Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Um briefing sobre a Roménia

Filipa Maldonado Reis  |  C12

 

Consulgal

Roménia

 

Para quem se lembra do passado ainda recente da Roménia, à data em que integrava o chamado Bloco de Leste e também o Pacto de Varsóvia, liderados pela antiga URSS, a Roménia é surpreendentemente um país com um enorme potencial de desenvolvimento económico.

Efectivamente, o regime comunista então existente, liderado de modo soberano pelo ditador Nicolae Ceauşescu, enquadrava um país pobre e sem empreendedorismo.

Com a desagregação da URSS e consequentemente com a falta do poderoso apoio por esta dada a Ceausescu, o regime absoluto romeno fragilizou-se e o ditador acabaria por ser condenado à morte e executado em 1989.

Desde então, pese embora os avanços e recuos que seguiram, muito fruto do vazio de Poder e das lutas que se seguiram à morte do ditador, com muitos avanços e recuos, a Roménia iniciou um processo de estabilização no sentido de uma democratização morosa. Para isto contribuiu muito o esforço feito para entrar na União Europeia, o que conseguiu em 2007, ano em que uma das suas principais cidades, Sibiu, foi Capital Europeia da Cultura.

Assim, nos últimos anos o desenvolvimento do país tem sido significativo. Apesar dos ainda existentes problemas de corrupção, falta de transparência no sector público e fraca competitividade económica, a Roménia possui uma grande diversidade territorial com grandes capacidades agrícolas e turísticas. No entanto, para o desenvolvimento destas capacidades nos sectores primário e terciário e futuramente para o desenvolvimento de indústrias do sector secundário e de mais áreas do sector terciário, são fundamentais boas redes de rodovias, de ferrovias e de telecomunicações que, de modo fácil e expedito, ligue o país entre si e ao exterior. Bem como, um ordenamento territorial adequado a nível rural e urbano, boas edificações e sistemas de saneamento.

Deste modo, creio que as prioridades passarão certamente pela construção de estradas funcionais (nomeada­mente auto-estradas), por um sistema de transporte ferroviário eficaz, pela implantação de redes telefónicas eficazes, por boas cadeias de distribuição, pela aposta na melhoria construtiva de edificações, pela urgente melhoria do sistema de saneamento básico e pela requalificação de parte do território que permanece pouco cuidado desde 1989.

Naturalmente que estas prioridades são também oportunidades de negócio que, com a entrada na União Europeia e o vagaroso melhor funcionamento das estruturas governa­mentais, nomeadamente em termos burocráticos e de combate à corrupção, têm vindo a diminuir de risco.

Neste momento, a presença portuguesa, começa a ter expressão significativa no sector de construção civil. Empresas como a Consulgal, Mota-Engil, Soares da Costa e Lena Construções já estão a actuar em território romeno, com resultados interessantes. No entanto, há ainda um leque enorme de oportunidades para as empresas portuguesas, nomeadamente nas referidas áreas de construção civil, saneamento básico, telecomuni­cações e distribuição. A oferta de empresas romenas que satisfaçam as necessidades do país é escassa, pelo que este é o momento ideal para a internacionalização das nossas empresas na Roménia.

Paralelamente, existe um vasto mercado de turismo de natureza por explorar. A Roménia tem todas as condições para ser um dos destinos de eleição dos turistas apaixonados pela natureza, à semelhança do que já acontece em países da antiga Jugoslávia e que lhe estão relativamente próximos, como a Eslovénia ou Croácia. A Roménia tem tudo o que é necessário para um desenvolvimento turístico com sucesso: Mar, Rio, Floresta e Montanha. Assim, também este poderá ser um sector a ser desenvolvido por empresas portuguesas, tendo a vantagem de toda a parte de operacionalização poder ser feita a partir de Portugal, designadamente através de Agências de Turismo que organizem viagens a partir de Portugal para diferentes destinos da Roménia.

Em síntese, a Roménia constitui um país com grande margem de oportunidade nos sectores de construção, saneamento básico, telecomunicações, distribuição e turismo. Poderemos ainda acrescentar que a cultura latina da Roménia poderá ser um factor altamente favorável à presença de empresas portuguesas neste país, bem como a sua recente adesão à União Europeia e OTAN e a presumível entrada na Zona Euro.

 

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Sábado, 11 de Outubro de 2008

Romanian Waste Management Business

 

Joana Monteiro da Silva   |   C12

 

Sierra Corporate Services

Roménia

 

 

 

Waste is generated by almost all economic activities: extraction of resources, production and manufacturing activities, distribution and transport, consumption or even management of the waste itself. Waste generation and disposal represent a loss of natural resources and off-course loss of money. In recent years, waste has increasingly been seen not only as an environmental problem, but as a potential economic resource whose recovery can bring significant economic benefits. This paradigm change is partly driven by the European legislation and partly by market forces. In Romania, the companies are starting to realize that waste is a valuable resource and the “waste management business” will be a new and very profitable opportunity for all.

In Romania, during the communist regime (1947 – 1989) was generated large amounts of waste but these failed to be managed in an appropriate manner. Significant amounts of radioactive waste, chemical weapons, toxic missile fuel and other hazardous waste were stored in mines and at industrial and military facilities. Almost all municipal waste was disposed in city dumps which lacked basic sanitary and environmental provisions. With the accession of Romania to the European Union (the 1st of January, 2007), the country implemented a number of reforms in order to adapt several European Directives and Decision into National legislation system, namely the Environmental “framework” of EU regulations.

Although some steps are being made for improving waste management in Romania, the situation is far from European standards. The amount of municipal waste generated per person in Romania is around 400 kg per capita, lower than the EU-27 (500 kg per capita), although in the future this situation will change with the increasing share of plastic and packaging waste. The collection of household waste is not generalized at country level. In 2005, the municipal councils and the sanitation operators have collected household waste from 83.1% of the urban area population and 11.79% from the rural area population, that is, at a national level, an average of 49.85%. In Romania, depositing represents the main option of municipal waste disposal and there aren’t any incinerators for thermal treatment of municipal solid waste. At the end of 2006, 243 dumps functioned for municipal waste, out of which:

·          20 waste dumps (landfill) in compliance with Directive no. 1999/31/CE;

·          223 dumps not complying with Directive no. 1999/31/CE and these ones will suspend the disposal, by stages, until the 16th of July 2017.

The recycling rate is very low (20%). The separated municipal waste collection in order to value the recyclable materials from the waste (paper, cardboard, glass, metal, plastic material), is not practiced very much. Due to the low percentage of selective collection of waste from the population, the recyclable components from the household waste (paper, cardboard, glass, plastic materials, metals) aren´t recover, losing the value of the materials.

The activity of some recycling companies that slowly started to exist on the Romanian market has registered considerable growths recently, due to the closing of the illegal dumps, the great demand coming from the iron and steel plants. The raising of prices on raw materials and the fact that European Union legislation imposes some standards of quantities of the materials that should be recycled by each inhabitant, also contribute to an increasing number of companies in the market.

Waste recovering and recycling, of any origin, represent one of the most important activities for the world’s economy, taking into consideration the more and more obvious diminishing aspect of the natural resources of raw materials. The Romanian market is not an exception and the investors have discovered not only that waste should not be thrown out, but they could also make good money out of it.

 

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Domingo, 5 de Outubro de 2008

Portugal na Roménia

Mauro Sá

 

 

Mota Engil

Roménia

 

 

A presença portuguesa na Roménia faz-se sentir de uma forma ligeira uma vez que só recentemente este país conseguiu atrair a atenção dos investidores portugueses fruto de um grande programa de reformas estruturais e de estabilização macroeconómica iniciado em 1997. No entanto, consegue-se constatar a presença cultural, linguística, económica e social portuguesa em solo romeno.

 

A língua portuguesa está presente entre a população romena por razões diversas. A emigração de romenos para Portugal e que posteriormente retornam à Roménia, devido às substanciais melhorias económico-sociais deste país e às várias oportunidades de riqueza existentes, são um grande veículo de disseminação da língua e cultura portuguesa, uma vez que estes imigrantes romenos são em grande número. Outra razão é o próprio sistema de ensino que contempla a língua portuguesa como língua estrangeira ao dispor dos seus alunos em quatro universidades e três liceus e a escolha na aprendizagem da língua de Camões tem vindo a aumentar, associada à constante chegada de empresas portuguesas a este país, o que lhes proporciona uma vantagem no mercado de trabalho quando concorrem para empresas portuguesas.

 

Também existem entidades como o Centro da Língua Portuguesa, o Instituto Camões e a Embaixada de Portugal na Roménia, que promovem a imagem cultural de Portugal e a difusão da língua portuguesa através da realização periódica de eventos culturais como concertos, peças de teatro, exposições, cursos livres de língua portuguesa, seminários quer em universidades, quer em espaços abertos ao público em geral e, no futuro, a atribuição de bolsas a estudantes romenos de português. A título de exemplo de eventos culturais poderá ser a participação da cantora Mariza no festival multicultural de Timişoara e a semana gastronómica portuguesa em Bucareste.

 

Em termos empresariais, o número de empresas portuguesas que exploram oportunidades neste país e outras que deslocam parte ou toda a sua produção para a mesma, continua a aumentar ano após ano e abrangem diversos ramos de actividade desde a construção civil, tecnologias de informação passando pela banca até à indústria do calçado e têxtil.

As empresas portuguesas são atraídas pelo potencial de mercado (Taxa de crescimento real do PIB previsto para 2008 – 5,9%), mão-de-obra de baixo custo (Salário médio ronda os 360€), “Know-How”, elevadas qualificações e a localização central do país. Contudo, as empresas portuguesas ainda não têm um posicionamento relevante no mercado romeno devido à sua ainda recente implementação e pequena dimensão no país, o que faz com que ainda não tenham criado uma imagem de marca presente na população geral, no entanto, a qualidade e inovação dos seus produtos/serviços faz com que o seu reconhecimento e notoriedade tenham vindo a aumentar.

 

Assim, a presença portuguesa na Roménia ocorre de forma cada vez mais proeminente e é recebida com grande aceitação devido à boa imagem que o país e os portugueses gozam no estrangeiro.

 

A título final, uma curiosidade, o primeiro país que felicitou o povo português pelo 25 de Abril de 1974 reconhecendo o novo governo revolucionário foi a Roménia.

 

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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

O diário de Ana

 

Ana Portela  |  C12

 

Critical Software

Roménia

 

 

 

 

“Ana Portela, Critical Software, Roménia! “ Estas foram as primeiras palavras da minha aventura Contacto.

A surpresa assombrou-me, e não sabia se estava feliz ou triste, chorei, ri, resignei-me e pulei de alegria.

 

Uma semana depois...os primeiro contacto com a empresa, uma entrevista pessoal na sede da Critical Software SRL em Coimbra – A impressão não poderia ter sido melhor! No final da entrevista senti-me orgulhosa, e privilegiada por ter sido escolhida para pertencer à comunidade Critical, foi nesse momento que “vesti a camisola” e decidi adr o meu melhor para poder superar todas as expectativas postas em mim.

 

Após um mês de formação multidisciplinar (Recursos Humanos, Desenvolvimento de Negócio e Marketing) em Coimbra, chegou a altura de levantar voo e colocar todos os conhecimentos em prática… mas na Roménia!

 

A Critical Software SRL tem um ano de existência e conta com 17 colaboradores. Fui acolhida de braços abertos pela equipa romena, senti-me em casa!

 

São diversas as tarefas que desempenho na Critical Software SRL.:

 

Sendo a minha formação base em Marketing, aceitei o desafio do Departamento de Recursos Humanos, pois considero esta área fundamental para construir o marketing da empresa, uma vez que é imprescindível para qualquer empresa manter uma boa comunicação interna para que isso se reflicta no produto final e na comunicação com o cliente.

 

Neste departamento sou responsável pelo recrutamento e selecção dos candidatos, assim como pelo bom ambiente e uma boa comunicação entre os activos da empresa, com a finalidade de criar uma equipa forte. E como a Critical Software existe para fazer os colaboradores felizes, gostamos de desenvolver actividades em família. Desta forma, implementei o “Wednesday Movie Night”, onde todos os colaboradores levam a família e os amigos ao cinema. Colaboradores motivados e respectivas famílias felizes, é importante para que haja um ambiente de trabalho harmonioso e para que a criatividade não seja limitada. Está também a ser desenhado um plano de Marketing de intervenção na Roménia. Marketing apesar de ser uma palavra internacional, ainda não tem grande relevo na Roménia.

 

Aqui o Cliente só tem razão no Mc Donald’s… Já é um começo, mas ainda há muito para fazer nesta área, quer na ênfase a dar ao cliente, como na criação de valor acrescentado ao produto. E é para isso que aqui estou, para fazer face a esse desafio.

 

Um dos objectivos do plano de marketing que estamos a construir será, a médio prazo, tornar a Critical Software SRL líder do mercado de software na Roménia, pois temos um excelente background trazido de Portugal, este facto aliado à construção de uma equipa jovem, criativa e com vontade de crescer com a empresa.

 

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Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Porque somos Latinos

   Luísa São Marcos

 

   SonaeSierra  |  Bucareste  |  Roménia  |  C11

 

O povo romeno, apesar das misturas de povos que fazem a sua história, faz questão e orgulha-se em ser latino. Confesso que tenho de concordar com eles. Capazes do melhor e do pior, emotivos, fiteiros, desorganizados, burocráticos e barulhentos, assim são estes latinos.

Como portuguesa, foi mais fácil conviver com esta forma de estar, no entanto é daqui que decorrem as inúmeras histórias que vivemos ou ouvimos ao longo destes 8 meses.

O taxista, no desempenho das suas funções, pode ser um belíssimo exemplo do que é ser-se romeno. Há um mundo de experiências a viver quando nos relacionamos com o senhor do carro amarelo trespassado de uma faixa de quadrados pretos e brancos. Ser-se expulsa do carro porque o destino não é o mais favorável. Quilómetros após quilómetros em contra-mão sempre com vista à “mais rápida” satisfação do cliente ou o também sempre em prol do cliente, “vai de metro que chegas lá em 15 minutos” são apenas uma pequena amostra do que muito me aconteceu.

 

Um outro assunto fértil em boas histórias é um jantar. Para um estrangeiro, as consequências da simples decisão não planeada de “ir jantar fora”, podem ser graves. Se os romenos são desorganizados, não será por falta de empenho. O sistema de reservas num restaurante é levado a sério e portanto, ainda que se encontre vazio, na ausência da devida reserva o melhor é tentar noutros locais menos persistentes na busca de organização e mais condescendentes com a desorganização estrangeira. Também cada função é levada com muita seriedade. Na prossecução da especialização, cada um só faz aquilo em que é melhor. Há o romeno que nos leva à mesa. Há o romeno que trata de registar os pedidos da zona A, B ou C, há o romeno que faz a entrega dos pratos e, no final, o romeno que traz a conta, ainda que nem sempre feita com rigor. No entanto, ainda não foi encontrado o romeno perfeito para trazer o troco ao cliente no montante correcto.

 

Mas, como disse, são também capazes dos melhores gestos. Vários foram os momentos em que me fizeram gostar de os conhecer e de viver neste país. Um “eu levo-te lá” como resposta a um pedido de indicações. Um afago a um cão vádio. Um “este fim de semana tens de vir conhecer a minha terra”. Um ramo de flores só porque sim. Ou uma simples conversa com um desconhecido que se interessa por mim e pelo meu país foram alguns dos momentos que me fizeram gostar de conviver com este povo. Acho que só porque somos latinos é que nos entendemos tão bem.

 

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Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Contacto Romeno

   Gisela Morais - Consulgal, Bucareste - Roménia.

 

 

Quando se concorre ao programa INOV Contacto cada um tem o seu objectivo. Uma mudança na vida profissional, a oportunidade de conhecer outras realidades ou tantos outros motivos. Depois, caso se seja aceite para o programa, os pensamentos vão mais alto. Todos queremos coisas diferentes, uns preferem ficar mais perto de casa, outros querem explorar um mundo infinito de possibilidades - Para onde vou? E qual empresa? Claro que todos queremos que seja uma óptima empresa, de preferência conceituada e, idealmente, que nos possa assegurar um futuro após o programa. Quanto mais não seja desejamos que nos calhe uma empresa que nos dê capacidades de evolução que, eventualmente, não teríamos noutras…

 

Ser contemplada com a Consulgal foi uma surpresa! Não conhecia a empresa, mas logo soube que ocupava um lugar de destaque em Portugal na consultoria de engenharia e gestão. É uma empresa com subsidiárias em alguns pontos do globo (Brasil, Macau, Hungria, Angola), além das existentes em Portugal e eu acabei por ser colocada na  Roménia. Ficar na Europa não era das minhas preferências, mas as oportunidades agarram-se e não se deixam fugir!

 

A Consulgal Proiect (subsidiária da Consulgal na Roménia) existe desde 2003. Em 2005 e 2006 começa a ganhar alguns projectos de menor dimensão. Mas em 2007 consegue finalmente dois dos maiores projectos em desenvolvimento na Roménia: os serviços de fiscalização do troço Bucureşti – Ploieşti (60 km) da auto-estrada Bucureşti – Braşov (que é o primeiro troço da ligação Bucureşti – Braşov – Borş, entre a capital romena e a Hungria, sendo uma das principais vias de comunicação desta região); e os serviços de fiscalização da via rápida com 4 faixas Sebeş – Turda, na região da Transilvânia, que servirá de acesso à auto-estrada referida anteriormente.

 

A Roménia viveu até 1989 num regime comunista liderado por Ceauşescu, que deixou profundas marcas em todos os sectores da economia e por esse motivo, foram criados programas para ajudar países da Europa Central,  Oriental e não só, a atingir as condições necessárias para a adesão à EU. Estes programas foram usados na Roménia na sua fase de pré-adesão: o Programa PHARE, que providencia fundos para a construção de instituições; o ISPA que possibilita o investimento nos meios de transporte e nas infra-estruturas ambientais e o SAPARD, um programa de apoio da agricultura e do desenvolvimento rural. Finalmente em 2007, a Roménia entrou na União Europeia, mas apesar de ter os critérios necessários para a adesão, os seus níveis de desenvolvimento estão muito abaixo da média europeia. Este grande investimento com fundos comunitários implica, de certo modo, uma ‘invasão’ por parte de empresas estrangeiras. Só empresas portuguesas são mais de 300. Talvez devido à língua (que tem origem no latim), sendo bastante parecida com o português, mas também com o espanhol, o italiano e o francês, o que facilita bastante a comunicação a pessoas provenientes destes países.

 

Porém, nem tudo são rosas e ainda há diversos factores locais que dificultam o progresso desta região, como por exemplo o período demasiado longo (pode ultrapassar facilmente os 2 anos) entre o anúncio do lançamento de um concurso e a assinatura do contrato final, além da grande instabilidade institucional.

Verifica-se que o pessimismo, devido a tempos conturbados, permanece mesmo depois de quase 20 anos da queda do comunismo.

 

A Roménia tem grandes potencialidades para se desenvolver tanto a nível económico como turístico, mas é preciso que os romenos deixem!

Afinal também eles têm a ‘dor’* da saudade…

 

*’Dor’ em romeno significa precisamente o mesmo que a nossa ‘saudade’

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Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Intelligence Sensing Anywhere

 

Patrícia Gomes

ISA, Bucareste - Roménia.

20 de Outubro de 2007, Serra da Falperra – Campus da 11ª edição do INOV Contacto - anúncio das empresas e dos países para onde cada estagiário é designado. Durante a prova de grupo na Serra da Falperra, todos íamos completando a (s) palavra (s) que finalmente nos iam indicar qual a empresa onde iríamos estagiar nos próximos 9 meses. A “palavra” que obtive foi ISA. Pois bem, eu não conhecia a empresa nem nenhum dos colegas do meu grupo a conhecia. Fui imediatamente pesquisar e descobri: www.isasensing.com – Intelligent Sensing Anywhere. O meu primeiro pensamento foi como é que era possível eu nunca ter ouvido falar de uma empresa portuguesa, líder de mercado e com tantos prémios nacionais e internacionais. Mas obviamente a dúvida que me afligiu mais foi quais os países onde poderia vir a “calhar”. Pois bem, nada melhor do que ter 10 hipóteses, desde a vizinha Espanha até à longínqua Austrália. Quando anunciaram Roménia tenho que confessar que não foi uma felicidade imensa. Ia ficar na Europa que era algo que eu não queria, mas pelo menos ia para um país de leste, seria pelo menos um desafio maior em termos de aculturação.

Mas de volta à ISA, a empresa tinha iniciado muito recentemente a sua actividade na Roménia e estava em fase de arranque junto dos potenciais clientes. A oportunidade parecia-me excelente uma vez que tinha hipótese de representar a empresa aos mais variados níveis, e de conhecer realmente como funciona o mercado Romeno em toda a sua plenitude. Infelizmente a experiência tem tido mais contras que prós, existem imensas diferenças culturais e é realmente complicado para uma empresa estrangeira penetrar no mercado romeno sem que tenha nativos a colaborar com a mesma. O povo Romeno é sem dúvida alguma um povo de contradições e de difícil compreensão. Mas passo a enumerar alguns exemplos concretos para que melhor consigam entender o que vos tento transmitir. Um simples telefonema pode ser de facto um momento de alta tensão, especialmente se precisarmos muito de obter uma informação de alguém do outro lado da linha. O primeiro desafio é conseguir que a telefonista não nos desligue o telefone na cara, e para isso a melhor estratégia é dizer (ou pelo menos tentar) uma ou duas frases em romeno. Desta forma podemos conseguir que nos passe a chamada a alguém que fale, ou pelo menos “arranhe” inglês. Muitas vezes as pessoas que nos atendem até falam inglês mas não estão para se maçar e ter que fazer o esforço de falar uma outra língua. Já me aconteceu ligar para uma empresa e a pessoa que me atendeu insistir em falar romeno e que não falava inglês e depois quando conseguimos uma reunião na empresa e ela nos recebeu, falava um inglês fluente. Isto demonstra as tais contradições de que vos falava. Se por um lado não recebem bem os estrangeiros e são até mal-educados, por outro agem como se os estrangeiros fossem muito melhores que eles. Numa reunião eu sou sempre a primeira pessoa a ser cumprimentada, independentemente da pessoa que nos recebe falar ou não inglês. Para além desta grande dificuldade, existe uma outra, que se acentua particularmente no tipo de mercados em que a ISA actua. Os nossos potenciais clientes são na sua maioria grandes empresas e, neste país, os directores deste tipo de empresas são considerados muito mais importantes do que, por exemplo, qualquer político. É muito mais simples marcar um meeting num ministério do que tentar apresentar a ISA a alguém que possa eventualmente tomar uma decisão pela empresa.

 

De certa forma, podemos encontrar na Roménia, alguns dos graves problemas que muitos se queixam que existem em Portugal, mas de uma forma muito mais exacerbada: o achar que o que é estrangeiro é que é bom, a lentidão da função pública, a incompetência ou desleixo generalizado de empresas monopolistas, as “cunhas” serem a forma mais eficaz de alguém se conseguir impor seja em que ambiente for, entre outros.

Definitivamente a Roménia é um mercado difícil mas com a estratégia certa, é quase uma mina para as empresas estrangeiras e é, sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora para qualquer contacto. 

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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Roménia - Marginalização, Inclusão e Desenvolvimento

   José Dias, Delegação, Bucareste, Roménia.

 

 

 

 

A Roménia foi-se movendo, ao longo da última década, das margens da integração Europeia para a inclusão total na família da UE. Porém, a questão central, prende-se com a efectiva garantia de sucesso e desenvolvimento económico-social, uma vez que parece não ser 100% seguro que tal aconteça. 

O percurso da integração foi árduo, contudo progressos importantes foram alcançados desde o início da década de 90, quando dúvidas permaneciam quanto a um real compromisso com os valores democráticos, do então novo regime. No entanto, persistem actualmente problemas sérios, como é o caso, por exemplo, da corrupção e da baixa produtividade da economia romena, pelo que será justo dizer que muito ainda terá que ser feito. Aliás, esta questão ficou bem explícita nas reservas que a Comissão Europeia colocou quanto ao processo de adesão à UE quer da Roménia, quer da Bulgária. 

A adesão significa e implica um conjunto de reformas internas a nível político, social e económico, de forma a cumprir os critérios definidos pela UE. No entanto, existe um outro conjunto de dinâmicas exógenas, o que faz com que o processo de adesão não seja determinado somente pelo estado de desenvolvimento dos países candidatos. Há todo um conjunto de vertentes às quais é preciso dar particular e detalhada atenção.

 

No caso da Roménia, três aspectos gerais terão que ser levados em conta:

 

·         Desde 1989, as relações que se estabeleceram entre a UE e os Estados da Europa Central e Oriental em termos genéricos;

·         A posição da Roménia foi influenciada por acontecimentos externos, nos quais não teve poder de decisão ou controlo – facto, aliás, que lhe permitiu assegurar a inclusão na “rede” europeia;

·         A sua posição relativamente ao país vizinho, a Bulgária - o que fez com que a UE tratasse os dois países como um “bloco”, razão pela qual a adesão de apenas um não fazia sentido.

 

Após ter-se falado da marginalização e da inclusão, surge a questão do desenvolvimento da sociedade romena.

Se a relação que se estabelece entre as duas primeiras questões – marginalização e inclusão, é unicamente a da mudança de paradigma, já entre o segundo e terceiro – inclusão e desenvolvimento – pretende-se que esta relação seja de efectiva causa – efeito.

 

Ora é precisamente neste contexto que Portugal, durante a presidência da UE, no segundo semestre do corrente ano, pode assumir um papel relevante, vejamos como:

 

1)       Primeira fase pós-adesão. Após os primeiros seis meses da Roménia como membro de pleno direito da UE (Marginalização vs Inclusão) é chegada a hora de consolidar a sua posição no seio desta família europeia (Inclusão vs Desenvolvimento) – afastados estarão os primeiros de meses de euforia (ou pessimismo, dependendo da franja da população romena a quem nos referirmos);

2)       Experiência portuguesa. Após 21 anos da adesão de Portugal à UE (antes Comunidade Económica Europeia), é inevitável a acumulação de know-how. Desde modo, e enfrentando no presente desafios importantes e determinantes no processo de desenvolvimento sócio-económico, Portugal poderá (e deverá) servir de “exemplo” à Roménia, quer na implementação de políticas económicas e sociais adequadas, quer no evitar dos erros cometidos, não só pela classe governante, mas por todos os agentes económicos e sociais;

3)       Similaridade do processo de adesão. Há muito de comum nos processos de adesão português e romeno, tais como, consolidação do regime democrático e da economia de mercado; perificidade dos dois países (Portugal na fronteira Ocidental da UE e Roménia na fronteira Oriental) e, ainda, entrada conjunta com um país vizinho (Portugal / Espanha - Roménia / Bulgária).

Com a perspectiva de continuação da construção Europeia e num momento em que se retoma a discussão do Tratado Constitucional Europeu, Portugal, ao assumir a presidência da UE, poderá marcar a História.  Mas para tal, terá sobretudo que saber envolver e comprometer cada um dos parceiros Europeus nesta discussão do futuro comum. Sendo que, a partir de agora, mais dois países terão uma palavra a dizer.

No caso que aqui abordamos, o da Roménia, esperamos que esse comprometimento se inicie, primeira e eficazmente, no plano interno, a fim de que, a médio e longo prazo, este possa funcionar como alavanca para o desenvolvimento do país em diversas áreas...a 100%, porque, sem dúvidas e reconhecidamente, o potencial existe!

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