguma impaciência e incompreensão resultante do facto de ser europeu e estar carregado de preconceitos e estereótipos quanto ao modo de agir e estar no local de trabalho. Adaptabilidade é então palavra de uso corrente no meu léxico de actuação diário.

 

Contribuir para a melhoria do Room Service, dos Menus disponíveis aos clientes nos outlets do hotel e colaborar no departamento de Reservas, serão as fases seguintes dos quase 6 meses e meio que ainda faltam percorrer desta so far so good experience em terras de África.

 

Creio que devo referir, tendo sempre como ponto de partida o que experimentei até à data, que na perspectiva da indústria hotelaria, o ser membro receptor de estagiários INOV em qualquer país africano é indubitavelmente um valor que acresce aos quadros locais não só pelo dinamismo que pessoas jovens, motivadas e com formação na área trazem mas também pelo efeito multiplicador que dai poderá advir da aprendizagem mútua que uns e outros recolhem desse contacto. Há também que partir do pressuposto que o nível de formação em hotelaria é baixo, designadamente em Moçambique. São comuns os casos de indivíduos que, a título de exemplo, de uma vida militar, mudam para a hoteleira, sem algum tipo de formação senão aquele que o dia a dia lhes transmitiu. Formação de quadros é condição sine qua non, para o desenvolvimento desta economia nos seus mais variadíssimos níveis, pois no dia-a-dia é notória a falta de preparação no desempenhar de determinados cargos.

 

Contudo, entendo ainda, constituir-se este pais como terreno de grandes transformações, mormente económicas, num futuro não muito distante e caberá a Portugal posicionar-se como parceiro privilegiado nesse contexto (a sinónimo do que tem acontecido ao longo dos últimos anos com Angola). Aqui tudo é possível, porque muito está por fazer. Será necessário burilar continuadamente este diamante da África Austral que muita riqueza natural e paisagística tem a oferecer àqueles que visitantes ou investidores por cá decidam ficar. Entusiasmo constante e força de vontade inabalável, são essenciais para ultrapassar as dificuldades e singrar num continente que tem tudo para ser agraciado por Deus, mas que lamentavelmente não o tem sido, mas será um dia!

 

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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

O Padrinho Contacto

 

 

   Ana Amial  |  C12

 

Mota Engil

Moçambique

 

 

 

Estou em Maputo há um pouco mais de um mês e já posso dizer que o fascínio pelo país cresce à medida que os dias passam. As diferenças entre a Europa que conheço e a África que vou descobrindo todos os dias são enormes. A aprendizagem de uma nova cultura ganha aqui novos contornos, pois tudo se faz e tudo acontece de forma diferente e tudo que até agora era dado como básico e assegurado deixa de o ser e é visto com outros olhos.

 

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, onde 70% da população vive abaixo do limiar da pobreza e a esperança média de vida ronda os 30 anos. Uma em cada 7 pessoas está infectada com o vírus HIV/SIDA, num total bem perto de 1,3 milhões de pessoas, em grande parte devido ao facto de a sociedade moçambicana ser predominantemente polígama.

 

Num país onde a educação é extremamente deficitária e, consequentemente, o analfabetismo é muito elevado, a informação sobre o HIV/SIDA é constantemente deturpada e os cuidados com a saúde são praticamente nulos. É neste contexto que o número de crianças órfãs atinge o meio milhão.

 

Quando nos deparamos com este cenário, é impossível não pensar no que nos é possível fazer para tentar ajudar, apesar de toda a ajuda que pudermos dar, ser, com toda a certeza uma “gota no oceano”. Foi com este espírito que eu e os meus colegas contacteantes tomamos a iniciativa de, em conjunto com a organização Um Pequeno Gesto, Uma Grande Ajuda, apadrinharmos seis crianças de Xai-Xai num projecto chamado “A Escolinha do André”. Esta é uma organização não governamental com uma equipa de voluntários muito reduzida, tendo apenas um representante em Maputo, que faz o que pode no pouco tempo livre que tem. A Escolinha do André é uma escola completamente gratuita para “meninos da rua”, desde a pré-escola até à 5ª classe.

 

Como já referi, estou em Moçambique há pouco mais de um mês e já posso dizer que esta é e será a experiência mais enriquecedora, acima de tudo uma experiência de vida.

 

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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Maningue nice

  

 Goran Lima  |  C12

 

B.A.D.

Moçambique

 

 

 

 

 

Moçambique é maningue nice, isto é, muito bom! Fica no entanto a dúvida…

 

Desde os anos 90, Moçambique tem vivido uma certa estabilidade, o que lhe permitiu atingir progressos notáveis. Nestes últimos anos, o crescimento do PIB, tem se cifrado por volta dos 8%. O Governo tem vindo a efectuar diversas reformas no sector público e tem conseguido alcançar estabilidade macro económica e a inflação tem estado sob controlo.

Um dos grandes problemas dos estados africanos tem sido o endividamento, o qual Moçambique tem mantido em níveis aceitáveis. Moçambique é um caso de sucesso entre a comunidade internacional, estando este quadro de estabilidade e crescimento bem patente nos relatórios de vários organismos internacionais.

 

Associado a este quadro optimista, temos todo um país com as suas potencialidades naturais e de localização geográfica. Em termos de recursos naturais, as potencialidades  de Moçambique passam pelos recursos hídricos, minerais e marinhos, assim como a terra.

A terra é algo pouco aproveitado, só 10% da terra arável está sendo explorada. Existem muitas oportunidades na produção de novas culturas, como o tabaco, milho, algodão, cana de açúcar, chá, arroz, frutos tropicais e bio-combustiveis. Moçambique pode se tornar um produtor agrícola mundial.    

Moçambique tem grandes potencialidades para produzir energia hídrica, sendo a barragem de Cahora Bassa, um bom exemplo disso. Esta energia pode ser exportada com a maior facilidade para os países vizinhos. A localização geográfica privilegiada de Moçambique pode fazer deste, um importante Hub. Não nos podemos esquecer que é vizinho de uma das mais fortes economias do continente africano, a África do Sul.

Existem outras oportunidades, principalmente na área do turismo, transportes, e na exploração de recursos naturais.

Na área do Turismo existem grandes oportunidades para o desenvolvimento de complexos turísticos. O clima, as condições politicas e naturais permitem que Moçambique se torne um destino preferencial. Existem já diversas escolas de formação que podem colmatar a falta de mão de obra com alguma especialização.

Quanto aos transportes, todo um network está em construção. Desde a rede viária à ferroviária. Como foi dito anteriormente, Moçambique pode ser um importante Hub, sendo um ponto de acesso ao mar por alguns países.

Grandes projectos na área dos recursos minerais estão a ser desenvolvidos, sendo Moçambique rico em minério de ferro, gás natural, petróleo (prospecção na bacia do Rovuma) e metais preciosos.

Infelizmente nem tudo é maningue nice... existem alguns constrangimentos, fraquezas de um país em reconstrução. Moçambique é um país com um mercado pequeno, em que os seus habitantes tem baixo poder de compra. A fraca qualidade dos recursos humanos é uma realidade, associado a uma lei laboral demasiadamente rígida. O custo de financiamento é alto, desincentivando o investimento. O tempo de registo e os impostos associados as empresas são também um factor de desincentivo.  A SIDA é também uma fraqueza e flagelo em Moçambique. 

Apesar destes constrangimentos, Moçambique é um lugar que as empresas portuguesas devem apostar, quer pela afinidade cultural que existem entre os dois países, quer pelos recursos naturais disponíveis, e pela localização geográfica favorável.

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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

O privilégio.

  

Marta Rodrigues  

Fundação Aga Khan 

Pemba, Moçambique.

 

________________________________

 

Acabada de regressar a Portugal, sentei-me à secretária, de lápis em punho, decidida a escrever em 600 palavras um artigo sobre a minha experiência enquanto “contacteante”. Comecei por pensar no que seria relevante partilhar com os leitores, revi mentalmente as regras de escrita jornalística e assumi-me incapaz de responder às perguntas do LEAD, ser objectiva e elaborar um texto de forma coerente.

 

Talvez porque acabei de chegar e ainda me sinto como se estivesse num “limbo”, de corpo em Portugal mas com o coração e a mente algures na savana africana.

 

"Quem?": Uma jovem portuguesa de 26 anos.

"Quando?": De Fevereiro a Novembro de 2007.

“Onde?”: Pemba, Província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique.

“O quê?”: Um estágio num Programa de Desenvolvimento Rural da Fundação Aga Khan ou a experiência de uma vida.

 

Integrei um projecto cujo objectivo é fortalecer as iniciativas de pequenos empreendedores e estive envolvida na mobilização comunitária e capacitação de grupos de artesãos, ao nível da sua organização interna e capacidade de gestão, do desenvolvimento de produto, e do estabelecimento de links de mercado, visando a geração de rendimento e a consequente melhoria das suas condições de vida.

 

“Como foi?” O meu contacto foi…

 

Foi sentir o pulsar da Mãe Natureza… absorver com a alma mais do que os olhos podem alcançar... e o que as palavras jamais poderão descrever!

Foi ter o privilégio de viver numa das mais belas praias do mundo, banhar-me nas águas quentes do Índico, adormecer ao som das ondas e acordar ouvindo os pescadores regressar do mar!

Foi entregar-me aos ritmos, deslumbrar-me com as cores e extasiar-me com os odores do velho continente africano… apreender sensações… aprender com elas… descobrir-me nelas…

Foi aprender a esperar!

 

Mas também foi…

 

Adaptar-me aos constrangimentos de um país de uma democracia ainda frágil onde os efeitos da(s) guerras(s) se fazem sentir em cada olhar, em cada passo… em cada mão estendida, em cada polícia que nos pede “refresco”, em cada criança a quem a infância foi roubada, ou a quem nem sequer foi permitido ser criança…

 

Foi passar horas sem energia eléctrica, dias sem acesso à Internet, semanas sem iogurtes ou gás…

 

Foi percorrer km em 4x4… horas desconfortáveis de viagem para trabalhar nas aldeias mais remotas da Província de Cabo Delgado, a mais pobre do país. Chegar com a certeza de que os ossos saíram do sítio, entregar-me ao cansaço e dormir profundamente tendo o céu como tecto, espantando os receios das cobras, dos leões e dos elefantes…

 

Foi conviver com o medo da malária e fazer do repelente de insectos um acessório inseparável, ao lado do canivete suíço, dos toalhetes húmidos e da máquina fotográfica, elementos essenciais do meu kit de viagem!

 

Foi questionar… questionar-me! Pôr em causa o impacto do meu trabalho, ficar feliz com pequenas conquistas, perceber que os resultados só são visíveis no longo prazo e gerir as frustrações e dilemas inerentes a quem trabalha em Desenvolvimento: Valerá a pena? Estou a fazer a diferença? Mas que diferença?!

 

Foi aprender que saber esperar (sem desesperar) é uma virtude! Sorrir e encolher os ombros perante o já esperado “há-de vir”! Ajustar-me a um conceito de tempo baseado numa cultura de curto prazo, mas também incorporar noções diferentes de espaço e até de estética (em que outra parte do mundo um régulo – chefe da aldeia – me pediria em casamento, convicto de que as minhas ancas fazem magia?!)!

 

Foi perceber que os melhores sistemas e os mais elaborados planos de trabalho às vezes simplesmente não funcionam!

 

Foi trabalhar e viver em comunidades rurais, muçulmanas, poligâmicas e ter que superar a barreira de ser mulher, de ser solteira, de ser branca! Adaptar-me ao calendário muçulmano e respeitar o Ramadão. Inteirar-me sobre os mitos animistas, perceber as tradições, respeitar as crenças…

Foi inovar formas de comunicação, rascunhando na areia, adaptando o vocabulário, brincando com o sotaque… Atentar nos rostos buscando expressões que confirmem a recepção das mensagens…

Descobrir que “xiiiiiiiii” é não e que “eh” é sim e concluir que afinal, onde quer que estejamos, um sorriso vale mais que mil palavras!

 

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Janela Moçambicana

   Leonor Ribeiro, Grupo Pestana, Maputo, Moçambique.
O sol nasce sempre cedo, levanta-se e deita-se primeiro do que qualquer pé descalço. Ilumina as ruas sujas, reflectindo-se, de quando em vez, nos estilhaços de vidro (provocados pelas explosões no Paiol) que permanecem e permanecerão – processo de recolha de lixo ainda muito arcaico – nos passeios esburacados. As bancas de fruta começam a surgir e o movimento acorda os poucos que ainda dormem... Casas herdadas da colonização – verdadeiros monumentos dignos de qualquer objectiva –, enfeitam a imagem de cidade ditada ao abandono. Os prédios, na sua maioria antigos, traçam um cenário dantesco. Num contraste forte com o cimento surgem as acácias carregadas de pequenas flores vermelhas, pintando a cidade com um tom vermelho e verde alegre.
Os dentes brancos agitam-se pela cidade em envergonhados sorrisos, como quem pede 5 meticais para o Chapa (meio de transporte utilizado pela comunidade mais desfavorecida e por algum aventureiro de mochila às costas). As capulanas (tecido típico, utilizado para fazer vestuário), balançadas pelo vento, prendem a atenção dos recém chegados à antiga Lourenço Marques...
(...) Fecho a janela, olho para o meu relógio – ainda com tic-tac europeu – visto uma roupa importada e vou trabalhar.
publicado por visaocontacto às 13:14
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