Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

A caminho do futuro

   Ana Margarida Costa - Critical Software, Southampton - U.K.

 

 

Esta foi a frase que muitas vezes me passou pela cabeça no momento em que vim para Southampton integrada no Inov Contacto. Não sabia muito bem o que me esperava, mas o desafio era enorme e tinha muita vontade de o abraçar porque estava a Caminho do Futuro. Assim também acontece com muitas empresas, nomeadamente com a Critical Software, empresa onde estou integrada.

A Critical tem cerca de 10 anos de existência e tem tido um crescimento extraordinário (rodando os 60% ao ano!), estando por isso entre as empresas que mais rapidamente cresceram a nível europeu.

A Critical ambiciona ir mais além, daí que aposte em três pilares fundamentais para ter capacidade de ganhar escala e, consequentemente, gerar riqueza.

Assim, a estratégia da Critical Software a Caminho do Futuro assenta na:

 

·         Aproximação dos mercados mais evoluídos, mais massificados e maduros a nível tecnológico, onde o preço não é um factor de exclusão e onde as competências são amplamente elogiadas. Os sectores mais valorizados são o Espaço, a Defesa e a Aeronáutica, áreas onde a Critical tem valor reconhecido. Contudo a aposta nos sectores e mercados mais exigentes não põe em causa a presença da empresa noutros sectores mais tradicionais, como as finanças, telecomunicações e indústria;

·         Utilização com a máxima eficiência de todos os canais de exportação, nomeadamente através de UK, cobrindo o Norte da Europa e os EUA e através da Roménia cobrindo todo o Leste Europeu. Para “atacar” a América Latina a Critical vai apostar no Brasil (assunto que será explorado mais adiante). Esta aposta no exterior deve-se ao facto da empresa querer estar instalada nos núcleos mais importantes, onde se encontram os “players” deste mercado. Desta forma será dado um forte passo para a manutenção do actual crescimento;

·         Criação de novos produtos, de modo que a área de desenvolvimento da empresa não se restrinja só aos serviços mas se dedique também aos produtos tecnológicos. Um bom exemplo dessa aposta é a Edge Box (para mais informações ver http://www.edgebox.net/).

 

 

Porquê Brasil?

É incontornável a importância que o Brasil assume a nível económico, não só no contexto da América Latina, mas também a nível mundial, integrando-se no grupo das 4 economias emergentes – BRIC – que em 2040 representarão 50% das maiores economias mundiais.

Actualmente o Brasil é líder em TI na América Latina e tem um mercado doméstico considerável. É também no país irmão que existe uma forte presença de fornecedores internacionais de TI, onde existem boas infra-estruturas de comunicação e o custo dos recursos humanos é bastante competitivo. O factor do fuso horário também é uma vantagem uma vez que permite tirar partido do mesmo no decorrer dos projectos.

Desse modo, a Critical pretende abrir caminho neste país carregado de oportunidades. Para isso o primeiro passo será encontrar um parceiro adequado (para ter alguma garantia de sucesso), uma vez que ainda existe algum descrédito das empresas portuguesas no outro lado do oceano.

Contudo, apesar de ser um mercado bastante atractivo, existem algumas dificuldades na entrada para o mesmo, nomeadamente, nos vistos de trabalho, dificultando por isso a deslocação de quadros de Portugal. A legislação aduaneira, fiscal e tributária ainda é algo confusa e de difícil entendimento e com permanentes alterações. A dificuldade de acesso a crédito bancário é também um factor menos positivo, uma vez que as taxas de juros são excessivamente elevadas.  

Outra dificuldade, também associada ao mercado brasileiro prende-se pelo significativo risco de mercado, justificado pelo “Quadro regulador das concessões públicas” que ainda está pouco estável e com frequentes alterações. Isto acontece também com outros serviços públicos, provocando por isso alguma demora no fecho do processo de criação de uma empresa.

 

Esta será mais uma aposta da Critical Software para continuar a elevar o nome de Portugal além fronteiras porque apesar de "serem cada vez mais e mais interessantes, as empresas portuguesas da indústria do conhecimento, o ideal seria que não se pudessem contar pelos dedos das mãos"[1]

 

Porque a Critical sonha mais e melhor a Caminho do Futuro.

 



[1] Gonçalo Quadros, CEO Critical Software in Lusa

publicado por visaocontacto às 06:00
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Domingo, 13 de Maio de 2007

O futuro sou eu que o faço…

 David Monteiro, Critical Software, Southampton, UK

 

Quando aceitei participar no Contacto 10 estava consciente que ia correr um risco considerável uma vez que já me encontrava no mercado de trabalho há 3 anos e poderia agora ter que começar tudo do zero. Mas vida é feita disso mesmo, de opções e dos riscos inerentes às mesmas. Continuar a trabalhar e a viver em Portugal não parecia de todo uma má opção, apesar dos desconcertantes “What if” que me passavam constantemente pela cabeça. Ali teria estabilidade, saberia sempre com o que contar, teria os amigos e família por perto, férias e esse clima tão aprazível que atrai todos os anos milhões de turistas. Ao invés, ao partir para uma experiência internacional tudo seria incerto. Rumaria a um qualquer ponto desconhecido no globo em busca de não sabia eu ainda bem o quê. Sabia que tinha de partir, embora desconhecesse a razão. Viria a encontrar a resposta a essa pergunta já depois de estar fora do país. Sei agora que vim à procura de me descobrir a mim mesmo e com isso aprendi. Aprendi a perceber até onde vão as minhas capacidades e limitações, e aprendi acima de tudo que novas capacidades surgem face às adversidades e que as limitações que pensávamos ter, não são nada mais do que medos e receios preconcebidos. Passaram praticamente 3 meses desde que saí de Portugal e já me sinto uma pessoa diferente, não na personalidade, mas na forma de abordar a vida e no conhecimento de mim próprio…

 

Sobre a empresa que me foi designada só tenho a dizer bem. Não vou maçar-vos com a informação pesada sobre a Critical Software e sobre os seus inúmeros casos de sucesso que de resto estão disponíveis na Internet. Tão pouco quero ser interpretado como aquilo que na gíria se chama de “graxista”. Quero apenas realçar que fiquei agradavelmente surpreendido pela sua estrutura e pela forma como é gerida. Tendo trabalhado em empresas de topo, portuguesas e multinacionais, possuo meios de comparação suficientes para poder tecer uma opinião sobre a Critical.

 

Contrariando o mais comum em Portugal, ao nível dos recursos humanos, a Critical Software segue o modelo americano, conseguindo assim ir buscar os melhores nas mais diversas áreas, mantendo-os motivados e irmanados com a empresa. Com políticas de RH competitivas e muitas acções de marketing interno e de fomentação de espírito de grupo, a Critical não descura nada neste domínio, desde o acolhimento e recepção, passando pela formação até à gestão de desempenho. Tudo está pensado na óptica da motivação. Um excelente empregado terá com certeza maiores recompensas do que um empregado razoável e os resultados estão à vista. A empresa tem crescido a uma taxa impressionante de 50% ao ano e não pára de obter o reconhecimento internacional. Clientes como a NASA aparecem no seu “curriculum” mas isso não a faz “adormecer”. Com escritórios em Portugal, EUA e Reino Unido, a palavra de ordem continua a ser “crescer”.

 

A minha função em Southampton passa pela definição das estratégias de negócio para a Europa do Norte e estudos de mercado dos sectores Aeroespacial e Transportes, bem como tarefas genéricas de marketing. Espero sinceramente continuar a ajudar esta empresa a tomar o rumo certo e a gradualmente afirmar-se como um gigante na área do software de alta integridade para sistemas críticos.

 

Para mais informações sobre a empresa visitem o site: www.criticalsoftware.com

 

Sobre o país que me calhou em sorte, pouco mais há a acrescentar do que aquilo que já é do conhecimento público. Quis o destino que fosse parar ao país com o qual Portugal tem a aliança mais antiga do mundo: REINO UNIDO. Não será certamente o destino mais contrastante em termos de cultura mas nem por isso deixa de ter uma ou outra diferença cultural relevante. Algumas das ideias que temos preconcebidas confirmam-se…outras nem por isso. Os ingleses são pontuais? Os ingleses são antipáticos? A primeira confirma-se…Os ingleses chegam quase sempre a horas, é verdade, também porque aqui não têm que combater a imprevisibilidade do trânsito. De resto, entram cedo no emprego e saem cedo, sem ter praticamente um único tempo morto durante o dia, nem mesmo o almoço, já que por estas bandas come-se uma sandes ou tarte enquanto se lê os últimos e-mails. Esta é de resto a principal diferença para com os portugueses. Não se perdem 30min para o pequeno-almoço, mais uma hora para o almoço, mais lanches, cafés, cigarros, nem outros pretextos para pôr a conversa em dia. Ganha o patrão no final do mês. Em relação à alimentação, aí têm motivos com que se preocupar. Quando os pratos mais típicos ingleses são as salsichas com feijão e ovo estrelado e o peixe embebido em óleo com batatas fritas, sabemos que alguma coisa não está bem. Na realidade, a obesidade é um problema nestas bandas e nada parece estar a ser feito para inverter a situação. Não é por acaso que a seguir a estes dois pratos, os pratos mais típicos ingleses são os…italianos, indianos, chineses, etc. Pura e simplesmente não existe tradição na cozinha britânica. Por outro lado, os ingleses não são menos preguiçosos do que os portugueses, antes pelo contrário. Tudo aqui é feito para dar o menos trabalho possível e apesar de não ser a razão oficial, explica também porque os ingleses não querem abandonar a sua moeda, o lado esquerdo para conduzir ou as medidas de peso e distância. Cada vez mais se vendem carros com mudanças automáticas e refeições pré preparadas, e são os próprios patrões ingleses a dizer que preferem dar emprego a estrangeiros qualificados porque são mais aplicados que os ingleses. Ainda em termos de diferenças culturais, o que mais me surpreendeu foi a forma que os ingleses descobriram de tornar a vida dos idosos mais útil e agradável. Depois da tomada de consciência do envelhecimento geral da população, foram criadas infra-estruturas em todos os locais públicos para que os mais velhos ou debilitados possam fazer o mesmo tipo de vida que os mais novos, seja através de lugares especiais, acessos ou até mesmo descontos em praticamente tudo o que é entretenimento. Por outro lado, muitos idosos reformados ocupam agora outras funções menos exigentes, mas nem por isso menos importantes ou produtivas. Um exemplo a seguir sem dúvida. De resto, considero os ingleses pessoas bastante corteses no geral. Para dizer a verdade, e apesar de haver excepções naturalmente, fui encontrar um povo bastante simpático e hospitaleiro. No início, o facto de ter calhado numa cidade longe da folia e ritmo frenético que se vive em Londres, sem nenhum compatriota e sem colegas de trabalho da minha idade com que pudesse conviver no dia-a-dia, posava como um cenário assustador. Hoje, com esses cenários completamente dissipados, considero-me já uma parte desta sociedade. Trabalho maioritariamente com ingleses, frequento festas privadas em que sou o único estrangeiro e vou ver o clube local jogar com outros ingleses. Aproveito os fins-de-semana para conhecer este país em profundidade e são os próprios britânicos a dizer que conheço já melhor o Reino Unido do que eles. Este é afinal um dos berços da civilização moderna e um país repleto de história que vale a pena conhecer em profundidade. Estou por isso a adorar a experiência em todos os domínios, mas não posso dizer que tudo são rosas. Alturas há em que olho para trás e reconsidero as opções que tomei. Tenho saudades de casa, da família e dos amigos, da nossa “boa mesa” e do sol, mas nem por isso deixo de encarar esta estadia no estrangeiro com muito optimismo e com a certeza de que foi uma decisão acertada.

 

O futuro daqui para a frente, sou eu que o faço.

 

publicado por visaocontacto às 16:41
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