Terça-feira, 29 de Abril de 2008

O Papel? ...mas que papel?

 

Catarina Lobinho

 

 

Soporcel

 

 

Heemstede

 

Holanda

 

 

Cada vez mais damos por nós a dizer que já não conseguiríamos viver sem as tecnologias de informação (internet, telemóvel...) e reconhecemos nelas o futuro das nossas vidas, bem como a base para o sucesso de qualquer estratégia empresarial.

No entanto, no dia-a-dia não paramos para pensar em coisas tão simples e básicas que precisamos para viver, coisas que tomamos como um dado adquirido. No contexto empresarial também existem os tais “adereços” com os quais trabalhamos todos os dias sem sequer imaginar as dimensões da sua cadeia de valor.

Ora, era exactamente assim que eu reagia quando me falavam em papel: “Papel? Mas qual papel?”.... o resto da história já toda a gente sabe.

 

E foi também assim que reagi quando soube que iria integrar um escritório de vendas na maior produtora e fabricante de papel de escritório do nosso país.

Para além disto, fiquei também um pouco reticente devido ao estigma que, tal como toda a gente, tinha acerca das produtoras de papel e toda a fama que lhes está inerente (poluição, destruição de florestas, perturbação do ecossistema....and so on).

No início nem sequer sabia que uma indústria como esta poderia ter um input tão forte de marketing, vendas e planeamento estratégico. Pensava que a empresa se limitava a produzir papel. Tão simples quanto isso!

 

Mas foi logo no primeiro dia de estágio que todas as dúvidas e desconfianças esmoreceram.

Uma das coisas de que me apercebi durante os 15 dias de estágio em Portugal foi que todos aqueles de quem recebi formação, deixavam transparecer uma paixão por aquilo que faziam e um orgulho pela empresa onde trabalham.

No início não dei muita importância mas hoje, passados 5 meses em contacto com o papel de escritório, encontro-me rendida ao mundo do papel e a uma indústria que ainda tem muitas cartas para dar.

 

Um dos factores críticos para o sucesso da empresa é o facto de esta se basear numa estratégia que integra verticalmente toda a cadeia de valor. Desde o controlo das florestas (possuindo 138.000 ha de floresta nacional), passando pela produção da pasta de papel (1.320.000 ton/ano) até ao produto final (1.110.000 ton/ano), todos os processos são controlados pelo grupo Portucel Soporcel.

Desta forma é possível ter um controlo absoluto sobre a qualidade do produto que vendemos. Produto esse que é a nossa maior fonte de valor acrescentado. A excelente qualidade do nosso papel obtém-se porque conseguimos combinar as melhores matérias-primas com a tecnologia mais avançada e o elevado know-how de uma empresa há muito neste sector.

 

A internacionalização é a outra dimensão estratégica que contribui para que o grupo se posicione como um dos líderes mundiais em papel de escritório no segmento premium. Com presença em 8 países através dos escritórios de vendas, o grupo Portucel Soporcel detém hoje 12% do mercado europeu e está representado nos outros continentes através de agentes. A vantagem de estar fisicamente presente num mercado e estabelecer redes locais é a de estar perto do consumidor final e, assim, ter uma melhor percepção das suas necessidades e exigências, e também conhecer mais de perto a concorrência e sua forma de actuar.  

 

Relativamente à indústria de papel no mercado holandês, existem vantagens que exploramos para enriquecer a nossa presença e pôr em prática a estratégia de liderar o consumo no segmento premium: é um mercado com uma elevada taxa de consumo de papel de escritório per capita; elevada taxa de consumo de produtos premium; uma economia em pleno estado de desenvolvimento e com crescimento sustentável, o que potencia também um aumento sustentável no consumo de papel.

Por outro lado, a tarefa de expansão num mercado como este encontra algumas barreiras pelo facto de ser um mercado pequeno, numa fase de maturidade no ciclo de vida do produto e onde se observa uma tendência para a concentração das empresas retalhistas.

As oportunidades encontram-se ao nível da entrada no mercado de grandes players mundiais na comercialização de papel de escritório, facilitando a penetração dos nossos produtos e aumentando também o nosso poder negocial. Existe ainda um factor de relevo no que toca a aumentar o nosso market share e que se prende com o encerramento de fábricas de papel nossas concorrentes, fazendo com que os consumidores procurem alternativas.        

 

Ao contrário do que muitos possam pensar, o consumo de papel de escritório tem evoluído paralelamente com os desenvolvimentos tecnológicos. O chamado “escritório sem papel” é um mito e podemos observar hoje em dia uma coexistência pacífica entre o consumo de papel de escritório e a utilização de equipamentos tecnológicos.  

 

Os desafios futuros prendem-se com a capacidade de manter o nível de excelência dos nossos produtos e continuar a comunicá-lo da melhor maneira possível, como se tem feito até hoje. Com as oportunidades de negócio que advirão da abertura de uma nova fábrica em Setúbal já em 2010, o sucesso passará, não só pela expansão em mercados já existentes, mas também por conseguir penetrar noutros mercados, aumentando a presença a nível mundial.

Acima de tudo, o sucesso desta empresa passa por saber comunicar da melhor forma o melhor produto e pela busca constante de novas oportunidades de negócio.

 

É um orgulho trabalhar todos os dias numa empresa líder no seu segmento de mercado, reconhecida por todos os seus “stakeholders” como uma marca de excelência.

 

publicado por visaocontacto às 21:00
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

O meu Contacto.

   Ana Raquel Cunha - Soporcel - Madrid, Espanha.

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Encontro-me precisamente na última semana do estágio. Entre muito trabalho, nostalgia, festas de despedida e lágrimas, aproveito uma pausa e aqui faço um balanço destes últimos nove meses em terras de “orgullo ibérico”, reflectindo sobre as tão faladas diferenças existentes nos dois lados da fronteira.

 

Sendo assim, do lado castelhano, encontrei uma cidade:

·         Dinâmica, cosmopolita, aberta a novas culturas, que este ano foi palco do Festival Europeu do Orgulho Gay e onde muito dificilmente alguém se sente estrangeiro ou desintegrado. “El mundo vive hoy en Madrid”, um território onde diversidade é sinónimo de fertilidade e que, ao contrário do que eu esperaria do dogma do espanhol austero e elitista, fez-me sentir em casa desde o primeiro minuto.

·         Optimista, com um profundo sentimento comum de “orgulho ibérico” (muito embora pesem os problemas nacionalistas), que se faz notar desde o cantor do metro que diariamente ainda repete o “y viva la españa” até à cozinha de um pequeno escritório como o meu, onde se pode ver a fotografia que abre este texto simpaticamente exposta na máquina de café.

·         De callejeros, amigos, boas conversas e serões, de terrazas, tapas, cañas e tinto de verano e onde se toma sempre “la penúltima”; de ruído, pessoas extrovertidas que não falam, gritam, e onde o uso de palavrões convive harmoniosamente com toda a euforia que paira no ar.

·         Que não me presenteou com horas de sono, nem me brindou com horas de tédio, e que a nível cultural oferece mais do que o tempo que deixa em branco; que me habituou a fazer os carregamentos do telemóvel fora de horas, numa das inúmeras lojas chinesas espalhadas pela cidade e onde em 20 metros quadrados se vende desde pão a vinhos Rioja, passando por todo o tipo de artigos passíveis de enumeração.

·         Onde é proibido usar frases de empate como o “por favor” ou o “será possível” e onde o telefone é atendido, não com um “Estou sim...” , mas antes com um curto e directo “Digame...”

·         Que me ensinou a ser prática e desenrascada com a famosa teoria das lentejas: “ó las comes, ó las dejas”; e a não ficar indignada com respostas tão típicas como “lo comes con patatas”, quando procuro a solução para um problema.

·         Que me fez suspirar pelo mar e pelo pão que não fosse em forma de baguete; onde temi a ETA e grupos extremistas que diariamente se manifestam.

E um escritório:

·         Que muito embora pertença a um grupo empresarial português, acolheu pela primeira vez uma estagiária do país vizinho.

·         Que não me poupou a uma primeira semana de praxe na famosa Feira Aula de Madrid, e que, mesmo sabendo que era recém-licenciada e que não dominava perfeitamente o idioma, não hesitou em atribuir-me, na segunda semana, uma carteira de contactos para gerir diariamente como coordenadora de marketing do escritório.

·         Que, tal como a cidade, é multicultural e onde o GM, Ignacio Bereincua, rapidamente me explicou o funcionamento do mesmo, com um simples organigrama:

  

 

 

 

Nesse momento achei um pouco exagerada a tónica dada nas origens. Hoje consigo perceber o peso que estas adquirem na convivência e trabalho com cada um dos membros. Ainda neste ponto, ressalto o facto de o jantar de Natal de este ano estar reservado num restaurante Peruano, após doze anos de fidelidade a um Vasco.

·         Onde há hierarquias de trabalho, não de comunicação; onde o uso de títulos académicos e tratamento na terceira pessoa é anedótico e chega mesmo a ser inadequado.

·         Onde os 50 e-mails diários enviados pelo GM começam todos por “Familia,...” e terminam em “SOMOS LOS MEJORES!!! SIEMPRE LOS 1º...!!!!!! VAMOS A POR ELLO, VAMOS A POR ELLO, VAMOS A POR ELLO!!!!!”

·         De comerciais que viajam mensalmente a Portugal e ainda assim conseguem surpreender-me com expressões tal como “vou ter com as bigotas...” e com os “extremamente educados e tristes dos portugueses...”.

·         Onde a resposta a um pedido de informação a nível interno pode ser tão simples e normal como “npi” ( ni puto idea )!

·         Onde “menos es más” e por isso consegue ter dos melhores resultados do grupo e ao mesmo tempo praticar a jornada intensiva de Verão (substituição do horário de trabalho tradicional pelo das 8.00/14.00) e que lamenta o facto de a direcção portuguesa não permitir também a tão típica jornada intensiva das sextas feiras, durante todo o ano.

·         Que não dispensa o seu “paella lunch” em dias de sales conference, nem a oportunidade de se reunir em almoços até às 7 da tarde quando é necessário discutir algum tema “em familia”, e onde os melhores negócios muitas vezes surgem aliados a um Gin Tónico.

De uma forma geral, e em jeito de conclusão, resta-me dizer que estes nove meses foram uma verdadeira experiência de vida, onde aprendi o sentido pragmático da expressão “carpe diem”, vivendo a um ritmo alucinante, trabalhando sem complexos nem entraves à comunicação, acção e imaginação e divertindo-me em exagero. Gostei principalmente de integrar o “orgulho ibérico” e de com ele aprender que, tal como os espanhóis, devemos fazer mais por nós. Anseio, por isso, o dia em que verei o orgulho de ser português, não na máquina de café de um escritório, mas transparecido em cada olhar, palavra ou atitude de cada um dos nossos 11 milhões.

publicado por visaocontacto às 10:00
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