Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Por Moçambique tudo bem. E você?

    João Cordas   |    C12

 

M&J Pestana

Moçambique

 

 

África e Moçambique, designadamente, sempre ficaram nas mentes dos portugueses que por aqui passaram e se estabeleceram como um continente de magia e de sonho. Incluo-me nesse rol de gente. Dos que sonharam e variadíssimas vezes tentaram por os pés nesta terra. Ter sido galardoado com a etapa Moçambique na prossecução do Programa INOV Contacto edição 12, afigurava desde logo 8 meses de desafio e encanto no continente berço da humanidade.

 

Por Maputo me quedei. Cidade perdida no tempo onde praticamente tudo relembra presença portuguesa na então Lourenço Marques. Desde o traçado arquitectónico, aos monumentos ícones, até às comezinhas tampas de esgoto desta urbe do século XXI. Até a célebre “Cristal” se mantém maioritariamente frequentada por expatriados lusos em busca da saudade da gastronomia mediterrânica, restauração ancestral que Portugal tão bem põe em prática no dia-a-dia. Chegado que estou a este ponto, é chegada também a hora de falar sobre o desafio que por cá abracei - Pestana Carlton Rovuma.

 

Pestana Carlton Rovuma.

Parte integrante do maior grupo hoteleiro português e também símbolo da marca Pestana - por ter sido o primeiro a ser construído fora de Portugal – Neste hotel, foi-me proposta a concepção, implementação e monitorização de um Projecto de Higiene e Segurança Alimentar (vulgo HACCP) que se adaptasse não somente à realidade do hotel, mas também à forma intrínseca do ser africano que muitas vezes é desconhecedor e insensível a preocupações com a estruturação sistemática de procedimentos conducentes a um manuseamento e armazenamento dos alimentos de uma forma que seja a apropriada.

 

A postura relaxada e descomplexada relativamente à vida e a um quotidiano geralmente difícil e cheio de obstáculos, são traços culturalmente imbuídos nas gentes desta região do mundo, mas que, quando aplicados a uma cozinha, têm resultados que não são os melhores. Esse, foi então, o papel que me coube nestes primeiros tempos. Tentar mudar comportamentos e práticas que há muito se haviam enraizado e implementar processos.

 

Um desafio? Sim, acrescentando muito arregaçar de mangas, muito ensinar pelo exemplo e alguma impaciência e incompreensão resultante do facto de ser europeu e estar carregado de preconceitos e estereótipos quanto ao modo de agir e estar no local de trabalho. Adaptabilidade é então palavra de uso corrente no meu léxico de actuação diário.

 

Contribuir para a melhoria do Room Service, dos Menus disponíveis aos clientes nos outlets do hotel e colaborar no departamento de Reservas, serão as fases seguintes dos quase 6 meses e meio que ainda faltam percorrer desta so far so good experience em terras de África.

 

Creio que devo referir, tendo sempre como ponto de partida o que experimentei até à data, que na perspectiva da indústria hotelaria, o ser membro receptor de estagiários INOV em qualquer país africano é indubitavelmente um valor que acresce aos quadros locais não só pelo dinamismo que pessoas jovens, motivadas e com formação na área trazem mas também pelo efeito multiplicador que dai poderá advir da aprendizagem mútua que uns e outros recolhem desse contacto. Há também que partir do pressuposto que o nível de formação em hotelaria é baixo, designadamente em Moçambique. São comuns os casos de indivíduos que, a título de exemplo, de uma vida militar, mudam para a hoteleira, sem algum tipo de formação senão aquele que o dia a dia lhes transmitiu. Formação de quadros é condição sine qua non, para o desenvolvimento desta economia nos seus mais variadíssimos níveis, pois no dia-a-dia é notória a falta de preparação no desempenhar de determinados cargos.

 

Contudo, entendo ainda, constituir-se este pais como terreno de grandes transformações, mormente económicas, num futuro não muito distante e caberá a Portugal posicionar-se como parceiro privilegiado nesse contexto (a sinónimo do que tem acontecido ao longo dos últimos anos com Angola). Aqui tudo é possível, porque muito está por fazer. Será necessário burilar continuadamente este diamante da África Austral que muita riqueza natural e paisagística tem a oferecer àqueles que visitantes ou investidores por cá decidam ficar. Entusiasmo constante e força de vontade inabalável, são essenciais para ultrapassar as dificuldades e singrar num continente que tem tudo para ser agraciado por Deus, mas que lamentavelmente não o tem sido, mas será um dia!

 

publicado por visaocontacto às 09:00
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Rascunhos de Cabo Verde

   Maria Costa, Grupo Pestana, Cidade da Praia, Cabo Verde.
“Se não fores não chegas a voltar”, diz-nos a cidade da Praia assim que saímos do aeroporto e começamos a aventura de viver em Cabo Verde durante nove meses. Há medida que avançamos, as construções começam a surgir, primeiro esparsamente, e depois surge explosivamente o aglomerado que nos faz perceber que há um grande abismo entre a imagem projectada e a realidade. Antes de viajar, já sabia que o país era pobre e tinha carências básicas mas esperava uma paisagem, ainda que simples, bonita, feita de palmeiras e pequenas enseadas de água cristalina e areias brancas. A realidade da cidade da Praia é bem diferente e a minha paisagem idealizada afinal existe mas está na ilha da Boavista, do Maio ou do Sal.
               
À medida que os dias passam, os olhos educam-se e o abismo que se sente no primeiro dia dá lugar ao hábito mas ainda hoje a indiferença não consegue ganhar lugar. Os passeios pela ilha permitem ver um Santiago diferente daquele que a cidade da Praia transmite, com paisagens verdes e vales lindíssimos enquanto que o contacto com os Cabo-Verdianos dá a conhecer uma cultura onde o fundamental é aproveitar o dia de hoje e deixar as coisas acontecerem sem grandes preocupações.
 
Trabalho no Pestana Trópico que me recebe sempre de braços abertos seja para trabalhar, conviver, socializar pois, para além de um Hotel, é também factor de união e de encontro, onde sabemos encontrar sempre um rosto conhecido. As pessoas são simpáticas e afáveis e o trabalho desenvolve-se ao ritmo lento e lânguido dos Cabo-Verdianos.
A realidade da ilha não entusiasma o Turismo de Lazer, que vai aparecendo timidamente, mas que não se consegue desenvolver pois não estão criadas condições para tal. Neste aspecto, a Ilha do Sal é, sem dúvida, a mais preparada para o fazer, pois tem disponíveis os serviços que um turista de lazer procura e precisa. Aqui, trabalha-se sobretudo com Turismo de Negócios, pessoas que transitam continua e repetidamente entre este Pais e os seus de origem, por motivos de negócios, ligados a empresas, organizações não governamentais, embaixadas e cooperações internacionais.
 
Estar em Cabo Verde e trabalhar no Pestana Trópico tem-me proporcionado o privilégio de contactar com pessoas, sempre em trânsito, que não hesitam em desabafar sobre as realidades que vêem e os países que conhecem, ao mesmo tempo que me dá a conhecer a cultura, os hábitos de trabalho deste povo e deste País.
publicado por visaocontacto às 13:00
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